A Mensagem sobre aprovação automática gerou uma avalanche riquíssima de comentários, abordando vários ângulos.

Pretendo levar para a Comunidade do Blog, para tornar permanente a discussão sobre modelos pedagógicos e melhoria do ensino.

Para tanto, será necessário uma síntese isenta dos principais argumentos levados - a favor e contra. E estou em uma pauleira de dar gosto por esses dias. Se alguma boa alma se dispuser a fazer essa síntese, ajudaria bastante.

Pelo que entendi lendo os comentários e os trabalhos sugeridos (inclusive o do IPEA):

1. Não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática.

2. A repetência é um fator desestimulador do aluno. Mas, por outro lado, a não repetência pode ser um álibi para a aprovação de alunos sem condições.

3. Por isso mesmo, a progressão continuada pressupõe uma estrutura eficiente, para apoiar o aluno no decorrer do curso, corrigindo suas vulnerabilidades. Sem essa estrutura, progressão continuada não funciona.

4. O estudo do IPEA demonstra que, na média, países que adotaram a progressão continuada tiveram melhor desempenho que os demais. Mas demonstra também que muitos países que não adotaram a progressão continuada, conseguiram também bons desempenhos. O que realça o ponto central: com ou sem progressão continuada, há que se ter um arcabouço institucional e operacional.

5. Continuo um defensor de metas e remuneração por desempenho. Meta é fundamental para qualquer professor e escola saberem onde estão e para onde pretendem ir. A questão é a metodologia das metas. Por isso, é importante um bom apanhado da defesa e das ressalvas apresentadas às metas utilizadas pela Secretaria de Educação de São Paulo.

Exibições: 1469

Anexos

Responder esta

Respostas a este tópico

Prezado Edson,
Concordo com você que é necessário avançar no sentido de ir além dos objetivos quantitativos em educação. Contudo, penso que é uma temeridade a proposta formulada pelo João Virgílio e encampada por você: a criação de um sistema duplo de ensino. Isso já existiu no passado. Era o modelo europeu, que o Brasil copiou. Na Europa ele foi abandonado, após a 1ª Guerra, em favor de um sistema único. Aqui no Brasil, em termos normativos, o sistema foi extinto em 1971. Havia a escola elementar/primária, de curta duração (em geral 4 anos), que deveria ser frequentada por todos (mas aqui no Brasil essa democratização do acesso nunca aconteceu) e, a escola secundária, altamente seletiva, mais extensa (em geral 7 anos divididos em dois ciclos - aqui no Brasil, o antigo ginásio, de 4 anos, e o colegial com 3). A introdução de um sistema único se deu pela ampliação do ensino primário, redução do ensino secudário e fim da seleção para o ingresso no mesmo (aqui no Brasil, tinhamos o famoso exame de admissão ao ginásio).
Esse era o sistema de excelência que existia no passado.
Qual era o problema dele afinal? O fato de que, no mundo todo, o acesso à antiga escola secundária se dava muito mais em função do pertencimento a determinados segmentos de classe social do que pelo talento propriamente dito. As escolas secundárias eram escolas da elite. As crianças pobres dificilmente eram aprovadas nos exames para ingresso nessas escolas. Para elas, restava o caminho do mundo do trabalho ou, eventualmente (e ponha eventualmente nisso), o ingresso numa escola profissional para aprender um ofício.
Mas, era um mundo muito diferente do nosso em termos políticos, sociais, econômicos e tecnológicos.
Penso que não podemos fugir ao desafio de melhorar a escola que atende a todos.
Talvez, melhor do que criar um sistema duplo seria ampliar as oportunidades para os que tem talento e disposição. Há muitas ações de atendimento complementar à escola, mas que pecam por se manterem apenas no campo assistencial e na falta de articulação com a própria escola.
Ao mesmo tempo, é necessário pensar sobre os limites que as políticas de educação e as escolas possuem para resolver os problemas sociais. Será que não estamos cobrando das escolas e dos sistemas de ensino algo que eles, isoladamente não podem fazer?

Edson Felix de Pontes said:
Marcelo,

Concordo com você quanto ao tratamento que é dado a muitos projetos, no entanto, discordo quanto à ausência de Política Educacional. Por exemplo: o atual governo do Estado de São Paulo possui dez metas para a Educação http://www.saopaulo.sp.gov.br/acoes/educacao/metas/ que, enquanto protocolo de intenções contemplam anseios de muitos de nós. Apenas acho sintomático que seja possível encontrar estas metas no site do governo e não conseguí-las no site da Secretaria de Educação: www.educacao.sp.gov.br, tendo vista que, sendo metas para a educação, deveriam permear o cotidiano de toda a estrutura de gestão da educação.

