Que tal colocar aqui, para a Comunidade, uma resenha do último livro que você leu ou indicação de algum livro marcante?
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Respostas a este tópico

Urariano, vc sempre trazendo coisas boas e nos comovendo. vc é um danadinho. tô já comprando o livro...

Cartas ao pai, de Kafka, é um grito de dor. li e aprendi, pelo avesso, como ser uma mãe melhor e acho que estou conseguindo... sabe-se lá...

e esta de escritor maior e menor, acho que é só modéstia. irei conferir e depois te falo...
Olá, casualmente comprei e li a sua sugestão esse fim de semana. Vc tem razão é um livro tocante. Nessa relação complicada entre um filho e seu pai real existe um mundo dificil de circular. Foi lendo "Quase Memória" do Cony, o livro e não o conto, que consegui fazer as pazes com meu pai, claro que tb anos de análise ajudaram. Disso resultou um artigo sobre o humor em Freud, o livro de Cony e meu pai. Imagino que através do livro que sugeres muita gente poderá também rever seu pai. Parabéns pelo seu conto e pela sua participação no livro, deve ser bom estar tão bem acompanhado.
Tirando os preferidos de poesia (Drummond, Bandeira, F. Pessoa, Jacques Prévert, Cecília Meireles, Gilka Machado e as portuguesas Florbela Espanca e Virgínia Victorino), destaco 5:

1 - Ensaio Sobre a Cegueira - José Saramago (amo Saramago!)
2 - Johnny Vai à Guerra - Dalton Trumbo
3 - Incidente em Antares - Érico Veríssimo
4 - Grande Sertão Veredas - Guimarães Rosa
5 - Um Defeito de Cor - Ana Maria Gonçalves

Atualmente, estou lendo:
"A Alma Encantadora das Ruas", de João do Rio. "Um dantesco retrato da Capital Federal [Rio de Janeiro] na primeira década do século XX".

Chega de Saudade, de Ruy Castro (A história e as histórias da bossa nova)

Ontem acabei de ler "Minúsculos Assassinatos e Alguns Copos de Leite" (Rocco), da blogueira paulistana Fal Azevedo. Alma, a personagem do livro, é uma artista plástica de 44 anos que conta sua vida mesclando presente e passado, de forma emocionante e lírica.

Comprei também em um sebo um livrinho de teatro do francês Eric-Emmanuel Schmitt, "Variações Enigmáticas". A tradução é de Paulo Autran, que foi protagonista da peça de mesmo nome. Na peça, Abel Zorko (Autran), Prêmio Nobel de Literatura, é um escritor ranzinza que vive só numa ilha na costa da Noruega. Recebe a tiros a visita do jornalista Eric Larsen (Cecil Thiré) que chega para entrevistá-lo sobre seu último livro. O final é surpreendente.
Minha vida foi marcada também, por Subterrâneos da Liberdade, de Jorge Amado. Trilogia brilhante. Acho que o que melhor foi escrito por ele.
Uma peça de lirismo e observação aguda do submundo, mas sem a estereotipagem comum no assunto: Malagueta , Perus e Bacanaços do João Antonio. João consegue algo invejável, escreve bonito, sem delongas sobre o universo dos marginalizado. Não é piegas, dialoga com os personagens sem exageros. Grande livro.
Ricardão, e aí?

Livro que realmente incentivou monte de gente a ler, guardo até hoje, está um verdadeiro "caco", mas independente de qualidade literária, faz parte da minha história:
Memórias Sem Malícias de Gudesteu Rodovalho, Gilberto de Alencar.
Sem pedantismo de querer pinçar autores obscuros. É facílimo de ler, abrangente e bem escrito. Iniciação pra Graciliano, Guimarães Rosa e os modernos. Quem puder, vá atrás.
Líamos na segunda série do ginásio, mas só um trecho, pra sentir o clima:

