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A CANDIDATURA DA VINGANÇA E DA DESTRUIÇÃO.

Flavio Lyra.

A candidatura de Bolsonaro à Presidência nada tem a propor para retirar o Brasil da crise em que se encontra. Ela é essencialmente negativista e visa dar continuação ao governo anti-nacional e anti-povo de Michel Temer, mediante a destruição do pouco que resta da obra dos governos anteriores no campo da redução das desigualdades sociais, regionais, de proteção do trabalhador e de avanço civilizacional.

Seu objetivo maior é limpar o terreno na área das políticas públicas e criar os meios no campo da política para concentrar o poder nas mãos de uma minoria, de raízes autoritárias, que permitam avançar na implantação do fundamentalismo de mercado desejado por grandes corporações internacionais, pelo empresariado nacional mais tradicional e pelo sistema financeiro.

Não adianta buscar no programa de Bolsonaro propostas construtivas para o país, porquanto elas não existem. A pobre participação do candidato e de seu vice nos debates, reflete não apenas o despreparo dos mesmos, mas também o fato de que inexistem tais propostas.

A finalidade dessa candidatura abstrusa é destruir as instituições democráticas e muito especialmente os partidos políticos de base popular como é o caso do PT, pois neles reside um ainda importante campo de resistência ao avanço do autoritarismo requerido para a realização de ações neoliberais vinculadas à destruição da soberania nacional, afastamento do povo do centro do Poder, privatização do patrimônio público, redução dos gastos sociais etc.

Setores importantes do eleitorado aceitam defender essa candidatura pela oportunidade de realizar uma supostamente alentadora vingança contra uma forma de organização social que, por se mostrar corrupta e incapaz de manter os privilégios acumulados pela elite, tem desagradado seus membros, ao mesmo tempo em que os ameaça com a participação da classe mais pobre no Poder.

Nada mais, que a saciedade do sentimento de vingança e a destruição das instituições democráticas, pode ser esperado da candidatura da tosca dupla de militares, Bolsonaro-Mourão. Dupla, que cairia rapidamente no anedotário popular, por sua pobreza intelectual pessoal e carência de meios para governar o País, não fosse a conjuntura difícil e de revolta da população, que ora se atravessa.

Brasília, 04 de outubro de 2018.

 

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