Os habituês do blog me atiçaram e vou lançar mais uma da série O QUE LER ANTES DE MORRER. Já fiz isso com filmes e agora me inclino a delatar os 10 melhores títulos que já li. Não estará em ordem de importância, apenas de memória.

1 - Os Sertões - Euclides da Cunha

2 - Juliano - Gore Vidal

3 - Grandes Sertões - Veredas - Guimarães Rosa.

4 - Em Busca do Tempo Perdido - Proust

5 - Tocaia Grande  - Jorge Amado

6 - Biologia, Ciência Única - Ernst Mayr

7 - Trilogia Millenium - Stieg Larsson

8 - Bilhões e Bilhões - Carl Sagan

9 - Perestroika - Gorbachev

10 - O Senhor do Anéis - Tolkien

Coloquei apenas 10, para dar um corte, porque senão, a lista fica imensa, mas são aqueles livros que eu volta e meia sinto vontade de ler outra vez.

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Respostas a este tópico

kkkk.... esse eu não li, mas tb não como hamburguer.... só o feito em casa, ou similar.

Redescobri uma coleção antiga, chamada "Jovens do Mundo Todo", tou relendo um livro chamado "A Pala Vermelha contra o Galo que Canta". É divertido, suave, um pouco cópia light de "O Vermelho e o Negro" do Stendhal, mas funfa. Essa coleção é toda baseada em livros cujos protagonistas são adolescentes e pré-adolescentes. Tem coisas legais, e coisas, ah, hum, como dizer... menas boas???

É, mas nao é só paradigma indiciário... Eu costumo dizer que O Nome da Rosa é uma discussao do empirismo com o racionalismo, mas com a linguagem como terceira via. Na história do cavalo, por ex. É paradigma indiciário até ele falar do nome do cavalo. Aí é toda uma outra ordem de fatores... E os livros falam com os livros, claro. 

Tb na história do unicórnio, que é ótima, e que inclusive faz uma gozaçao com ele mesmo semiólogo que deu o caso da palavra unicórnio como exemplo de uma palavra com significado mas sem referente. Em O Nome da Rosa ele vai a Marco Polo, e coloca um referente na origem da lenda... 

Bingo!!!! Exatamente a história do nome do cavalo era o ponto q eu pegava....

Me lembrei de um conto, lido provavelmente no Mistério Magazine do Ellery Quinn, onde o Sherlock desenvolvia todo um raciocínio a respeito de uma pessoa que acendia o cigarro com uma mão só. No final, ele só falha em perceber que o fulano tinha um braço só...

Acho que Nome da Rosa é o início da ruptura com a Escolástica, e introduz sim a discussão entre empirismo e racionalismo.

Mário e Analú,

Acho que o Italo Calvino, em bem menos páginas, dá conta disto em suas últimas obras. Principalmente em "Se um viajante numa noite de inverno" e "Palomar" (literatura) e  no lindo ensaio "Seis propostas para o próximo milênio".

Mais ou menos... do Italo Calvino eu gosto mais das Cosmicômicas. Pra quem estudou Mecânica Quântica, é uma delícia... "se eu tivesse um pouco de espaço, faria um tagliatelle"...

Mas na seara dos romances (mais ou menos) históricos, gosto muito da heptalogia do Maurice Druon, Os Reis de Ferro, e do Isaías Pessotti, "A Lua da Verdade" e "Os malditos cães de Arquelau".

Taí, nao consegui chegar ao fim de "Se um viajante...", achei chatésimo. Em que ele coloca essas questoes, Gil? É só um amontoado de inícios de romances... As outras coisas nao li. 

E para Mário: você viu o nome do cavalo como paradigma indiciário? Mas já nao é construçao a partir de sinais... É ali (e tb no caso do unicórnio, claro) que eu vejo a linguagem como uma TERCEIRA via (para além tanto de empirismo quanto de racionalismo) O caso do unicórnio, afinal, nao passa da brincadeira de telefone (lembra? um diz ao coisa ao ouvido do outro, que passa adiante, e depois se vê o que sai no final...) se desenvolvendo no tempo histórico.  