"Muito cedo, ainda no escuro, após ingerirem o gole de cachaça e a xícara de café, eram os homens encaminhados para a roça pelo feitor. O almoço e o jantar eram trazidos do sítio por um dos camaradas. Vinham num grande balaio contendo a panela de feijão, o angu esparramado em largas folhas de bananeira, a abóbora moganga, a couve rasgada, raramente um pedaço de carne de porco fresca ou salgada. Posto no chão o balaio, todos se acocoravam em volta, enchiam as cuias, tomavam a colher de ferro estanhado e iam sentar-se por ali, nos troncos derrubados, comendo em silêncio. Repetiam uma e duas vezes. Iam depois às bananas ou ao leite com angu. Saciados, arrotavam sonoramente, puxavam da faca, cortavam na palma da mão o fumo de rolo, alisavam sem pressa a palha de milho, faziam o cigarro e batiam a binga, tirando o fogo. À noitinha, no alpendre, tomavam outro gole de cachaça e outra xícara de café."
Liu, fecho com você. Memórias Sem Malícias é uma leitura simples e boa, apesar de suas muitas páginas, em se tratando de literatura infanto-juvenil. Tenho o livro até hoje, caco também, mas faço questão que minhas filhas leiam. É o retrato de um Brasil mais calmo e mais humano. Às vezes passo por Carandaí, a caminho de BH, onde tenho parentes, e tenho uma vontade danada de entrar. Um dia faço isso.
Um livro que gosto bastante é "Candido" de Voltaire. Uma sátira fantástica sobre o otimismo, onde o personagem principal, Cândido, passa pelos maiores apuros durante boa parte da sua vida, mas sempre é confortado por seu fiel amigo o Dr. Pangloss, que aparece nas horas mais críticas para lhe dizer que "apesar de tudo, vivemos no melhor dos mundos possíveis". Voltaire é um autor incrível, com um senso de humor que, mesmo hoje, passados quase trezentos anos, ainda é atual.
Concordo plenamente, Nayala. Sou fã de Voltaire. Ele passou um período de sua vida na Inglaterra, onde amadureceu muitas das suas idéias. Se não me engano foi lá que ele escreveu as suas famosas cartas, outra das grandes obras desse grande filósofo.
Outro livro de que sou fã: trata-se da obra literária mais antiga do mundo: "A Epopéia de Gilgamesh". Épico sumério que trata das aventuras do Rei semi-deus Gilgamesh em sua busca pela vida eterna.
"A Falsa Medida do Homem" de Stephen jay Gould

Neste livro Gould analisa o determinismo biológico, ou seja, a biologia e seus métodos, tais como a craniometria e o quociente de inteligência, usados para corroborar, tanto a idéia de hierarquização das raças humanas, como teorias racistas relacionadas a superioridade do homem branco ocidental. O autor nos dá uma visão histórica desde meados do século XIX, e de como estes métodos muitas vezes foram utilizados de maneira tendenciosa, daí o título, "A Falsa Medida do Homem". Gould mostra, primeiramente, como esta visão, de certa maneira, já estava enraizada na mentalidade ocidental, principalmente nas classes detentoras do poder, desde a antigüidade grega, originando-se, talvez, de um contexto político. Em seguida ele nos fala sobre a poligenia, ou seja, a idéia de que as "raças" humanas tiveram origens diferentes e de seu principal método, a craniometria; num contexto histórico anterior a Darwin. Dentre outros pesquisadores, o autor releva o nome de George Morton, cujos trabalhos visavam a hierarquização das raças humanas a partir das medidas do crânio. O determinismo biológico relacionado a antropologia criminal, de acordo com as análises da anatomia humana do início deste século, também é tratado com profundidade pelo autor. Um dos temas mais polêmicos discutidos por Gould esta relacionado ao Quociente de Inteligência e os testes aplicados para a determinação do mesmo, bem como a suposta hereditariedade desta abstrata característica. Ainda com relação aos famosos testes de Q.I., o autor analisa o famoso caso do psicólogo Sir Cyril Burt, que, entre outras coisas, forjou dados e personagens para validar suas hipóteses. Gould finaliza o livro, fazendo uma reflexão positiva deste seu estudo sobre o determinismo biológico.




Todos os temas foram escritos numa linguagem muito rica, com diversas citações das personalidades envolvidas e ilustrações bem esclarecedoras, sempre dentro do contexto histórico de então, o que torna a leitura agradável e muito interessante. Esta é a característica principal das obras de Gould, considerado dos mais importantes evolucionistas atuais e grande divulgador da ciência.

