A Mensagem sobre aprovação automática gerou uma avalanche riquíssima de comentários, abordando vários ângulos.

Pretendo levar para a Comunidade do Blog, para tornar permanente a discussão sobre modelos pedagógicos e melhoria do ensino.

Para tanto, será necessário uma síntese isenta dos principais argumentos levados - a favor e contra. E estou em uma pauleira de dar gosto por esses dias. Se alguma boa alma se dispuser a fazer essa síntese, ajudaria bastante.

Pelo que entendi lendo os comentários e os trabalhos sugeridos (inclusive o do IPEA):

1. Não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática.

2. A repetência é um fator desestimulador do aluno. Mas, por outro lado, a não repetência pode ser um álibi para a aprovação de alunos sem condições.

3. Por isso mesmo, a progressão continuada pressupõe uma estrutura eficiente, para apoiar o aluno no decorrer do curso, corrigindo suas vulnerabilidades. Sem essa estrutura, progressão continuada não funciona.

4. O estudo do IPEA demonstra que, na média, países que adotaram a progressão continuada tiveram melhor desempenho que os demais. Mas demonstra também que muitos países que não adotaram a progressão continuada, conseguiram também bons desempenhos. O que realça o ponto central: com ou sem progressão continuada, há que se ter um arcabouço institucional e operacional.

5. Continuo um defensor de metas e remuneração por desempenho. Meta é fundamental para qualquer professor e escola saberem onde estão e para onde pretendem ir. A questão é a metodologia das metas. Por isso, é importante um bom apanhado da defesa e das ressalvas apresentadas às metas utilizadas pela Secretaria de Educação de São Paulo.

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João, há várias coisas na sua mensagem. Educação até pode INCLUIR algum grau de adestramento; mas isso nao basta, mesmo sem idealizar. Seria preciso desenvolver o gosto pelo estudo, a capacidade de compreender e criticar. Porque, no mundo de hoje, saber só conteúdos, em perpétua mudança, nao adiantaria nada, até para a adequação ao mercado de trabalho é preciso mais. Concordo com você sobre os "incentivos internos". Só nao sei como você compatibiliza isso com a sua defesa da uniformidade de materiais, supervisão à distância, bônus vinculados a ter tantos pontos na Prova X, etc. Tb concordo que é preciso alguma interferência exterior. Parâmetros, objetivos a serem atingidos pelo menos no nível tal. Mas, sobretudo, uma coordenação de esforços, unindo escolas, Universidade, comunidade, etc. Mas para atingir atores sociais concretos essa coordenação teria que ser regionalizada, mesmo se com alguma ORIENTAÇÃO MUITO GERAL mais centralizada. E os atores concretos do trabalho têm que ser ouvidos, e o que dizem considerado, sao eles que estao com a mao na massa, e sofrendo a realidade concreta (e só isso já implica numa impossibilidade de centralização, pois em diferentes comunidades e escolas os problemas e necessidades seriam outros). Mais um pacote de cima para baixo só vai piorar essa situação já maluca. É isso que me parece que você nao vê. Quer "operacionalizar" demais o que nao é passível desse tipo de operacionalização. Seres humanos nao sao passíveis de engenharia; algum planejamento até pode ser possível, mas muito pouco, e tem que ser um planejamento muito flexível, capaz de se adaptar a subjetividades e circunstâncias.

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Anarquista,

Sinto lhe dizer, mas educação é uma forma de adestramento, caso por esta palavra você entenda (como eu) qualquer forma de transmitir habilidades por meio de um treinamento específico. Você se vale, se não me engano, das ressonâncias que a palavra adestramento possui, já que é mais tipicamente aplicada a cães do que a homens. Mas, se você tomar a palavra em sua acepção mais geral, poderá aplicá-la à educação independentemente de suas convicções mais profundas. Usada assim, ela é neutra. O que fazemos, ao educar uma criança, é lhe transmitir habilidades (como a de compreender uma notícia de jornal, ou ser capaz de tocar uma peça ao piano com sentimento e inteligência) por meio de um treinamento específico, que não precisa incluir, fique tranqüila, recompensas idiotas, como um ossinho, ou coisa assim. Quando inclui recompensas exteriores à própria atividade (e não é sempre que isto precisa acontecer), elas podem ser de um tipo que um cachorro não conseguiria perceber enquanto tais. Recompensas simbólicas associadas à auto-imagem, por exemplo. Isso não exclui de maneira alguma a liberdade. Pelo contrário. O exercício dessas habilidades dará acesso a um tipo superior de liberdade. Eu, por exemplo, que estou dando meus primeiros passos na clarineta, adoraria adquirir a liberdade de tocar André de Sapato Novo, que hoje eu infelizmente não tenho. Só o processo de adestramento pode criar para mim esse novo espaço para o exercício da liberdade. Ler Machado de Assis não é muito diferente. Conseguir acompanhar uma aula de cálculo no primeiro ano da faculdade também não. São habilidades adquiridas, e necessitam de um treinamento específico.

A centralização, por outro lado, não é um objetivo em si. É uma necessidade contingente. As políticas caóticas sucessivas, aliadas ao fato de a educação nunca ter sido realmente priorizada levaram-nos a essa situação de completo sucateamento físico e simbólico: instalações precárias, professores despreparados, sistemas de avaliação em frangalhos. Nossa diferença talvez seja a seguinte, neste ponto: você vê a possibilidade de esse sistema em ruínas adquirir um dinamismo próprio no sentido da melhora a partir de ações isoladas. Eu não vejo as coisas assim. Não que seja impossível. Não é. Podemos imaginar dinamismos criados assim. Mas uma condição indispensável, eu acho, seria estarmos partindo de um outro patamar. Esse sistema que está aí, entregue às suas próprias tendências, irá cada vez mais para o fundo. É preciso, eu acho, uma intervenção externa, que recoloque o trem nos trilhos. Temos que ter políticas de longo prazo, e sobre isso é bem provável que nossa discordância seja pequena. Mas também temos que ter respostas imediatas para as crianças que estão aí. À medida que formos reciclando os professores, aí sim é possível pensar em ir soltando as rédeas, e deixando o sistema avançar de forma descentralizada. Nas condições atuais, acho uma temeridade. Mas esta impressão minha tem toda a fragilidade inevitável dos prognósticos condicionais - "o que aconteceria se...". A sua também. Fazer o quê? É dessa matéria sutil que as opções políticas são feitas...
Ana Lú
Como foi retomada a discussão deste post, e já estávamos falando das diferenças entre educação e treinamento, gostaria de saber a tua visão de qual o limite entre os dois?
Você está perguntando a sério, ou só como um "gancho" para eu desenvolver o assunto? Preguiçoso, hem? (rs, rs). A diferença é um abismo maior do que o Oceano Pacífico... Treinamento até pode fazer parte da educação. Para aprender piano, por ex., a nao ser que a pessoa seja um gênio musical, precisará treinar tb a automatização das maos no piano, a fluidez delas, etc., algo necessário e que nao depende de "entendimento" nem de sensibilidade, e que provavelmente implicará em algumas horas de treino. Agora, educação nao é só treinamento, nem mesmo só ensinamento. E nem estou falando sobre educação no sentido mais geral; mas mesmo educação no sentido escolar implica em interesse no conhecimento, formar um certo tipo de mentalidade investigativa, coisas assim, que nao dependem nem só de treinamento como nem só de instrução.
Pelo que me consta, experiências semelhantes (bonificação por resultados) já foram implementadas pelo Estado de Minas Gerais. Alguém tem algum conhecimento sobre isso ?

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Anarquista,

A avaliação individual do CNPq, com a concessão de bolsas de produtividade em pesquisa, assim como as avaliações institucionais da CAPES tiveram um papel fundamental na indução de qualidade no ensino superior. Isso é tão visível que ninguém pensa seriamente em abolir o sistema. Pode-se pensar em aperfeiçoá-lo, isto sim. Mas isto não é um bom argumento contra o sistema tomado em si mesmo. Pelo contrário. Não teria sentido pensarmos em aperfeiçoar um sistema reconhecidamente nocivo.
É possível burlar as regras? É sempre possível burlar as regras. Mas não é porque as pessoas passam no sinal vermelho que nós iremos concluir que os semáforos deveriam ser extintos. Eles introduzem uma ordem relativa no trânsito, apesar das transgressões. Sem eles, os acidentes seriam muito mais numerosos. Com as avaliações, acontece algo semelhante.
Edson.

Em Minas, existe uma avaliação de desempenho dos professores feita pelo diretor e por uma comissão, e assim a implantação do bônus, basendo-se em prinicípio, nesta avaliação, mas por enquanto nada.


Edson Felix de Pontes said:
Pelo que me consta, experiências semelhantes (bonificação por resultados) já foram implementadas pelo Estado de Minas Gerais. Alguém tem algum conhecimento sobre isso ?

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Anarquista,

A avaliação individual do CNPq, com a concessão de bolsas de produtividade em pesquisa, assim como as avaliações institucionais da CAPES tiveram um papel fundamental na indução de qualidade no ensino superior. Isso é tão visível que ninguém pensa seriamente em abolir o sistema. Pode-se pensar em aperfeiçoá-lo, isto sim. Mas isto não é um bom argumento contra o sistema tomado em si mesmo. Pelo contrário. Não teria sentido pensarmos em aperfeiçoar um sistema reconhecidamente nocivo.
É possível burlar as regras? É sempre possível burlar as regras. Mas não é porque as pessoas passam no sinal vermelho que nós iremos concluir que os semáforos deveriam ser extintos. Eles introduzem uma ordem relativa no trânsito, apesar das transgressões. Sem eles, os acidentes seriam muito mais numerosos. Com as avaliações, acontece algo semelhante.
Estou na Universidade há muito tempo, vivi o antes e o depois da política Paulo Renato. Antes muita gente nao fazia quase nada; quem fazia, fazia por real interesse no que fazia, e fazia coisas boas. Agora, eu vejo uma farsa generalizada, até porque as pessoas nao têm como escapar disso individualmente: por ex., em minha Universidade, se você nao cumpre seus requisitos de "produtividade", é o seu colega de 20 hs que nao consegue passar para o regime de 40hs; você pode imaginar o tipo de clima interno que isso cria? Lá tb há a dedicação exclusiva nao como regime de trabalho, mas como uma bolsa de 3 anos de duração. A justificativa é sempre a do "controle": senao as pessoas teriam o regime, mas nao trabalhariam (e de que vale o trabalho intelectual de alguém que, se nao fosse forçado, nao trabalharia? e quantidade em termos de artigos é sinal de qualidade? o maior renovador da minha área teve menos de uma dezena de artigos em toda a sua vida, seu livro principal tendo sido feito por discípulos dele após a sua morte; alguém com 10 artigos por ano é superior?). A questao é que nao há bolsas para todos os que querem, e a cada ano há menos bolsas do que havia, logo pessoas sao cortadas; você passa de uma hora para outra a ganhar quase a metade do que ganhava. As pessoas fazem qualquer coisa para ter os pontos necessários, independentemente disso fazer sentido ou nao. E ninguém vai usar as suas horas em coisas que fazem sentido mas nao dao pontos... Pessoalmente prefiro como era antes, era menos "para inglês ver". É esse tipo de coisas que "bônus" costumam causar.

João Vergílio Gallerani Cuter said:
Anarquista,

A avaliação individual do CNPq, com a concessão de bolsas de produtividade em pesquisa, assim como as avaliações institucionais da CAPES tiveram um papel fundamental na indução de qualidade no ensino superior. Isso é tão visível que ninguém pensa seriamente em abolir o sistema. Pode-se pensar em aperfeiçoá-lo, isto sim. Mas isto não é um bom argumento contra o sistema tomado em si mesmo. Pelo contrário. Não teria sentido pensarmos em aperfeiçoar um sistema reconhecidamente nocivo.
É possível burlar as regras? É sempre possível burlar as regras. Mas não é porque as pessoas passam no sinal vermelho que nós iremos concluir que os semáforos deveriam ser extintos. Eles introduzem uma ordem relativa no trânsito, apesar das transgressões. Sem eles, os acidentes seriam muito mais numerosos. Com as avaliações, acontece algo semelhante.
Olha, João, posso até achar a sua proposta original inadequada, mas, além dela ter provocado uma boa discussão, nessa discussão foram levantados alguns pontos concretos. O Luiz Carlos desistiu, agora você me parece estar desistindo tb, por quê? Seria bom termos um produto dessa discussão, ou terao sido palavras jogadas ao vento... Seria bom se algum outro participante, nem você nem eu, fizesse uma "consolidação", que talvez pudesse ser levada de volta ao blog. Porque uma coisa boa desta Comunidade e do blog é poderem servir para a criação de uma certa "massa crítica" de pensamento sobre certos temas. E, no caso desse tema em especial, seria tao bom se pudermos provocar pequenas "ondas" de ação... Tenho uma inserção indireta na prática a esse respeito (apenas como professora de futuros professores), mas, se todos os interessados que participaram da discussão juntarem as contribuições que acham que podem fazer, quem sabe dá samba?

João Vergílio Gallerani Cuter said:
É, acho que chegamos num ponto ideal da discussão: conhecemos melhor a posição do outro, e vimos onde é que a nossa precisa ser burilada. Na minha opinião, há dois caroços na garganta da esquerda atualmente, dois nós que precisam ser desatados para que um NOVO pensamento de esquerda possa brotar: educação e segurança pública. Na educação, a esquerda precisa se acostumar com a idéia da avaliação e do primado do mérito. Abraçar estas duas idéias como causas, e não como "males necessários", ou coisa assim. Na segurança pública, precisa fazer as pazes com o uso legítimo da violência e com a idéia de penalidade - é um longo assunto. A discussão escandaliza, mas é aí que estamos patinando, que não conseguimos propor soluções viáveis, que confundimos o ideal (que é um horizonte) com a realidade (que é o solo em que estamos condenados a caminhar). Temos que romper de vez com a sombra que a Igreja projetou sobre nós. Recolocar o ideal da igualdade e da justiça social num outro plano, onde caiba a administração do presente e a condução do aparelho de Estado. Afinal, se alguém não percebeu, é o Lula que está no poder. Provavelmente fará seu sucessor. Temos que ter a coragem de nos repensarmos. Desculpem-me por este "até logo" pretencioso, em tom admoestatório. Mas é a minha crença. Blog tem um pouco de confessionário, não tem? Pois é. Abraço a todos.
Para não ficarmos na discussão pensamento de direita ou esquerda, temos que pensar qualquer ato de governo sob a perspectiva da teoria que seu programa se insere, farei um tratamento dentro de termos ou textos que são acessíveis na internet, tentarei ser simples, mas resumirei o máximo as idéias.

Mas do meu ponto de vista, devemos sair do mundo dos fenômenos e adentrar a essência, despindo o conteúdo ideológico das medidas tomadas. A finada política educacional continuada é o que a critica dos setores mais lúcidos sempre afirmaram um mecanismo para escamotear as estatísticas para que o governo paulista conseguisse empréstimos do Banco Mundial.

Como agora temos a nova panacéia que é o sistema de bônus, podemos nos apoiar na boa teoria administrativa conhecida e o secretário de educação torna-se o gestor do sistema, a ele consiste conduzir os destinos do empreendimento a fim de alcançar os objetivos, buscando eficiência, eficácia e efetividade nos serviços prestados.

Não dá para se falar em motivação, já que o bônus está a meu ver, dentro do quadro apresentado de deterioração da profissão só pode ser fator higiênico, acredito que ficou claro que pelo menos para um dos mais importantes autores da Administração, sem atacar todos os fatores higiênicos teremos um remendo ou um convite a burla. Portanto mais uma vez temos um discurso vazio emprestando-se de termos de uma ciência para dar alguma legitimidade, por interesses que ainda não claros, como o anterior.

Sobre motivação, é sabido que todo o ser humano receia as ameaças à auto-estima e deseja o “status”. Desta maneira, esforça-se e usa seu tempo executando o que o leva à conquista do “status”. Diante disto, os padrões do comportamento de cada indivíduo são motivados por necessidades, que dão direção e conteúdo a este comportamento.

Pensar em analisar em discutir um tema complexo como a educação sob a perspectiva que o professor pode resolver tudo é no mínimo não quer discutir de quem é a responsabilidade da gestão do sistema e de tentar elevar a motivação dos professores.

Essa falta de responsabilidade dos projetos faz com que exista almoço grátis no Brasil para quem faz verdadeiros desastres administrativos e sociais, pois tais pessoas continuam na vida pública, no mundo empresarial tal fato não ocorre com tanta freqüência, principalmente nos centros mais desenvolvidos.

Mas a nossa gestora faz uma analise de um mecanismo como estratégia, por isso escolhi uma ferramenta conhecida que é o modelo BSC por ser muito implementado nas empresas, fazendo apenas algumas mudanças para adequar o produto:
Perspectiva educacional
Qual é a estratégia, começando pelos objetivos de longo prazo e relacionando-os às ações que precisam ser tomadas em relação às demais perspectivas, para que o desempenho seja alcançado.
Perspectiva dos alunos
A perspectiva dos alunos traduz a missão e a estratégia da Escola em objetivos específicos para segmentos focalizados. Além disso, permite a clara identificação e avaliação das propostas de valor dirigidas a esses segmentos, já que os interesses dos alunos não são homogenos.
Perspectiva dos processos internos
Constitui-se na análise dos processos internos da rede de ensino, incluindo a identificação dos recursos e das capacidades necessárias para elevar o nível interno de qualidade. Contudo, os elos entre os processos internos da Escola e os dos alunos/pais, estão muito unidos, a ponto de exigirem que também sejam considerados.
Deve-se considerar os processos internos de toda a cadeia de valor de ensino, incluindo qual é o processo de inovação, de operações e procurar saber o quanto afetou (para melhor) a vida dos alunos pós-escola.
Perspectiva do aprendizado e crescimento
O objetivo desta perspectiva é oferecer a infra-estrutura que possibilita a consecução de objetivos ambiciosos nas outras perspectivas.
A habilidade de uma organização inovar, melhorar e aprender relaciona-se diretamente com seu valor.
Essa perspectiva apresenta objetivos voltados à capacidade dos professores, dos sistemas de informação e à motivação, empowerment e alinhamento.
Como deve ser apresentado o plano da Educação:
Etapa 1 - Arquitetura do programa de medição.
O grande objetivo desta etapa é promover uma compreensão e uma análise crítica dos direcionadores de ensino e da visão de futuro. Um segundo objetivo é resgatar as diretrizes estratégicas, analisando sua coerência com os direcionadores de ensino e a visão de futuro.

Etapa 2 - Inter-relacionamento de objetivos estratégicos.
As atividades desta etapa implicam alocar os objetivos estratégicos nas quatro dimensões do BSC, correlacionando-as entre si. Nesse processo poderão ou não surgir lacunas no inter-relacionamento, que deverão ser eliminadas ou preenchidas a partir de novas discussões e análises do planejamento estratégico da organização.

Etapa 3 - Escolha e elaboração dos indicadores.
O objetivo essencial da seleção de indicadores específicos para o BSC é a identificação dos indicadores que melhor comuniquem o significado da estratégia.
A estratégia apontada pela secretaria de educação começa nesse ponto.

Etapa 4 - Elaboração do plano de implementação
Uma vez definidos os indicadores associados aos diferentes objetivos estratégicos, definam-se metas, planos de ação e responsáveis, a fim de direcionar a implementação da estratégia.

Decompondo o que entendi do plano educacional, os responsáveis são os professores, se fracassar a responsabilidade é deles, existem metas, mas plano de ação nenhum, ou seja, mesmo nessa etada as responsabilidades são um enpurra da alta administração para os que implementam, as metas não são discutidas com quem vai ser responsável, e não tem plano de ação, ou seja, convite a novo desastre, ou a continuação de um velho conhecido que é mesmo gasto proporcional comparado a outros países, o do Brasil sempre é pior, se meu conhecimento rudimentar de auditoria estiver certo é caso de fraude, com testes de observância ao máximo.

Concluindo: Se der certo deve ser um caso a ser estudo profundamente, por que não existe caso conhecido de motivação de uma firma que com a introdução de apenas um mecanismo consiga reverter um quadro de deterioração da auto-estima dos funcionários e de visão negativa dos clientes.
Dá uma grande pena ver o estado em que vivem as pessoas dentro de uma escola pública.
A respeito da questão de bonus, já que tá: porque não "bonificar" por disciplinas? Porque a coisa funciona em escolas particulares sem bonus, apenas com bons salários?
O buraco é mesmo mais em baixo...sem dúvida...sem o tripé (salário, condição e esforço coletivo) não haverá qualidade de ensino, senão uma corrida maluca em busca de bônus...é de rir!
Caro João,

Percebo que agora você está entrando na "realidade" escolar...nosso amigo Luiz Carlos está dando as notas...isso aí companheiro!
A coisa está feia e longe de ser embelezada...
Salve-se quem puder...
Marcelo,

Concordo com você quanto ao tratamento que é dado a muitos projetos, no entanto, discordo quanto à ausência de Política Educacional. Por exemplo: o atual governo do Estado de São Paulo possui dez metas para a Educação http://www.saopaulo.sp.gov.br/acoes/educacao/metas/ que, enquanto protocolo de intenções contemplam anseios de muitos de nós. Apenas acho sintomático que seja possível encontrar estas metas no site do governo e não conseguí-las no site da Secretaria de Educação: www.educacao.sp.gov.br, tendo vista que, sendo metas para a educação, deveriam permear o cotidiano de toda a estrutura de gestão da educação.

Para quem acompanha esta questão mais de perto observa que as ações da atual gestão caminham em sintonia com tais metas e confesso que considero um grande avanço, principalmente quando comparamos com gestões anteriores. Mas, sendo assim, onde está o problema? Entendo que pelo menos dois fatores merecem reflexão:

Primeiro: A forma como as ações são implementadas, ou seja, sem nenhum ou muito pouco esforço para angariar alianças com os efetivos operadores, no caso, os Profissionais de Educação.

As coisas são implementadas de cima para baixo sem que haja tempo de quebrar resistências naturais, viabilizar a incorporação dos princípios e compartilhar os desafios que se colocam. Alguns dirão que isso é típico de gestão tucana, no entanto, confesso que já vi este mesmo filme em gestão petista onde iluminados costumavam “tratorar” obstáculos para implementação daquilo que consideravam adequado.

Acho que este fator somente poderá ser superado quando formos capazes de compreender o problema da Educação como um problema de Estado e não apenas tópicos de Programas de Governo.

Segundo: Entendo que precisamos transcender os objetivos quantitativos da educação.

Neste tópico, não apenas em razão das pressões estatísticas de organismos internacionais, mas também (e é uma pena que na maioria das vezes desconsideramos isso), por força de nossa da Constituição, do nosso avançadíssimo Estatuto da Criança e do Adolescente e da própria LDB – Lei de diretrizes e bases da educação, avançamos muito e não é permitido à sociedade brasileira retroceder.

Do ponto de vista quantitativo, a universalização do acesso à escola é, e deve continuar sendo meta viável e fundamental, porém, é passada a hora de encararmos os desafios qualitativos e, neste aspecto, não percebo adequado o discurso da universalização. Em uma estrutura ampla e complexa como a nossa, a universalização qualitativa é falaciosa e tem como tendência natural a nivelação por baixo.

Neste sentido, considero que as propostas corajosamente apresentadas pelo João Vergílio Gallerani Cuter (“...Criação de um sistema duplo de ensino. Um, voltado para os alunos mais talentosos, com escolas-modelo de altíssimo nível”) não são de todo desprezíveis.

Confesso que sou de um tempo em que havia excelentes escolas públicas em um sistema que, embora houvesse um padrão muito superior ao atual, não poderia ser considerado homogêneo. Com o desafio da universalização, o que fizemos: eliminamos a seletividade, a autonomia das escolas e nivelamos todas por baixo. Hoje tocar na questão da seleção para ingresso na Escola Pública é pedir para ser rotulado de fascista, reacionário etc.. Há argumentos contrários de natureza legalista, pedagógicos, dogmáticos etc.. Ninguém assume a realidade de que não se propondo assegurar uma viável educação pública de excelência para um número possível, o Estado tende a não viabilizar para ninguém. O impressionante é que quando falamos em Ensino Superior o discurso e a realidade são completamente diferentes (mas essa é uma outra questão !).

Para não ficar apenas no discurso; apresento algumas propostas:

1. Assegurar a universalização do acesso ao ensino básico (como a sociedade brasileira tem feito);
2. Implementação e aprimoramento de mecanismos de avaliação de resultados (internos e principalmente externos);
3. Gradativa atribuição de autonomia administrativa e pedagógica (inclusive com a possibilidade de utilização de instrumentos públicos de seleção de alunos, composição do quadro de docentes e demais profissionais de educação) às escolas (inicialmente de Ensino Médio) que atinjam reconhecidos parâmetros de qualidade.




Marcelo Luiz said:
Grande problema das fórmulas atuais é que os governos não têm uma política educacional, por isso lançam um projeto, fazem festa e depois o esquecem na gaveta, como foi o caso da nova política educacional instituída pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação).

Por termos essa doença na administração pública, ficamos discutindo a muito se é válido ou não um mecanismo isolado do todo, seja a aprovação automática ou as metas e remuneração por desempenho.

Os mecanismos não são ruins, não, por que funcionam em qualquer lugar que tenha uma política educacional e essas ferramentas sejam coerentes com essa estratégia.

Fica claro esse ponto de vista, só de ler todos os textos enviados pelos leitores desse espaço, mesmo no blog, ninguém colocou nenhum ponto da política de educação paulista, mesmo quem tentou defender, ficou claro que a política era o mecanismo.

Por isso, desde o enterro da escola padrão não temos nessa área como ser contra a uma política pública do governo paulista, afinal não se pode ser contra o que não existe, as colocações principalmente de quem trabalha na rede pública são claras, são “gritos” pedindo que o governo saia das trevas e tenha coragem de fazer política até para ser criticado.

Eu como cidadão diferentemente fico estarrecido, afinal os números são claros, pelo mesmo porcentual de São Paulo, nós temos resultados infimamente piores que todos os sistemas educacionais em termos de qualidade do mundo, mas aí está impropriedade não podemos colocar São Paulo com outros países, só Estados Brasileiros, afinal no exterior existem políticais educacionais.

Concluindo: Sem política educacional é quase impossível o Estado de São Paulo recuperar-se em termos de qualidade, esperamos agora que saiu a política de RH para profissão, começe algo mais substâncial, pensando no todo, e não apenas em paleativos.
Há vários temas muito importantes que sendo discutidos mas, gostaria de voltar ao da progressão continuada. E gostaria de fazê-lo para tentar mostrar que há contradições no discurso (que condena o sistema) que está sendo construído ao longo das discussões desde os comentário ao post lá no blog. Não se trata, contudo, de defender o sistema, mas de mostrar que o assunto é complexo e que, segundo penso, faltam elementos concretos para um julgamento apropriado do mesmo.
Vamos ver consigo ser claro.
O discurso, primeiramente, vai no sentido de condenar o sistema procurando mostrar que ele impede o uso de uma medida de punição (a reprovação) criando uma situação de descontrole no interior das escolas (indisciplina) e desestímulo ao cumprimento das obrigações, que teria como conseqüência o baixo rendimento escolar. Como sabem que vão “passar de ano automaticamente” os alunos não se esforçam e/ou tornam-se relapsos e, então, não aprendem ou aprendem pouco. Haveria, assim, uma condenação inequívoca do sistema. Ou seja, o sistema é imprestável aqui e em qualquer lugar, em qualquer tempo.
Por outro lado, houve menção (em pelo menos um comentário lá no blog) ao fato de que o sistema funciona, sem os problemas observados aqui, em outros países. Para explicar isso, o discurso mantém a direção, mas muda de sentido: o sistema é bom, mas é inadequado para a situação brasileira. É inadequado porque exige recursos que o país não dispõe para fazê-lo funcionar, ou porque os valores culturais de alunos e de suas famílias impedem o seu funcionamento no Brasil. Os alunos são desinteressados; as famílias são irresponsáveis em relação à educação de seus filhos; as famílias avaliam o sucesso escolar dos filhos unicamente pela progressão de um nível para outro (se o aluno passa de ano é porque está aprendendo). Nesse caso, desaparece a idéia de que a reprovação (ou o temor em relação a ela) possui um valor educativo em si.
Ou seja, primeiro condena-se o sistema (afinal, ele seria “anti-educativo” pois romperia o sistema meritocrático, além de comprometer a atuação dos professores) depois, ao ser confrontado com dados reais (o fato de funcionar em outros países), ele não é mais condenado, contudo, é rejeitado por ser considerado particularmente inadequado para o país.
Penso que voltamos, assim, a questão inicial: porque o sistema tem sido alvo de críticas? Mas, afinal, de que natureza são essas críticas? São consistentes? São válidas? E, a pergunta que me parece mais importante: em que medida, afinal, o sistema de progressão continuada compromete a qualidade da educação?

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