Durante os anos  universitário na UFPE  eu participava de um grupo    que  aproveitava os feriados para  andar pelo litoral  do nordeste oriental .  iniciamos  por   Cabedelo na Paraiba  e  em 4 anos  chegamos a divisa de Sergipe com a Bahia . Neste grupo  tinha  os mais diversos futuros profissionais (arquitetura, antropologia, sociologia,  engenharias , geologia, biologia , etc) . Em cada pernoite aproveitavamos para conversar  com os pescadores , com os  moradores   e viamos  as mais diversas variantes da cultura popular  e  sua mitologia  -  folclore  existente não era  "arremedo para turista " era a incorporação plena  da cultura  ao cotidiano , era indissociavel  !
Recentemente  refiz  esta viagem litorânea  e o que encontrei me deixou com uma tristeza profunda : as cirandas ,  os guerreiros , os cocos de roda ,   enfim  quase todas as expressões populares  foram suprimidas pelas  igrejas neopentecostais  . os pescadores se tornaram fanáticos   que  esqueceram a "poesia mitologica do mar " ( lembrar de Dorival  é doce morrer no mar ) , renegaram seu passado  duro  e   alegre  em nome   da propagação  de um  deus triste  e profundamente vingativo  .
      Conhecemos todos os erros   que a igreja católica perpetrou ao longo dos séculos   mas devemos  que reconhecer  que ela foi e é muito mais tolerante  com as expressões do nosso povo  .O que temos hoje nestas regiões  é um verdadeiro genocídio cultural  com apoio da mediocridade política local  que vende a alma em troca  de votos   evangélicos . É O PODER POLITICO-RELIGIOSO  ASSASSINANDO  O LEGADO  SECULAR  DO NOSSO POVO ! É A TRANSFORMAÇÃO  DE UM HOMEM  INTEGRADO  AO  SEU MUNDO  NATURAL EM UM FANÁTICO !

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LUZETE AI VAI TRECHOS INTERESSANTES DO GENIAL E EXECRADO BIÓLOGO RICHARD DAWKINS QUE ILUMINA ESTA QUESTÃO

1] A religião [...] tem determinadas idéias em seu cerne que denominamos sagradas, santas, algo assim. O que isso significa é: "Essa é uma idéia ou uma noção sobre a qual você não, pode falar mal; simplesmente não pode. Por que não? Porque não, e pronto!". Se alguém vota em um partido com o qual você não concorda, você pode discutir sobre isso quanto quiser; todo mundo terá um argumento, mas ninguém vai se sentir ofendido. Se alguém acha que os impostos devem subir ou baixar, você pode ter uma discussão sobre isso. Mas, se alguém disser: "Não posso apertar o interruptor da luz no sábado", você diz: "Eu respeito isso". Como é possível que seja perfeitamente legítimo apoiar o Partido Trabalhista ou o Partido Conservador, republicanos ou democratas, um ou outro modelo econômico, o Macintosh e não o Windows — mas não ter uma opinião sobre como o universo começou, sobre quem criou o universo [...] não, isso é sagrado? [...] Estamos acostumados a não questionar idéias religiosas, mas é muito interessante como Richard causa furor quando o faz! Todo mundo fica absolutamente louco, porque não se pode falar dessas coisas. Mas, quando se analisa racionalmente, não há nenhuma razão para que essas idéias não estejam tão sujeitas a debate quanto quaisquer outras, exceto o fato de que, de alguma forma, concordamos entre nós que elas não devem estar. DOUGLAS ADAMS (O GENIAL ESCRITOR DA SÉRIE MOCHILEIRO DAS GALAXIAS)




