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Sobre "que pôrra é essa?" - essa que nos cerca, cotidianamente, nos insulta, nos assusta - a mim perguntado por dileta amiga...

 

Pois é, sinto isso tudo, que se passa por estas terras de meu D’us, como reflexo da variação contemporânea tupiniquim do fascismo de todos os tempos.

 

Vejo como expressão psicótica da guerra a que estamos submetidos, mais imediatamente, em 2015, com repercussão, ainda e por bom tempo, pelo complexo e tríplice ataque de quintas-coluna, sob o aval, a cumplicidade, a fraqueza do governo oficial:

 

- no judiciário, com sua partidarização e volúpia legiferante (por ansiedade e/ou por incontinência, mesmo), ademais da ruptura cleptológica[1], portanto, há tempos, poder subvertido em todos os aspectos; ora, destaca-se pela emblemática Lava Jato, com seu foro inquisitorial, cujo comandante de campo, note-se, já alçado à condição semelhante a de führer; esmerando-se  sem se importar com os efeitos, desrespeitando, de plano, a obrigatória aplicação da lei conforme seus fins sociais e o princípio da razoabilidade, deste modo, detonando a Petrobrás e grandes empresas nacionais, bem como projetos brasileiros da maior importância geopolítica (pré-sal, submarino nuclear etc.), além de rematar nefasto estado policial de terror;


- no executivo, a política neoliberal do bancário-banqueiro, o Levy, capitaneando o Estado paralelo da ditadura financista mundial nesta província periférica, pelo que foi premiado com alto cargo no Banco Mundial, política neoliberal, sim, que foi o grande responsável pela crise – e seus estragos somente poderão ser minimamente revertidos, mas certamente estancados, com implacável auditoria da dívida, das concessões e tarifas públicas etc..., com uma revisão da legalidade em expressão para além das habituais blindagens do grande capital – eis a maior de longe imensamente maior das corrupções que nos sangra;

 

- tudo com a coadjuvância do parlamento de cunhas e aécios que dispensam desenho, pois, são autoexplicativos;

- e, por fim, a pressão midiática, que se poderia destacar aos demais poderes (militar, econômico, psicossocial, tecnocientífico e político), dada sua autonomia para além da mera instrumentalidade às funções de propaganda e contrainformação, habituais formas de sabotagem de corações e mentes.

 

Ademais, importantíssimo no deflagramento e financiamento, mesmo dessa crise, o interesse estrangeiro nisso tudo, desde o pré-sal, até enfraquecer os governos ditos de esquerda que, conquanto obedientes à cartilha financista, ousaram desafiar a vontade dos super-poderosos encabeçados pelos ianques, com nossos legitimérrimos: apoio ao Irã e à Palestina, seu antagonismo ao geno-etnocídio empreendido pelo Estado Nazi-Sionista Terrorista de Israel, influências e coordenações pró-povos latino-americanos, para além do Mercosul, formação dos BRICS, a fundação de seu banco a fazer páreo com o Banco Mundial responsável pela miserabilização de boa parte da humanidade, a nacionalização da exploração do pré-sal, etc...


Grosso modo, esse é o quadro da crise que, nas pessoas comuns, ignaras, histéricas, econômico-financeiramente encurraladas, instigadas ao ódio, ao maniqueísmo, movidas por crendices, sombras, fantasmagorias, lusco-fuscos, etc., infantilizadas[2] até a medula, esta crise enfatiza uma única saída: a violência (mais que o Ovo da Serpente, antológico filme de Bergman, muito mais, sim, ver Meu Tio da América, filme de Resnais, imperdível - http://pt.fulltv.tv/mon-oncle-d-amerique.html), segundo, aliás, o tom ditado pelos batalhões de choque, instrumentos minimalistas do voltar canhões para dentro das próprias fronteiras.

 

A desgraça é a de sempre: a ignorância gera arrogância e prepotência, que desembocam na truculência, realizando o fascismo, através de sua carga paranoica, feita de histeria narcisista, num caudal de incontinência libidinal de ganância/cobiça/avareza e dominação/avassalamento – este, digamos, modelo aplica-se aqui como acolá.

 

E, se o último umbral da esperança social, a Justiça, ruiu sob o peso do neoliberalismo, que restará?

 

Desautorizar stédiles da vida, a turba que grita e cerra punhos sob "não vai ter golpe" ou "queremos estudar", ou os fernandinhos beira-mar político-partidário-ideologicamente descomprometidos e desarticulados - esses descompromisso e desarticulação – que, afinal, marcam a diferença de uma como de outra violência numa sociedade-Estado esquizoide, demófoba e fascista da gema?

 

Sociedade, diga-se, herdeira dos piores cristianismos, dos marxismos-...istas, do positivismo, do kantismo, ah! tantos -ismos totalitários, despóticos, reducionistas, excludentes..., assim sempre será a terra do manda quem pode e obedece quem tem juízo!

 

Solução a priori não há, nem nunca houve! Resta, tão-só, a velha e boa resistência, a rara atitude e a assombrosa ousadia da sabotagem, inda que lícita (desobediência civil, desacompanhar moda, não comprar transgênico, importado, fruto de trabalho escravo, etc...), sempre tendo em mira os mais elevados valores civilizatórios que os esforços libertários insculpiram nos de corpo-alma feitos de vida-viva.

 

Saudações de sempre!

 

 



[1] Clepto, do grego, apropriação, lógica, relativo a lógos, palavra, de posicionamento estratégico numa disputa, originariamente disputa de/pela verdade, a o que se presta e destina todo conhecimento, como posicionamento em face da realidade, por uma palavra ou por outra tem-se uma posição mental e corporal estrategicamente relevantes e diferentes.

 

Lógica, de lógos, do grego, significa palavra, e provém de lego, que significa reunir, selecionar e deliberar, palavra associada a estratégia que compreende essencialmente exatamente isto como meio à realização de fim/meta politicamente deliberada; assim, posicionamento para apropriar-se, seja através de privilégios materiais, por super-salários, seja por prestígio (ah! vaidade), ou simplesmente poder.

 

Não é à toa seu divórcio antirrepublicano, pois esquecido não passarem de meros e iguais a tantos outros cidadãos, tão-somente, diferenciados por estarem incumbidos de aplicar o direito, apenas isso.

[2] Do latim, infans, significando o que não fala, depois em sucessivas metáforas, o que não fala por si, que fala por seu tutor, o que fala o que os outros mandam, o estudante, o crente, e o que fala o que lhes deixam no caminho, o que repete o que os outros falam próximo de si; enfim esse homem moderno que fornica e lê (vê) jornais (Camus, in A Queda)

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