A Mensagem sobre aprovação automática gerou uma avalanche riquíssima de comentários, abordando vários ângulos.

Pretendo levar para a Comunidade do Blog, para tornar permanente a discussão sobre modelos pedagógicos e melhoria do ensino.

Para tanto, será necessário uma síntese isenta dos principais argumentos levados - a favor e contra. E estou em uma pauleira de dar gosto por esses dias. Se alguma boa alma se dispuser a fazer essa síntese, ajudaria bastante.

Pelo que entendi lendo os comentários e os trabalhos sugeridos (inclusive o do IPEA):

1. Não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática.

2. A repetência é um fator desestimulador do aluno. Mas, por outro lado, a não repetência pode ser um álibi para a aprovação de alunos sem condições.

3. Por isso mesmo, a progressão continuada pressupõe uma estrutura eficiente, para apoiar o aluno no decorrer do curso, corrigindo suas vulnerabilidades. Sem essa estrutura, progressão continuada não funciona.

4. O estudo do IPEA demonstra que, na média, países que adotaram a progressão continuada tiveram melhor desempenho que os demais. Mas demonstra também que muitos países que não adotaram a progressão continuada, conseguiram também bons desempenhos. O que realça o ponto central: com ou sem progressão continuada, há que se ter um arcabouço institucional e operacional.

5. Continuo um defensor de metas e remuneração por desempenho. Meta é fundamental para qualquer professor e escola saberem onde estão e para onde pretendem ir. A questão é a metodologia das metas. Por isso, é importante um bom apanhado da defesa e das ressalvas apresentadas às metas utilizadas pela Secretaria de Educação de São Paulo.

Exibições: 1436

Anexos

Responder esta

Respostas a este tópico

Me parece natural que o viés ideológico predomine na discussão da Progressão Continuada, no entanto, alterações no quadro da qualidade da educação pública obviamente exigem medidas concretas, ou seja, gestão.

Neste sentido, no seu nível mais elementar, a gestão escolar, o que tem sido feito ? Quais os instrumentos de gestão que o Diretor de Escola possui para intervir nos resultados e objetivos (se é que existem) da unidade escolar que gerencia ? As escolas, enquanto unidades fundamentais do sistema, gozam de alguma autonomia pedagógica ou administrativa ? Esta autonomia é desejada ? É possível ? Se sim, como viabilizá-la ?
Emerson,

Óbvio que toda técnica ou metodologia de gestão traz explicita ou implicitamente um “viés ideológico”. Viver, no sentido de forma de viver, tem viés ideológico. O problema é que entre o ideal e o real é necessário trabalhar o possível.

Gostemos ou não, as organizações, sejam elas públicas, privadas, guerrilheiras, não governamentais etc., para atingir os fins a que se destinam são gerenciadas. Problemas cotidianos precisam ser resolvidos, resultados precisam ser atingidos, objetivos precisam ser compartilhados ...

Tenho profundo respeito e admiração por sua visão humanista de educação. Embora possa não parecer, compartilho dela. No entanto, esse discurso de que “se uma escola se tornar um ambiente desses, seria o fim da humanidade como a conhecemos” foi praticamente um dos pilares ideológicos dos adeptos da gestão pela pedagogia do afeto, cuja eficácia (se me permite utilizar este termo) temos visto.

Procure discutir “o que se vê na industria, nos homens desumanizados perseguindo metas de produtividade que em nada lhes acresce sua dignidade” com um pai desempregado ou um adolescente que não vê perspectiva de acesso a essa “indignidade” e que não terá o direito de dissertar sobre este tema fundamental à felicidade humana na universidade.

Também desejo um mundo em que todo ser humano deixe de ser apenas um número, que o trabalho não seja massificado, com menores desigualdades, em que, como diz Maiakovisk, “o pai seja o Universo e a mãe seja no mínimo a Terra ...”, no entanto, quando tento discutir educação, tenho feito a partir de uma perspectiva mais concreta, uma perspectiva em que se vê gerações inteiras de crianças pobres em escolas que sequer contribuirá para a inserção delas nesse mundo massificador do trabalho moderno, até porque, para ter “direito” ao desumano mercado do trabalho da “qualidade total” é necessário ser alfabetizado e conhecer operações matemáticas como conversão de medidas etc... Essa realidade eu também considero muito desumana.

