Há razões estruturais para que a corrupção e o crime organizado sejam elementos umbilicais da direita política.

A acumulação de riqueza e de privilégios numa economia de mercado nunca se restringe às operações ditas legais sancionadas pelo sistema de preços. A recorrência à práticas ilegais e vinculadas à criminalidade faz parte do modus operandi do sistema.

A ofensiva recente da direita, que visou carimbar na testa da esquerda o rótulo de responsável integral pela corrupção no país, não passou de um factoide montado nos laboratórios das corporações internacionais e de seus prolongamentos no país, com o propósito de afastar as esquerdas do poder e de mobilizar o poder estatal para saquear as riquezas nacionais e retirar da classe trabalhadora direitos e capacidade de reação diante da exploração empresarial.

Essa ofensiva foi comandada internamente pelos meios de comunicação e por agentes da burocracia estatal (judiciário, polícia federal etc.) sob o olhar complacente do Supremo Tribunal Federal e a participação de políticos notadamente corruptos e adeptos de práticas fisiológicas.

Os governos de Lula e Dilma, que haviam criados os instrumentos legais para a luta contra a corrupção e o crime organizado, os entregaram nas mãos dos que os iriam utilizar para montar as operações que levaram ao afastamento das esquerdas do poder.

         De que lado está agora o “impoluto” juiz Sérgio Moro, o grande guerreiro contra a corrupção, quando fica evidente que a família do presidente Bolsonaro está metida até o pescoço com a corrupção e as milícias no Rio de Janeiro? Vai ele efetivamente levar à frente a cruzada contra as empreiteiras corruptas e os políticos que enchiam os bolsos com as propinas disfarçadas de contribuições para as campanhas eleitorais?

É muito pouco provável, pois o objetivo inicial já foi alcançado, com a derrocada das esquerdas e seu afastamento do poder.

As afinidades estreitas entre a direita, a corrupção e o crime organizado tem sido muito evidente ao longo do tempo.

O movimento militar de 1964, logo que pode se aliou ao que havia de pior no crime organizado no país, transformando conhecidos agentes de sindicatos do crime que funcionavam na polícia, em seus agentes preferidos para combater os movimentos de esquerda.

Quem não se recorda do terrível delegado Sergio Fleury, um dos baluartes da Operação Bandeirantes, financiada por empresários de São Paulo e sob o comando de forças militares federais?

No plano internacional, são conhecidas as ligações espúrias entre organizações como a Máfia nos Estados Unidos e na Itália, a Yacusa, no Japão, e outras, com políticos e dirigentes estatais.

As esquerdas, certamente cometeram pecados ao viverem na intimidade conciliatória com a essa gente, mas trataram-se apenas de pecados veniais e de imprudências, perfeitamente evitáveis.

Agora não, o país está nas mãos das máfias que vendem ao povo um discurso moralista de correção dos desvios na condução da coisa pública, mas cujo propósito central não é resolver os problemas sociais que o afligem, porém o de iludi-lo com reformas regressivas que visam favorecer a concentração da riqueza nas mãos de minorias e de afastar o povo do poder.

A grande família Bolsonaro, é apenas a superfície das grandes máfias que extorquem e exploram diariamente o povo brasileiro, através de juros extorsivos e das tarifas bancárias fraudulentas, da alta burocracia estatal cheia de privilégios e dos empresários que não aceitam pagar impostos e transferem seus lucros para paraísos fiscais.

É a direita sim, que é a grande responsável pela corrupção e pelo crime organizado e não os que dedicam a vida a defender os interesses dos sacrificados e sempre explorados trabalhadores.

Brasília, 24 de janeiro de 2019.

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 Caro Flávio,como afirmou com precisão K.Marx " A maior organização criminosa é o Estado '. Abraços

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