Muito lemos e ouvimos durante estes jogos olímpicos que vários atletas brasileiros “amarelaram” em muitas provas: natação, atletismo, judô, futebol, vôlei de praia. Uma das causas, se não a principal, foi a dita falta de preparação psicológica, martelada por Galvão Bueno como “força mental”, que atacava alguns atletas fazendo-os atingir marcas muito ruins, piores até de que suas marcas anteriores. Tanto falaram disto, que comecei a ficar cabreiro. Afinal, quando a mídia começa a entrar em consenso sobre algum assunto a nossa história recente recomenda cautela, e muita.

Depois do festival de críticas comecei a lembrar das estórias de cada personagem, de vários destes amarelões. A grande, esmagadora, maioria vêm de famílias humildes, com nenhum recurso para bancar a preparação do atleta no esporte escolhido. Prosseguem por sua própria força de vontade e na maioria das vezes com equipamento inadequado.

Quando conseguem algum destaque em sua modalidade (com a conquista de algum campeonato importante, como o Estadual ou um Brasileiro), começa outra batalha, tão difícil quanto a primeira: a busca de um patrocínio.

Quando uma empresa se associa a algum atleta, busca que sua marca seja percebida com as mesmas qualidades do patrocinado. A empresa quer uma transferência de valores e também quer ser vista nas inúmeras entrevistas e eventos, esportivos ou não, que seu patrocinado participar.

Nossa mídia cobra, em inúmeras e incontáveis matérias, mais apoio aos nossos atletas por parte do Governo e de empresas privadas. No entanto, quando entrevistam esportistas dão-lhe um close tão grande que podemos ver todas as espinhas, cravos e cicatrizes, enfim tudo, menos a marca de seu patrocinador. Patrocinador que paga um salário ao atleta para colocar sua marca na camisa ou boné justamente para ser visto. Se não for visto não compensa o investimento, e vai-se embora um patrocinador (É uma visão mercantilista, mas infelizmente muitas empresas se pautam por ela).

Cobram apoio de empresas, mas quando esta vai auferir o retorno do investimento, via exposição de sua marca num programa televisivo, isto lhe é negado por um close que deixa sua logomarca fora do enquadramento.

Entendo que é uma questão complicada, pois os veículos também têm seus patrocinadores, e um outro evento igual ao que aconteceu na Copa do Mundo de 94 deve ser evitado (em um jogo do Brasil, com transmissão da Globo (patrocinada pela Antarctica), a Brahma “invadiu” o estádio, vestindo torcedores com camisas da marca e uma mão fazendo o número 1 da cerveja). Mas entendo, também, que um puro e simples close não é a solução certa para a questão, pois acaba afastando empresas que poderiam estar incentivando vários atletas país afora. Qual será o caminho?

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Fábio,não sei se o caminho para uma melhora essencial do nosso esporte(aí incluído o olímpico)seja uma mudança na postura da mídia,que atualmente usa a já tão batida "síndrome de vira-latas"dos nossos atletas. Talvez fosse necessário reeducar nossos analistas esportivos,para aceitarem que estamos a anos-luz,dos países do 1º mundo,neste quesito(preparação adequada)para disputarmos em todas as competições,no mesmo patamar daqueles países.Isso começaria já nas escolas primárias,onde deveria haver uma disciplina esportiva e uma psicologia de descobrimento de talentos,e do posterior investimento nestes promissores atletas,visando a sua formaçõa esportiva.Tambem falta nas nossas empresas,o estímulo aos seus funcionários que tenham aptidão e/ou talento esportivo,mesmo tendo descontados os gastos com esta atitude,nos impostos a pagar,falta visão empresarial moderna e vontade de ver seus funcionários brilhando alem da área de trabalho.
Aqui no Pão de Açucar,graças a Deus,investimos nos esportes de todas as áreas,não somente nos nossos colaboradores,mas tambem naqueles talentos que procuram a nossa divisão cultural,e que demonstram alguma aptidão para o esporte,e estamos muito gratificados com o retôrno e o "share"que isto nos dá,porem esta prática nao é seguida pela maioria das grandes empresas brasileiras,que não enxergam a grandeza da visibilidade de seus logos,no corpo destes atletas e no orgulho de ser brasileiro,que acredita no esporte.
Raí,