Para quem acompanha esta questão mais de perto observa que as ações da atual gestão caminham em sintonia com tais metas e confesso que considero um grande avanço, principalmente quando comparamos com gestões anteriores. Mas, sendo assim, onde está o problema? Entendo que pelo menos dois fatores merecem reflexão:

Primeiro: A forma como as ações são implementadas, ou seja, sem nenhum ou muito pouco esforço para angariar alianças com os efetivos operadores, no caso, os Profissionais de Educação.

As coisas são implementadas de cima para baixo sem que haja tempo de quebrar resistências naturais, viabilizar a incorporação dos princípios e compartilhar os desafios que se colocam. Alguns dirão que isso é típico de gestão tucana, no entanto, confesso que já vi este mesmo filme em gestão petista onde iluminados costumavam “tratorar” obstáculos para implementação daquilo que consideravam adequado.

Acho que este fator somente poderá ser superado quando formos capazes de compreender o problema da Educação como um problema de Estado e não apenas tópicos de Programas de Governo.

Segundo: Entendo que precisamos transcender os objetivos quantitativos da educação.

Neste tópico, não apenas em razão das pressões estatísticas de organismos internacionais, mas também (e é uma pena que na maioria das vezes desconsideramos isso), por força de nossa da Constituição, do nosso avançadíssimo Estatuto da Criança e do Adolescente e da própria LDB – Lei de diretrizes e bases da educação, avançamos muito e não é permitido à sociedade brasileira retroceder.

Do ponto de vista quantitativo, a universalização do acesso à escola é, e deve continuar sendo meta viável e fundamental, porém, é passada a hora de encararmos os desafios qualitativos e, neste aspecto, não percebo adequado o discurso da universalização. Em uma estrutura ampla e complexa como a nossa, a universalização qualitativa é falaciosa e tem como tendência natural a nivelação por baixo.

Neste sentido, considero que as propostas corajosamente apresentadas pelo João Vergílio Gallerani Cuter (“...Criação de um sistema duplo de ensino. Um, voltado para os alunos mais talentosos, com escolas-modelo de altíssimo nível”) não são de todo desprezíveis.

Confesso que sou de um tempo em que havia excelentes escolas públicas em um sistema que, embora houvesse um padrão muito superior ao atual, não poderia ser considerado homogêneo. Com o desafio da universalização, o que fizemos: eliminamos a seletividade, a autonomia das escolas e nivelamos todas por baixo. Hoje tocar na questão da seleção para ingresso na Escola Pública é pedir para ser rotulado de fascista, reacionário etc.. Há argumentos contrários de natureza legalista, pedagógicos, dogmáticos etc.. Ninguém assume a realidade de que não se propondo assegurar uma viável educação pública de excelência para um número possível, o Estado tende a não viabilizar para ninguém. O impressionante é que quando falamos em Ensino Superior o discurso e a realidade são completamente diferentes (mas essa é uma outra questão !).

Para não ficar apenas no discurso; apresento algumas propostas:

1. Assegurar a universalização do acesso ao ensino básico (como a sociedade brasileira tem feito);
2. Implementação e aprimoramento de mecanismos de avaliação de resultados (internos e principalmente externos);
3. Gradativa atribuição de autonomia administrativa e pedagógica (inclusive com a possibilidade de utilização de instrumentos públicos de seleção de alunos, composição do quadro de docentes e demais profissionais de educação) às escolas (inicialmente de Ensino Médio) que atinjam reconhecidos parâmetros de qualidade.




Marcelo Luiz said:
Grande problema das fórmulas atuais é que os governos não têm uma política educacional, por isso lançam um projeto, fazem festa e depois o esquecem na gaveta, como foi o caso da nova política educacional instituída pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação).

Por termos essa doença na administração pública, ficamos discutindo a muito se é válido ou não um mecanismo isolado do todo, seja a aprovação automática ou as metas e remuneração por desempenho.

Os mecanismos não são ruins, não, por que funcionam em qualquer lugar que tenha uma política educacional e essas ferramentas sejam coerentes com essa estratégia.

Fica claro esse ponto de vista, só de ler todos os textos enviados pelos leitores desse espaço, mesmo no blog, ninguém colocou nenhum ponto da política de educação paulista, mesmo quem tentou defender, ficou claro que a política era o mecanismo.

Por isso, desde o enterro da escola padrão não temos nessa área como ser contra a uma política pública do governo paulista, afinal não se pode ser contra o que não existe, as colocações principalmente de quem trabalha na rede pública são claras, são “gritos” pedindo que o governo saia das trevas e tenha coragem de fazer política até para ser criticado.

Eu como cidadão diferentemente fico estarrecido, afinal os números são claros, pelo mesmo porcentual de São Paulo, nós temos resultados infimamente piores que todos os sistemas educacionais em termos de qualidade do mundo, mas aí está impropriedade não podemos colocar São Paulo com outros países, só Estados Brasileiros, afinal no exterior existem políticais educacionais.

