Flavio Lyra (*).  Brasília, 19 de agosto de 2011

(“A guerra das idéias é uma invenção grega- uma das invenções mais importantes de toda a história. De fato, a possibilidade de lutar com palavras, em vez de lutar com armas, constitui o fundamento de nossa civilização...”. Karl Popper, 1956).

A ideologia neoliberal é sem sombra de dúvida um dos produtos mais notáveis do capitalismo globalizado sob o comando das grandes corporações privadas internacionais.  A difusão de sua visão de um mundo governado pelas forças do mercado e pela eficiência produtiva, supostamente inerente, penetrou profundamente em nossas mentes e passou a orientar ação de governos, de partidos políticos, de universidades e de indivíduos.

A falência do socialismo real deixou o espaço livre para o pensamento único. Até mesmo os partidos socialistas que chegaram ao poder em vários países deixaram-se dominar pelo credo neoliberal, frustrando seus eleitores. Não sem razão, pois, difundiu-se a falsa idéia de que as ideologias estavam mortas, quando na realidade, o que ocorreu foi o domínio deliberado crescente de uma ideologia sobre as outras.

Se não por outros motivos, a crise das economias desenvolvidas, iniciada em 2008, serviu para despertar o mundo ocidental de seu sono aideológico e colocar luz nos graves problemas sociais, ambientais e de violação da paz que, desde há muito, vinham agravando-se. Ideologias contestatórias da ordem vigente começam a voltar ao palco.

O fato de somente em 1801, o pensador francês Destutt de Tracy, ter trazido a público o termo ideologia, não significa de modo algum que os homens, como serem sociais, tenham em alguma fase de sua existência deixado de estar submetidos a ideologias, pois estas nada mais são do que o conjunto de idéias sistematizadas que conformam sua visão de mundo e orientam suas condutas.

Conscientes de que as ideologias são um produto das condições sócio-econômicas que conformam a base material das sociedades, cabe não desconhecer que elas interagem com essa base e têm o poder de modificá-la. O famoso conceito gramisciano de hegemonia assenta-se na compreensão de que as idéias que conformam a superestrutura da sociedade são determinantes para a ação política que conduz à mudança social.

Por certo, que o desenvolvimento do conhecimento científico e sua sistematização, a partir do Renascimento, cumpriu o papel de valorizar a racionalidade humana e afastar as crenças e superstições mais rústicas. Mas, sem que isso significasse que as crenças tenham deixado de ocupar papel importante nas condutas humanas. O próprio conhecimento científico tem sido definido como uma crença verdadeira justificada(Grayling, 1996), ou mesmo como uma ideologia científica.

A ideologia nacional-desenvolvimentista no Brasil, intimamente vinculada à Revolução de 30, que não por simples coincidência ocorreu durante no início da Grande Depressão Mundial, apareceu como alternativa à visão liberal que defendia a posição do país como fornecedor de produtos primários ao mercado internacional, alicerçada na teoria das vantagens comparativas que nos caracterizava como um país “essencialmente agrícola”.

Com o pensamento da CEPAL a partir de 1949, sob a liderança de Raul Prebisch, a ideologia nacional-desenvolvimentista assumiu sua forma mais completa e passou a orientar as políticas de industrialização do Brasil e de outros países da America Latina, em confronto direto com a ideologia liberal do livre comércio internacional. A idéia de um Estado forte e promotor da industrialização com base no mercado interno é elemento central da ideologia nacional-desenvolvimentista.

A penetração da ideologia nacional-desenvolvimentista no Brasil foi tão profunda que os governos militares pós-64, a ela se mantiveram fiéis, exceto no que corresponde ao tratamento que deram ao movimento trabalhista e à política social, que passaram a ser considerados obstáculos ao processo de desenvolvimento e ameaça à ordem econômica e social. Por isto, O chamado “Milagre Brasileiro”, que se estendeu entre os anos 67 e 79, apoiou-se em intenso processo de concentração da renda.

Faltou aos militares daquela época, sob forte influência de uma doutrina que refletia principalmente os interesses das grandes potências ocidentais, a compreensão de que a classe trabalhadora brasileira e suas organizações eram seus melhores aliados para levar adiante o processo de desenvolvimento apoiado no mercado interno. Assim sendo, o milagre acabou no desastre da “Década Perdida” dos anos 80, com o país altamente endividado externamente e diante de uma grave crise social.

Sob a influência nas relações econômicas internacionais da visão neoliberal, que começou a dominar o cenário mundial com os governos de Reagan nos EUA e Thatcher no Reino Unido, a partir do início dos anos 80, o Brasil atravessou mais uma década de estagnação econômica e de fortes pressões inflacionárias.

