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Lembro de ter ficado bastante intrigado quando descobri, ao cobrir a edição de 1996 da tradicional corrida de calhambeques London-Brighton, que os primeiros automóveis do mundo - basicamente carruagens sem os cavalos - eram modelos elétricos! O primeiro foi inventado em 1830. Em 1920, 90% dos taxis de Nova Iorque eram movidos a bateria, época em que todos os bondes das cidades eram elétricos também - leia mais aqui.

Pensei: "Ora, como não desenvolveram a idéia desde então?" Bem, até desenvolveram, mas meio que em segundo plano, já que os motores a diesel e gasolina eram muito mais lucrativos. O petróleo era baratinho, fácil e abundante, e coisas como poluição do ar e doenças respiratórias, denunciadas por proto-ambientalistas ao longo do século 20, eram externalidades aceitáveis pelo bem do progresso.

Pois bem, quase um século depois, voltamos ao ponto de partida. O modelo de negócio baseado em carrões movidos a petróleo sofreu um grande baque com a crise financeira americana e o carro elétrico volta a ser uma opção - desta vez, até onde eu tenho lido, pra valer. As grandes fabricantes de carros dos EUA - Chrysler, GM e Ford - abriram o bico, estão na lona, implorando mais de US$ 30 bilhões para continuarem existindo. A população americana se diz contra o empréstimo, e muitos congressistas também. Eles sabem que, sem uma contrapardida equivalente, é jogar dinheiro no lixo. Muito dinheiro. Agora, qual seria uma contrapartida justa e viável? Certamente não estamos falando da baboseira de ver os altos executivos dessa indústria recebendo salários anuais de US$ 1...

Ou essas empresas mudam pra valer, ou têm mais que ir pro buraco. Sim, porque se continuarem a tocar o negócio da forma como o fazem hoje, vão quebrar mais dia menos dia. Por que não, então, investir no futuro? Em projetos como Better Place, de um empresário israelense, que já despertou o interesse de países como Dinamarca, Austrália e Israel, além de alguns estados americanos, como a Califórnia e Havaí.

A idéia é criar uma extensa rede elétrica para alimentar os veículos por todo o país, com ênfase no transporte público. Mas quem quiser ter seu carrinho elétrico, sem problemas. Vai ser até mais fácil: você pagará pela quantidade de eletricidade que usar. E só. O carro pode ser até dado de graça. Um sistema semelhante ao que vem sendo adotado com sucesso na telefonia celular hoje. Só compra celular quem quiser algo exclusivo. A maioria, no entanto, vai adotar os modelos mais populares. Eu não compro um celular há quatro anos e ainda assim consegui ter bons aparelhos - hoje tenho um modelo smartphone razoavelmente bom. Genial, não? E o melhor: temos toda a tecnologia necessária para por esse projeto em prática.

Aí, GM, Chrysler e Ford! Querem mesmo sair do buraco? Então pensem com a sustentável cabeça de amanhã, não com a gananciosa e poluidora de ontem. Vai ser bom pra vocês e pra gente também!

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Respostas a este tópico

Caro Jorge
Laçaste uma discussão inteligente e importante que temos que ter muito cuidado para que ela siga a frente e frutifique, para tanto vamos olhar os vários lados da questão.
O uso do automóvel elétrico esbarra e esbarrou sempre na acumulação de energia elétrica, para viajarmos algumas centenas de quilômetros num carro elétrico teríamos que ter com a tecnologia do século passado uns duzentos ou trezentos quilos de baterias, baterias essas que eram de chumbo. O peso dessas baterias e o problema ambiental criado na produção e manutenção dessas têm que ser levado em conta. Posso te dizer que seguramente fosse adotado a varrer o carro elétrico como padrão teríamos hoje em dia problemas ambientais mais sérios.
Agora se falarmos de transporte urbano, fecho em gênero e número com a tua proposição, o transporte urbano, tanto o público como o privado é muito mais eficiente quando operado com veículos elétricos do que veículos a combustão interna. O para e anda do trânsito não aumenta o consumo na medida em que a frenagem pode ser convertida em energia. É enigmático que nas cidades de grande e médio porte existiam até 1960 um transporte coletivo elétrico, eficiente e não dependente de petróleo (que na época era todo importado), os nossos bondes se tivessem sido modernizados e as suas linhas enterradas no centro das cidades como um pré-metro não teríamos os problemas que temos hoje em dia.
Estou falando da realidade brasileira, mas ela pode ser replicada em qualquer parte do mundo e talvez esteja nos teus exemplos a própria resposta a tuas duvidadas, falaste do serviço de taxi e dos bondes, ou seja de serviços públicos, na segunda parte do século passado houve uma grande campanha alardeando a vantagem do privado sobre o público, só quando se torna insustentável mobilidade pública através do metro é aceita. Não se procura fiscalizar o setor público para que ele se torne eficiente, é melhor que a “mão invisível do mercado” dê a solução (mesmo que esta comprometa o futuro e o meio ambiente), logo a saída individualista e privativista parece sempre como solução.
Não sou contra ao transporte individual, principalmente em médias distâncias, se este for feito por carros elétricos ou de combustão interna não me importa (baixo impacto ambiental, é claro), mas também não podemos nos esquecer de duas coisas que todos esquecem:
Primeira – Para haver um carro elétrico a energia elétrica tem que ser gerada em algum ponto.
Segunda – A fabricação de baterias envolve a manipulação de metais pesados que causam impactos ambientais.