Concluindo: Sem política educacional é quase impossível o Estado de São Paulo recuperar-se em termos de qualidade, esperamos agora que saiu a política de RH para profissão, começe algo mais substâncial, pensando no todo, e não apenas em paleativos.
Concordo em gênero, número e grau. Em primeiro lugar na menção a causas para os problemas escolares que vêm "de fora" da escola, que tem pouco poder de fazer algo a respeito (algum poder a escola pode ter, mas com uma visão de apelo às comunidades e integração com elas, o que implica em primeiro lugar que é preciso OUVI-LAS).
Em segundo, no fato de que aqueles que entravam nessas escolas de excelência já eram privilegiados (nem que fosse pelo maior nível cultural da família, maior disponibilidade das mães, maior valor dado à educação).
Vocês já viram um daqueles exames (Teste ABC, Teste Metropolitano, aqui no Rio -- há muitos anos atrás) com os quais as crianças que entravam NO PRIMÁRIO eram classificadas em turmas fortes ou fracas? Julgava-se coordenação motora por quebra-cabeças (com que uns brincavam desde os 3 anos, e outros estavam vendo pela primeira vez; o resultado seria o mesmo se fossem usadas bolas-de-gude?); as questões sobre vocabulário pediam o nome de objetos e eventos que simplesmente inexistiam no universo de muitas crianças (cadeira de balanço; relógio de pêndulo; FESTA DE HALOWEEN). E as professoras mais antigas e experientes tinham o direito de escolher a turma primeiro; qual vocês pensam que elas escolhiam? Quem já tinha mais, ganhava mais ainda. E a partir de 11 anos só havia ou colégios particulares, ou as tais "escolas de excelência" (Pedro II, Colégio Militar, Instituto de Educação, Colégios de Aplicação) para a classe média. É isso que querem de volta em nome da excelência?
Em terceiro, concordo tb com a necessidade de encontrar outros meios de acrescentar valor à escola, tornando-a menos repulsiva aos alunos -- o que é uma das fontes dos problemas.
O PROBLEMA DA EDUCAÇÃO NAO É APENAS "TÉCNICO", NEM SÓ FINANCEIRO. Vem sobretudo da descrença dos seus usuários e do desânimo e depressão dos professores, que de dentro nao estao vendo o que poderiam fazer para mudar o que vivem -- que está insuportável.
Mesmo a tão propalada "falta de formação" dos professores não é sobretudo uma questão de "tecnologia educacional", metodologia ou conhecimento do conteúdo, mas de nível cultural (e tb das ideologias, mas isso é uma outra história) dos próprios professores. Porque os jovens de maior potencial não escolhem mais o magistério como carreira, não são masoquistas.

Paulo Celso Gonçalves said:
Prezado Edson,
Concordo com você que é necessário avançar no sentido de ir além dos objetivos quantitativos em educação. Contudo, penso que é uma temeridade a proposta formulada pelo João Virgílio e encampada por você: a criação de um sistema duplo de ensino. Isso já existiu no passado. Era o modelo europeu, que o Brasil copiou. Na Europa ele foi abandonado, após a 1ª Guerra, em favor de um sistema único. Aqui no Brasil, em termos normativos, o sistema foi extinto em 1971. Havia a escola elementar/primária, de curta duração (em geral 4 anos), que deveria ser frequentada por todos (mas aqui no Brasil essa democratização do acesso nunca aconteceu) e, a escola secundária, altamente seletiva, mais extensa (em geral 7 anos divididos em dois ciclos - aqui no Brasil, o antigo ginásio, de 4 anos, e o colegial com 3). A introdução de um sistema único se deu pela ampliação do ensino primário, redução do ensino secudário e fim da seleção para o ingresso no mesmo (aqui no Brasil, tinhamos o famoso exame de admissão ao ginásio).
Esse era o sistema de excelência que existia no passado.
Qual era o problema dele afinal? O fato de que, no mundo todo, o acesso à antiga escola secundária se dava muito mais em função do pertencimento a determinados segmentos de classe social do que pelo talento propriamente dito. As escolas secundárias eram escolas da elite. As crianças pobres dificilmente eram aprovadas nos exames para ingresso nessas escolas. Para elas, restava o caminho do mundo do trabalh
Edson Felix de Pontes,

Não é apenas sintomático a falta ou a dificuldade de encontrar as informações no site da secretaria de Educação, é errado do ponto de vista de gestão. O problema das atuais metas e do material até agora que li da secretaria de educação que em sua maioria é através de entrevistas, do site do Nassif, alguma coisa de jornal entre outras, faz me levar a crer que a nave continua a deriva.

Utiliza-se conceitos de uma ciência de forma solta, sem pensar em amarrar as ações, hoje em dia a política de qualidade de uma firma tem metas claras para responsabilizar quem não cumpre a sua parte até para alta administração.

Fica aqui uma indagação que se não forem cumpridas as metas quem será responsabilizado?

