Eu penso que, os economistas em geral, mas principalmente os da “velha escola”, assim como todos os administradores de “casa rica” (aquela que “qualquer um governa”), ainda trazem em si certa dificuldade de lidar com a “função exponencial”, que dirá, então, com a realidade “física”. Hoje, no entanto, cheguei a me animar com o título de um artigo do "Brasilianas": “As leis da física e da economia, por Delfim Netto.

Pensei que, talvez, o Delfim Netto, do alto dos seus muitos anos de cátedra, se atrevesse a abordar esse tema espinhoso do “crescimento sustentado” (que de modo algum é “sustentável”) em que o Capitalismo se baseia e a que o Capitalismo a si mesmo obriga. Mas não. Ainda não seria desta vez que essa verdade emergiria: A economia humana, como um todo, começa a esbarrar nos limites físicos do planeta e a hora de encarar essa realidade está chegando, por mais que nos custe abandonar as nossas fantasias.

Para que se tenha uma idéia do que é a “função exponencial”, basta que nos lembremos de uma coisinha: a fórmula para calcular o tempo necessário para que, considerada uma taxa qualquer de crescimento, chegue a “dobrar” determinada economia; A fórmula é bem simples: Divida o nº 70 pelo número absoluto do percentual do crescimento medio e você saberá quantos anos leva para duplicar, o PIB dessa economia. Por exemplo, considerando a CHINA, com uma taxa de crescimento medio de 10% ao ano, em apenas sete anos o seu PIB dobraria e, em mais sete anos, novamente dobraria, e dobraria, e dobraria...

É possível manter esse crescimento indefinidamente? Claro que não! E é aí que entra, não só a “concorrência”, mas a “barreira física”: Não é possível crescer nesse ritmo de modo sustentado porque há “gargalos” à frente. Limites físicos à velocidade com que conseguimos subministrar e processar recursos, na economia.

Dentre os “gargalos”, a que já estamos chegando, para efeito de transformação de recursos em bens, um dos principais é o da energia. Sem energia não há trabalho, sem trabalho não há produção, sem produção não há satisfação do mercado e, os preços, num mercado insatisfeito, tornam inalcançável, para quase todos, qualquer mercadoria. Inclusive a própria energia.

A relação entre PIB e energia é de correlação e de causalidade; o consumo de energia acompanha a linha do PIB de forma direta e, a mais PIB, maior consumo de energia. A questão da “eficiência energética” também influi, mas os números, quando tratados em bruto, não oferecem muita margem para dúvidas de que, o que mais importa para “crescer” com o que se tem, são os insumos energéticos. O “como crescer” é que vai depender das novas tecnologias.

Ainda, sobre a “energia”, ela não chega do nada e ilumina a nossa vida; tem que ser procurada, encontrada, produzida e distribuída e há, portanto, nessa cadeia que torna a energia disponível, também um consumo de... energia! Para que haja lógica, nessa cadeia, é necessário que o volume de energia produzido, no processo de disponibilizá-la, seja maior que a energia consumida. É desse excedente, também conhecido como TRE (Taxa de Retorno Energético), que se aproveita toda a demais economia. Se a TRE tender a zero, a zero tenderá a economia.

A TRE do petróleo, por exemplo, girava nos seus primórdios ao redor de 100/1, ou seja, gastava-se a energia de um barril de petróleo para extrair 100. Hoje, na media, a taxa está em 20/1 (só conseguimos extrair 20 barris, com um barril de petróleo). O que acontecerá, então, quando a TRE chegar próximo a 1/1? Simplesmente o petróleo deixará de ser interessante como “fonte de energia” e será mais lógico empregar, a energia utilizada para a sua extração, diretamente nos sistemas de produção, reservando-se o petróleo que ainda for produzido para outros usos de maior valor agregado, como por exemplo, a petroquímica.

Não falta muito para que tal realidade se apresente. A voz corrente, nesse mercado imprescindível, é que teríamos chegado ao fim da “era do petróleo barato”; daqui pra frente, o petróleo será um bem mais difícil, mais longínquo, mais profundo e mais "caro" energeticamente falando e, o seu preço, transversal que é a todos os demais preços da economia, poderá afastar muitos dos bens a que hoje temos acesso, inclusive alguns alimentos, para além da faixa da nossa capacidade aquisitiva, reduzindo, portanto, o “tamanho do mercado” e com isto forçando o encolhimento da produção de determinados bens, para determinadas faixas de consumo da economia.

É claro que a “carestia” não afetará a todos, mas aquele “vinte por cento” que vinha comendo 80% do que produzia o planeta, talvez vire um dez, um cinco ou mesmo o 1% que já apontavam os cartazes do “Occupy Wall Street”, ainda estes dias. E nós, os outros 99%, não comeremos mais por causa disso, na verdade seremos mais a passar a fome, para que menos encham bem a tripa.

Saudações

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