Foi uma das derrotas mais acachapantes da era moderna. Quatro mil e quinhentas vidas norte-americanas, centenas de milhares de vidas iraquianas, um pacote de mentiras, um trilhão de dólares e nove anos depois, os EUA recolhem as armas e saem do Iraque vencidos, sem jamais terem verdadeiramente controlado uma única rua iraquiana. Como apontou, em coluna no Guardian, o Deputado escocês George Galloway, um dos mais corajosos opositores da guerra em seu país, uma rua de Bagdá, a Haifa, foi túmulo de pencas, talvez centenas de soldados americanos. Fallujah entrou para a história ao lado de Stalingrado como um símbolo da resistência à invasão estrangeira. O terrorismo islamista de grupos como a Al Qaeda, do qual o secular Iraque não tinha sequer notícia antes da ocupação, encontrou no país terreno fértil. Pelas óbvias afinidades com a maioria xiita agora dominante no Iraque, o Irã multiplicou sua influência na região. Israel, a outra grande razão norte-americana (além do petróleo) para iniciar a guerra, encontra-se mais isolado do que nunca. Os horrores da tortura em Abu Ghraib enterraram de vez qualquer pretensão americana de superioridade moral. O modelo de estabilidade democrática pró-ocidental que se esperava impor ao Iraque está ainda mais longínquo do que em 2003. Nem uma única autoridade iraquiana compareceu à despedida das tropas estadounidenses. Nos EUA, uma multidão de veteranos mutilados, traumatizados, desempregados e violentos zanza pelas ruas, descobrindo finalmente que foram enganados. Como disse Bush em 1o maio de 2003, “missão cumprida”!

Depois de completar sua missão no Iraque em 2004, o casal de sargentos William e Erin Edwards retornou separadamente à base do exército no Texas no qual ambos estavam estacionados. Depois da chegada dela, William a espancou brutalmente, estrangulou-a, arrastou-a por cima de uma cerca e bateu com sua cabeça na calçada. Com a ajuda de um general, ela se transferiu para outra base, em Nova York. Conseguiu uma ordem judicial para se proteger, mandou os dois filhos para viverem com a avó e recebeu a garantia dos comandantes do marido de que não lhe seria permitido sair da base sem estar acompanhado por um oficial. Mas na manhã de 22 de julho de 2004, William Edwards saiu de sua base, foi de carro até a casa da mulher, em Killeen, no estado do Texas, esperou que ela saísse e, depois de uma luta corporal, matou-a com um tiro na cabeça e depois suicidou-se. Este breve relato é adaptado da matéria do New York Times, de 15 de fevereiro de 2008.

Até janeiro de 2008, o New York Times havia contabilizado 121 assassinatos cometidos por veteranos do Iraque e do Afeganistão. Este número, a estas alturas, já é bem maior. Mais da metade desses crimes envolveram armas de fogo, com o resto sendo por esfaqueamento, espancamento, afogamento em banheira ou estrangulamento. Aproximadamente um terço das vítimas eram cônjuges, namoradas, filhos ou outros parentes, incluída aí Krisiauna Calaira Lewis, de dois anos de idade, esmagada pelo pai com pancadas contra a parede. Segundo estudo da Universidade da Califórnia em San Francisco, um terço dos veteranos já podem considerados doentes mentais, mais frequentemente com estresse pós-traumático ou depressão. E a maior parte dos soldados só começa a voltar agora.

Não há garantias de que invasões semelhantes não voltem a ocorrer, mas a Guerra do Iraque demonstrou a decadência definitiva do modelo de ocupação colonial que os EUA tentaram impor várias vezes, a mais ilustremente derrotada delas no Vietnã. Paul Virilio, urbanista francês que é um dos maiores pensadores da guerra no nosso tempo, ajuda a entender o quadro atual. Segundo Virilio, a nossa época é caracterizada pelo fim da guerra de matriz napoleônico-clausewitziana (do General prussiano Clausewitz, autor de Sobre a guerra, o tratado mais influente sobre o tema no século XIX). Naquele modelo, as guerras eram eminentemente territoriais e simétricas. Foi o período das guerras entre as potências europeias, que se estende desde os conflitos religiosos da primeira era moderna até a Segunda Guerra Mundial. Dali em diante, entramos num período em que o próprio campo de batalha tende a desaparecer.

