Que tal colocar aqui, para a Comunidade, uma resenha do último livro que você leu ou indicação de algum livro marcante?
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"Os Limites da Ciência" de Peter B. Medawar. Editora UNESP.


Este livro reúne três ensaios de Peter Medawar: “Um ensaio sobre Scians,” “A Descoberta Científica pode ser Premeditada?” e “Os Limites da Ciência.” No primeiro ensaio o autor segue o estilo aforístico de Francis Bacon e William Whehell, discutindo diversos tópicos relacionados a ciência, como a origem do termo ciência, as verdades científicas, a inferência cientifica, ciência e política, e muitos outros temas.
No segundo ensaio, “A Descoberta Científica pode ser Premeditada?” o autor, através de três exemplos de descobertas científicas que a princípio não poderiam ter sido premeditadas, discute o possível papel da “sorte” nas descobertas científicas em geral. Em seguida o autor questiona se o caminho que leva os cientistas a fazerem as suas descobertas é compatível com a idéia de premeditação.
No terceiro e principal ensaio, “Os Limites da Ciência,” Peter Medawar começa discutindo como os horizontes da ciência se ampliaram com a nova filosofia do século dezessete, resumida no moto Plus Ultra. O autor, ao longo deste ensaio, debate, insistentemente, se a ciência seria capaz de responder às questões primeiras e últimas do tipo, “Como tudo começou?” e “Qual o sentido da vida?,” ou, se estas questões seriam de cunho puramente metafísico. Toda essa discussão permeia outros temas amplamente discutidos, tais como, a limitação do desenvolvimento científico e suas possíveis causas. Aqui o autor questiona se haveria algum tipo de limitação intrínseca que pudesse estancar o crescimento da compreensão científica. Segundo o autor esta limitação existe, mas não está relacionada a nossa capacidade cognitiva, e sim a limitação lógica ligada a “Lei de Conservação da Informação”, a qual é amplamente discutida neste ensaio.
Com uma linguagem muito clara e original, permeada com belas metáforas, o autor nos convida a refletir sobre estas importantes questões.
Penso primeiramente que “Os Limites da Ciência” de Peter Medawar pode ser de grande valor para os estudantes de ciências que estão pouco familiarizados com a filosofia — é um convite à reflexão. Nas palavras de Colin Blackmore, “Aqui nós temos o melhor de Medawar — sutileza e profundidade aliados à perspicácia e muito charme ... Tudo isto e muito mais é reunido em defesa da ciência e das considerações do que a ciência não pode fazer. A claridade da sua lógica é tal qual uma luz na sombra da anti-ciência. Medawar, aqui, é mais relevante do que nunca.”
Disseste tudo!!
Saiu a pouco a biografia de uma das pacientes do Freud. Uma senhora que morreu aos 100 anos e então autorizou que publicassem sua vida. Extremamente interessante para entender a capacidade da mulher de amar e a homossexualidade feminina. Os custumes da Austria durante a guerra e também um pouco do motivo pelo qual Freud fracassou. Chama-se em português Desejos secretos. As autoras são duas uma jornalista e uma psicóloga neta de uma amiga dela e que se tornaram também amigas dela. Ines Rieder e Diana Voigt. Vale a Pena. A outra sugestão são os livros de Rosa Monteiro: A loca da Casa, A filha do canibal, Paixões ou Histórias de Mulheres, que é sobre a vida de 15 mulheres sensacionais, algumas nem tanto como simone de Beauvoir que alíás ela detona. Outra sugestão: 104 que contam. Antologia dos oficineiros de Porto Alegre, tem coisa muito boa. Boa leitura.
"A Diversidade da Vida", Edward O. Wilson,

tradução de Carlos Afonso Malferrari - Companhia das Letras, 1992.