O Grupo Pão de Açúcar é um grande incentivador dos esportes realmente. Aqui em Fortaleza temos, todo o ano, a Maratona Pão de Açúcar, que envolve profissionais e amadores e é bastante prestigiada.

Porém, sempre tem um porém, esta visão do Pão de Açúcar é fruto das idéias de Abílio Diniz, ele próprio um adepto do esporte. Como você bem disse, não é comum em outras empresas esta prática.

E a mídia, que cobra em manchetes garrafais melhor desempenho dos atletas brasileiros, também não faz bem a sua parte, no meu entendimento. Até no futebol, que é o esporte que mais atrai investimentos (a galinha dos ovos de ouro), vemos as entrevistas coletivas depois dos jogos com um super close que, daqui a pouco, vai acabar deixando fora do quadro até a boca do entrevistado.
Amigo Fábio,como você bem lembra,o apôio ao esporte brasileiro feito pelo Grupo Pão de Açucar,deve-se principalmente é verdade ao Abílio,porem esta sua determinação será sempre mantida,por qualquer administrador da CBD,mesmo quando o atual Pres.do Conselho de Administração do grupo,tiver que sair deste pôsto,pois isso é uma das coisas pela qual a família Diniz sempre quiz,distribuir um pouco dos seus gsnhos à comunidade onde atua.
É uma pena que esta atitude de investir nos nossos atletas não seja a tônica dos nossos empresários,pois não é somente o governo que tem a responsabilidade de investir nos esportes,esta é uma obrigação de toda a sociedade.
Raí,

Vi hoje de manhã no Bom Dia Brasil uma entrevista da Mauren. Bem de relance vi a marca da Taeq no boné e muito rapidamente um pedaço da marca do Pão de Açúcar. Fico atento a estes detalhes porque gosto, sou da área. Agora, e quem não se liga? Passa batido que a empresa apóia e incentiva uma atleta que tem uma história de vida riquíssima, um exemplo. É uma associação muito poderosa, um vínculo com atributos de superação, força de vontade, luta contra injustiças. Tudo isto perde um pouco do seu valor quado as emissoras estouram a cara do entrevistado na tela e não se pode ver nada mais.
Caro Fábio,concordo contigo nesta observação quanto ao desrespeito dos veículos de comunicação com o entrevistado e com seus patrocinadores,e com a sua preocupação somente com a marca do anunciante,e se neste particular,não houver uma mudança de atitude,qual o incentivo do patrocinador em investir mais nos atletas,se não tiver garantia de share para seu logotipo? Somente aqueles mais abnegados(e neste aspecto a CBD é pioneira)é que aplicam recursos sem medo de ser feliz,e o retôrno poderá ser medido por desempenhos tão maravilhosos,como o da Maureen Maggi,Marilson e outros patrocinados nem tão famosos.
Tomara que o exemplo destes atletas citados,abra a cabeça de outros para esta mudança de atitude.
Infelizmente a mídia, como toda a sociedade, tem se deixado de pautar pela ética, moral ou mesmo bom senso.
Ora, a mídia sabe muito bem, ou deveria saber, que o patrocinador o faz se sua marca aparecer na mídia, quando a mídia nega isso, nega o patrocinio aos atletas.
A mídia negando aos atletas obterem patrocinio, deveria ter o bom senso de saber que não dispôe de nenhuma moral para solicitar ou esperar melhor desempenho.

A solução é simples, deixar claro aos telespectadores, ouvintes ou leitores quem são os patrocinadores dos atletas e os patrocinadores dos meios de comunicação.

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