Nos conflitos napoleônico-clausewitzianos, luta-se por ocupação de território. Essa dinâmica permitia, inclusive, em alguns casos, que o combatente mudasse de lado, como foi o caso na Revolução Russa, onde muitos soldados czaristas, convencidos da justiça da causa bolchevique, abandonaram as fileiras do exército para se juntar aos revolucionários. Nas guerras pós-modernas, o inimigo não é mais localizável como Estado-Nação. É, com frequência, uma entidade amorfa, que pode ser, inclusive, um signo vazio – como “Al Qaeda”, que é muito menos uma organização (no sentido em que os partidos ou guerrilhas modernas são/eram organizações) que um referente ao qual aludem uma série de atos descentralizados de vários movimentos islamistas não necessariamente coordenados entre si. Neste contexto, desaparece o próprio terreno de batalha. A guerra pode acontecer em qualquer canto e deslocar-se para qualquer outro. A intervenção da OTAN em Kosovo já anunciava essa curiosa realidade: “os dois adversários oficialmente declarados não deviam se encontrar em lugar nenhum, marcando-se assim adesaparição do campo de batalha real” (Ce qui arrive. Paris: Galilée, 2002, p.63).

Para Virilio, os três grandes traços das guerras pós-modernas são a instantaneidade, a velocidade e a virtualidade. Estaríamos nos aproximando do momento em que as guerras podem ser teleguiadas por uma secretária eletrônica, escondendo a realidade das mutilações e das mortes. A instalação desse modelo ocorreu com a primeira Guerra do Golfo, que imortalizou as imagens de videogame da CNN, das quais todo o horror da violência homicida havia sido purgado. Nos novos conflitos, também tende a desaparecer a fronteira que separa a guerra do policiamento. Os estados mais fortes passam a realizar atos de guerra e apresentá-los como trabalho de policiamento. O oponente já não é um inimigo em termos clássicos; ele é apresentado como um “fora-da-lei”. Os EUA e Israel são os representantes tradicionais desse paradigma: todas as agressões de Israel a seus vizinhos, a partir da Guerra de Yom Kippur, de 1973, foram formuladas em termos de policiamento de um bandido, e não em termos napoleônico-clausewitzianos. O resultado disso é que os estados respondem ao terrorismo desenvolvendo seus próprios métodos terroristas. Virilio propõe o ataque de paraquedistas israelenses ao aeroporto de Beirute em 1969 como o início desse modelo em que, ao mesmo tempo em que faz guerra com argumentos e práticas policiais, o estado desenvolve os seus próprios métodos de delinquência.

A Guerra do Iraque exemplificou várias dessas características dos conflitos pós-napoleônicos: não havia um inimigo identificável e ele estava por toda parte; os argumentos e as práticas da ocupação eram policiais, não bélicos no sentido clássico; a potência ocupante lutava contra o terrorismo utilizando-se abundantemente de métodos terroristas; não havia campo de batalha pré-estabelecido, pois a luta ocorria aonde a insurgência a levava a cada momento; a instantaneidade, a virtualidade e a velocidade foram as grandes armas na derrubada do regime de Saddam Hussein, mas de pouco serviram no conflito de longa duração. A combinação entre essas características e o fato de que o conflito foi concebido ainda de acordo com uma lógica moderna, colonial de ocupação do território alheio fez com que o único resultado possível fosse este, que deixou comentaristas de mídia perplexos e confusos: quando poderemos dizer que “ganhamos” essa guerra? Quando realizarmos uma eleição de araque? Quando cessarem as explosões e ataques suicidas (ou seja, nunca)? Quando o país estiver mais pacificado do que estava antes (ou seja, nunca)? A mídia dos EUA, tão dócil e tão obediente em 2003, incapaz de se perguntar se as mentiras usadas para justificar a guerra tinham algum fundamento, foi descobrindo, pouco a pouco, o que sabia qualquer observador menos entorpecido em 2003: a Guerra do Iraque era, por definição, já de antemão, uma guerra na qual não havia vitória possível.