Só no ano de 1989, com base num texto produzido pelo economista John Williamson, os economistas do Fundo Monetário Internacional, do Banco Mundial e da Secretaria do Tesouro dos Estados, fariam a sistematização do pensamento neoliberal, sob a denominação de “Consenso de Washington”, transformando-o em regras a serem aplicadas anos países que demandavam ajuda dessas instituições.

 No governo Collor em 1990, as idéias neoliberais começam a penetrar fortemente no Brasil e passaram a determinar a política econômica, situação que se acentuou nos oito anos do governo FHC, quando a busca da inserção na economia globalizada comandada pelas grandes corporações privadas, toma conta da cena da política econômica do país

As idéias dominantes, desde então, passaram a ser a abertura comercial ao exterior, a privatização das empresas estatais, a desregulamentação dos mercados, a redução do peso do Estado na economia, a flexibilização dos salários etc.

 As portas foram abertas para as grandes corporações privadas internacionais, mas ironicamente elas preferiram deslocarem-se para países asiáticos, especialmente a China. Ali, o mercado controlado por um governo autoritário e exigente no que toca ao cumprimento de obrigações com o desenvolvimento nacional, mostrava-se mais atraente do que nosso mercado desregulado, no qual muitas delas já estavam instaladas.  Da nova política comercial, resultou a crise cambial de 1999, que nos deixou insolventes e nos jogou, mais uma vez, nos braços do Fundo Monetário Internacional.

Com a chegada ao governo de Lula, em 2003, tornou-se cada vez mais evidente que era necessário introduzir mudanças no receituário neoliberal  para que o país pudesse avançar economicamente e reduzir as desigualdades sociais, o que foi feito e produziu muito bons resultados. Destaque-se, a retomada dos investimentos das empresas estatais, a recuperação do BNDES como banco de desenvolvimento e a adoção de políticas na área social que contribuíram para melhorar significativamente a distribuição da renda. Estas mudanças, simultâneas ao aumento da demanda chinesa e de outros países em desenvolvimento de produtos primários, possibilitaram acumular reservas internacionais e acelerar o crescimento da economia e do emprego.

No momento, com o agravamento da crise internacional, voltam a aparecer ameaças ao prosseguimento do processo de desenvolvimento, com o aumento da inflação, o aparecimento de déficits nas transações correntes e dificuldades da indústria para competir nos mercados internacional e nacional, configurando riscos de desindustrialização.

Em que pese a desmoralização crescente da ideologia neoliberal no mundo, evidenciada pela profunda crise que atravessam os países europeus e os Estados Unidos, esta continua sendo a visão dominante. No Brasil, repete-se o quadro, pois os meios de comunicação continuam dominados pelo poder das grandes corporações privadas, realizando um trabalho permanente de desestabilização do governo.

A gravidade da situação mundial atual evidencia-se nas várias formas em que os países e populações marginalizadas pelo desenvolvimento capitalista nos termos do pensamento neoliberal, vêm reagindo contra a ordem econômica e social vigente.

 Os fundamentalismos religiosos cada vez mais radicais, a exemplo, do que ocorre em países que seguem o islamismo, são manifestações que se afastam dos canais da política e têm confluído para a prática de atos terroristas.  

O movimento “tea party”, nos Estados Unidos, munido de uma ideologia que prima pelo irracionalismo e atraso das idéias em relação ao mundo atual, já representa um percentual importante da população e vem conseguindo dificultar a ação do parlamento na negociação política para o encaminhamento de providências que visem minorar a crise econômica.

Em vários países da Europa, movimentos de extrema direita começam a atrair seguidores e simpatizantes provenientes da classe trabalhadora, que marginalizados do mercado de trabalho e da assistência social, transformam-se em contestadores, muitas vezes violentos, da ordem existente e perseguidores de imigrantes.

O episódio recente em Londres, no qual milhares de jovens destruiriam e incendiariam prédios e veículos nas ruas, sem qualquer propósito claro, também é indicativo de desapreço à ideologia dominante e da falta de alternativa ideológica para canalizar suas aspirações de mudança.  

No Brasil, a falta de substância pelo lado da visão neoliberal para atacar o governo leva à concentração do poder de fogo da oposição no problema da corrupção na administração pública, buscando atribuir ao governante atual toda a responsabilidade pelos casos constatados, desconhecendo que a ação do governo tem sido fundamental para que venham à tona e sejam combatidos.

 Desconhecem, por outro lado, que a exacerbação da corrupção está intimamente ligada à crise vivida pela democracia representativa, que é um problema da atualidade no mundo ocidental.

A tarefa de consubstanciar uma ideologia adequada ao momento atual, apta a mobilizar a opinião pública em favor da consolidação de uma nova política de desenvolvimento para o país, até agora não tem sido cumprida, especialmente pelo principal partido que dá sustentação ao governo, o Partido do Trabalhadores.  

