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Flavio Lyra.

A crise econômica, moral e política que vem afetando a sociedade brasileira implicou em que parte importante do eleitorado esteja aturdida e, levada pela emoção, tenha se deixado envolver na defesa da candidatura do inexpressivo e perigoso Jair Bolsonaro e de seu vice, o obscurantista general Mourão.

Os meios de comunicação em articulação com o Juiz Sérgio Moro e setores do judiciário, muito contribuíram para esse quadro de confusão e perplexidade do eleitorado, ao aproveitarem as investigações e denúncias de corrupção para transformarem o PT e Lula no bode expiatório dos desvios dos recursos públicos, quando se tratava de um fenômeno geral e que vinha de longa data.

O objetivo principal da campanha anticorrupção era obviamente prejudicar a imagem de Lula e do PT o que, de certo modo, conseguiram. Porém, perderam o controle da situação e acabaram atingindo outros partidos, inclusive o PSDB e o PMDB. O ódio desencadeado contra o PT, acabou por levar ao impeachment de Dilma e sua substituição por Temer, com as bênçãos do PMDB e do PSDB e de uma série de pequenos partidos nitidamente fisiológicos.

O governo de Temer se revelou desastroso, porquanto este pôs em prática uma política econômica que aprofundou a crise, e desabou moralmente com as denúncias de envolvimento de seus membros e dos partidos que lhe davam sustentação principalmente, PMDB e PSDB, em grandes escândalos de corrupção.

Nesse contexto de insatisfação da população contra seus representantes, surge e se fortalece a candidatura de Bolsonaro, que aparece aos olhos dos eleitores como uma alternativa aos políticos contra os quais dirigiam seu ódio. Por certo, uma falsa alternativa, porque Bolsonaro era um membro antigo do meio político que estava sendo condenado, em sua condição de pertencente ao Partido Progressista, provavelmente o mais corrupto de todos.

Chegou-se então ao fim primeiro turno da eleição com Bolsonaro vitorioso, com uma boa distância do segundo colocado, o candidato do PT, Fernando Haddad. Os partidos PMDB e PSDB foram varridos da disputa, o PT recuperou-se eleitoralmente dos prejuízos provocados pelas denúncias seletivas a ele dirigidas.

Para o segundo turno o eleitorado de Bolsonaro se vê diante de uma grande contradição. Elegê-lo e arcar com as consequências futuras de um governo incapaz e autoritário, que vai tentar dar prosseguimento à política recessiva e antissocial do governo Temer.

Os eleitores de Bolsonaro, na realidade, caíram numa grande armadilha: a de apoiar, em nome da mudança, um candidato que nada pode oferecer de novo, a não ser o aumento da repressão, para colocar em prática a mesma política econômica que haviam rechaçado no Governo Temer.

O mesmo ardor com que os seguidores de Bolsonaro estão indo às ruas, hoje, para defender sua candidatura, poderá muito em breve se voltar contra seu governo, caso ele chegue a ser eleito. E aí, que vai acontecer?

Brasília, 12 de outubro de 2018.   

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