Acho que a Escola precisa de gestão sim. Escola não pode ser vista como um depositório de crianças que não aprendem, professores que não conseguem ensinar, coordenadores de recados, diretores desesperados trabalhando pela reforma de sanitários etc..

Apreender exige condições básicas. Ensinar exige qualificação profissional e emprego de técnicas e métodos (obviamente também com viés ideológico), ou seja, escola deve ser lugar de aprender (com todo o prazer decorrente disso) e escola também é espaço de exercício (para não dizer desempenho) profissional. Essa história de que ser professor é um sacerdócio é uma grande besteira. É preciso ter vocação sim, mas apenas isso não basta.

E mais, entendo que o problema da educação não se limita à relação professor-aluno. Há toda uma estrutura responsável. Se as coisas não estão saindo bem, o problema é do Professor, do Coordenador Pedagógico, do Diretor de Escola, do Supervisor, do Dirigente Regional, do Coordenador de Ensino, do Secretário de Estado e da sociedade como um todo. Aliás, é por pensar assim que tenho me proposto a esta discussão.

Para concluir, é importante que os mestres e doutores da Pedagogia e ciências correlatas pensem a escola da Finlândia sim, mas não se esqueçam da escola da periferia da Vila Brasilândia.
João,
um dos grandes problemas com este caos generalizado, que vc citou sobre a resultado, foi exatamente perda que avaliação sofreu com a progressão continuada, em que degringolou para aprovação automática.
A avaliação com o tempo foi sendo desqualificada, era muito comum ouvir a seguinte afrmação: se não tem reprovação pra que avaliar"? Com o tempo só se via nas escolas avaliação com consulta, de forma bem simples e que não levava os alunos ao questionamento, trabalhos simples sem qualidade e que não tinham objetivos algum sem acrescentar nada. Foi se perdendo o hábito de estudar, de fazer pesquisas, de buscar qualidade naquilo que apresentava em sala de aula. A avaliação virou um mero acaso. Dificil hoje, na escola pública, encontrar alunos com hábito de estudar, de ler,principalmente em casa. Acho que este é um dos grandes desafios que temos pela frente, resgatar o sentido da avaliação ( embora não dá para mensurar o conhecimanto pela avaliação, mas ainda não encontramos outro caminho).
Nessas mudanças que estão sendo implantadas pela SEE, a bonificação vem atrelada com o rendimento das escolas,se isso vai funcionar, ainda não sabemo, pois não está sendo fácil para os professores encararem que sua escola está abaixo da meta desejada e que é preciso melhorar. Tem uma resistência silenciosa, dificil de ser enfrentada, muitos evitaram comentar o índice, tavez com a bonificação (agora mais pelo mérito, diferente dos anos anteriores) os professores passem a questionar porque sua escola tem indice tão baixo, só se vai para algum lugar quando tomamos alguma posição.
Também seria legal trazermos para o debate as mudanças na parte pedagógica, implantadas pela SEE. Agora é ciclo de dois anos e não mais de 4 anos, curriculo unificado entre outras medidas.

este link é o da SEE, em que apresenta o nova proposta

http://www.rededosaber.sp.gov.br/contents/SIGS-CURSO/sigscFront/def...


Um livro interessante para leitura e pesquisa:
Um gosto amargo de Escola: Relações entre currículo, ensino e fracasso escolar, de Maria das Mercês Ferreira Sampaio.
Pode ser uma boa idéia. Vou conferir se ela topa.

Luiz Carlos said:
Nassif, que tal uma entrevista online com a secretária de Educação? Você escolheria alguns participantes e teríamos um bate-papo? impossível?
Abraços...
Céus! Isso realmente é o que você acha que Educação tem que ser? Eu entendo bem sua preocupação com o que é possível, que o ideal é inimigo do bom, que nao adianta pensar em coisas para as quais nao temos recursos, etc. Mas daí a querer apenas um "adestramento" de professores e alunos, e reduzir Educação à adequação (mínima, aliás) ao mercado de trabalho é um pouco demais, nao acha nao? Ou isso é só para os "nao talentosos", e para a elite algum pensamento é necessário? João Vergílio Gallerani Cuter said:
Luiz Carlos,

Desculpe-me, mas não entendi muito bem. O que você viu de tão errado nessa visita do empresário à escola?
Abraço,