Uma coisa que não entendo escreve-se e fala-se muito em maior descentralização e contrata-se mais supervisores, não parece estranho? Será que em um novo papel do direitor da escola ainda é necessário esse nível hierarquico da secretária de ensino.
O prezado Marcelo aponta um problema realmente muito sério: a comunicação entre a administração da(s) Secretaria(s) de Educação e as escolas (coloco a possibilidade do plural porque considero que não é um problema exclusivo da Secretaria Estadual de SP).
Vou ilustrar com um fato que ocorreu há muito tempo, mas que pode ser ilustrativo do problema levantado pelo Marcelo e, ao mesmo tempo, trazer elementos para a discussão de fundo deste fórum (a progressão continuada). Em 1991 (sim, 1991), eu era professor da rede pública estadual de São Paulo, em uma escola (boa escola por sinal), numa cidade da região administrativa de Campinas. O Conselho Estadual de Educação (CEE) aprovou uma resolução que tratava do processo de avaliação do rendimento escolar para fins de progressão dos alunos (Resolução 3/91 - até hoje não esqueci o número do documento). Era o seguinte: o documento apontava no sentido de um maior zelo com relação ao processo de avaliação dos alunos e à documentação do mesmo. Basicamente, a forma e critérios de avaliação dos alunos deveriam estar claramente previstos nos planos de ensino, o processo deveria ser feito dentro de critérios pedagogicamente aceitos, todo documentado e os conselhos de classe deveriam funcionar regularmente (nada de absurdo)
A resolução foi publicada ainda no primeiro semestre, mas as escolas não foram informadas (pelo menos as da cidade onde eu atuava). No final do ano (acho que era novembro), os professores foram convocados para uma reunião para tratar de assuntos administrativos. Foi deixada numa mesa da sala dos professores uma cópia da referida resolução sem, no entanto, qualquer indicação sobre a relação com a reunião. Eu vi o documento, li e, inclusive, fiz uma cópia para meu arquivo.
No dia da reunião estava presente uma supervisora de ensino (da então Delegacia de Ensino). O diretor apresentou a mesma e disse que ela faria esclarecimentos a cerca de uma mudança nos procedimentos de avaliação para fins de aprovação ou retenção dos alunos. Ou seja, ela trataria da resolução do CEE.
Para minha surpresa, ela, depois de alguns rodeios, afirmou que os professores, a partir daquele momento, não poderiam mais reprovar os alunos (isso foi antes, portanto, da implantação do sistema de progressão continuada).
Eu questionei a afirmação da supervisora mostrando, na resolução, que a diretriz era outra.
Vejam o que ela me respondeu: que a minha interpretação estava equivocada, pois ela e os outros supervisores haviam participado de uma reunião com o delegado de ensino; os delegados de ensino da região, haviam participado de uma reunião como o diretor da então Divisão Regional de Ensino de Campinas; que os diretores das divisões regionais de ensino haviam participado de uma reunião na secretaria de educação e, portanto, a ordem para não reprovar os alunos partira da própria secretaria estadual.
Para mim ficou claro que nem ela e nem o diretor (quiçá, nem o delegado de ensino e diretor da divisão regional de ensino) haviam lido o documento. Outra coisa que eu tenho certeza, meus colegas não leram o documento.
No início do governo Covas, houve uma reestruturação (importante e necessário, diga-se de passagem), na secretaria de educação. Foram extintas as Divisões Regionais de Ensino e o número de delegacias de ensino foi reduzido. Com isso, deveria diminuir a distância entre a escola e a Secretaria de Educação.
Não cheguei a participar desse processo pois sai da rede estadual em 1995. Todavia, penso que os problemas de comunicação continuam os mesmos (infelizmente).
Anarquista Lúcida e Paulo Celso,

Gostaria de deixar claro que não estou propondo a volta do modelo extinto em 1971. Meu posicionamento é de manutenção dos esforços pela universalização da educação básica (acesso ao ensino fundamental e ensino médio para todos!).

De fato, antes a escola pública de qualidade atendia quase que exclusivamente a classe média. O que o sistema fez? Nivelou por baixo e afastou (para não dizer expulsou) a classe média dentro da lógica de que educação de qualidade é produto. Hoje a classe média sacrifica-se para pagar escolas, planos de saúde e, em muitos casos, até o vigia da rua. Acho isso natural, as pessoas procuram meios de se defender da ineficácia do Estado. Qual o professor que podendo pagar escola para os filhos os mantém na escola pública? A classe média mesmo suportando uma brutal carga tributária não possui efetiva contra-partida do Estado. Creio que a retomada da qualidade dos serviços públicos dependem em muito da possibilidade de reinclusão da classe média. No fundo vejo uma grande injustiça nisso tudo: se a classe média paga impostos, especialmente a assalariada, que tem o pagamento de seu imposto realizado diretamente na fonte, porque o sistema não pode contemplá-la? Porque não pode haver escolas públicas de qualidade reconhecida, com autonomia administrativa e pedagógica, cujo acesso seja permitido a todos (incluindo os oriundos da classe média) por meio de instrumentos públicos de seleção?

