Imaginário, representações literárias e deslocamentos culturais

Detalhes do evento

Imaginário, representações literárias e deslocamentos culturais

Horário: 20 novembro 2013 às 18:00 a 22 novembro 2013 às 19:00
Local: UFU - UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNCIA
Cidade: UBERLÂNDIA
Tipo de evento: simpósio, de, literatura, e, linguística
Organizado por: Joaquim Onésimo Ferreira Barbosa
Última atividade: 29 Jun, 2013

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Descrição do evento

RESUMO:
O símbolo sempre existiu nas artes, dada a necessidade inerente do ser humano de estabelecer comunicações com o sagrado. Edgar Morin, no livro O homem e a morte, comenta que na era paleolítica, já haviam sido encontradas nas cavernas desenhos de mortos partilhando os mesmos espaços dos vivos, o que mostra a preocupação com o mundo transcendental. O ser humano apresenta, desde tempos imemoriais, a necessidade de simbolizar, porém, a vivência do sagrado foi se perdendo em períodos relacionados à ascensão econômica da classe burguesa, que esteve por trás da primeira e da segunda Revolução Industrial, configurando, ideologicamente, estéticas literárias marcadas por um paroxismo racionalista e por uma visão mecanicista do mundo, tais como o Neoclassicismo, o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo. Como reação a essa vertente materialista, estéticas como o Romantismo e o Simbolismo constituem, ideologicamente, segundo Karl Manheim, uma reação de estratos pré-burgueses e anti-burgueses ao racionalismo burguês. Essas estéticas propõem um retorno ao subjetivo, ao inconsciente e ao irracional, como oposição, nas palavras de Ana Lisboa de Mello, ao "paroxismo do racionalismo ocidental" (2000. p.117). Dessa forma, a crítica do imaginário opõe-se à corrente racionalista aristotélica, que supervalorizava o pensamento lógico-racional. A relação do ser humano com o inconsciente e o sagrado é mediada pelos símbolos, mitos e imagens, que conseguem fornecer uma via de acesso às esferas oníricas e metafísicas. A partir dos estudos de Paul Ricoeur, Gilbert Durand aponta três dimensões do símbolo: cósmica (relacionada ao mundo que o rodeia), onírica (ao se ligar a elementos provindos dos nossos sonhos), e poética (como produto da linguagem). Esses símbolos permitem que imagens primordiais possam ser conhecidas (ainda que parcialmente), pois, seguindo Bachelard, a imagem é uma expressão arquetípica, isto é, intemporal, ao se repetir em várias culturas, em distintos tempos e espaços. O sistema dinâmico dos símbolos, ao expressar os arquétipos, tende a compor o mito. A recordação e a realização do mito ocorre, segundo Mircea Eliade, por ritos relacionados à dimensão do sagrado (1996, p.90). Anatol Rosenfeld, por meio de uma abordagem intersemiótica de correspondência entre as artes, aborda a repetição das estruturas arquetípicas e a configuração do tempo mítico no romance moderno (1996, p.89). Assim, os mitos e os arquétipos da expulsão do paraíso, da conspurcação da terra, dos heróis despedaçados mas sempre recompostos, do eterno retorno, do pacto diabólico realizado por Fausto, dentre outros tantos, são relidos de distintas maneiras, na modernidade. Postas essas considerações e conceituações, o presente simpósio abarca trabalhos que contemplem questões teóricas e metodológicas do estudo do imaginário, as representações artísticas em torno das releituras dos mitos, as relações entre história, memória e imaginário na criação literária, e outros temas relacionados aos estudo das imagens, dos símbolos e dos mitos como expressões arquetípicas de uma obra de arte.

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