João
Como se poderá melhorar o nível do professorado se ele é tratado como um menor que nao pode planejar o próprio trabalho? E porque tanta ênfase em uniformidade? Concordo com o fim da farra do livro didático; concordo com sugestões concretas de textos, atividades, etc., elaboradas por pessoas com bom conhecimento do conteúdo, assessorada por outras com bom conhecimento de metodologias, e TESTADAS, APROVADAS E APERFEIÇOADAS PELOS PRÓPRIOS PROFESSORES, que sao sujeitos humanos, e nao robôs.
João Vergílio Gallerani Cuter said:
Emerson,

Concordo que uma avaliação sobre metas deve levar em conta a experiência de outros países. O que eu acho é que, se estamos realmente pensando em melhorar a educação no Brasil, temos que ser realistas, e pensar em soluções que caibam em nosso orçamento, e comecem a produzir resultados (aos poucos, é claro) no curtíssimo prazo. O que está em jogo é a vida dessas crianças que estão aí, e não apenas das crianças que vão nascer daqui a cinquenta anos. Temos que começar a tomar medidas que façam alguma diferença imediata e, para isso, é fundamental sabermos de onde estamos partindo.

Estamos partindo do caos generalizado. Acho que foi o Luiz Carlos quem deu o testemunho da situação dos prédio em que ele trabalha, em Sorocaba. Não dá para ligar os computadores simultaneamente, pois a fiação não aguenta. É claro que a recuperação (mas, acima de tudo, a MANUTENÇÃO) do espaço físico é condição sine qua non para implementarmos qualquer mudança. Mas exatamente essa precariedade já impõe uma distância enorme com relação ao modelo finlandês, por exemplo. Você viu as fotos das salas de aula que eles têm por lá? Pois é. Vamos lutar para termos salas de aula assim aqui no Brasil? É claro que vamos. Mas, ao mesmo tempo, vamos partir do seguinte fato: no curto e no médio prazo isso não vai acontecer. Isso não depende de o governo ser do PSDB ou do PT. Você pode pôr Jesus Cristo no governo do estado. Se ele não fizer milagres, não teremos salas de aulas como as finlandesas em toda a rede pública nos próximos 50 anos. Não há dinheiro para isso. Temos que imaginar melhorias possíveis, viáveis.
Pelo que pude ler, o sistema finlandês é fortemente descentralizado. As escolas têm uma grande autonomia curricular. Só que, ao mesmo tempo, a maior parte dos professores tem mestrado, e os alunos têm dinheiro para comprar livros didáticos à vontade. Se o professor acha que o livro tal é interessante, basta escrever o título na lousa, e no dia seguinte todos terão o livro em mãos. Será que podemos aplicar o modelo ao Brasil? Na minha opinião, não dá. Para começo de conversa, a maioria absoluta dos professores da rede pública (não por culpa deles, veja bem) têm uma formação absurdamente precária. Muitos nos procuram no começo de cada ano, na universidade, querendo fazer o mestrado, e por isso conheço o problema bem de perto. São todos? Não são todos, mas aposto que é grande maioria. É culpa deles? É claro que não é culpa deles. Mas a questão não é quem tem culpa de quê. A questão, mais uma vez, é o que fazer com esse material humano que temos aí. A ênfase, na minha opinião, por enquanto não deveria ser posta na realização de um mestrado, ou coisa que o valha. O buraco é muito mais embaixo. Os professores têm que fazer cursos de reciclagem focados nos conteúdos que eles têm que transmitir aos estudantes e em técnicas pedagógicas objetivas, vinculadas ao conteúdo. Dar autonomia às escolas com esses professores que temos seria institucionalizar o caos. Dada a realidade que vivemos, precisamos de centralização. Seria muito melhor que os professores lidassem com um material didático unificado e barato, acabando com a farra do livro didático, que só faz a fortuna das editoras. A unificação do material didático facilitaria enormemente o planejamento dos cursos de reciclagem, e possibilitaria o uso intensivo da educação à distância.
Finalmente, a questão da avaliação. Achei fantástico o material que você disponibilizou. O PISA, pelo que vi, é um sistema de avaliação focado na aplicação do conhecimento adquirido na escola. A questão de biologia que eles citam como exemplo (não li as provas completas, que também estão disponíveis no site) é uma notícia de jornal, envolvendo o uso de testes de DNA. A primeira questão testa se o aluno tem uma idéia precisa do que vem a ser o DNA. A segunda, testa se ele tem uma boa idéia de quais são as questões criminais que podem ser resolvidas mediante o uso de técnicas científicas, e quais não podem. Mas, veja o seguinte: o PISA é um método de avaliação. As escolas européias não se recusam a fazer testes de rendimento. Pelo contrário. Elas utilizam esses testes para programar suas estratégias de ensino. Ora, é exatamente isso que devemos fazer aqui. Não devemos combater as avaliações. Devemos lutar para que elas sejam cada vez mais freqüentes, e cada vez melhores. E devemos lutar para que nossos estudantes se saiam cada vez melhor nessas avaliações. Uma das maneiras de se fazer isso é tomar a melhoria no resultado da avaliação como meta a ser atingida. Que mal há nisso?