Mas tudo bem. Acho que vou continuar sozinho nesta forma de pensar.

O Paulo Celso fez uma brilhante indagação: “é necessário pensar sobre os limites que as políticas de educação e as escolas possuem para resolver os problemas sociais. Será que não estamos cobrando das escolas e dos sistemas de ensino algo que eles, isoladamente não podem fazer?” Pois é Paulo é chegada a hora de pensar a educação de forma transversal, mas sem desconsiderar que há um risco ai: o de se desviar recursos da Educação para outras áreas em nome da transversalidade.

Anarquista Lúcida said:
E a partir de 11 anos só havia ou colégios particulares, ou as tais "escolas de excelência" (Pedro II, Colégio Militar, Instituto de Educação, Colégios de Aplicação) para a classe média. É isso que querem de volta em nome da excelência? Paulo Celso Gonçalves said:
Prezado Edson,
Era o modelo europeu, que o Brasil copiou. Na Europa ele foi abandonado, após a 1ª Guerra, em favor de um sistema único. Aqui no Brasil, em termos normativos, o sistema foi extinto em 1971. Havia a escola elementar/primária, de curta duração (em geral 4 anos), que deveria ser frequentada por todos (mas aqui no Brasil essa democratização do acesso nunca aconteceu) e, a escola secundária, altamente seletiva, mais extensa (em geral 7 anos divididos em dois ciclos - aqui no Brasil, o antigo ginásio, de 4 anos, e o colegial com 3). A introdução de um sistema único se deu pela ampliação do ensino primário, redução do ensino secudário e fim da seleção para o ingresso no mesmo (aqui no Brasil, tinhamos o famoso exame de admissão ao ginásio).
Esse era o sistema de excelência que existia no passado.
Edson, é claro que a classe média tb tem direitos. E deveria lutar por eles. Só que, na situação atual, é sabido que quaisquer "exames de 'mérito' " só vão beneficiar os filhos da classe média, nao os outros, que têm muito menos. Talvez até se possa evitar isso no ensino médio, ou até mesmo no limite dos 2 segmentos do ensino fundamental, tentando-se restringir o ingresso nas tais escolas de excelência aos que tenham cursado apenas a escola pública até ali. Mas ainda assim você beneficiaria a "parcela menos desprivilegiada" dos pobres. Ok, pode até haver um elemento de realismo nisso, e se estaria dando alguma oportunidade de mobilidade social a alguns dos despossuídos. Mas é muito injusto para com os outros.

Edson Felix de Pontes said:
Anarquista Lúcida e Paulo Celso,

Gostaria de deixar claro que não estou propondo a volta do modelo extinto em 1971. Meu posicionamento é de manutenção dos esforços pela universalização da educação básica (acesso ao ensino fundamental e ensino médio para todos!).

De fato, antes a escola pública de qualidade atendia quase que exclusivamente a classe média. O que o sistema fez? Nivelou por baixo e afastou (para não dizer expulsou) a classe média dentro da lógica de que educação de qualidade é produto. Hoje a classe média sacrifica-se para pagar escolas, planos de saúde e, em muitos casos, até o vigia da rua. Acho isso natural, as pessoas procuram meios de se defender da ineficácia do Estado. Qual o professor que podendo pagar escola para os filhos os mantém na escola pública? A classe média mesmo suportando uma brutal carga tributária não possui efetiva contra-partida do Estado. Creio que a retomada da qualidade dos serviços públicos dependem em muito da possibilidade de reinclusão da classe média. No fundo vejo uma grande injustiça nisso tudo: se a classe média paga impostos, especialmente a assalariada, que tem o pagamento de seu imposto realizado diretamente na fonte, porque o sistema não pode contemplá-la? Porque não pode haver escolas públicas de qualidade reconhecida, com autonomia administrativa e pedagógica, cujo acesso seja permitido a todos (incluindo os oriundos da classe média) por meio de instrumentos públicos de seleção?

Mas tudo bem. Acho que vou continuar sozinho nesta forma de pensar.

O Paulo Celso fez uma brilhante indagação: “é necessário pensar sobre os limites que as políticas de educação e as escolas possuem para resolver os problemas sociais. Será que não estamos cobrando das escolas e dos sistemas de ensino algo que eles, isoladamente não podem fazer?” Pois é Paulo é chegada a hora de pensar a educação de forma transversal, mas sem desconsiderar que há um risco ai: o de se desviar recursos da Educação para outras áreas em nome da transversalidade.

