A batalha nesse Carnaval 2019, envolvendo os representantes dos
invasores de um lado e os justos e oprimidos do outro, não aconteceu,
apesar do esforço ufanista do Complexo de Comunicação 247, em tornar
peça chave na virada do jogo que também ainda não aconteceu.


Vejamos:


Muitas são as razões da decepção com a Escola de Samba Paraíso do
Tuiuti, a principal delas, no entanto, se resume em constatar que o
evento “Bode Ioiô” nada tem a ver com a História Brasileira recente, ao
menos dos últimos trinta anos, e que tem por personagem principal –
Lula. O Bode, ou quem o inventou, não pretendia, tampouco conseguiu
uma reforma social contundente, realizando, no máximo, um exercício
moralista bem ao estilo cristão novo do nordeste brasileiro. Os perigos
dessa comparação também são evidentes e igualando-se à expectativa
frustrada. Não é justo com Lula associá-lo a um bode. É? Compete ao 247, e outros sites de esquerda, avaliar se vale a pena entrar em seara que não é a sua – Arte. Os criadores têm um segredo a ser seguido a risca – “Não se brinca com a realidade”; mira-se nela, afinal, somos todos moradores da mesma aldeia. Agora vejamos:


Nessa sexta-feira, desembarca no aeroporto Antonio Carlos Jobim o
experimentado ator Zé de Abreu. Num deslize sem igual, o prestigiado
jornalista Ricardo Kotcho o classificou de “veterano”. Segundo se sabe,
existem os veteranos do Vietnã, os veteranos do Flamengo, Corinthians,
Fluminense; e por ai vai. Nos diversos casos, os mesmos veteranos estão fora da ativa há muito tempo. Prova, mais uma vez, que meter-se em ninho que não se conhece pode levar facilmente a atos ridículos. Pois
bem, Zé de Abreu teve a sorte e a originalidade de se colocar como

Presidente Autoproclamado. Isto porque não bastasse a arrogância do
meteórico personagem da elite venezuelana, em se dizer presidente de
seu país. Zé de Abreu exercitou a máxima – se um imbecil desse chega ao poder por meios fraudulentos, por que não posso me considerar
presidente, embora não o seja?


Passível do autor dessa pereba aqui ser considerado cabotino, lembro
que no ano de 1980, meses depois da Anistia estive no palco com Zé de
Abreu na peça Qualé Meu?, imortalizada pela belíssima obra gráfica do
artista Elifas Andreatto. Tanto naquele momento como nos dias hoje os artistas são os principais inimigos do Rei. Na atualidade o rei não só está nú, mas distribuindo cagadas que lhe podem custar a vida, o cargo com certeza, questão de tempo.
Quanto ao Paraíso do Tuiuti, vai ficar para o próximo carnaval, espero que em situação mais confortável para a maioria da população brasileira. Até lá – Viva a Mangueira!

Jair Antonio Alves – dramaturgo e ator

OBS: foto acima da peça Qualé Meu - Teatro Oficina - São Paulo, no elenco e na foto (Jair Antonio Alves, em pé, sentados Ecila Pedroso, Nara Keiserman, Paulo Rocha e Zé de Abreu).

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