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Flavio Lyra (*).  Brasília, 12 de abril de 2017.

Levanto aqui a hipótese de que a atual crise não constitui meramente uma perturbação superficial e espontânea do funcionamento do sistema econômico-político que conforma nossa sociedade.

Há indicações, ainda que pouco transparentes em seus sintomas e resultados, de que se trata de uma operação planejada e controlada visando a fragilização dos constituintes da estrutura socioeconômica e política do pais que impedem a inteira submissão dela aos interesses de grupos internos e internacionais.

Estamos vivendo situação semelhante a de um país que tivesse sofrido uma invasão de forças estrangeiras, que passaram a adotar iniciativas para reformular as instituições em função dos interesses dos novos governantes.  

O uso do termo implosão aplica-se ao caso por seu significado de operação exercida de fora para dentro que incide nos pontos de sustentação de uma estrutura física, tornando-a vulnerável à força de gravidade e propiciando sua demolição controlada.

Trata-se, já não resta dúvida de um conjunto de ações destinadas a criar uma “terra arrasada”, sobre cujos escombros seja possível construir uma nova ordem inteiramente comandada pelos mercados e pelas finanças internacionais, na qual o povo não tenha vez, nem voz.

Dois vetores principais, que caminham paralelamente e bem articulados, conformam e respondem pelo processo de demolição em marcha. De uma parte, a realização de um amplo conjunto de reformas de cunho liberalizante destinadas a reduzir substancialmente o papel do Estado na condução da atividade econômica e a abrir espaço para a privatização. De outro, a atuação devastadora de segmentos da burocracia judicial-policial, em nome do combate à corrupção, sobre grandes grupos econômicos de capital nacional e suas ligações financeiras com partidos e lideranças políticas de peso.

Não me parece razoável aceitar que as lideranças políticas do país, por inciativa própria, estejam cometendo o suicídio político de vastas proporções que vem tomando forma. Cabe, pois, a suposição de que interesses externos e suas projeções internas sejam os reais condutores do processo.

A desmoralização da classe política e a fragilização das instituições que conformam o estado nacional e a democracia representa, sem dúvida, um meio eficaz de dificultar a mobilização do povo em função de objetivos nacionais e de bloquear suas pretensões de chegar ao Poder.

Em síntese, o que está acontecendo no país é extremamente grave, pois suas instituições estão sendo destruídas e os substitutos que estão sendo forjados nas caladas da noite para ocupar seus lugares vem sendo concebidas desde uma ótica que desconsidera a importância dos interesses da nação como um todo e descarta a participação do povo na condução dos destinos da sociedade.

(*) Economista da escola da UNICAMP e ex-técnico do IPEA. 

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