Fazer previsões em política é sempre um jogo arriscado e nada garante que um ataque semelhante ao Irã não será lançado nos próximos anos, inclusive como peça do jogo eleitoral dos EUA, cuja população parece dotada de uma capacidade amnésica ainda maior que a brasileira. Mas ficou claro que a Guerra do Iraque representa a falência definitiva do modelo que tenta combinar a guerra instantânea-virtual descrita por Virilio com o paradigma moderno, colonial da ocupação. É impossível prever se ele será tentado de novo, mas é indiscutível que, se o for, fracassará novamente. A previsibilidade do fracasso não é garantia suficiente de que outra tentativa não ocorrerá. Os impérios em decadência funcionam com uma dinâmica toda particular, em que se tende a insistir nos desastres responsáveis pela própria decadência. É o que os freudianos chamamos de repetição: a reiteração cega do sintoma como forma de impedir o confronto com sua raiz mais profunda. Enquanto isso, as ruas americanas vão se enchendo de maltrapilhos e alcoólatras traumatizados com as explosões e mortes de Bagdá e Fallujah, juntando-se agora aos maltrapilhos e alcoólatras traumatizados há 40 anos com as explosões e mortes de Saigon.

Por Idelber Avelar 

Este artigo é parte da Edição 106 da Revista Fórum. e foi extraído do Blog do Avelar 

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Respostas a este tópico

O texto esta bem escrito, mas ignora um aspecto importantissimo em qualquer conflito, qual o objetivo da invasão americana?

Desde o fim da segunda guerra mundial estabelecer o objetivo de um conflito é cada vez mais dificil, na 2 GM o objetivo era bem claro: derrotar o eixo, as motivações existiam de sobra, então foi uma guerra fácil nesse sentido.

No primeiro grande conflito pós segunda guerra isso já não foi fácil, na Coreia os dois lados tinham motivação e o resultado foi um "empate", pelo menos é o que os livros de história contam, mas se analisar bem verá vários vencedores nesse conflito, a China se demostrou poderosa o suficiente para enfrentar a coalizão chefiada pelos EUA, a industria de armamentos americana que estava sem encomendas conseguiu inumeros projetos depois desse conflito, os russos demostraram que tinham capacidade de influencia indireta em conflitos.

Vamos ao caso iraquiano, o pais foi TOTALMENTE subjulgado, o atual governo foi imposto pelos EUA, então militarmente falando foi um sucesso RETUMBANTE, como não se viu desde as campanhas alemãs no inicio da 2 GM.

Em termos economicos, vamos aceitar a teoria de que os EUA foram motivados pelo interesse no petroleo, na pratica os preços do petroleo aumentaram e as reservas iraquianas estão na mão dos EUA.

Soldados mortos?! SEMPRE vão existir, do lado vencedor ou do perdedor... é a guerra, os EUA investem cada vez mais em armas de controle remoto para minimizarem suas perdas, mas isso é o motivo ALEGADO, o motivo REAL é manter a industria de defesa com encomendas.

O império americano pode estar em decadência, mas NÃO é por conta de derrotas no campo de batalha, nesse campo eles estão cada vez melhores e mais distantes de seus adversários.

Mas nao conseguiram manter as bases no Iraque; o atual governo pode ter sido imposto por eles, mas foi tb o que eles conseguiram impor, e, ao que parece, nao está tao subjugado assim; e aumentou a influência do Irã na regiao. Com relaçao aos soldados mortos, sei que eles nao se importam a mínima; mas têm reflexos internos depois. 