Anarquista Lúcida said:
E a partir de 11 anos só havia ou colégios particulares, ou as tais "escolas de excelência" (Pedro II, Colégio Militar, Instituto de Educação, Colégios de Aplicação) para a classe média. É isso que querem de volta em nome da excelência? Paulo Celso Gonçalves said:
Prezado Edson,
Era o modelo europeu, que o Brasil copiou. Na Europa ele foi abandonado, após a 1ª Guerra, em favor de um sistema único. Aqui no Brasil, em termos normativos, o sistema foi extinto em 1971. Havia a escola elementar/primária, de curta duração (em geral 4 anos), que deveria ser frequentada por todos (mas aqui no Brasil essa democratização do acesso nunca aconteceu) e, a escola secundária, altamente seletiva, mais extensa (em geral 7 anos divididos em dois ciclos - aqui no Brasil, o antigo ginásio, de 4 anos, e o colegial com 3). A introdução de um sistema único se deu pela ampliação do ensino primário, redução do ensino secudário e fim da seleção para o ingresso no mesmo (aqui no Brasil, tinhamos o famoso exame de admissão ao ginásio).
Esse era o sistema de excelência que existia no passado.
A universalização do acesso ao ensino cobra o seu preço. Em sociedades desiguais como a nossa, o preço me parece que é justamente esse. Talvez esteja aí um dos pontos centrais do problema. Nós estamos querendo fazer com que meninos e meninas que se encontram na mais absoluta miséria se integrem em nosso mundo letrado fazendo-os passar 800 horas por ano dentro de uma instituição. Por isso o meu questionamento: será que não estamos exigindo algo que a escola sozinha não é capaz de fazer?
Para todos nós está presente a idéia de integrar essas crianças e adolescentes nosso sistema de saberes e valores. Mas muitos deles são impedidos de ir onde nós vamos. São discriminados em nossos ambientes. São colocados sob vigilância se resolvem circular em nossos ambientes. Perdoem-me se estou carregando nas tintas, mas essa é a realidade.
Lembro-me, agora, de quando fui ao cinema assistir o filme Cidade baixa. A sensação mais marcante foi, justamente, quando saí da sala de projeção e me vi dentro de um shopping center. Depois de passear, no filme, por aquelas paredes sujas, os ambientes degradados e miseráveis, no meio das pessoas que estão à margem da sociedade, me vi naquele cenário plástico, asséptico, colorido, com pessoas coradas e decentemente trajadas (que horror!).
Esse estranhamento talvez seja o sentimento que está presente na relação de muitos alunos da escola pública com mundo para o qual a escola procura (ou deveria procurar) levá-los. Eu penso que as escolas e professores não conseguem fazer isso. Não estou querendo dizer, aqui, que essas crianças devem ser mantidas nessa situação. O que eu quero dizer é que a escola tem um alcance limitado na transformação da vida dessas crianças. São necessárias outras ações, outras políticas públicas que complementem a escola.
Lá nas décadas de 1920 e 1930 alguns intelectuais brasileiros já propunham a escola única (vide o famoso documento Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932) na intenção de integrar a nação por meio da escola. Uma escola aberta a todos, de todos os segmentos sociais, que fosse o meio para acabar com a desigualdade social. Infelizmente, até hoje, isso não aconteceu (ou aconteceu de modo ainda muito limitado).
Penso que a integração, se aconteceu no Brasil, foi pela via da difusão de certos valores da sociedade de consumo e foi feito muito mais pela mídia, em especial, pela TV aberta.
A ironia está no fato de que não temos uma escola em que sentam lado a lado crianças de todas as origens sociais para compartilhar os mesmos saberes e valores, mas temos programas de TV que conseguem reunir audiências de todas as classes sociais. Enfim, as crianças vão para escolas separadas e mantém-se um fosso entre a cultura letrada e do povo em geral, de outro lado, todos os brasileiros acabam envolvidos (mesmo que indiretamente) com debates como o das últimas semanas a cerca da identidade da assassina num determinado folhetim televisivo.

Edson,
Quanto à menção de que a classe média paga impostos e, supostamente, não recebe a devida contrapartida do Estado (na medida que, no caso, não matricula seus filhos na escola pública), penso que não podemos tomar como referência as relações comerciais quando estamos no campo definido por tributos e as políticas públicas.
A escola não tem de ser melhor para a classe média matricular os seus filhos. A escola tem de ter qualidade porque essa é uma exigência que está (ou pelo menos deve estar) colocada pela sociedade.
É, Paulo, você tem razao na análise das causas. A escola já fazia pouco sentido para crianças de classe média do meu tempo, mas, enfim, poucas realmente se "revoltavam"; no máximo um pouco de indisciplina, gazeta, etc. Faz menos ainda hoje; e para as crianças de outros meios é algo próximo do teatro do absurdo. Professores "jogados às feras", sem saber o que fazer diante de classes rebeladas (e nao há "supervisores" que possam lhes ensinar isso), etc. No entanto, as crianças nao podem ser privadas de aprender; temos que ser capazes de tentar reinventar a escola, com artes, esportes, teatro, etc., seduzindo mais e tentando "alianças" com a comunidade, e com pelo menos parte dos alunos. Agora, como fazer isso... Eu nao tenho a resposta. Só acho que, se alguém conseguir, nao serao "autoridades" de longe, e sim os profissionais de dentro da escola.

