Portal Luis Nassif

Flavio Lyra.

A democracia brasileira que nasceu dos escombros da ditadura de 1964, aprovada pela Constituinte de 1988, embora de aparência saudável, já deu sinais de uma saúde frágil, com a eleição de Fernando Collor em 1889, um playboy filho da elite alagoana, acolhido por um partido político sem maior expressão, patrocinado pelo oligopólio da comunicação comandado pela Globo, nascido das entranhas do Golpe de 1964.

Seguiram-se dois mandatos presidenciais do PSDB, o último deles obtido com a compra de votos de parlamentares, e 4 mandatos do PT, o último dos quais não chegou a seu término violado por manobras dos Poderes Judiciário e Legislativo.

Durante os anos do governo Temer, sucessor do último governo do PT após um ”impeachment” (de legitimidade muito discutível) da presidente, a Constituição foi submetida a várias intervenções que lhe deformaram a estrutura com a introdução de próteses que lhe alteraram o corpo de modo marcante, em detrimento da proteção dos direitos dos trabalhadores e da capacidade do Estado para executar políticas públicas em geral e sociais, em particular.

Com o processo eleitoral em curso, as forças de direita, com a escolha de um novo Collor (em versão piorada), como candidato, têm grande chance de chegar à presidência. Em caso de vitória, a necessidade que vão ter de aplicar medidas de austeridade contra a classe trabalhadora, levará a reações que justificarão o endurecimento do regime político.

Não dá para vislumbrar a possibilidade de que um governo com características ultraliberais no plano econômico, como é o desejo das forças que dão sustentação à candidatura de Bolsonaro, possa superar a crise econômica que já está instalada no país.

O resumo da ópera é que, dando a vitória a Bolsonaro, a sociedade brasileira decretará a sentença de morte da já combalida democracia referendada pela Constituição de 1988. As nuvens negras de mais um período autoritário já se estão se formando no horizonte, sob o olhar conivente do empresariado, o desejo de segmentos da burocracia estatal e a ingenuidade dos eleitores, que caminham para o abismo com o sentimento de que estão contribuindo para mudar o país para melhor.

Brasília, 16 de outubro de 2018.

Exibições: 46

Responder esta

Publicidade

© 2018   Criado por Luis Nassif.   Ativado por

Badges  |  Relatar um incidente  |  Termos de serviço