É por ai... soldado esta ali para matar e tambem para morrer, o governo iraquiano atual é o melhor que os EUA poderiam ter, pelo simples fato deles terem tirado o Sadan e mantido o partido Baath poder, já que os xiitas são o inimigos dos EUA... os EUA foram "brilhantes" na operação, tiraram um ditador, pioraram a situação geral da população e mantiveram os seus inimigos longe do poder, não estou admirando o feito americano, mas isso para mim é longe de ser uma derrota... se a longo prazo as coisas vão mudar? pode ser, mas o que os EUA queriam eles já conseguiram no Iraque, eles devem estar agora na "fase bonus", onde novas medidas podem ser tomadas para criar situações que considerem vantajosas.

Eles AUMENTARAM a influência dos xiitas. 

Aumentaram aparentemente, não deram o poder para os xiitas, que são a maioria da população, na minha opinião fizeram uma jogada de mestre... criaram uma falsa sensação de que os xiitas podem mais, mas ao mesmo tempo a população iraquiana como um todo tem menos, bem menos do que na época de Saddan... na pratica o Iraque hoje é um pais sob ocupação militar de um invasor, que quando sair tende a ta situação a piorar bastante já que talvez, eu acho provavel, grupos tentem tomar o poder, os apoiados pelos EUA não serão facilmente derrubados, aliais nenhum dos grupos que hoje contestam os poderes estabelecidos na área é contrário aos EUA.

Cara AL

Concordo com o que fala o Cesar, os americanos não entraram no Iraque para ocupar e manter ocupado por todo o sempre, o grande objetivo americano era na verdade aniquilar uma liderança, na época Sadam Hussein, e isso foi feito, destroçou as instituições que agora se encontra nas mãos de pessoas que bem ou mal são direcionadas pelos invasores.

O principal objetivo esta em não permitir organização politica e econômica nas regiões de interesses, cito aqui mais dois casos análogos, Afeganistão e Líbia, lideranças destroçadas fica mais fácil a dominação.

abraços

Me permita discordar, isso não é verdade, eles ganharam a guerra. A intenção nunca foi dominar o povo Iraquiano e seu território ou muito menos depor ditador. Quem manda nos Estados Unidos é industria de arma e do petróleo e da segurança privada, ou seja petróleo foi removido de graça e a guerra não podia ser ganha até que isso fosse feito. Enquanto retira o petróleo a industria de armamento arrebentou os cofres do “tolo” contribuinte nacionalista americano e vendeu horrores. Junta-se a isso o fim da liberdade individual americana com a implantação da ditadura do “terrorismo” o que tornou o Estado Americano absolutista. Hoje qualquer um que contrarie o governo deles pode acabar em Guantamo preso por suspeita de terrorismo sem direito a advogado ou se quer um telefonema. Imprensa nem se fala já que lá sempre foi controlada.

Resumindo, eles ganharam a guerra e só não fizeram o mesmo com Ira e Venezuela porque esses gastaram milhões comprando armamento da Rússia e ganhando sua proteção.

Eles ganharam a guerra, para eles 4000 americanos mortos foi risco calculado. Simples.

Sebastião e Fábio.

Sinto muito porém vou discordar frontalmente da conclusão de vocês. Sadam Hussein não era e nunca foi uma liderança a ser abatida, e digo porque.

Na primeira guerra do Iraque o USA e seus asseclas poderiam ter seguido adiante, derrubado Sadam com muito menos problemas em termos de política internacional do que na segunda guerra, havia um movimento internacional motivado pela invasão do Kwait, entretanto as tropas norte-americanas não seguiram adiante. Por que é a pergunta? Porque Sadam era mais um aliado do que um inimigo, ficaria muito mais simples manter o embargo obrigando o Iraque a vender o petróleo por preços administrados pela ONU do que derrubar Sadam.

A invasão do Iraque foi mais uma necessidade da indústria de armamentos norte-americana do que uma necessidade estratégica, e esta indústria de armamentos se alimenta de grandes ações, uma ocupação longa e duradoura da guerra do Iraque, como está acontecendo (não terminou ainda) consome muito mais em pessoas para a ocupação do que mísseis, aviões e outros armamentos sofisticados, dando mais prejuízo do que lucro.

Vocês devem tem que ter em mente que com a saída por bem ou por mal dos USA do Iraque causará mais mal do que a manutenção do Sadam no poder. Um país rico em petróleo, com fronteiras próximas a dois gigantes atuais, Rússia e China, dará todas as condições para que estas mesmo consigam reconstruir tanto sob o ponto de vista de vida civil como militar o país. E salvo se os americanos queiram invadir de novo o Iraque, a saída dos USA representará uma grande derrota.

A capacidade norte-americana de destruir qualquer país é imensa, porém a capacidade de invadi-lo e ocupá-lo tenho lá minhas dúvidas.

Sei não em Maestri, uma coisa é controlar preços outra é tomar. Observe que a exploração de petróleo não é feita diretamente pelo governo americano, são empresas particulares, como da família Bush. Veja que quem ganha com petróleo é americano vendendo pra governo americano.  Se o governo ou ONU estão controlando algum controle mais rigoroso a de ter, mas se a família Bush esta controlando é outra coisa, ai quem tem petróleo dita o preço.

Quando digo que eles ganharam a guerra estou me referindo a quem manda no pais deles e não especificadamente a quem aparentemente governa. No caso da época, juntou quem manda com quem governa.

Além disso, imagine a fortuna que foi roubada do Iraque em ouro, obras de arte, dinheiro bloqueado. Pensando nisso me pergunto quem foram os grandes ganhadores da segunda guerra. Quem se tornou as três maiores economias do mundo? Estados Unidos, Alemanha e Japão. Não é a toa que colocaram no Iraque uma série de empresas privadas de segurança. Foi um saque generalizado.

Em matéria de poder militar não da pra ser poético e imaginar que meia dúzia de guerrilheiro venceria ou retardaria o maior e mais bem armado exercito do mundo, eu até gostaria de acreditar nisso, mas não é lógico. A Rússia com muito menos contingente acabou com a Geórgia em poucos dias. Matou todo mundo e só não matou o presidente por que ele deve ter se rendido e se alinhado.  

Eu que eu acho

Caro Rogerio

Diferentemente do que você coloca, Saddam era sim uma liderança, não apenas circunscrita ao Iraque porem a todo mundo Árabe.

Existem alguns fatos, que apesar de não serem divulgados pela imprensa, dá perfeitamente para se concluir, assim como parte da historia recente, por exemplo, Saddam era tido como inimigo da Russia e do recém criado governo do Irã, o que o tornou protegido da politica americana para aquela região, isso década de 70 e 80. Com a crise do petroleo em 73, o Iraque alavancou suas economias cujo governo estava ainda sobre o comando de al-Bark, onde o Hussen participava desse governo engajado nas força armadas. Somente em 79 o Saddam Hussein assumiu a presidência,  com forte apoio americano, por dois motivos, região riquíssima em petróleo como já sabido e o motivo politico de grande relevância, era inimigo figadal do Ayatola Komeine,(não sei se é assim que se escreve), recém assumido líder politico-religioso do Irã, cujo movimento colocou na ocasião pra correr os Parlevs, então protegidos dos americanos.

Assim houveram até confrontos IrãxIraque, diga-se de passagem, patrocinados pelos yankes, pois o Saddam como disse, conseguia, sendo Sunita, dominar as etnias Xiitas e Curdas, e como Irã era de maioria Xiitas, com fortes influencias na região, o embate foi inevitável.

Para não me alongar muito, a invasão de 91 ou a conhecida guerra do Kwait, só não teve a deposição do Saddam ali, pois creio eu, os americanos ainda acalentavam aquela ideia de que o Saddam poderia ser útil num  enfrentamento com o Irã, como isso não ocorreu, acharam por bem aniquilar o líder Saddam depois na guerra do Golfo.

No meu entender Saddam era sim um líder árabe, não estou aqui analisando seus métodos para exercer essa liderança, mesmo porque as noticias que nos chegavam no final da era Saddam, era as piores possíveis.

Fico por aqui, vou pedir para minha mãe fazer um Kibe assado para esse domingo.

ótimo final de semana

abraços

Hoje, no blog http://advivo.com.br/blog/luisnassif/o-iraque-na-presidencia-da-opep, tive que concordar em uma coisa com André Araújo. Em que os EEUU foram muito canhestros nessa guerra caríssima, cruel e difícil de explicar para a própria sociedade americana que a patrocina. O Reino Unido de antigamente se sairia melhor, usaria artifícios para manipular e seduzir as elites locais.

Agora, não concordei com ele que a guerra não foi paga (custou US$ 1 trilhão, fora vidas humanas). Foi cretina a guerra, mas se pagou, mesmo que os EEUU tenham se retirado sem controlar um poço.

Temos que ter em mente que o interesse nessas ações não é espoliar o petróleo dos países, isso até acontece, é de vulto, mas é periférico, é subproduto.

O que conta é manter o fluxo dessa matéria-prima constante e seus preços mais baixos. Fazer com que quase todos os  produtores se comportem de um mesmo modo, com menor força para o cartel, grande produção e menor risco de boicote mantem o preço mais baixo para TODA a produção mundial de petróleo.

O que os EEUU (e Europa e Japão, etc) ganham não é o petróleo do Iraque, da Líbia, etc., esses países produzem 2 ou 3 milhões de barris/dia; mas que os 80 milhões que o resto do mundo produz fiquem em um preço menor. O verdadeiro ganho é garantir que estes não passem de 100 para 130, de 100 para 150 por barril.

É menos inflação, menor necessidade de investir em energias alternativas, ganhos geopolíticos (Israel, Ormuz), redução do poder da Rússia (grande perdedora já que depende em 60% de exportação de combustíveis), principalmente deixa de haver uma grande transferência de renda das economias desenvolvidas para as produtoras de petróleo/gás.

No sentido econômico, se consideramos todo o tempo recente em que o mercado de petróleo ficou estável, os EEUU ganharam a guerra, ou está foi materialmente paga. Mas do pior modo.

Agora é esperar que tenham o bom senso de não querer repetir o erro e que se esforcem em lidar com Irã e Rússia "à antiga" (diplomacia e até suborno, mas não tudo na base do "ultimate fighting") 

É um argumento palpável Gunter, mas veja que se não estou enganado a família Bush é dona da industria de petróleo americana ou boa parte dela, logo em hipótese alguma vão estar preocupados se o preço do Barril sobe, quanto mais ganha, melhor. Precisa ver, e eu não tenho essa informação, como o preço do barril se comportou no período entre estabilidade de conquista e final de extração que ocorreu agora recentemente. Me parece que ocorreu certa estabilidade que se justificou com a coincidência de retração econômica mundial. Como o mundo perde um produtor de petróleo importante e nada acontece? Ou...Veja também que há uma diferença entre compra de barril para atender a industria de beneficiamento e compra de barril pela industria de beneficiamento. Quem sofre com os altos preços é a segunda condição, pra primeira não faz diferença já que repassa para segunda se o custo subir. Se bem que a segunda também repassa o custo adjacente. Pro governo mesmo essa conta só não fecha quando tem que lançar na conta de importações e se roubou então não tem problema. O problema que tem é aumento de preços mas atualmente fica claro que o partido republicano da família Bush não quer assumir o governo e resolver o problema que esta criando. Veja também que o problema do mundo não é combustível, tem carro elétrico mais rápido e eficiente que carro a combustível e não é de agora. O problema do mundo é o plástico e os inúmeros produtos químicos que de fato são a nata do petróleo.

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