Veja um exemplo específico do respeito exagerado de nossa sociedade pela religião, um exemplo realmente importante. De longe o meio mais fácil de obter permissão para ser dispensado do serviço militar em tempos de guerra é por motivos religiosos. Você pode ser um filósofo brilhante da moralidade, com uma tese de doutorado premiada sobre os males da guerra, e mesmo assim pode ter dificuldade diante dos avaliadores para ser dispensado por motivos de consciência. Mas, se você disser que seus pais são quakers, consegue fácil, mesmo que seja completamente iletrado e desarticulado quanto à teoria do pacifismo ou até quanto ao próprio quakerismo. No outro extremo do espectro do pacifismo, temos uma relutância pusilânime em usar nomes religiosos para facções de guerra. Na Irlanda do Norte, católicos e protestantes ganham os nomes eufemistas de "nacionalistas" e "legalistas", respectivamente. A própria palavra "religiões" é censurada e transformada em "comunidades", como em "guerra intercomunidades". O Iraque, em conseqüência da invasão anglo-americana de 2003, entrou numa guerra civil sectarista entre muçulmanos sunitas e xiitas. É claramente um conflito religioso — mas no The Independent do dia 20 de maio de 2006 tanto a manchete de primeira página quanto a notícia o descreviam como "limpeza étnica". "Étnica", nesse contexto, é mais um eufemismo. O que estamos vendo no Iraque é uma limpeza religiosa. Também é possível argumentar que o uso original do termo "limpeza étnica" na ex-lugoslávia tenha sido um eufemismo para limpeza religiosa, en-volvendo sérvios ortodoxos, croatas católicos e bósnios muçulmanos.6 Já chamei a atenção para o privilégio dado à religião em discussões públicas sobre ética na imprensa e no governo.7 Sempre que surge uma controvérsia sobre a moral sexual ou reprodutiva, pode-se apostar que haverá líderes religiosos dos mais diversos grupos de fiéis proeminentemente representados em comissões influentes, ou em mesas-redondas no rádio ou na televisão. Não estou sugerindo que deveríamos nos dar ao trabalho de censurar as opiniões dessa gente. Mas por que nossa sociedade corre a ouvi-los, como se fossem especialistas comparáveis a, digamos, um filósofo da moralidade, um advogado de família ou um médico? Veja outro exemplo estranho do privilégio dado à religião. No dia 21 de fevereiro de 2006, a Suprema Corte dos Estados Unidos determinou, de acordo com a Constituição, que uma igreja do Novo México deveria ser isentada de cumprir uma lei, a que todo mundo tem de obedecer, que proíbe o uso de drogas alucinógenas[TEMINHA BEM ATUAL ESTE , NÃO !] Os integrantes do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal acreditam que só conseguem compreender Deus tomando chá de ayahuasca, que contém a droga alucinógena ilegal dimetiltriptamina. Perceba que basta que eles acreditem que a droga aumenta sua compreensão. Eles não têm de fornecer provas. Por outro lado, há muitas provas de que a maconha alivia a náusea e o desconforto de doentes de câncer submetidos a quimioterapia. Mesmo assim, novamente de acordo com a Constituição, a Suprema Corte determinou, em 2005, que todos os pacientes que usarem a maconha com fins medicinais estarão sujeitos a indiciamento federal (até na minoria dos estados em que esse uso especializado foi legalizado). A religião é, como sempre, o trunfo. Imagine se os integrantes de uma sociedade de apreciadores de arte alegassem à Justiça que "acreditam" precisar de um alucinógeno para aumentar sua compreensão dos quadros impressionistas ou surrealistas. Mas, quando uma igreja alega uma necessidade semelhante, recebe o apoio da mais alta corte do país. É tal o poder da religião como talismã. Há dezoito anos, fui um dos 36 escritores e artistas convocados pela revista New Statesman para escrever um manifesto de apoio ao respeitado autor Salman Rushdie,9 então condenado à morte por ter escrito um romance. Irritado com as manifestações de "solidariedade" de líderes cristãos e até de alguns formadores de opinião laicos à "mágoa" e à "ofensa" dos muçulmanos, tracei o seguinte paralelo: Se os defensores do apartheid fossem espertos, eles teriam alegado — com sinceridade, pelo que sei — que permitir a mistura de raças era contra sua religião. Uma boa parte da oposição teria respeitosamente se afastado. E não adianta afirmar que se trata de um paralelo injusto porque o apartheid não tem justificativa racional. O grande ponto da fé religiosa, sua força e sua glória, é que ela não Depende de justificativas racionais. Recai sobre o resto de nós a expectativa de que justifiquemos nossos preconceitos. Mas peça a uma pessoa religiosa que justifique sua fé e você infringirá a "liberdade de religião". Mal sabia eu que uma coisa muito parecida aconteceria no século XXI. O Los Angeles Times (10 de abril de 2006) afirmou que vários grupos cristãos de campi dos Estados Unidos estavam processando suas universidades por adotar normas antidiscriminação, como a proibição de agredir homossexuais. Num exemplo típico, em 2004 James Nixon, um menino de doze anos de Ohio, ganhou na Justiça o direito de usar uma camiseta na escola com as palavras "Homossexualidade é pecado, islã é mentira, aborto é assassinato. Certas questões são preto no branco!". A escola disse a ele que não usasse a camiseta — e os pais do menino processaram a escola. Os pais talvez tivessem um caso aceitável se houvessem se baseado na garantia de liberdade de expressão da Primeira Emenda. Mas eles não tinham. Em vez disso, os advogados de Nixon argumentaram com o direito constitucional à liberdade de religião. A ação vitoriosa recebeu o apoio do Alliance Defense Fund do Arizona, cuja missão é "pressionar por batalhas legais pela liberdade de religião". O reverendo Rick Scarborough, apoiando a onda de ações cristãs semelhantes para estabelecer a religião como justificativa legal para a discriminação de homossexuais e outros grupos, declarou-a como a luta pelos direitos civis do século XXI: "Os cristãos vão ter de se posicionar pelo direito de ser cristãos".11 Se essas pessoas se posicionassem em nome da liberdade de expressão, haveria relutância em apoiá-las. Mas não é disso que se trata. O "direito de ser cristão" parece, nesse caso, significar o "direito de meter o bedelho na vida privada dos outros". O caso jurídico a favor da discriminação de homossexuais está sendo montado como uma reação contra uma suposta discriminação religiosa! E a lei parece respeitar a atitude. Não dá para se safar dizendo: "Se você tentar me impedir de insultar homossexuais, estará violando minha liberdade de preconceito". Mas dá para se safar dizendo: "Isso viola minha liberdade de religião". Qual é a diferença, pensando bem? A religião, mais uma vez, supera tudo.


