Recebi a pouco no blog AmbienteBrasil a seguinte notícia:

"O derretimento dos subsolos árticos congelados, o chamado permafrost, ameaça elevar consideravelmente o aquecimento global e deve ser levado em conta nos modelos climáticos, recomendou nesta terça-feira (27) o Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente) durante a COP 18, a cúpula do Clima em Doha, no Catar.
...... (segue)...  "

A notícia que vem logo após este breve introito, que eu nem estou interessado, deixa passar batido um ENORME DETALHE, inclusive pelos gestores do Fórum AmbienteBrasil, este detalhe é EXTREMAMENTE CRUEL e talvez revelador.

Os senhores Burocratas da ONU, foram fazer uma reunião sobre Meio Ambiente, exatamente NA MAIOR ABERRAÇÃO AMBIENTAL DO MUNDO, O QATAR, e provavelmente junto a estes teremos representantes da WWF e do GreenPeace.

O que acontece, o Qatar, mais especificamente na cidade de ABU DHABI foi construída artificialmente no meio de um deserto em que as temperaturas atingem 50°C e não tem água natural nem para 1% dos que lá habitam. A chamada pegada ecológica (gasto de produtos naturais não renováveis) no Qatar atingem o equivalente a 55,4 toneladas de dióxido de carbono por pessoa, ou seja quase 20 vezes a pegada ecológica brasileira e mais de 800 vezes as dos países mais pobres do mundo.

Vide

http://www.thenational.ae/news/uae-news/environment/regions-carbon-...

ou 

http://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/infograficos/2012/06/15/en...

Tudo isto é para produzir uma imensa Disneylândia no meio do deserto para o deleite dos milionários do mundo

Isto é que se chama deboche, a pegada ecológica de países como o Qatar superam em muito qualquer espírito de preservação ambiental, se criou um ambiente totalmente artificial numa região quente, sem água e movida intensamente a petróleo, e é exatamente nos belos hotéis e restaurantes que serão discutidos o futuro da preservação ambiental. Parece o ditado: Façam o que digo, mas não façam o que faço.

Depois a Dona Maria que usa a vassoura hidráulica para limpar a sua calçada ou utiliza um saquinho de supermercado não reciclável que é a culpada de tudo.

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Respostas a este tópico

Bobagem por bobagem, tem pelo menos mais uma:

"O derretimento dos SUBSOLOS árticos congelados..."

Só pode ser coisa do Inferno, já que, para tal, o calor teria que vir... de baixo!

Caro,

 Aparentemente, você foi pego numa tradução/redação capenga. Permafrost não é uma camada do subsolo: é uma camada do solo, composta de material orgânico congelado e envolto em neve e gelo. Independente das causas (se antropogênica, atividade solar ou os cambaus), muito desse material está indo para o fundo dos lagos e descongelando, produzindo gás metano. Lembrando, o metano é 23 vezes mais poluente que dióxido de carbono. O calor não vem do Inferno não, infelizmente. Vem da atmosfera. E isso pode piorar, a despeito da era glacial que pode ou não estar se avizinhando.

Concordo com você, companheiro, o "permafrost" é o solo, não o "subsolo" e, como o próprio nome o diz, corresponde àquelas areas de solo ártico que estão, ou estavam, "permanentemente congeladas". No entanto, naquelas latitudes, mais importantes que o calor tem sido os ventos e as correntes oceânicas que, como tudo o mais na Natureza, tem os seus ciclos e dinâmicas próprias e que nunca foram constantes, quer no presente ou no passado; Conseguiremos que o sejam no futuro? Em principio não sei, mas estou duvidando.

Mário

Como sou alguém que gosto mais de dados do que outra coisa vou colocar um gráfico da medida da concentração de Metano na atmosfera, os pontos de referência, assim como o Havaí é para o CO2 são desde 1984 até 2010 (dizem as más línguas de descontinuaram as medidas porque elas não estavam dando o esperado!) Storhofdi, Vestmannaeyjar, Islândia (63.40 N, 20.29 W) e Tasmania, Australia (40.53 S, 144.30 E)

Conforme se vê há uma declividade alta no início da medida e vai diminuindo a partir das décadas, logo aquela teoriazinha que o permafrost vai injetar cada vez mais metano na atmosfera, não resiste a um bom dado.

Quanto o aumento da temperatura vir da atmosfera, não sejais tão dogmático, pois ninguém (pró ou contra o AGW) sabe definir com precisão da onde vem o calor.

Agora o mais interessante no Permafrost é que se cavando um pouco ainda se encontra turfa, ou seja tinha vegetação no último interglacial.