Paulo Celso Gonçalves said:
A universalização do acesso ao ensino cobra o seu preço. Em sociedades desiguais como a nossa, o preço me parece que é justamente esse. Talvez esteja aí um dos pontos centrais do problema. Nós estamos querendo fazer com que meninos e meninas que se encontram na mais absoluta miséria se integrem em nosso mundo letrado fazendo-os passar 800 horas por ano dentro de uma instituição. Por isso o meu questionamento: será que não estamos exigindo algo que a escola sozinha não é capaz de fazer?
Para todos nós está presente a idéia de integrar essas crianças e adolescentes nosso sistema de saberes e valores. Mas muitos deles são impedidos de ir onde nós vamos. São discriminados em nossos ambientes. São colocados sob vigilância se resolvem circular em nossos ambientes. Perdoem-me se estou carregando nas tintas, mas essa é a realidade.
Lembro-me, agora, de quando fui ao cinema assistir o filme Cidade baixa. A sensação mais marcante foi, justamente, quando saí da sala de projeção e me vi dentro de um shopping center. Depois de passear, no filme, por aquelas paredes sujas, os ambientes degradados e miseráveis, no meio das pessoas que estão à margem da sociedade, me vi naquele cenário plástico, asséptico, colorido, com pessoas coradas e decentemente trajadas (que horror!).
Esse estranhamento talvez seja o sentimento que está presente na relação de muitos alunos da escola pública com mundo para o qual a escola procura (ou deveria procurar) levá-los. Eu penso que as escolas e professores não conseguem fazer isso. Não estou querendo dizer, aqui, que essas crianças devem ser mantidas nessa situação. O que eu quero dizer é que a escola tem um alcance limitado na transformação da vida dessas crianças. São necessárias outras ações, outras políticas públicas que complementem a escola.
Lá nas décadas de 1920 e 1930 alguns intelectuais brasileiros já propunham a escola única (vide o famoso documento Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932) na intenção de integrar a nação por meio da escola. Uma escola aberta a todos, de todos os segmentos sociais, que fosse o meio para acabar com a desigualdade social. Infelizmente, até hoje, isso não aconteceu (ou aconteceu de modo ainda muito limitado).
Penso que a integração, se aconteceu no Brasil, foi pela via da difusão de certos valores da sociedade de consumo e foi feito muito mais pela mídia, em especial, pela TV aberta.
A ironia está no fato de que não temos uma escola em que sentam lado a lado crianças de todas as origens sociais para compartilhar os mesmos saberes e valores, mas temos programas de TV que conseguem reunir audiências de todas as classes sociais. Enfim, as crianças vão para escolas separadas e mantém-se um fosso entre a cultura letrada e do povo em geral, de outro lado, todos os brasileiros acabam envolvidos (mesmo que indiretamente) com debates como o das últimas semanas a cerca da identidade da assassina num determinado folhetim televisivo.

Edson,
Quanto à menção de que a classe média paga impostos e, supostamente, não recebe a devida contrapartida do Estado (na medida que, no caso, não matricula seus filhos na escola pública), penso que não podemos tomar como referência as relações comerciais quando estamos no campo definido por tributos e as políticas públicas.
A escola não tem de ser melhor para a classe média matricular os seus filhos. A escola tem de ter qualidade porque essa é uma exigência que está (ou pelo menos deve estar) colocada pela sociedade.
Prezado João,
Com todo respeito, mas não é por aí!
Sua proposta esbarra nos limites constitucionais.
A educação (básica) é direito social.
O ensino fundamental é obrigatório.
Como cobrar contrapartida financeira de alguém que terá acesso a um serviço público que se constitui num direito social ou do qual não se pode abrir mão?
Temos de afastar esse pensamento comercial - quem paga tem quem não paga não tem. A educação (assim como a saúde, a previdência social, a segurança pública, etc.) deve ser para todos. Para isso existe o Estado. Ou nós firmamos esse princípio democrático ou não nos constituímos como sociedade moderna.
Se os recursos do Estado são escassos é porque outras rubricas (que não as políticas sociais) drenam importantes somas do erário. Compare, como ilustração, o tamanho do orçamento do FUNDEB (financiamento da educação básica) e o superavit fiscal.