Gente, no próprio espaço do projetobr há um texto ótimo, um documento encomendado em parceria pelo MEC (INEP) e Unesco, intitulado "Repensando a Escola: Um Estudo Sobre os Desafios de Aprender, Ler e Escrever". Digo que o documento é ótimo porque, diferentemente do que é comum em documentos oficiais, em vez de "baixar pacotes" em cima de professores e escolas, faz uma consulta em profundidade a todos os atores envolvidos: professores, diretores, ALUNOS, pais, profissionais de apoio, todos OUVIDOS. Nenhuma metodologia, solução mágica, política, o que for, vai funcionar se nao houver nao só compreensao, mas ADESAO dos participantes. Nao na base do "bastao e da cenoura".
A não repetência em uma sociedade em que a educação é desvalorizada cria a total desmotivação do aluno. Quanto à esta história de remuneração por desempenho, qualquer um que realmente atue na área de educação sabe o quanto é frustrante não alcançar os objetivos pelos quais você batalhou o ano inteiro com alunos desinteressados. Portanto, guarde a remuneração por desempenho para os alunos ou seus pais, se achar melhor. O professor precisa de um salário digno para não ter de dar aulas em duas ou três escolas, pode preparar suas aulas. se atualizar e comprar livros. O resto é balela neoliberal.
Luciene
Queria defender aqui a autonomia da escola e do professor. Há muitos anos atrás assisti, entristecida e mortificada, crianças com fome na sala de aula enquanto os alimentos da merenda escolar apodreciam em galpões e armazéns e ouvíamos denúncias de superfaturamento e malversação das verbas públicas.
Hoje a merenda é um sucesso. Não se ouve queixas de falta de comida nas escolas (ou ouve? e eu é que não sei?). Lembro perfeitamente das profecias de que o roubo ia sair do grande para o pequeno escalão, que as diretoras de escola iam ficar ricas e poderosas...
Ouço as queixas dos professores em relação ao lobby das grandes editoras (em particular da editora moderna) e em como eles não têm a possibilidade de escolher livros mais de acordo com a sua realidade e que, mesmo quando escolhem, não é raro ficarem com a 2a escolha, a da "maioria". Isso é centralização.
O problema da formação do professor está sendo resolvido, é o que eu vejo, mas isso leva tempo! Não é possível que não se enxergue a diferença entre o professor de hoje com o de cinco anos atrás, e desse com o de dez anos atrás!
Os salários melhoraram, o professor melhorou.Com a melhora na remuneração veio uma maior exigência na formação, melhores professores ingressaram por concurso. E o que encontraram? Escolas depredadas, falta de reciprocidade, de resposta do poder público às suas necessidades como profissionais.
Não acho que precisemos de nenhuma grande revolução didática e sim administrativa. Ainda não tenho opinião formada sobre um sistema de bônus, mas gostaria de sugerir, para discussão, porque gostaria de ouvir os colegas do Brasil(sou da Bahia), se esse bônus estivesse atrelado ao resultado do provão e se ele não fosse só um bônus no salário do professor, viesse também com um bônus administrativo para a escola, para usar em infraestrutura?
Ah, quando falei que não precisamos de revolução didática, é porque acho que os programas de formação e reciclagem para os professores estão indo sim, no caminho certo.Não está bom, mas tenho visto melhorar. Vocês não percebem nos professores que chegam nas escolas, recém contratados, concursados, vontade de trabalhar, de ensinar, de crescer com os alunos?
Sandra
Professora do ensino fundamental e médio, Psicopedagoga
Adorei, Maria Dirce. É isso que as pessoas têm dificuldade de entender. Os professores nao sao robôs, eles só podem aplicar bem uma proposta primeiro se a compreendem, e depois se a aceitam... Com autoritarismo e bananinhas para os bem comportados, tudo o que se vai obter é fraude.
Maria Dirce said:
Somente agora a sociedade pode avaliar o resultado da nova política educacional instituída pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação). A Progressão Continuada é, na teoria, uma excelente saída para resolver em um só golpe dois problemas diferentes: O primeiro problema é o pedagógico.

