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A GRANDE DIVISÃO E O QUE A EXPLICA.
A grande divisão ocorrida na sociedade brasileira no recente processo eleitoral não é de maneira nenhuma uma divisão corriqueira, derivada de diferenças entre visões partidárias dentro do processo democrático.
Quem não for capaz de entender a natureza da divisão ocorrida, nunca vai saber porquê amigos se afastaram, familiares romperam com as famílias, colegas de trabalho se distanciaram, adversários políticos se tornaram inimigos e, assim, por diante.
O processo eleitoral serviu para trazer à tona as características mais profundas dos indivíduos que conformam a sociedade brasileira. Características que têm a ver com os fatores que determinam as condutas dos seres humanos, revelando os monstros que cada um consegue manter ocultos dentro de si, mas que podem se manifestar em dadas circunstâncias e tornarem o convívio humano desastroso.
As pessoas deixaram de confiar uma nas outras e passaram, a temê-las pelas maldades que seriam capazes de aceitar e de fazer. Os instintos malignos que vieram à luz foram alimentados pelo fomento do ódio aos adversários políticos, pela aceitação da tortura como algo natural, pelo desrespeito à vida humana, pela banalização da violência, pela demonização das minorias, pelas campanhas contra a assistência social aos mais necessitados e pelo uso da mentira para alcançar objetivos políticos e destruir reputações. 
Nem mesmo o respeito pelas regras do jogo democrático foi possível manter. Sucederam-se declarações favoráveis à volta de governos autoritários.
A divisão que se operou na sociedade foi assim entre as visões de mundo das pessoas, evidenciando as diferenças no que respeita à solidariedade e o respeito pela dignidade e integridade física e mental das pessoas. 
Por isto, ocorreram tantas ruturas nos laços sociais. Os que se recusaram e lutaram contra os promotores dessa derrocada dos valores, passaram a ser acusados de antidemocráticos por não aceitarem os candidatos responsáveis por essa deterioração. 
Os que ganharam a disputa eleitoral estão agora diante do dilema entre seguir fomentando a divisão para se manterem no poder ou de alterarem os métodos para tentarem reconstituir os laços sociais. A tarefa é gigantesca e não dá para saber o que vem pela frente. Se os vitoriosos se decidirem por manter as mesmas condutas que os levaram à vitoria nossa organização social correrá sérios riscos de se desintegrar.

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