A História das FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

A História das FARC

Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

 

FARC - Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia

 

A guerrilha da Colômbia não é a única guerrilha ainda existente na América Latina. Além dela há a guerrilha zapatista no México e a do Sendero Luminoso no Peru. Mas as FARC é com certeza a mais polêmica. Até o presidente venezuelano Hugo Chávez, considerado por muitos um radical, disse que a guerrilha das FARC perdeu sua razão de ser, ou seja, não há mais lugar para esse tipo de luta. Mas alguns argumentam que os guerrilheiros apenas se defendem do terrorismo de Estado do governo Liberal-fascista colombiano, pois no passado as FARC formavam um partido político que foi dizimado pelos conservadores. O fato é que essa guerra civil continua fazendo centenas de vítimas, todos os anos, em nosso país vizinho. Qual a sua opinião sobre este conflito? Para enriquecer o debate reproduzo artigo daRevista Marxista Mouro e alguns vídeos sobre o assunto.

 

Notas sobre a origem das FARC-EP

Ana Carolina Ramos e Silva

Mestranda em Sociologia pelo Programa de Pós-graduação em Sociologia da Universidade Federal de Goiás (UFG)

 

A história colombiana apresenta um grau de dramaticidade tão intenso que seus historiadores classificam seus períodos como etapas da Violência – com “v” maiúsculo. Este artigo visa tão somente dar uma idéia geral do significado dessa violência pelo ponto de vista daqueles que a testemunharam.

O foco central é o de explicar a origem do principal movimento guerrilheiro do país – as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) – cuja fundação foi no ano de 1966, assim como traçar um breve panorama dos principais movimentos de esquerda que lhe foram contemporâneos. Para isso é feita uma retrospectiva dos processos originários da luta armada a partir da década de 1930.difícil saber a origem da formação do militante de esquerda. Os estudos teóricos quase sempre vêm depois de uma formação cultural pontuada por princípios éticos e conceitos filosóficos adquiridos ainda na infância por meio de exemplos familiares ou referências históricas que marcaram os sentimentos de solidariedade humana e respeito pela vida, cultivados familiarmente.

A luta armada na Colômbia originou-se como uma resposta vinda dos próprios camponeses diante dos resultados de um árduo processo de lutas. Seus antecedentes estão na década de 1930, época em que o Partido Liberal (PL) chegou ao poder e por meio de reformas conseguiu conter o movimento das ligas camponesas que pressionavam pela reforma agrária contra a grande propriedade e foram lideradas por Gaitán1 e pelo Partido Comunista Colombiano (PCC).2 Tais reivindicações foram parcialmente atendidas durante governo liberal, denominado Revolução em Marcha, de Alfonso López Pumarejo. Em seu mandato promulgou-se a Lei de Terras (Lei 200 de 1936).3 No entanto essa concessão institucional foi abandonada pela promulgação da Lei 100 de 19444 que revogou os estatutos reformistas de 1936 no que tange à questão agrária, retornando os embates entre camponeses e latifundiários; liberais e conservadores. Para se ter uma idéia do grau de rivalidade entre liberais e conservadores nesta época, veja-se a afirmação a seguir:

O Partido Conservador aliado à Igreja e em ação com grupos abertamente fascistas semeou na população o espírito sectário através de um sistemático apontamento aos liberais como ateus e comunistas, e em uma suposta defesa dos valores cristãos foram construindo o ódio que irrigaria com sangue a história da violência dos anos seguintes. Na medida em que as contradições entre os partidos cresciam, os discursos e as práticas políticas se faziam mais violentos: começou com ameaça verbal e foram se instituindo formas de organização encarregadas de agenciar atos de violência contra a população liberal em uma espiral que logo se fez incontrolável.

No Partido Conservador foram se constituindo grupos de choque como os denominados ‘Centros de Ação Conservadora’ que à maneira dos cruzados enfrentavam os liberais através de mecanismos violentos. Agruparam-se intelectuais conservadores que se constituíram no que se conheceu como o grupo ‘Os Leopardos’, que assumiram a plenitude da defesa do pensamento da extrema direita, expressaram suas simpatias pelo fascismo de Mussolini e Hitler e desenvolveram em praça pública, na imprensa e no Parlamento uma furiosa oposição ao liberalismo (GALLEGO, 2008, p.29, tradução própria).

Em 1946 o Partido Conservador ganhou as eleições colombianas e em 1948 esses embates assumiram feições dramáticas. Ao final do último mandato liberal de Carlos Lleras Camargo, o PL encontrava-se enfraquecido por uma divisão interna gerada pelos desentendimentos acerca de quem seria o candidato presidencial nas eleições de 1946: Gabriel Turbay ou Jorge Eliécer Gaitán. Enfraquecido, o PL é derrotado nas urnas pelo Partido Conservador, que elegeu Mariano Ospina Pérez.

Em 1947, a divisão do PL é superada com a nomeação de Gaitán como chefe único do Diretório Nacional Liberal. Devido à sua popularidade junto às massas, Gaitán passou a ser uma ameaça à continuidade dos conservadores no poder. A partir de então, intensificou-se a perseguição por parte dos conservadores contra os adeptos do PL, especialmente nas regiões agrárias, o que levou Gaitán, como resposta, a organizar em fevereiro de 1948 a Marcha do Silencio em protesto aos ataques. Dias depois, em 9 de abril de 1948, Gaitán foi assassinado no centro de Bogotá, o que deu início ao processo de insurreição popular que ficou conhecido como Bogotazo e ao nefasto período da história colombiana que muitos autores convencionaram chamar de Violência.


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http://www.comunistas.spruz.com/pt/A-Historia-das-FARC/blog.htm

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