Fazendo uma breve consideração a respeito de tema tão polêmico, não podemos deixar de lembrar o quanto as idéias que permeiam o determinismo biológico ainda estão presentes na historia contemporânea. É estarrecedor notarmos a que ponto chegou sua aplicação, manchando a história da humanidade por quase todo o século XX. Os terríveis programas de limpeza étnica e de esterilização de pessoas consideradas abaixo do padrão "normal", realizados por países como Alemanha, União Soviética e mesmo por países democráticos como Estados Unidos e Suécia, que ratificaram as primeiras leis de esterilização de pessoas consideradas “deficientes” seja físicas ou mentais. A terrível política do apartheid, na África do Sul, bem como, muitas outras questões relacionadas a perseguição de minorias. Enfim, todos estes exemplos se enquadram no contexto do determinismo biológico. A leitura atenta deste livro, portanto, poderá fornecer uma compreensão histórica sobre o assunto, necessária para a formação de uma sociedade mais pluralista.
Recentemente terminei de ler dois livros fantásticos, um seguido ao outro. Tentarei fazer uma breve rezenha de ambos, considerando a importância de seus autores e a relevância com os assuntos atuais. São eles: "A grande Guerra pela civilização - A conquista do Oriente Médio", do jornalista Inglês Robert Fisk e o também colossal livro "Atlas Shrugged", cuja tradução no Brasil recebe o título " Quem é Jhon Galt", que é a pergunta chave do livro. Este último, clássico do pensamento liberal (ou Neo-Liberal, como queiram) foi escrito pela pensadora Ayn Rand, uma espécie de Maria do Conceição Tavares do individualismo...ou algo nem parecido...
Tão diferentes entre si, esses livros abordam questões prioritárias deste século: A guerra sem fim no oriente médio e seus desdobramentos políticos e geo-políticos no primeiro, e a odisséia edificante do homem emprendendor, força motriz do capitalismo libertário Schumpeteriano. Deste último, assistimos agora, oportunamente, o mundo de Rand ruir (a crise do capitalismo financeiro). Ela, que apregoava o fim do estado ou seu liquidamento racional...
Bem, sobre o primeiro desses dois livros, aviso aos navegantes desse Blog que o Robert Fisk não abre concessões. No seu livro (um calhamaço respeitável de 2500 páginas, aproximadamente) ficamos sabendo, de alguém que cobriu de perto, os solavancos políticos e as guerras, muitas guerras que assolaram o Oriente médio nos últimos 60 anos...Um livro que te faz pensar o que somos como espécie...Um livro de um homem furisoso e cansado..portanto, um livro pessimista.
São tantos os massacres narrados por este Inglês atarracado que, ao final do livro, fiquei com a impressão que o Oriente médio é um Wertern sem mocinhos. De fato, se não fosse pela jocosidade inoportuna (para este exemplo) dos westerns sphagettis, ela certamente seria de bom uso: Um lugar sem heróis...ou muitos anti-heróis...
Além disso é um livro sobre jornalismo...sem meias palavras ele aponta a hipocrisia e a mentira dos meios de comunicação (algo bem atual para nós, não é mesmo), na edição e partidarização da notícia, omitindo e muitas vezes agindo em sinistra "parceria" com os interesses mais vis de de grupos econômicos e potências ocidentais. Sobra´para a CNN, o The Guardian, o Times e tantos outros...Sem meias palavras ele aponta a interferência ocidental (americana de forma fundamental) na vida dos países daquela região...
Ele pontua livro pelas várias guerras da região, cobrindo com evidente cultura histórica os massacres dos Armênios pelos Turcos, no final da primeira grande guerra, até a desastrada "Guerra contra o terror" de Bush Jr.
Especialmente fascinante são os capítulos que cobrem a revolução islâmica no Irã e a guerra civil Argelina (após a independência da França). E emocionamente também a memória que ele traz dos eu pai, veterano da primeira grande guerra, de quem ele, e assim ele confessa no livro, aprendeu o amor pela história. É um verdadeiro acerto de contas com sua história pessoal ,através das lembranças de seu finado pai...essa memória o assombra durante o livro e ele assume isso, com grande coragem...
Pensei imediatamente, ao terminar o livro, no nosso Grande Euclides e seu clássico "Os Sertões", cuja vida também mudou radicalmente por uma guerra que viu e o revoltou...Não sei se é correto essa associação...mas segui com ela mesmo assim...

Como acabei escrevendo mais do que deveria estarei, numa outra resposta, resenhando sobre o Livro de Rand. Evidente que recomendo ambos e adoraria conversar com vocês sobre...

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