Atenção: as medidas de metano estão em PPB, partes por bilhão.

Mário.

Só para não ficar te devendo, achei um registro global processado pela NOAA, há também os parciais, pode achar a referência em http://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/mbl/data.php

Maestri,

 ué, já tinha visto os gráficos antes, e eles continuam mostrando o que eu já comentei anteriormente: se o aumento de emissão do metano não é em escala exponencial ou quadrática, como modelos alarmistas propõe, mesmo assim continua aumentando. Eppur se muove...

 Até, talvez quem sabe, um dia atinja uma massa crítica (bom, não o busão que faz a rota USP-UNICAMP). Aí, né, cabum.... fujam para as colinas.

Ops, AQEE, o que não quer dizer em hipótese alguma que concorde em discutir a questão em Qatar. Nem que concorde com a postura em relação à pegada ecológica que grupentelhos tem colocado, nem com os créditos de carbono, ticeteretal.

Mas não acho q a questão da emissão de metano seja "menas bobagem". Inclusive aquela derivada de grandes barragens hidrelétricas. Principalmente porque isso pode ser controlado. Já o permafrost é bem mais complicado.

Mas custa grana, como lembra o povo que escreveu pro Financial Post (legal, né? uma questão dessa discutida em um jornal financeiro. Dá o que pensar...).  Esse é o ponto, né?

Nota: Barragens emitem Metano quando são mal construídas e não retirado o material orgânico existente, ou ainda se ela for mal projetada.

Mário.

A merda é que nos USA ficou assim, quem é conservador é contra a teoria do AGW, quem é progressista é a favor. Isto está poluindo toda a discussão científica. A Inglaterra segue o mesmo caminho.

Aí para publicar algo no jornal ou aparecer na TV tem que ser no Wall-Street Journal ou no Financial Times, e para TV aparecer na FOX.

Que merda, né.

Psé, Maestri. Mas tem um porém. Acho q a discussão científica no caso é até irrelevante. A discussão política é mais importante. Vou tentar elaborar isso melhor mais tarde.

Mário

Isto sim seria uma grande contribuição, pois o assunto está dicotomizado ao extremo, trancando qualquer discussão científica, é uma verdadeira briga de Gangs, com lances sujos tanto de um lado como de outro retirando qualquer possibilidade de um debate honesto.

Maestri, lá vão algumas considerações sobre a questão. Tou me apoiando principalmente num projetinho de Educação Ambiental pro Ensino Fundamental que dei uns pitacos, então peço desculpas antecipadamente pelo que possa parecer (e é) didatismo e simplismo. Inclusive, agradeceria muito os cascudos (mesmo imerecidos) que vc possa dar.

Tá. Existem dois modelos climáticos teóricos que apontam para direções diferentes. Um deles diz que a atividade humana só altera o microclima, e que não há tanta pressa em alterar a matriz energética atual. Sob essa bandeira, estão desde capitalistas extrativistas selvagens até gente desenvolvimentista ma non troppo como alguns colegas nossos. Do outro lado, a tese da AGA (ou AGW) - Aquecimento Global Antropogênico. Ou seja, que existe um aquecimento global causado pelo homem. Sob essa bandeira, tem desde preservista xaato e xiita até ecologistas também bem intencionados, passando por aventureiros inescrupulosos que tentam capitalizar o terror de uma mudança climática.

Ambas as teses possuem indícios, e ambos os lados acham que os indícios que suportam suas teses são conclusivos. Nesse FlaxFlu, eu sou Olaria. Quer dizer, vejo essas duas teses com um grão de sal.

Claro que reconheço que a atividade humana total é irrisória comparada com a erupção de um único vulcão, por exemplo. Mas também a gente não tem um modelo climático suficientemente elaborado pra saber qual o efeito de mudar microclimas com a intensidade que vem ocorrendo nos últimos tempos.

Mas não sou muito chegado em posturas "muristas". Eventualmente, os dados reforçaram uma ou outra tese, mas até lá provavelmente eu já terei ido embora pra Pasárgada, mesmo não sendo amigo do rei. MInha opção é mais política e ideológica do que propriamente científica. Ou melhor, entra mais no terreno da filosofia da ciência.

De um ponto de vista pragmático, apostar na AGA me parece apontar para um programa de pesquisa mais fecundo. Porque não inclui apenas o controle de emissão de dióxido de carbono, metano, CFC, mas também destinação de lixo, reflorestamento, manutenção de matas ciliares, pesquisa e aprimoramento de fontes de energia renováveis, e assim por diante.

(Continuo mais tarde...)

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