Edward O. Wilson, uma das maiores autoridades em formigas, nos apresenta este belo livro, feito para aqueles que se encantam com os surpreendentes fenômenos do mundo natural, e principalmente para os que querem compreender a origem da biodiversidade, termo tão em voga hoje em dia, dada a profusão das idéias sobre ecologia e meio ambiente. Quando falamos em biodiversidade, patentes de espécies animais e vegetais, ou sobre a proteção ao meio ambiente, muitas vezes esquecemos de levantar questões mais importantes e fundamentais como, o que é uma espécie e quais os mecanismos que favorecem o seu surgimento, ou, qual seria a relação entre evolução, ecologia e a diversidade da vida. Assim, a singularidade dos processos evolutivos, que resultou em cada uma das espécies animais e vegetais viventes é tal que, quando uma espécie é extinta, todo aquele processo que durou milhares ou centenas de milhares de anos, nunca mais se repetirá, ou seja, a espécie não volta mais. As relações ecológicas que mantém equilibrado todo o mundo natural são tão delicadas que se uma única espécie for eliminada, toda a cadeia ecológica pode desmoronar. Talvez esteja aí a importância maior de uma leitura atenta do livro de Wilson, ou seja, conhecer um pouco mais sobre os mecanismos evolutivos e os singulares processos que geram a biodiversidade e mantém o equilíbrio ecológico, para então criarmos uma consciência ainda maior do quanto é importante saber preservar. Falar em biodiversidade, apenas enquanto jargão ecológico-ambiental, não basta. Temos que compreender os processos evolutivos que geram a diversidade da vida e também as regras ecológicas que mantém o equilíbrio da mesma; matéria de certa maneira complexa para a compreensão do leitor não habituado com os conceitos e termos específicos da biologia, mas que Wilson sabe transmitir de maneira clara e com belos exemplos.
Blogueira recente, eu não conhecia o famoso drops da Fal (http://dropsdafal.blogbrasil.com). Li há poucos dias uma entrevista da autora no Amálgama, visitei seu blog, comprei pela internet seu último livro (Fal Azevedo. Minúsculos assassinatos e alguns copos de leite. Editora Rocco, 2008), acabei de lê-lo ontem, e o estou comentando aqui.
Não sei o que há de autobiográfico no livro, até que ponto a história da principal personagem, a artista plástica Alma, se cruza com a da autora. Um exame apurado do blog talvez me mostrasse pistas, já que a blogueira escreve bastante sobre suas próprias experiências e sentimentos. Mas, como acho que o livro, para se sustentar literariamente, deve existir independente do blog, não vou lá pesquisar. Assim, não sei o quanto Alma tem de Fal.
Mas sei que Alma tem muito de toda uma geração de mulheres brasileiras, na faixa hoje dos quarenta, quarenta e poucos anos, filhas de pais que na década de 60/70 se tornaram hippies, viveram em comunidade, consumiram drogas, viraram a mesa, como se dizia à época, recusando o mundo que conheciam e propondo outro, tão irreal e confuso quanto bonito e ousado. Quem são essas filhas, que mulheres são essas que nasceram de pais alternativos mas se tornaram adultas na sociedade yuppie dos anos 90, quais as suas dúvidas, emoções, tragédias, realizações, frustrações, quais vidas, enfim, elas levam?
O livro mergulha na história de Alma, é pelo olhar dela que fazemos o percurso, percebemos o mundo. Não há cronologia nem ordem, como na vida a narrativa salta de um tempo a outro, de um estado a outro, de gatos a sapatos, de receitas (algumas ótimas) a choros convulsos, da gentileza de seu Lurdiano à dureza da Mãe, do riso mais frouxo ao IPTU não pago ou ao leite derramado, de e-mails dos amigos à bondade de Eliano, da fanta uva às filosofias e insônias, do litoral ao centro da cidade de São Paulo, passando por galerias, invernos, tevês a cabo, homens brutos, unhas pintadas, porres homéricos, computadores deficientes, mulheres masoquistas, dietas para emagrecer, muitos — muitíssimos — cães e gatos; de omeletes e pijamas de pezinho a meninas ruivas, das pequenas omissões aos persistentes, cotidianos, minúsculos assassinatos que todos nós cometemos e sofremos, vítimas algozes.