AnaLú,

(No intervalo do almoço, meio rapidinho e sujeito a verificações posteriores) 

Você faz cada pergunta...

Penso que a ideia me veio, pela colocação do Mário, da discussão entre o empirismo e racionalismo. O Mário bem lembrou o “Cosmicômicas”, que pode ser lida como uma humorada discussão sobre o conhecimento inato.

A discussão empirismo/racionalismo é o tema central de Palomar. Calvino coloca, neste quase monólogo interior, a difícil e infrutífera busca da unidade do mundo e do espírito

Penso que Calvino nos chama insistentemente a atenção para os limites impostos para superararmos as controvérsias existentes entre pontos de vistas opostos. No “Se um viajante” esta oposição irá se manifestar na relação leitor/autor e será a causa para o impedimento da realização de uma obra “literária”. Curioso é que a obra parte de uma organização lógica...

Há portanto, uma notória utilização dos dois conceitos, empíricos e racional, e o resultado soa como algo cômico, beirando mesmo o ridículo e a farsa, e me remete a algo semelhante a Bouvard e Pécuchet de Flaubert ou a experiência de Sterne em “A vida e as opiniôes do Cavaleiro Tristam Shandy”. Interessa mais o fluxo de consciência, o “estranhamento” mesmo da técnica narrativa, que a possível inteireza ou consistência interna do texto. 

Rafla para você mesmo abaixo: Eu só li (e só parte... ) o "Se um viajante..."; de modo que nao pude ver nada disso de que você fala (sem estar negando que possa estar corretíssimo). Na parte que li desse (nao)romance, achei um amontoado de "começos", muito chato. Talvez fosse exatamente o efeito pretendido, mas nao gostei; quando pego um romance para ler, quero ler um romance, e nao uma obra de desconstruçao do romance... 

RAFLA pra AnaLú,

 Não, concordo inteiramente com vc nesse ponto: o nome do cavalo não passa de um chute (um "educated guess", tanto que ele acerta), mas é onde rompe com o paradigma indiciário. Acho que isso que faz a diferença com o conto de Serendipe, que é estritamente venatório. Mas é fundamental pra definir o personagem do frei, que além de racionalista ao extremo, tem um pouco de senso de humor...

Discordo um pouco do Gil em relação às Cosmicômicas, para mim é muito mais uma maneira de explicar conceitos totalmente não-intuitivos (como a história das paralelas, que nunca se encontram, nem no infinito) de forma mais próxima ao senso comum.

RAFLA para Mario,

Pois é, cada um de nós guarda na memória uma ficha diferente da sua leitura. Adoro Calvino, está na lista dos autores que gosto de reler. Confesso que faz tempo que não releio o Cosmicômicas, vou faze-lo! A "ficha" pode precisar de uma atualização...depois te conto.

Embora, se eu bem te entendi, não estejamos tão longe assim nas nossas visões. É comum as edições de "Bouvard e Pécuchet" trazerem junto  o "Dicionário das idéias feitas", duas obras inconclusas de Flaubert que tratam justamente do senso comum.   

Reli recentemente o "Cidades Invisíveis", parece um novo livro cada vez que volto a abri-lo. A literatura de Calvino tem um quê do Livro de Areia. Bom, até aí é previsível, ele adorava o Borges... Não sei como nenhum cineasta descobriu o Cidades ainda.

Um livro marcante para mim foi o "Breviário de decomposição" de Cioran. Foi marcante por ter "mexido" em meus conceitos. 

Rafla para Mário - Sobre o episódio do cavalo Brunello, para mim, ele nao envolve apenas um chute, é um chute baseado no conhecimento do que é dito, da lenda, é exatamente onde vejo o papel da linguagem; e o frei tanto é racionalista ao extremo como empirista ao extremo, mas rompe com os dois por meio exatamente da reflexao sobre a linguagem. E já que você está trabalhando em cima do episódio, talvez te interesse uma informaçao, passada por uma colega mais culta que eu, de que o episódio foi todo retirado de Diderot. Valeria talvez a pena verificar se Eco mudou ou acrescentou algo, e o quê... 

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