À luz da crise internacional, da necessidade do país de levar adiante uma política econômica que lhe permita seguir avançando em seu processo de desenvolvimento, e da correlação de forças na sociedade brasileira, dá para supor que uma alternativa ideológica ao neoliberalismo teria que apoiar-se num nacionalismo popular e democrático, que defenderia forte presença do Estado na atividade econômica, crescente participação das forças populares nas decisões políticas, inclusive com maior controle da representação política por organizações populares; aperfeiçoamento do processo democrático na escolha dos dirigentes públicos e no controle de suas ações; redução da influência do poder econômico no processo eleitoral; e preservação das liberdades democráticas.

Essa carência traduz-se em desorientação crescente da população, especialmente da classe média, que acaba por dirigir suas frustrações para manifestações inconsistentes e manipuladas por elites conservadoras não simpatizantes de mudanças em favor da maioria da população ou que contrariam os interesses de oligarquias nacionais e estrangeiras.

Uma simples pesquisa na INTERNET permite constatar que é crescente o número de pessoas bem intencionadas, porém desorientadas, e de organizações, que gastam muita energia na defesa de idéias que o tempo já deixou para trás, concebidas no tempo da “Guerra Fria” para combater o perigo comunista.

(*) Economista. Cursou doutorado de economia na UNICAMP. Ex-técnico do IPEA.

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Respostas a este tópico

flávio (quanto tempo a gente não conversa, não é?)

mas, então,vamos ao que interessa.

eu acho, sabe, que não se trata exatamente de se criar uma nova alternativa ideológica, sabe?

o que eu sinto é a ausência de elementos organizativos sólidos que dêem direção aos movimentos de insatisfação e revolta que pipocam pelo mundo. os partidos tradicionais, aqui e em qualquer lugar, parecem não dar conta disto e, sem contar, o fator novo gerado pelas mobilizações a partir da internet.

 

vive-se um novo tempo, mas as visões de mundo em disputa continuam as mesmas, não te parece?então, a fragilidade, digamos assim, nasce mais deste elemento organizativo mesmo. e, claro, estou excluindo desta bronca os anarquistas, não é? ainda que deles nasçam os anseios mais vigorosos: uma sociedade civil que se organiza a partir dela mesma, sem os mecanismos tradicionais da burocracia clássica. então...

 

Cara Luzete: Senti falta de seus lúcidos comentários. Dou-me conta do problema e imagino que toda organização só se dá em torno de idéias. Essas idéias estão em falta ou, no melhor dos casos, apresentadas de modo inadequado para mobilizar as pessoas. Algumas dessas idéias sofreram campanhas tão destrutivas que fica difícil mencioná-las sem criar resistências. Na base, os problemas continuam muito parecidos, mas acho que é necessário encontrar novas formas de comunicá-los.

Um forte abraço.

Flávio. Grande Flávio

 

Com este artigo te tornaste o ENORME Flávio.

 

Sabes que não sou de superlativos porém irei explicar do porque dos elogios rasgados.

 

Acho que na realidade estamos com carência de uma ideologia integral e estruturada que proponha uma solução para remover o que não queremos. O capitalismo (liberalismo ou neo-liberalismo são filhos bastardos do grande senhor) mostrou-se esgotado em termos sociais e econômicos, contrapondo as experiências de socialismo real ao capitalismo víamos este demonstrar uma aparente vitória em relação ao primeiro no campo econômico. As estruturas estatais e burocratizantes das experiências de socialismo real, apesar de funcionarem da mesma forma lenta e pesada que as grandes corporações, não tinham o mesmo glamour que estas últimas. O socialismo real perdeu principalmente no Marketing e na Propaganda, e esta perda levou a uma crítica interna e externa de toda esta proposta. Hoje em dia falta uma ideologia clara e completa em termos de integração da sociedade moderna, que fale ao nosso homem de hoje em dia e não ao operário fabril do século XIX.

Acho que por aí que deve vir uma nova ideologia, algo que respondesse aos anseios e as perguntas do homem atual, principalmente levando em conta a visão que este homem tem de si mesmo e não da sua real dimensão. Não adianta, sabendo-se que alguém tem um papel claro nesta sociedade, porém pensa que sua atuação é outra, fazermos um discurso sem levar em conta a diferença que há entre o que as pessoas pensam que são e o que na realidade elas são. No século XIX um operário fabril poderia ser denominado de proletário com todas as consequências que este termo implica, feito isto ele se identificava com seus pares e lutavam por um ideal comum. Hoje em dia o que temos alguém que não se identifica com a classe que pertence e reluta em juntar suas forças para melhorar a sua vida.