Tudo isso envolvido num humor irresistível, o mesmo humor inteligente que Fal exercita em seu blog: “O velório e o enterro de Eliano corriam bem, se é que se pode dizer uma coisa dessas sem ser fulminado por um raio”;”Estou curada do meu vício em revistas que dizem que não sou boa, magra, bronzeada, merecedora de amor, tesuda, simpática, ativa, bonita e boa profissional o suficiente”; “Não é o inverno, a segunda-feira, a falta de grana. Sou eu”,“Seu cachorro ama você para sempre, mesmo que nada, nada, nada tenha salvação e que, em parte a culpa seja sua”; “Ela gostava de mim aos quatro, aos sete, mas Deus sabe que a idade traz discernimento” são amostras colhidas ao acaso de um humor que serve não apenas para divertir, mas principalmente para estranhar, ironizar, criticar, desnudar o mundo louco, perigoso e invertido em que vivemos.
Não fosse esse humor imbatível, eu não teria agüentado ler o livro até o final. Pois Minúsculos assassinatos é uma narrativa sobre perdas, perdas gigantescas, um livro comovente sobre a dor, os limites da dor e a superação da dor, até onde isso é possível. Como avisa a autora: “... caso você não tenha percebido, isso não é um conto de fadas.” Compõe-se de duas narrativas intercaladas, duas vozes de Alma que contam e, às vezes, disputam a mesma história dilacerada, cortante. Os textos são curtos, saem aos trancos, aos soluços, meio desconjuntados, típicos textos de blog que, agrupados em capítulos também curtos (com nomes de comidas) servem muito bem a essa trama contemporânea de rupturas, vai-e-vens, desencontros.
A linguagem é desigual. Flutua entre o coloquial — onde, a meu ver, deveria ficar, pois aí a autora é mestre — e tentativas mal-sucedidas de linguagem mais elaborada, que destoam do restante do texto. Não sei, por exemplo, por que Fal evita o “pra”, usando sempre o “para”, mesmo no mais cotidiano dos diálogos. Imploro à autora: pelo amor de Deus, extirpe “o quão” do seu dicionário! Um ou outro capítulo não atinge o mesmo nível dos outros, como “Pé-de-moleque”.
Mas o ritmo de Minúsculos assassinatos é perfeito, o livro flui bem e nos prende pela jugular. Há capítulos belíssimos, bem escritos, bem pensados, que nos carregam a alma, como “Manteiga Aviação”, sobre o amor da filha por um pai impossível, “Café da manhã” — não vou dizer sobre o quê — e, numa dimensão mais leve, “Catupa”, sobre cães e seres humanos.
Minúsculos assassinatos envolve e emociona. O que eu mais gosto no livro é, face às misérias, desamores, ironias e horrores, sua capacidade de lançar um olhar solidário, cúmplice, caloroso ao mundo de hpje, oferecendo-nos generoso abraço que afaga, perdoa, consola. Há muito tempo não me lembro de chorar tanto ao ler um livro.
Janaína Amado
Escritora, historiadora e, recentemente, também blogueira
http://acreditandonotruque.blogspot.com
http://enredosetramas.blogspot.com
O livro é uma coletânea de artigos que discutem os impactos do Ato Institucional n. 5, decretado em 13 de dezembro de 1968 e que se tornou o mais violento dos atos institucionais, não por apresentar novidades em termos de autoritarismo, mas por consolidar a arbitrariedade como a suspensão da garantia do habeas corpus, até então uma defesa viável do cidadão, além de não ter prazo de validade como ocorria nos atos anteriores. Porém, mais que a análise do AI 5 em si, Tempo negro, temperatura sufocante: Estado e Sociedade no Brasil do AI-5 busca analisar os aspectos que envolviam a sociedade e o Estado naqueles anos de violência institucional, antes e depois, nos seus diversos campos. Os textos abordam a Historiografia, o Itamaraty, as Forças Armadas, a Administração Pública, o Movimento Operário, a violência no Campo, as Igrejas cristãs, a Cultura, a Imprensa e Economia.

Além da introdução, feita por Jacqueline Ventapane Freitas, do Laboratório de Pesquisa e Práticas de Ensino da UERJ e de Adriano de Freixo, do CEFET, que traça um panorama daqueles anos, a obra conta com artigos de Francisco Falcon, Paulo Roberto de Almeida, Shiguenoli Myamoto, Juliana Bertazzo, Oswaldo Munteal Filho, Octavio Pieranti, Paulo Emilio Martins, Tahis Kronemberger, Antonio Luigi Negro, Fernando Vieira, Álvaro Senra, Lyndon Santos, Adelia Miglievich, Ricardo Mendes, Victor Gentilli, José Macarini e um texto do Professor José Luis Fiori, que repensa o processo de construção nacional nas últimas décadas do século XX, partindo da análise do pensamento de Celso Furtado sobre um projeto econômico nacional "atropelado pelas transformações mundias que se aprofundaram a partir da década de 1970 e interrompidas pelas políticas e reformas liberais levadas a cabo pelos governos brasileiros da década de 1990'.

"Nós, brasileiros, reconstruímos o Estado de Direito, agora Democrático, no país. Comemoramos, em 2008, os 20 anos da promulgação de Constituição Cidadã, que converteu todos os direitos de Declaração da ONU em direitos legais no Brasil. O processo de reconstrução da democracia brasileira não teria sido possível se não fôssemos capazes de superar de forma duradoura o autoritarismo e nos comprometer com a liberdade. Ao longo dessa trajetória, tem sido necessário, cada vez mais, enfrentar as nossas próprias tradições. Não há como consolidar a democracia no país se não nos distanciarmos reflexivamente de nosso próprio passado. Precisamos olhar criticamente nossa história, suas revoluções "pelo alto", seus múltiplos episódios de violência institucional, e seus macanismos de exclusão e discriminação.
Tempo negro, temperatura sufocante - Estado e sociedade no Brasil do AI-5 é um livro que, sem dúvida, nos permite sentir orgulho por termos nos reapropriado do espaço público da política; mas, especialmente, trata-se de um texto que nos ajuda nessa importante tarefa de refletir criticamente sobre um tempo de dor, asfixia e desesperança.
Ao longo dos seus capítulos, verificamos como a violência institucional do estado autoritário que se instala no Brasil a partir de 1964 atuou sobre a cultura, a imprensa, as escolas, as universidades públicas, o governo e a administração, o mundo da economia e do trabalho, o campo e a cidade. Com a construção desse mosaico, Tempo negro temperatura sufocante representa não apenas uma chave interpretativa do passado recente, como facilita a necessária e perene tarefa de definir como dar prosseguimento à nossa própria história." Resume a professora Gisele Cittadino da PUC-Rio
"Enamoramento e amor" de Francesco Alberoni. Totalmente indispensável para quem viveu uma grande paixão, e saiu dela com mais dúvidas do que certezas sobre amor, paixão, erotismo. Nunca imaginei que justo um sociólogo pudesse escrever com tanta propriedade, tanta originalidade, sobre esse tema. A linguagem, os símbolos utilizados por Alberoni, sua perspectiva, é erudita e simples ao mesmo tempo, faz a gente "se enxergar" e a essa força danada chamada paixão (enamoramento). Li várias vezes, e sempre me surpreendo aprendendo coisas novas.
O Léxico de Guimarães Rosa

Neste ano do centenário de nascimento de João Guimarães Rosa (certamente ofuscado pelo centenário de morte do outro gigante das nossas letras, Machado), eis que quase ao fim do ano, somos presenteados com o relançamento de uma obra fundamental para nos ajudar a navegar no “labirinto de veredas do sertão” (nas palavras de Davi Arriguci Jr) do universo rosiano: O Léxico de Guimarães Rosa, “longa e minuciosa pesquisa” da professora Nilce Sant´Anna Martins.

De acordo com Raquel Aguiar, em Ciência Hoje on-line, “Nilce Sant'Anna Martins, que foi professora por 46 anos, iniciou há dezessete a difícil empresa de despetalar os sentidos dos termos peculiares ao autor mineiro. São oito mil verbetes reunidos em O Léxico de Guimarães Rosa”.

Agora ninguém mais tem a desculpa do vocabulário difícil para não mergulhar de cabeça no Grande Sertão Veredas, ótima pedida para as férias de verão.

Três exemplos deliciosos

João Guimarães Rosa expressa no livro Tutaméia a dificuldade de apreender o sentido das palavras 'em todas as suas pétalas', em alusão a seus múltiplos significados Para termos uma idéia de como as palavras vão muito além das “pétalas” cotidianas, ou mesmo da invenção Rosiana, vejamos três exemplos consultados no Léxico. Os verbetes são sempre ilustrados primeiramente com uma frase selecionada em um dos livros do escritor:

COLHEITA. Esta vida é de cabeça-para-baixo, ninguém pode medir suas perdas e colheitas (Grande Sertão Veredas, 112/135). / Ganhos. // O Autor renova a expr. comum perdas e ganhos, introduzindo um termo próprio da vida rural.

COLIBRIL. A madrepérola pavã, colibril, faiança de aurora (Ave, Palavra, 137/173). / ND Matizada como um colibri, cintilante.

CORNO. 1. Sopra sempre o guia no seu corno (Sagarana – I, 25/39) / Corneta, instrumento de sopro feito de chifre. 2. Que havia que iterar, decidiram, confabulados: arcar com os cornos do caso (Primeiras Estórias – XVIII, 145/132). / Divulgação, alarde (sent. fig. prov.) // Esse sent. é uma metonímia do de `buzina´. 3.Veio com o corno cheio ... Está bêbado que nem gambá (Sagarana – I, 61/73). / Loc. explicada no contexto.

Nas palavras do professor Davi Arrigucci Jr, “O Léxico de Guimarães Rosa é um utilíssimo instrumento de trabalho para qualquer leitor de toda a obra rosiana, cuja dificuldade inicial de compreensão reside na peculiaridade lingüística, fundada no falar regional do norte de Minas Gerais, mais muito mesclada de elementos cultos, arcaicos, plurilíngües e de livre invenção do grande escritor, que misturou a rigorosa documentação a uma espantosa fantasia verbal.”

O LÉXICO DE GUIMARÃES ROSA

de Nilce Sant´Anna Martins

Prêmio Mário de Andrade (Biblioteca Nacional) 2001 Ensaio Literário
ISBN: 8531405815
Formato: 19X25 cm
Nº de Páginas: 568 pp.
Peso: 1115 g
Edusp - 3ª Edição

Preço: varia de R$ 72,00 a R$ 92,00, dependendo da livraria on line consultada.
Estou no momento lendo " A republica Comunista Cristã dos Guaranis" de Clovis Lugan,
digo lendo, porque já o li faz um tempo, mas agora o vejo com outro olhar.
Narra toda a vida dos Guaranis, antes da chegada dos Jesuítas, As fundações, Devastações,Migrações, O exercito, a vida social , religiosa, A expulsão dos Jesuitas,
Neste livro , Lugan, investiga a fundo a conjunção feliz de circunstâncias, sem dúvida singulares e excepcionais que permitiu a Republica dos Graranis viver 150 anos e servir de exemplo para outras comunidades menores, como a do Chiquitas e a dos moxes.
recomendo.
"Maria perigosa " do exímio escritor e artista plástico [ relegado ao limbo ] Luis Jardim [ conterrâneo do já saudoso presidente LULA ]

Taí um livro que gerou e gera uma polêmica interminavel nos meios acadêmicos até os dias de hoje : ganhou o prêmio Humberto de Campos da Livraria José Olympio em 1937-1938 concorrendo com CONTOS do então iniciante GUIMARÃES ROSA . Posteriormente o próprio Rosa , reconheceu que MARIA PERIGOSA era "mais equilibrado" ," mais bem estruturado psicologicamente" do que o seu livro , refazendo-o novamente e lhes dando o título definitivo SAGARANA


{Que o Prêmio Humberto de Campos, da Livraria José Olympio, ao qual concorreu Contos, de Guimarães Rosa, inscrito em 31 de dezembro de 1937, provocou debates acirrados dentro da comissão julgadora já se sabe (Lima, 1999: 32-33 e 37). Também é fato registrado na História da Literatura Brasileira que o vencedor, anunciado no início de 1938, foi Luís Jardim (1), com Maria Perigosa, publicado, em 1939, pelo patrocinador do Prêmio. Acontece que a polêmica repercutiu ao longo dos anos, para muito além do anúncio da premiação e do “Depoimento” de Marques Rebelo, em 1939, ardoroso advogado dos contos do desconhecido Viator; e quando, finalmente, as histórias se revelaram em livro, com título novo: Sagarana, não faltou quem lembrasse a história do Prêmio da José Olympio. }

TRECHO DO ARTIGO SOBRE O CASO
para saber mais acessar
http://www.soniavandijck.com/rosa_perigosa.htm
http://www.soniavandijck.com/sagarana_plural_pluriel.htm

outros livros deste autor merecem reedição urgente : isabel do sertão(dramaturgia) , confissões de meu tio Gonzaga , literatura infanto Juvenil (o boi aruá , proezas do menino jesus , aventuras do meninos chico de assis , façanhas do cavalo voador e outras façanhas do cavalo voador)

NÃO ENCONTREI NADA EM PDF NA NET , E AS EDIÇÕES SÓ EM SEBOS
LOUVADO DE MANUEL BANDEIRA PARA LUÍS JARDIM
in ESTRELA DA VIDA INTEIRA

Louvo o padre , louvo o Filho,
Louvo o alto Espirito Santo.
Após quê , Pégaso encilho,
E para mundial espanto,
Remonto à paragem calma
Onde em práticas sem fim
Deambulam as Musas: na alma
de Lula - Luis Jardim.

Uma jardim de muitas flores
E sem espinhos nenhuns:
Jardim de Ilha dos Amores
Replantado em Garanhuns.
Louvo o desenhista exato:
Maneje lápis , carvão
Ou pena, trace retrato
Ou paisagem, é sua mão.

Segura certeira, leve:
Nunca ví tão leve assim.
E é assim também quando escreve
Romance ou conto o Jardim.
Faz igualmente bom teatro,
Ótima crítica. Tem
Arte e engenho como quatro...
Deus conserve-o tal, amém!

Um dia a menina Alice
no Pais das Maravilhas
Passeava. Lula lhe disse:
"Vamos ter filhos e filhas
Casemo-nos!" E casaram-se.
Mas os filhos não vieram.
Lula e Alice conformaram-se.Foi o melhor que fizeram

Pois louvo Lula de novo
E louvo Alice também.
Louvo o Padre, o Filho louvo
e o Espirito Santo . Amém
Não é uma resenha. É uma indicação. Leiam.
Um conto simples do Gustave Flaubert. Chama "Um coração simples".
História simples. Momentos simples, Não acontece nada que não é simples. Nenhuma reviravolta, nenhum roman-à-clef.
E um conto sublime.
Quem quiser, tá aqui:
http://www.divshare.com/download/12390584-1d6

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