senador Barry Goldwater em 1981, mostrando claramente a determinação com que o presidenciável e herói do conservadorismo americano sustentava a tradição laica da fundação da República:

Em nenhuma outra posição as pessoas são tão irremovíveis como em suas crenças religiosas. Não se pode arregimentar aliado mais poderoso num debate do que Jesus Cristo, ou Deus, ou Alá, ou como quer que se denomine esse ser superior. Mas, como toda arma poderosa, o uso do nome de Deus para benefício próprio deve ser usado criteriosamente. As facções religiosas que estão crescendo em toda a nossa nação não estão usando seu trunfo religioso com sabedoria. Estão tentando obrigar os líderes do governo a seguir cem por cento de sua posição. Se você discorda desses grupos reli-giosos numa questão moral específica, eles reclamam e o ameaçam com a perda de dinheiro, a perda de votos ou ambas. Estou sinceramente farto de pregadores políticos em todo este país me dizendo que, como cidadão, se eu quiser ser uma pessoa de moral, tenho de acreditar em A, B, C e D. Quem eles pensam que são? E de onde eles tiram a idéia de que têm o direito de impor suas crenças religiosas a mim? E fico ainda mais furioso porque sou um legislador que é obrigado a suportar as ameaças de todo grupo religioso que acha que tem algum direito divino de controlar meu voto em todas as votações do Senado. Hoje os advirto: vou combatê-los sem cessar se eles tentarem impor suas convicções morais a todos os americanos em nome do conservadorismo.

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