 

(continuo depois)

Caro Rogério: Vibrei com sua reação! Tenho muito respeito por seus pontos de vista, sempre muito lúcidos. Tenho lido bastante sobre a crise mundial e acompanhado de perto a conjuntura nacional. Esse texto reflete o tipo de preocupação que tenho com o momento atual, diante da fragilidade do governo para se afirmar diante da população, especialmente da classe média, esta bombardeada diariamente pela grande mídia, cujo sonho é inibir a possibilidade de avanço das forças populares no país.

Espero que sirva como uma conclamação aos intelectuais progressistas para se preocupem com o assunto.

Um abraço.

Flávio

 

Acho que faltam alternativas mais fechadas, usando este termo como alternativas mais elaboradas. Fica-se muito no genérico como se dissesse: O detalhamento se resolve depois. As experiências do socialismo real, demonstraram que no detalhe é que muito se perdeu, e além disto, quando se contrapõe uma nova ideia (não tão nova assim) as pessoas ficam receosas de perder algo que é ruim para algo que pode ser pior.

 

Acho que as saídas meramente reformistas dos países socialistas não se pode e não se deve atribuir a oposição da direita, mas sim inexistência de uma estratégia bem montada a médio e longo prazo de seguir os movimentos mais ousados que se tente.

 

Tenho visto que muitas vezes a esquerda atribui seus insucessos a elementos contra-revolucionários, mas na realidade na maior parte do tempo nunca se lançou a um processo revolucionário em termos de organização da produção,por exemplo. Li há muito tempo que implantada uma fábrica da Fiat na ex-União Soviética se entrássemos numa fábrica italiana, brasileira ou soviética, veríamos a mesma organização da produção, com uma pequena diferença, as fábricas fora da União Soviética evoluíram.

 

Muitos acham que, por exemplo, a organização da produção num pais socialista é baseada num assembleismo, substituindo os ocupantes dos postos de trabalho de direção por meros "sindicalistas" ou burocratas de partidos, ninguém questionando se estes postos deveriam existir da forma que a produção capitalista os criou.

 

Estou citando exemplos do que devemos nos preocupar, pois isto nunca é discutido em programas ou metas de partidos de esquerda. Sendo um pouco maldoso, a visão que muitos partidos de esquerda tem da produção é a mesma que as Novelas da Globo as têm, ou seja, a produção é um coadjuvante que não aparece nas cenas.

 

Fala-se muito contra a tecnocracia e a burocracia que muitas vezes dominaram os países de socialismo real, mas os teóricos jamais detalharam como seriam substituídas as formas de produção. Simplesmente dizer que os meios de produção serão dominados por todos é muito simples, agora dizer como será garantido este domínio precisa muito mais do que poucas palavras a serem proferidas em discursos.

Rogério: Não resta a menor dúvida de que se dedica muito pouco tempo a pensar o futuro, especialmente no aspecto da organização econômica. Tudo se passa como se se tratasse de uma quesão que se soluciona espontaneamente. A relativa facilidade com que o capita-lismo retornou na Europa Orientar tem muito a ver com a incacidade de adequar as formas de produção ao novo sistema.

As pessoas, mesmo as mais bem intencionadas, comportam-se como alguem que está pretendendo mudar de casa e não tem a menor de idéia do tipo de casa para a qual vai se mudar.

Podemos dar outro exemplo mais atual, A China copia a estrutura organizacional das empresas capitalistas por inteiro, substituindo um CEO por um membro do partido. Por maior que seja a sua formação política, ocupando o mesmo cargo, governando uma estrutura semelhante, naturalmente suas decisões deverão ser a mesma. O mesmo ocorre na estrutura das estatais brasileiras na mudança de governo, se coloca num cargo de direção um sindicalista, ele tem que apresentar resultados como qualquer diretor, a estrutura de decisões conformada para favorecer a corrupção continua igual. Consequência: O nosso sindicalista torna-se um Diretor como os outros (ou pior, pois não tem o treinamento para tanto) num ambiente propício a corrupção.

 

Veja, o que estou falando é de um segundo passo que deve ser pensado, pois um bom jogador de xadrez não faz um lance sem pensar na reação do adversário, na sua réplica, na tréplica.....

É verdade, Rogério. Mudar a superfície não altera a substância.

Basta entrar em redes sociais para perceber que o tempo das idéias já passou. Estamos no tempo do

"tamo nessa por dinheiro"

onde as ações tem um papel catalisador.

É, Marcia. Mas precisamos mudar urgentemente, pois estamos sendo atropelados pelos fatos.

Flávio,

sempre aprendendo com você.//

sds.

Estimada Marli: Você tem perfeita compreensão da situação. Precisamos estar atentos para mudá-la antes que estejamos diante de um novo governo autoritário implantado pelas elites oligárquicas. As experiências nazifascistas apareceram e se desenvolveram na Europa em consequência da crise dos anos 30. As crises sempre podem ser acompanhadas de resultados desagradáveis para as massas, no plano político.

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