O novo sistema de progressão continuada eleva a auto-estima do aluno que não passará mais pelo trauma anual da repetência (cabe aqui salientar que a reprova do ciclo de 4 anos pode ser bem mais traumática do que a reprova de apenas um ano letivo).

O segundo problema é estatístico. O Brasil precisava cumprir as metas propostas pelo governo no plano decenal da educação onde, o governo brasileiro deveria reduzir o número de crianças fora da escola e repetentes ( cabe aqui também lembrar que reduzir o número de crianças repetentes significa reduzir custos para o Estado).

Os frutos desta nova política todos já conhecem. Hoje muitas crianças chegam a 8ª série sem saber ler e escrever adequadamente, aumentando assim a exclusão social da população que, não conta com nenhum tipo de qualidade de ensino. Dizer que a culpa é dos professores, coordenadores e diretores é cômodo pois assim, salva-se as boas intenções do governo.

A pergunta que todos deveriam fazer aos nossos representantes da área da educação é:

Como foi aplicada essa nova política?
Como os professores assimilaram esta proposta?
Essa proposta foi discutida democraticamente ou foi simplesmente planejada em um gabinete e instituída como uma medida autoritária?
Qual apoio tem recebido os professores no que diz respeito a reflexão, entendimento e discussão desta proposta?


O que se viveu dentro das escolas foi a vinda de uma nova proposta renovadora, sem dúvida nenhuma, teoricamente perfeita mas, uma proposta que não deu as professores a oportunidade de refletir sobre sua prática, sobre o que fazer a partir daquele momento.

Foi exatamente aí que a progressão continuada virou progressão automática, foi exatamente aí que muitos alunos foram perdidos e hoje são encontrados nas oitavas séries do Ensino Fundamental sem saber ler e escrever.
Giselle Cristina Avellar
Professora do Ensino Fundamental e Pedagoga
O bônus em si pode ser muito maléfico, levar ao que, por ex., já acontece nas Universidades, onde os professores estao muito mais interessados em "sair bem na foto" dos critérios da CAPES do que em atender seus alunos... Fazem mil artigos que sao cópias uns dos outros, entram em círculos de citação mútua, co-assinam os trabalhos dos orientandos, o escambau... Já preparar material para os alunos, sobretudo os de graduação? Isso nao dá pontuação. Ou, pior ainda, em Universidades particulares que só querem ensinar o que cai no Provão. O ensino nao pode virar um grande "pré-vestibular" desde o primário (pré-prova X ou Y conforme o caso...). Educação nao é isso. Nao estou defendendo grandes discursos, João, nesse ponto somos parecidos. Sei que nao basta falar de cidadania, etc., no vácuo, é preciso ensinar a ler, escrever, dominar recursos matemáticos, ter uma boa iniciação em Ciências e em pelo menos uma língua. Mas exatamente porque tenho o pé no chão que sei que nao é com manipulações externas que conseguiremos melhorar nada. Professores sao sujeitos. Têm que estar motivados e acreditar no que fazem para poder ter resultados.

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Marcelo,

Ainda não entendi qual é o argumento contra o bônus por desempenho. De que há OUTRAS coisas a serem feitas, ninguém discorda.
Abraço,

João
Se a visita fosse uma atividade entre outras, nada. Mas o que o Luiz Carlos mostrou foi que ela faz parte de um quadro maior em que Educação é igualada a "ter sucesso" em negócios, e coisas assim. Isso nem ao menos ajudará os alunos a ter tal sucesso; mas implantará desde cedo uma ideologia nefasta a esse respeito. Querer ter sucesso é normal nos humanos. Reduzir a própria idéia de sucesso e realização à de ganhar dinheiro, desde tao cedo...

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Luiz Carlos,

Desculpe-me, mas não entendi muito bem. O que você viu de tão errado nessa visita do empresário à escola?
Abraço,

João

RSS

Publicidade

© 2020   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço