A Mensagem sobre aprovação automática gerou uma avalanche riquíssima de comentários, abordando vários ângulos.

Pretendo levar para a Comunidade do Blog, para tornar permanente a discussão sobre modelos pedagógicos e melhoria do ensino.

Para tanto, será necessário uma síntese isenta dos principais argumentos levados - a favor e contra. E estou em uma pauleira de dar gosto por esses dias. Se alguma boa alma se dispuser a fazer essa síntese, ajudaria bastante.

Pelo que entendi lendo os comentários e os trabalhos sugeridos (inclusive o do IPEA):

1. Não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática.

2. A repetência é um fator desestimulador do aluno. Mas, por outro lado, a não repetência pode ser um álibi para a aprovação de alunos sem condições.

3. Por isso mesmo, a progressão continuada pressupõe uma estrutura eficiente, para apoiar o aluno no decorrer do curso, corrigindo suas vulnerabilidades. Sem essa estrutura, progressão continuada não funciona.

4. O estudo do IPEA demonstra que, na média, países que adotaram a progressão continuada tiveram melhor desempenho que os demais. Mas demonstra também que muitos países que não adotaram a progressão continuada, conseguiram também bons desempenhos. O que realça o ponto central: com ou sem progressão continuada, há que se ter um arcabouço institucional e operacional.

5. Continuo um defensor de metas e remuneração por desempenho. Meta é fundamental para qualquer professor e escola saberem onde estão e para onde pretendem ir. A questão é a metodologia das metas. Por isso, é importante um bom apanhado da defesa e das ressalvas apresentadas às metas utilizadas pela Secretaria de Educação de São Paulo.

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Maria Dirce: não li nada ou quase nada das mensagens enviadas sobre a "progressão continuada". Sou aposentado como diretor de escola e estive na rede quando foi impossta esta tal "progressão ou aprovação continuada, pelos "excelentes" pedagogos do psdb. O objetivo da proposta era e ainda é não permitir que aluno algum fosse retido e que se deveria acertar a idade à série que o aluno frequentava. Tudo o que partiu dos políticos do psdb-dem tinha como objetivo racionalizar custos, além de excluir os professores do debate e impor, astavés de decretos, várias reformas de tipo regressivo, baseadas nos princípios neoliberais de destruição e desqualificação do Estado e dos funcionários públicos. Não se pode discutir esta "aprovação automática" sem situá-la dentro do contexto da reforma levada a efeito pelo Governo Covas tendo como secretária da Educação Tereza N. da Silva. Esta política educacional ainda perdura até hoje e ela levou a educação paulista ao caos. Os resultados estão aí para quem quiser ver. Lamentavelmente os professores foram trucidados e os alunos das classes pobres que sfrequentam as escolas publicas paulistas, que foram transformadas em empresas de fabricar analfabetos funcionais.
Não sou professor. Portanto vai aqui uma opinião de leigo. Do pouco que sei sou contra essa aprovação automática do aluno, sem que este esteja realmente preparado. É um absurdo. Acho que a qualidade do nosso ensino vai melhorar, quando o governo (federal, estadual ou municipal) começar a pagar melhor os seus professores e começar a cobrar qualidade. Avaliar a qualidade das aulas, a qualidade do material didático, melhorar a infraestrutura das escolas, bibliotecas e etc. Mas o fundamental é a qualidade das aulas, a competência dos professores na hora de transmitir o conhecimento. O talento para saber despertar no aluno aquela vontade de aprender. Pra mim de nada adianta pegar um modelo como esse da progressão continuada, e aplicar aqui, se, ainda, não conseguimos corrigir o problema mais básico da educação que é a qualidade do ensino (qualidade dos professores, do material didático, das escolas e etc).
Carlos, você viu os vídeos sobre a situação da escola? Leu os comentários já postados pelo Luiz Carlos? Depois você diz o que achou, tá? O buraco é bem mais em baixo do que você está pensando...
Um abraço
AnaLú
Trabalho atualmente com EJA e sou professor de Artes, uma disciplina obrigatória que não dispõe, em nenhuma escola de ensino público que trabalhei, de um mínimo de material didático, tenho que criá-lo sozinho; embora os espaços ambientes têm começado a aparecer.
Em nossa escola operamos com o ciclo. O ensino fundamental é dividido em três ciclos que não têm um tempo definido de duração. Ou seja, o aluno pode ficar mais de um ano - que é um período padrão - em um mesmo ciclo. Há, também, a possibilidade para aquele aluno que demonstrou adquirir as competências básicas em todas as disciplinas, e cumpriu um mínimo de 400 horas/aulas. Esse pode ser certificado, até mesmo estando no primeiro ciclo. A progressão independe do regime anual e pode o aluno avançar em qualquer época. Não há portanto um ano escolar. Embora isso só tenha ocorrido na prática. A secretaria de educação ainda trabalha com o regime anual. O que temos observado é que a maioria - absoluta - dos que ficam retidos em um mesmo ciclo, o fica por falta de disciplina pessoal e pela indolência. Evidentemente, não estou querendo dizer que a causa da repetência se deva exclusivamente às imperfeições dos alunos. Entre nós, professores, há também os erros. E não são poucos. O que quero dizer, e o estudo do IPEA o confirma, é que o regime por ciclos e a progressão continuada funciona. O que não funciona é o modelo estrutural da educação em nosso país. E da família? Para não ficar discorrendo muito, pois o assunto é complexo e aqui quero apenas emitir uma modesta opinião, me faço sempre estas perguntas:
1- Nós, professores, sabemos a diferença entre autoridade e autoritarismo?
2- Se sabemos, por que perdemos a autoridade tanto em sala quanto na comunidade? Há uma geração de pais desestruturada?
3- A percepção da autoridade e do limite começa em casa ou na escola?
4- Se a criança, ou o adolescente ou o jovem (a) não traz o limite de casa, nós, com os quais ele(a) passa apenas uma parte pequena de seu tempo, podemos instaurar esse limite? como?
5- O ECA impediu o excesso cometidos pelos professores autoritários? O mesmo ECA tirou do professor a autoridade?
6- É possível a progressão continuada com a atual estrutura oferecida pelas escolas?
7- É essencial a presença de outras categorias profissionais na escola, tais como psicólogos, terapeutas e a polícia em alguns casos?
8- A formação continuada do professor, nos moldes como tem sido efetuada atualmente, tem funcionado? É essa formação espaço de negociatas entre governos e instituições de ensino superior?
9- A estrutura oferecida atualmente, com escolas em péssimas condições de instalação e salas de aula com excesso de alunos pode ser mudada? Depende de verbas ou de vontade política?
10- Os governos não investem em educação porque não oferece essa um retorno positivo e visível imediato de suas ações? É uma questão de vício da política brasileira? Se sim, como mudar isso?
11- É importante a redução da maioridade penal para 16 anos? Por que?
12- Nós, professores, podemos ensinar com o exemplo? Somos um exemplo para nossos alunos?
13- Deve a escola ser, de fato, o espaço sagrado da educação, ou para a partilha do conhecimento? Educação se recebe em casa?

Acho que não ajudo muito colocando essas perguntas. Muitos as fazem e existem outras tantas mais, tal que já me fiz confuso. E juro que não tenho respostas para nenhuma delas ,apesar de já ter passado muitas noites com insônia tentando respondê-las. O buraco é profundo.
Só posso dizer o seguinte: Sem atitudes mais incisivas dos governos, esse abismo só irá aumentar.
Josaphat F Fonseca Neto
Professor de ensino fundamental, atualmente atuando na EJA
Você diz que não se deve confundir progressão continuada com aprovação automática. Claro, Nassif. Mas é exatamente aí que reside o problema. TODOS os estados onde esta proposta entra, ela chega como solução econômica (diminuir os caros indíces de reprovação) e jamais como solução pedagógica.

Em qualquer sistema educacional sério e desde sempre a progressão continuada, ou avanço progressivo, ou... (o nome da coisa não deve nos seduzir, mas as coisas mesmas) é um princípio fundamental. Fundamental, eu disse. Ou seja, cada etapa de ensino acontecerá após dominada a etapa anterior. E é para isto que existe a avaliação. A avaliação DEVERIA ser a referência para a escola e o educador saber em que ponto o aluno apresenta dificuldade e, então, investir todos os esforços para que o aluno a supere.

E o nó é exatamente este. Nem a escola, nem o educador estão sendo instrumentalizados para dar conta desta tarefa. E aí vem com bônus. Bom, se bônus resolver alguma coisa, antão meu amigo, o que se tinha era farsa.

O aluno não aprende por uma série de fatores. Ontem citei fatores sociais, pedagógicos e escolares (gestão, sobretudo) e hoje agrego um outro. Fatores de natureza neurológica. Estima-se em torno de 10% o número de alunos portadores de dislexia, nas suas variadas manifestações. E sabe o que a escola tem como proposta pedagógica para este caso? Nada, exceto uma lei generosa que não obriga a escola a nada, exceto oferecer algumas condições especiais (e legítimas) para o momento de resolução da prova.

Concluindo, tovèssemos sistemas de ensino sérios, não teríamos reprovação, exceto nos casos muito excepcionais.

E qualquer proposta deve "premiar" (já que vcs economistas gostam tanto disto) o projeto escolar, jamais um professor individualmente.
Tudo isso por causa do FMI e do BID. Se o Brasil não melhorar os índices, e somente os índices, "cortam" o nosso crédito, por isso foi criado o PNDE, Plano Nacional de Desenvolvimento da Educação. Vendo por essa óptica, o nosso querido governador impôs uma “nova proposta curricular”, onde prevê desenvolvimento de competências e habilidades, deixando os conteúdos “de fora”. Com isto ele espera que os alunos possam ter melhor desempenho no SARESP (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar de São Paulo) e somente nele. Melhorando os índices neste sistema de avaliação, e com as Diretrizes baixadas pela secretária da Educação que prevê a redução de, pelo menos, 50% da repetência, os índices do estado explodirão. Mas, esta proposta exclui nossos alunos de competir com outros do sistema particular, ou de outro estado, a vestibulares, concursos públicos.
Infelizmente e dura e amarga da educação publica no Estado de São Paulo.
OBS: Não podemos nos esquecer dos supostos aumentos de salário, que não são reais, na verdade são somente as incorporações ao salário bases de algumas gratificações. Também não podemos esquecer da política de “Pão e Circo” que estão nos fazendo engolir, maquiando mais uma vez a situação...
Grande problema das fórmulas atuais é que os governos não têm uma política educacional, por isso lançam um projeto, fazem festa e depois o esquecem na gaveta, como foi o caso da nova política educacional instituída pela LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação).

Por termos essa doença na administração pública, ficamos discutindo a muito se é válido ou não um mecanismo isolado do todo, seja a aprovação automática ou as metas e remuneração por desempenho.

Os mecanismos não são ruins, não, por que funcionam em qualquer lugar que tenha uma política educacional e essas ferramentas sejam coerentes com essa estratégia.

Fica claro esse ponto de vista, só de ler todos os textos enviados pelos leitores desse espaço, mesmo no blog, ninguém colocou nenhum ponto da política de educação paulista, mesmo quem tentou defender, ficou claro que a política era o mecanismo.

Por isso, desde o enterro da escola padrão não temos nessa área como ser contra a uma política pública do governo paulista, afinal não se pode ser contra o que não existe, as colocações principalmente de quem trabalha na rede pública são claras, são “gritos” pedindo que o governo saia das trevas e tenha coragem de fazer política até para ser criticado.

Eu como cidadão diferentemente fico estarrecido, afinal os números são claros, pelo mesmo porcentual de São Paulo, nós temos resultados infimamente piores que todos os sistemas educacionais em termos de qualidade do mundo, mas aí está impropriedade não podemos colocar São Paulo com outros países, só Estados Brasileiros, afinal no exterior existem políticais educacionais.

Concluindo: Sem política educacional é quase impossível o Estado de São Paulo recuperar-se em termos de qualidade, esperamos agora que saiu a política de RH para profissão, começe algo mais substâncial, pensando no todo, e não apenas em paleativos.
Este debate é rico amplo e se faz necessário . Desde 2000 a Secretaria da Educação vem implantando projetos para melhorar a qualidade da educação. Num primeiro momento, o intuito era que todos as crianças e jovens estivessem dentro das escolas, para isso, era preciso diminuir a evasão (que era muito alto), diminuir a repetência e criar formas para acelerar a saída dos alunos fora da idade escolar (Projeto Aceleração: dois anos em um, uma experiência do governo do Paraná,).Tudo isso, e outras propostas estavam incluídas dentro do projeto da Progressão Continuada, em que os alunos passavam a ser aprovados por ciclos 4ª série, 8ª série.
Aqui talvez entre uma questão que ajuda a elucidar porque em muitos casos, a progressão continuada caminhou para aprovação automática, com resultados gravissímos quanto a qualidade da educação ministrada em muitas escolas (alunos com baixo rendimento de leitura, análise de textos perda da qualidade dos trabalhos apresentados pelo alunos etc.). É preciso salientar algo, que estava muito arraigado na cultura escolar e no modo de ser do professor não só em São Paulo, mas em todo país, que é altamente excludente "a reprovação" ou, "a cultura da reprovação". De um momento para outro, os professores se viram alijados deste processo começava a ser tirado algo que ele tinha como poder, daí o surgimento de muitas perguntas e questões dentro das unidades escolares: como o aluno vai aprender se não posso reprová-lo?, Porque dar uma prova se ele vai ser aprovado no fim do ano? Se o estado quer, então eu aprovo, como se o conhecimento viesse pela punição.
O resultado deste embate, (do que estava enraizado na cultura escolar) e o novo (progressão continuada) que pretendia diminuir a evasão, a repetência e melhorar a qualidade do ensino foi em direção a aprovação automática (perda total da qualidade da educação ministrada).
Como disse no inicio, o debate imprescindivel para entender as mudanças na área da educação, principalmente com os professores, é ele o responsável pela transmissão do conhecimento, e ele que está ali dentro das U.Es junto com os alunos. O professor precisa ser ouvido e participar das mudanças. Algo que não aconteceu na implantação da progressão continuada, os professores ficaram perdidos, sentiam-se despreparados sem saber lidar com o novo, sem entendê-la não aplicavam de maneira correta, atrelada ao que já citei (cultura escolar da reprovação) o resultado foi a queda na qualidade do ensino em São Paulo mostrada pelo indices do SARESP e IDESP.
Entramos numa fase. E a criação das metas de remuneração são bem vindas, pois busca melhorar a qualidade de ensino. A criação dos índices mostra uma realidade, que muitas vezes ficava clamufada na esfera escolar, agora não é mais possível, tornou-se público, e o debate esta aberto.
Mas é preciso esperar, junto com metas de remuneração vieram as mudanças na parte pedagógica, com a Nova Proposta Pedagogica e com a unificação dos currículos. É preciso aguardar os resultados.
Estas novas mudanças tem acontecido de forma gradual e lenta, sendo apresentada aos professores desde o final de 2007, quem sabe, é o começo para reverter uma situação complicada no que refere a qualidade do ensino.
Boa noite pessoal.
Na minha opinião a progressão continuada não seria aprovação compulsória se a recuperação paralela fosse algo mais que uma figuração.
Mais uma vez algum modelo foi adotado de outra cultura e, pior ainda, não foi aplicado integralmente em nosso país.
Quando nós encontramos alunos sem as mínimas condições isto é o sinal da falência de uma metodologia. Assim, a mesma deveria ser mudada radicalmente e os oriundos dessa metodologia deveriam receber especial atenção, como tentativa de recupera-los.
Sou professor de escola técnica e tenho certeza de que, além das boas condições escola/professor, há a necessidade de "seduzir" o aluno com aplicações práticas do conhecimento adquirido. Na escola técnica de Santa Rita do Sapucaí eram vendidos kits de rádios que os alunos adquiriam e montavam. Assim aprendia-se a ler resistores antes das aulas teóricas acontecerem.
Acho que dá para realizar algo análogo na educação fundamental também.
O melhor "termômetro" meu são aqueles alunos que se referem à escola em que trabalho como difícil, exigente mas, quando perguntados quanto à metodologia nas escolas em que estudaram...
Detalhe: Na escola onde trabalho existe reprovação!
Nassif, quanto ao bônus cabe uma discussão ampla quanto às metas e a avaliação das mesmas.
Fazendo a colheita entre os comentários deste e do outro post, vejo, com olhos atentos, que os posicionamentos são, em sua maioria, contrários às medidas assacadas pelos últimos governos de São Paulo, bem como o atual, no que diz respeito à educação.
Ainda no colo do governo anterior, a empunhar a bandeira dada pelo governo de Fernando Henrique, a administração da educação em São Paulo atolou, com bandeira e tudo, na mais lamacenta das veredas. Em outras palavras, aliás muita usadas em sala de aula, as medidas são “uma bosta”.
- O sistema de progressão continuada não obteve sucesso. Atolou logo, não sem antes conseguir boa recepção na mídia. E tudo indica, a julgar pela atual medida do sistema de bonificação que, do ponto de vista do PSDB, era o que bastava. Que naufragasse e afundasse bem fundo na lagoa das escolas dos pobres, desde que boiasse algum tempo na superfície dos votos a serem conquistados por intermédio da mídia amiga, mostrando a beleza das idéias tucanas e as cores de sua bandeira. Argh!.
- Nesse sistema de aprovação automática, o lucro foi a disseminação do quanto a imposição da falta de ética pode fazer parte das políticas governamentais. Aprovem os alunos, eles ficarão bem, vestidos de dígitos na folha de uma planilha.
- Agora, os bônus aos professores e professoras. “Tragam os alunos para conquistarem melhor nota, à frente lhes jogarei alguns grãos de milho para entrarem no meu pombal, na minha arapuca. E não importa como farão isso, interessa que os seus molequinhos entrem na planilha do meu mostruário.”


“Até aquela ocasião, eu nunca tinha ouvido dizer de se parar apreciando, por prazer de enfeite, a vida mera deles pássaros, em seu começar e descomeçar dos vôos e propulsão. Aquilo era de se pegar a espingarda e caçar. Mas o Reinaldo gostava: - ‘É formoso próprio...” – ele me ensinou. Do outro lado, tinha vargem e lagoas. P’ra e p’ra, os bandos de patos se cruzavam. – “Vigia como são esses...” Eu olhava e me sossegava mais. O sol dava dentro do rio, as ilhas estando claras. – É aquele lá, lindo!” Era o manuelzinho-da-croa, sempre em casal, indo por cima da areia lisa, eles altas perninhas vermelhas, esteiadas muito atrás traseiras, desempinadinhos, peitudos, escrupulosos catando coisinhas para comer alimentação. Machozinho e fêmea – às vezes davam beijos de biquinquim – a galinholagem deles. – “É preciso olhar para esses com um todo carinho...” – o Reinaldo disse.”
...

Depois conversamos as coisas miúdas sem valor alheio, e eu tive influência para contar artes de minha vida, falar a esmo leve, me abrir em amáveis, bom. Tudo me comprazia por diante, eu não necessitava de prolongares. “Riobaldo...Reinaldo...” – de repente ele deixou isto em dizer: -“... Dão par, os nomes de nós dois...”
(Grande Sertão:Veredas, Guimarães Rosa)
Bem acredito que Luiz Carlos começou a aprofundar o assunto, dá para começar entender o nó que podemos estar entrando comprando de novo um mecanismo que pode ser correto como sendo uma política educacional com esse discurso administrativo tecnicista.

Primeiro: Com esse discurso técnico, a Secretária parece-me querer esvaziar qualquer discussão do que seria sua política educacional e fingir que o nada que temos é política.

Entretanto, mesmo dentro da teoria da administração existem muitas explicações a se dar pela atual secretária e não apenas chavões, já que ela cita benefícios como sendo um estimulo motivacional.

Aí começa a discordância de quem vê isso como mecanismo, por que para um autor como Frederic Hersberg, a motivação depende basicamente de dois fatores: higiênicos e motivacionais.

Os higiênicos ou fatores de manutenção são aqueles que as pessoas devem receber das empresas como um mínimo para que se esforcem no trabalho. Incluem:
• Condições de trabalho e conforto
• Políticas de organização e administração
• Benefícios
• Salários
• Segurança no cargo

Dos higiênicos, ela resolve o terceiro item que são os benefícios.

Hezsberg concluiu que, depois que todos esses fatores forem satisfeitos, por que para o autor não adianta tentar aumentar um deles para conseguir maior motivação dos profissionais.

Por causa disso que o autor cunhou a expressão higiene, pois esta serve exatamente para refletir seu caráter preventivo e mostrar que se destinam simplesmente a evitar fontes de insatisfação. Os fatores higiênicos não conseguem elevar substancial e duradouramente a satisfação. Porém, quando são precários, provocam insatisfação.

As razões da insatisfação a muito indicadas na teoria administrativa e constatadas em no relato do Luiz Carlos, a secretária resolve ignorar solenemente ao confundir motivação com fator higiênico, a equipe que fez o projeto sabe ou deveria saber que é vôo de galinha.

Por isso pergunto: Qual é a Política Educacional? Qual a data pretende-se resolver os fatores higiênicos entre eles salário? Quando a secretária de educação irá implementar fatores motivacionais?

Isso é o mais triste, por que eles usam um argumento tecnicista para levar a cabo seus remendos, não querendo discutir a totalidade, essa fuga do discurso quer enganar a todos com ilusões e frases feitas, recurso usado por pessoas que ficam sempre procurando encaixar-se em um novo cargo público ou uma consultoria para seus antigos comandados, afinal o que interessa é a imagem, como dizia um antigo comercial: Imagem é tudo!

Só para deixar consignado, os fatores motivacionais operam de maneira diferente para o autor. Eles incluem:
• Reconhecimento
• Oportunidades de crescimento
• Delegação de responsabilidades
• Autonomia
• Promoção
• Uso pleno das habilidades pessoais
• Estabelecimento de objetivos e avaliação relacionada com eles
• Possibilidade de realização

Sobre o autor citado pode-se ser encontrado resumos: http://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Herzberg,
Nos Livros do Idalberto Chiavenato ou qualquer manual de qualidade de Administração.
João Vergílio,

Quando leio um plano dos secretários de educação seja no passado ou de outros entes da federação, mais eu acredito que eles desconectados da teoria que pregam, são apenas frases de efeito para não precisar atuar no cerne do câncer que é falta de motivação dos professores e do alunado.

Da atual secretária, o problema foi colocado pelo Luis Carlos, não existe nada sendo discutido claramente além dos benefícios. Quando ele escreveu isso, cristalizou-me que dentro da teoria de administração, os benefícios não levaram a motivação dos profissionais pelo menos para Hezsberg (e depois dele desconheço alguém que diga isso).

Se a teoria já informa que apenas isso não dará resultado, devemos estar então caindo no mesmo engodo da aprovação automática, ficamos discutindo uma "ferramenta", como se ela fosse à parte mais dos instrumentos e não necessita ser implementada conjuntamente com outras ações. No governo Chalitta com seu carisma isso ficou claro, afinal dentro do mundo cor-de-rosa dos secretários (as) de educação parece que tudo é simples e que toda a teoria está errada.

Infelizmente as teorias sejam administrativas ou educacionais podem não explicar ou resolver tudo, mas elas deveriam ser levadas mais sério quando se propõe algo, por isso concluo, se para a Secretária apenas os benefícios resolvem, não superaremos nem os fatores higiênicos, portanto não existe pressupostos teoricos que façam levar a crer que irá mudar a atual estado de motivação do professorado. O plano é falho, fazendo-me pensar que temos uma nova Rose e como a sua predecessora tentará encontrar um bode expiatório para os fracassos dos números que apareceram daqui a dez anos, quando finalmente todos acorderem e começarem a cobrar por ter implementado apenas um mecanismo como se fosse A Política Educacional.

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