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Não é a classe média que tem que receber a contrapartida dos impostos que paga. Num país como o Brasil, o dinheiro tem que ir todo para a superação das desigualdades. A classe média que se lixe. Pague os seus impostos direitinho, e pague também a escola dos seus filhos. Entrando na escola pública, que paguem bem caro para estudar nela. Escola de graça é para quem precisa.
Glauco, infelizmente muita gente bem intencionada -- como francamente acredito que o Joao seja, ou nao estaria me dando ao trabalho de discutir com ele -- está de acordo com esse tipo de argumentos, seja porque o economicismo e a ideologia da competição e de um pretenso mérito (que nao é mérito, é resultado de privilégio) imperam em nossa sociedade, seja porque as pessoas se baseiam na sua própria experiência escolar de aníssimos atrás, sem pensar que o mundo mudou, a clientela mudou, e mesmo que antes as coisas pareciam melhores apenas porque uma parte ínfima da sociedade continuava estudando depois dos quatro anos iniciais (isso quando chegava até aí, cerca de metade da população ou nao entrava na escola, ou desistia por nao conseguir ultrapassar a primeira série).
E é preciso entender isso, e nao radicalizar demais na discussão, porque vem chumbo grosso por aí em defesa desse tipo de "reforma" autoritária e tecnicista do ensino, e se nao conseguirmos ganhar adeptos nem no meio de pessoas de boa vontade, como em geral sao as que freqüentam esta Comunidade, nao teremos aliados para lutar contra isso...
Um abraço
Glauco said:
Sobre a utilidade da aplicação do raciocínio do tipo "ceteris paribus", na qual Decisões macroeconômicas, mesmo quando desejáveis, podem ter um custo inicial imprevisível. , apenas comento o que os estudantes da escola de economia de Paris já disseram acerca da economia neoliberal: Uma Ciencia Autista.

Isso inclui também a turma do ceteris paribus...

A quem interessar possa, verifiquem em: http://www.paecon.net/

Não acredito que essa discussão está indo para esse abismo conceitual...nem mesmo os economistas mais "cabeça de planilha" abraçam esse discurso...

francamente...
Nossa, o debate aqui evoluiu e acho que não se trata de "fechar" posições, mas tentar entender este mundo louco em que vivemos.
Mas uma coisa que me ocorreu (quando pensei na idéia me parecia inovadora, agora nem sei mais... mas vou registrar)... a idéia é esta: nos países onde a educação prosperou, ou melhor, naqueles países onde a educação logrou avanços importantes, houve sempre um timing entre educação e a vida econômica da sociedade.

Acho muito pouco provável se pensar grande em educação se pensarmos pequeno para a estrutura econômica. Vejo que estou caindo naquela famosa questão colocada por Marx, lá no Crítica ao Programa de Gotha. Lá ele dizia (vcs devem saber disto... vou lembrar...) que a educação muda a sociedade (a economia) e, por sua vez, a economia (a sociedade) muda a educação. E que, no entanto, era preciso começar, dizia ele. Mas vou fica na anterioridade: não adianta pensar grande em educação se o projeto econômico não tiver envergadura.

O aluno, o educador, o gestor, a sociedade precisa sentir este pulsar da vida econômica, para começar a ser provocado pelos desafios. Qual o sentido que tem estudar, se o aluno não vê perspectivas de melhoria social? Qual o sentido de educar se me defronto com alunos sem perspectivas e aminha própria profissão assim o é?

Por isto, vejo grande parte destas propostas (educação continuada/progressiva) como comésticas nascidas de governos incapazes de pensar a vida econômica com grandeza, com ambição, para a sua cidade, para o seu estado, para o seu país. Eles pensam grande só pra si... são autofágicos... se consomem pensando no seu próprio futuro e esquecem do mundo real. Não tem propostas. Apenas apresentam umas coisas requentadas, sem ambição.

Nesta autofagia veja que os dirigentes de São Paulo são contra o piso salarial dos professores, estabelecidos no plano federal. Eles não aceitam que suas escolas participem das avaliações do governo federal. É uma briga de comadre e a gente quer que eles pensem grande. Será que estamos pedindo demais?
Prezado João,
A Luzete traz para a discussão um aspecto muito importante. Nosso sistema educacional tem o tamanho e a capacidade necessária para atender a esse sistema produtivo que temos aí. Tivesse o país outra inserção na economia mundial, fosse a economia montada em cima de base tecnológica mais sofisticada, fosse a demanda por inovação mais presente, não tivesse o país com pé no freio da economia há quase trinta anos, teríamos pressões irresistíveis para mudar o sistema de ensino e exigindo maior qualidade do mesmo.
O grande problema pode estar aí. O Brasil cresceu ao longo do século XX sem a necessidade de um sistema de ensino democratizado e de qualidade. A tecnologia era importada, o sistema taylorista (também importado) demandava apenas alguns poucos supervisores e, por isso, a escola podia ser para poucos. Os técnicos necessários, se não eram importados, também poderiam ser formados nas poucas escolas profissionais. Quando o modelo começa a mudar o país pára de crescer...
Enfim, se pensarmos estritamente pelo lado da formação do que chamam de capital humano, as escolas brasileiras dão conta da demanda dentro do modelo de crescimento que até agora vigente. Contudo, sabemos que esse modelo não nos garante o futuro.

RSS

Publicidade

© 2020   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço