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Como conviver com a falta de ética de profissionais da saúde.

Gostaria de propor uma discussão sobre o comportamento anti-ético, quando não criminoso, de muito dos profissionais, especialmente da área de saúde.

Estas últimas denúncias, somadas a todas anteriores, colocam em xeque não só a figura de enfermeiros, médicos e farmaceuticos assim como também as relaçôes não só socias e comerciais. como também inescrupulosas com os grandes laboratórios, convênios e até funerárias.

É um conjunto de atitudes que além de muitas vezes humilhar, causa danos e prejuízos a saúde dos cidadãos, gastos excessivos e desnecessários, deixando-nos muitas vezes entregues a nossa própria sorte ( ou geralmente azar).
Não bastasse isso, ainda "surrupiam" os cofres públicos em inúmeras fraudes, com a triste benevolência do estado e do CRM, além de outros orgãos que deveriam ter a competência para fiscalizar.

Hospitais sucateados e sem manutenção, médicos e enfermeiros descontentes, desmotivados e sem condições de trabalho além de inúmeras vezes entrarem em greve, relações obscuras( que não acho que sejam tão raras) entre hospitais públicos/enfermeiros e funerárias. Todo este quadro sugere que já passamos dos limites aceitáveis de segurança ao cidadão comum na área da saúde.

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Respostas a este tópico

Vamos então falar de coisas concretas. Semana passada, após vários anos sem utilizar o meu seguro saúde, resolvi passar num pronto socorro, por sugestão do pessoal do ambulatório da empresa, para que um clínico geral analisasse meus pulmões, a tosse enorme que tinha, fizesse uma chapa para checar se era somente um resfriado ou algo mais grave, como pneumonia. Resolvi então ligar para o 0800 do seguro para me certificar do melhor endereço, evitando no meio do frio andar pela cidade a esmo. O atendente queria saber qual era a "especificidade" que eu procurava. Eu disse a ele que não sabia exatamente qual seria: talvez otorrino ou alguém que pudesse entender de pulmão. O atendente disse que eu não dissesse a especificidade, ficaria difícil ele me dizer um hospital, pois ele estava ali preparado para dar endereço e telefone. Depois de eu insisitir ele me passou três nomes de hospitais e telefones.
Resolvi ligar para uma amiga, que tem cuidado de seu marido com câncer, para checar se alguns daqueles hospitais ela conhecia, recomendava etc. Ela disse "estou no Sírio agora acompanhando meu marido, acredito que seu plano seja igual ao meu, por isto venha para cá, só ligue para se certificar de que o seu plano será atendido pelo pronto socorro". Eu liguei e fiquei sabendo que eles só me atenderiam se meu plano fosse top plus, como era somente TOP, eles não me poderiam atender.
Enquanto isto tossia, tossia, tossia.
Resolvi então ligar para um dos hospitais sugeridos pelo atendente do meu plano, para o Evaldo Foz. O atendente do Evaldo disse que a empresa para onde trabalho não é atendida ali, somente os plano do pessoal da Bayer, se não me engano....
Resolvi desistir e tomar chá, ir dormir.
Normalmente vou a um médico versado em medicina oriental. Fazia muito tempo que não contatava este mundo "ocidental" e me irritei profundamente, pois não somente percebi que a lógica é desconectada do humano> cada um cuida de uma parte específica, é uma indústria em movimento, cada qual cuidando de parafusar a sua parte da peça. O chocante é que eu tenho um plano considerado razoável, top etc. e tive toda esta dificuldade para uma pequena suspeita de pneumonia. Fiquei imaginando uma pessoa simples, ligando para o 0800, todo quebrado de um acidente e o atendente perguntando "qual era a especificidade"...
Para mim isto é falta de ética: significando "não tô nem aí para a pessoa que está do outro lado da linha".
Para mim Ética é a capacidade de fazer escolhas, que sirvam para minha felicidade porque a minha felicidade significa a felicidade das outras pessoas.
Toda vez que alguém escolhe não me ouvir está impactando toda a corrente humana a seguir. Sorte deles que eu trabalho meu desenvolvimento humano e não repassei todo este lixo proveniente desta experiência. Com quantas pessoas cada uma das 4 ou 5 pessoas com quem falei no sábado devem falar diariamente! Quais os efeitos destes atendimentos desumanizados! Quanto custa à própria saúde da sociedade esta forma de relacionamento empresarial entre pacientes e médicos! Quanto custa á saúde pública o sistema todo de saúde ter se tornado num "mercado" da doença.... e não uma relação de saúde.
Paulo, eu sei que você é médico e tem o ponto de vista da sua profissão que eu respeito. Eu não sou "consumidora" de plano médico, não quero estudar o livrinho do plano. Eu não quero me preparar para quando tiver uma doença. Simplesmente porque eu quero ser sempre uma pessoa saudável, que se alimenta, faz o que tem de ser feito para morrer de velhice. Há mais de 10 anos me trato com um japonês que estudou outros tantos anos no Oriente e domina as técnicas chinesas e de outras localidades daquele lado do mundo. Com este tratamento que visa a causa de possíveis doenças futuras, tenho tido aquilo que espero da minha vida: saúde.
No máximo tomo a vacina contra gripe. A febre que tive, a tosse etc. eram decorrentes de baixa resistência. Eu já conheço meu organismo para entender um pouco como as coisas se dão. Pulmão é tristeza, tosse é sapo engulido. Sei que como alopata sua lógica de pensamento é outra.
Naquele momento eu precisa de algo tópico para aplacar a tosse. Talvez o melhor fosse ir numa farmácia e comprar as tais pastilhas.
o que estou tentando discutir aqui é que eu tenho acesso à informação de forma que posso me virar e os problemas que tenho são no máximo uma tosse, pois me cuido. Quem me deu informação errada foi o próprio atendente do meu plano!!
A minha preocupação é com as pessoas que já são adoecidas socialmente por vários outros motivos e não têm nem o livrinho quanto mais o plano. A forma como fui tratada me impediu até de acessar um colega seu e dar a ele a chance de checar a causa da minha tosse.
Que remédio um médico neste sistema poderia passar para alguém que para checar a suspeita de pneumonia teria de passar por tantos outros profissionais e ficar à mercê da boa vontade de cada um dos profissionais pelos quais eu passaria! Você diz que tudo isto está mudando. lentamente. Sabe por quê: por que depende da decisão de cada uma das pessoas. E não vai ser por geração espontânea que cada uma dessas pessoas vai despertar.
o carinha que me atendeu no 0800 desligou o telefone e foi pensar em outra coisa. Ele não teve a menor idéia de que está sendo tema de um debate aqui neste espaço.... Entende.
Aliás, o mecânico a padaria, o cabeleireiro, o barbeiro e o supermercado são na sua maioria para atender pedaços, coisas, partes.... Saúde trata de ser humano integral: uma complexa rede, um sistema inteiro funcionando com células interligadas que se relacionam entre si, sistemas que se interrelacionam entre seres humanos e estes com toda a sociedade. É muito mais complexo do que ir pintar o cabelo a cada quinze dias e fazer as unhas. Bota complexo nisto. Saúde é coisa séria eu não quero ter um caderninho dos mais de 400 especialistas que eu precisaria ter testado e garantido que são bons, pra o caso de eu precisar de um especialista um dia.... Isto é loucura. Eu prefiro ter um caderninho dos meus melhores amigos para visitar.... Entende, doutor.... Médico deveria ser exceção a visita....
Temos que educar a população para saúde. Erros comuns da população com convênios:
1- Cultura do proto socorro: só vai ao médico quando está doente e quer resolver tudo no PA, mesmo que não seja urgência.
2- Não tem um médico de referência, que conheça bem seu paciente e possa orientar em caso de doença, até para encaminhar ao Hospital ou especialista (se esse for necessário).
3- A cultura do especialista: a população não sabe que um bom clínico geral ou pediatra resolve até 80% das queixas habituais.
4- Terapia alternativas e auto medicação: para prescrever até mesmo um chá, tem que se fazer um diagnóstico. O único profissional capacitado para fazer diagnósticos é o médico ( tem que fazer 6 anos de faculdade e de 2 a 6 de residência, não adianta fazer curso de massagem ou de preparo de chás).
5- Lembrar que infelizmente somos consumidores dos planos de saúde sim, que se colocam entre o médico e o paciente. Temos que aprender a usar o plano, saber seus direitos e cobrar. Se você vai num PA e está cheio; não é porque o médico tá dormindo, é porque só tem um para atender todo mundo, já que seu convênio só paga 20 reais a consulta.
Alexandre, você acertou na mosca. A lógica do "mercado da saúde" é a mesma lógica que tá dando a quebradeira em Wall Street: quem pode mais chora menos. É esta lógica inteira que tem "educado" as pessoas. Não são instituições médicas, jurídicas, educacionais etc. Paremos para pensar e veremos todo um sistema distante da vida, gerando aridez. Depende de cada um de nós falar claramente que isto está errado e mostrar como e por quê. Não existe uma entidade "mercado', só existem pessoas atuando e obedecendo esta lógica.
ora, se são pessoas, somos nós mesmos que criamos estes monstros. A quantidade de pessoas enviando e-mails e ligando para os congressistas nos Estados Unidos e dizendo não ao Bailout provocou alguma coisa. Será o conjunto de "nãos" que dirá algo para uma sociedade mais justa e respeitosa.
Não tem a ver com dinheiro exatamente, tem a ver com comportamento: aquilo que eu quero e o que eu não quero para a construção da minha felicidade. A história está cheia de exemplos de pessoas que fizeram a diferença. Não é disto que vive a imprensa, as empresas etc. de pessoas que saíram da caixa... Então porque todos insistimos em manter o status quo.... Medo. É só isto, medo de tentar...
realmente acho complicado fazer a generalizarização. há ótimos e maus profissionais em todas as áreas.
o que pesa contra os médicos é que para a sociedade estes não podem cometer erros já que em última instância são eles os responsáveis pela nossa saude, esquecem que eles são falíveis como todo ser humano, até qdo alguns saem fora da conduta ética profissional.
Mas quero levantar um outro problema do mercado de medicamentos fazendo a seguinte indagação:
se um medicamento que custa, por exemplo R$ 93.71 no balcão de uma farmácia porque numa outra este medicamento custa por menos que o preço de custo, apenas por este paciente ter um cartão do laboratório fornecido pelo médico.
pergunta que não quer calar; porque só alguns médicos distribuem este cartão destes laboratórios? porque não rever o preço deste medicamento, reduzindo o preço deste medicamento?
Olá a todos,
Sou médico e estou estreando na comunidade.
Acho que alguns conceitos estão errados.

Eu tenho um blog só para esclarecer as pessoas sobre doenças.

www.mdsaude.blogspot.com

Atualizo diaramente. Não ganho nada com ele. Faço pelo prazer de falar de medicina para as pessoas comuns.

Entendo perfeitamente a posição do Paulo. É muito triste ver toda uma classe julgada por atos individuais, ou misturada no mesmo grupo de empresas voltadas apenas para o lucro, sem nenhum interesse no bem estar dos pacientes.

Trabalho honestamente, muitas horas por semana. Vim exercer medicina na Europa, pois no Rio de Janeiro para poder ter o mínimo de conforto, eu precisava ter 5 empregos. Não tinha final de semana nem feriado.

Tenho inúmeros colegas que trabalham acima do recomendável e o fazem honestamente. Aliás, conheço vários colegas que vão muito além da obrigação do médico para tratar os doentes. Eu já comprei do meu bolso equipamento para o hospital que trabalhava, tenho amigos que davam dinheiro para os pacientes mais pobres poderem comprar remédios ou pagar a passagem de ônibus. Em hospital público tem muito médico empurrando maca pelos corredores e fazendo "vaquinha" para consertar equipamento. Cansei de atender doentes de graça no consultório porque eles diziam que estavam com dificuldades financeiras.
Já vi médico colocar o paciente no próprio carro e levá-lo para realizar exames em outra clínica por falta de ambulância.

Sujeito a erros, todo ser humano está. Ainda mais se submetido a condições de trabalhos precárias. Maus profissionais existem em todas as áreas. Posso atestar que a grande maioria do médico é honesta e esfoçada.

E nós também somos vítimas desse sistema de saúde privada que prevalece no Brasil. Ou vocês acham que eu não também não era cliente de plano de saúde? Tenho, assim como vocês, várias histórias de mau atendimentos e negligencias, tanto comigo quanto com minha família.

Abraços a todos

www.mdsaude.blogspot.com
Entrei no blog do dr. Pedro e realmente é muito instrutivo. E é bom saber da dedicação de vocês profissionais. Fico feliz de saber destes relatos e ao mesmo tempo triste, pois uma coisa é um bombeiro, um médico, um profissional ir além dos limites e se realizar, realizar um trabalho com excelência, outra coisa é ter de ser herói para exercer sua profissão.

Minha experiência em tentar encontrar um hospital no final de semana, um pronto socorro para falar com um clínico geral e ver a minha tosse, me deixou uma péssima impressão, pois não percebi a mesma dedicação no atendente do meu seguro saúde. Afinal, a porta de entrada para todo o serviço médico começava ali, no atendimento. Básico.
Paulo, eu nunca disse que era um problema dos médicos: os atendentes do Sírio, do convênio, do hospital Evaldo Foz tiveram um padrão semelhante de comportamento pela minha observação. Falta treinamento, sensibilização para explicar o que é um paciente, um usuário do sistema de saúde.
Mas é um problema da área médica como um todo, das questões relacionadas à área médica, não dos médicos: como os pacientes são tratados. Concordo com a Marise: tem muito hospital público que desfaz aquela idéia que se tem de mau atendimento. Eles fazem aquilo que deve ser: dinheiro público para fins públicos. Eu sempre fui muito bem atendida no HC em São Paulo. Minha mãe adora o HC e o Incor. Tenho muitos amigos que foram sempre muito bem atendidos no HC. Tem muito posto de bairro com um nível de excelência em atendimento. Afinal, estamos falando de pessoas em situação de vulnerabilidade. O atendimento é tudo nesta hora.
Concordo com você: dependendo da causa tem de falar com o secretário ou até o ministro da saúde, pois é uma questão mais conjuntural.
Abri este tópico porque na maioria da vezes em que consultei um médico fui mal atendido, e em conversas com amigos e conhecidos ou em salas de espera, fiquei sabendo que o mal atendimento não era um caso isolado.
Lógico que na maioria das vezes em que notei o mal atendimento procurei um profissional mais atencioso, que realmente examinava a questão e a mim fisicamente antes de qualquer veredito.
Em minha experiência pessoal, apenas em 1/3 das consultas, encontrei um bom profissional.
A maioria dos hospitais em S.Paulo relacionados pelos participantes é de alto nível e custo, porém se formos para periferia, a situação é bem diferente e os hospitais públicos trabalham em péssimas condições.
Posso lhes assegurar que não são só os do Rio, tal fato ocorre em todo o país.
Em S.Paulo não temos mais do que 10 hospitais com bom nível de atendimento, todos hão de convir que para uma população de mais de 10 milhôes de habitantes é muito pouco e se incluirmos aí o atendimento aos que moram fora de S.Paulo, a situação piora ainda mais.

Quanto aos grandes laboratórios, o CRM poderia se mostrar mais responsável e apurar melhor e com mais rigor as relações desdes com os médicos, pois por experiência própria já notei a preferência por alguns medicamentos mais caros em detrimento dos genéricos e/ou equivalentes mais baratos, além de confirmações com colegas que são propagandistas, de que há mesmo o pagamento de propinas para que médicos receitem determinados medicamentos.
Semana passada na Band foi exibida uma série de reportagens denúncias em que médicos deixavam receituários em branco nas farmácias, para que estas vendessem medicamentos controlados para quem não tivesse receita. Fato mais grave ainda.

Quanto a questão das funerárias e esta é a mais triste de todas, tempos atrás para quem se lembra foi preso no Rio um enfermeiro acusado de matar pacientes por ter uma relação comercial e criminosa com funerárias.
Pois bem, novamente por experiência pessoal, ocorreu um fato desses em minha família e em contato com outros que passaram pela mesma situação, notei que não é tão raro assim. Mas, é uma situação complicadíssima de se obter provas, além de ocorrer com as camadas mais baixas da população que não têem conhecimentos e nem possibilidades financeiras de levarem o caso adiante.

Talvez eu, minha familia e alguns conhecidos tenhamos muito azar quando necessitamos de algum profissional na área da saúde, pois a maioria das experiências nos foram ruins.

Há que se destacar que também não generalizo, que já encontrei bons profissionais, atenciosos e que se mostraram bastante capacitados, porém e infelizmente não foram a maioria.
Marise
Como já relatei, decidi abrir este tópico devido as minhas más experiências, de amigos e conhecidos, adicionando-se aí todas divulgações na imprensa, onde se observa aumento nos casos de conduta antí-ética desses profissionais, que afinal têem como responsabilidade a saúde de todos nós.

Assim como voce, também tenho familiares médicos e conheço suas rotinas, porém sei que todos escolheram suas profissões de livre vontade, com vocação e muita vontade de se empenhar.

Voce mora literalmente num paraíso que é Florianópolis e me é um grande alento saber que por aí há um bom sistema de saúde, aliás tenho colegas moradores da ilha que já haviam me relatado tal fato.
Sorte sua e fico feliz por voce.

Não sei se morou aqui em SP, se conhece a cidade sabe bem a grande diferença que temos próximo do centro ou em bairros nobres em relação a periferia, onde a medida que se distancia mais há falta de recursos, principalmene na área de saúde.

De qualquer forma é um grande prazer tê-la por aqui.

Um abraço

Gabriel.
É assim que se exercita a ética. Perfect.
OI, Paulo
Só uma provocaçãozinha... Quando é com os médicos você reage diferentemente de quando é com os professores...
Um abraço
AnaLú

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