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Caros Debatedores,

Gostaria de tocar em um ponto, lançando alguns dados e sem fugir do tema proposto, pois acredito que precisamos aprender e saber valorizar as riquezas que temos e a nossa história do último meio século em relação as nossas soluções implantadas na área de energia no país, casos de valor e de sucesso. Como se diz, praticando a virtude nos tornamos virtuoso.

Da nossa matrix energética ainda temos de 70 a 80% proveniente das usinas hidroelétricas.

Veja essa, assisti um vídeo, em 13-11-08, dos gringos debatendo sobre cenários de cuto-prazo e longo-prazo das vantagens e desvantagens de exploração de petróleo em águas profundas da costa americano e as alternativas de energia. Quase no final do debate, aos 55 minutos (Item 14- Where to Invest), qual o exemplo de sucesso que o cara do governo Bush foi busca no mundo para seu argumentos?
A experiência das últimas décadas do Brasil, sita o sucesso do caso de biocombustível da cana de açucar e também o caso da Petrobrás com mais um sucesso de óleo em águas profundas.
Se o cidadão lá tivesse um maior e melhor conhecimento do Brasil, teria citado também a estratégia de trilhar a construção de usinas hidroelétricas nos anos 50's e 60's, estratágia de difícil decisão na época, pois o preço de pretóleo era preço de banana, como disse o Jorge henrique, que o mundo usava. Aqui o link, vídeo em inglês: Offshore Oil Panel

só para citar um dado dos gringos, nos EUA, 50% da eletricidade residencial, vem do carvão, um grande poluidor e emissor de cabono, os outros 50% vem do óleo diesel, nuclear, etc.

Com relação aos carros dos gringos, se eles próprios não acreditam nos carros deles (e o instinto humano deles tem toda razão), porque seremos nós que vamos acreditar?
Por causa dos empregos do ABC?
Assim como Detroit está se acabando, o ABC vai ter que se reiventar se quiser sobreviver, quanto mais cedo melhor, são fatos que virão, queiramos ou não, na verdade já estão por aí.

Acredito que a colocação do Rogério Maestri esclarece bem vários pontos.

Sds,

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Rogerio, a energia eletrica existente hoje já seria suficiente para suprir a demanda, desde que ela seja baseada em transporte coletivo e não individual. E uma vez que essa industria seja priorizada sobre a de combustivel fossil, a fabricação de baterias ganhará impulso, tanto na sua durabilidade quanto excelencia de material em termos ambientais/sustentabilidade.

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Caro Jorge
Infelizmente não é bem assim. A nossa produção de energia elétrica não é tão grande assim e pior de tudo, as baterias para a acumulação de energia são compostas de metais relativamente raros, níquel, cádmio e lítio, sem falar no tradicional chumbo, ou seja, para o transporte de grandes distâncias ou se utilizam combustíveis fósseis ou linhas de trem eletrificadas.
Quando se fala de sustentabilidade de um tipo de solução tem-se que necessariamente passar por um balanço energético, ou seja, não adianta olhar para um momento da produção de energia sem olhar o resto. Como exemplo, pode-se falar na produção de energia por células fotovoltaicas, e como estes geradores são feitos de silício, material extremamente abundante na crosta terrestre parece que tudo está resolvido, porém todos esquecem que para produzir silício no grau de pureza necessário para uma célula fotovoltaica se precisa muita energia. Por outro lado se esquece que é necessário armazenar esta energia para quando não se tem sol, aí vêm de novo às baterias.
O importante não é desistir de fontes alternativas de energia para o transporte de cargas e pessoas, mas acho que antes da substituição devemos pensar na racionalização do uso da energia fóssil. Com a tecnologia atual poderíamos fabricar carros híbridos com o desempenho 4 a 5 vezes superior aos carros convencionais de hoje em dia, ou mesmo carros com motores mais modernos. Se olharmos com cuidado a maio parte dos veículos nacionais rodam com motores projetados nas décadas de cinqüenta e sessenta, completamente obsoletos. Se estes motores fossem mais modernos teríamos uma economia de no mínimo 50% de combustível, mas como não olhamos para isto, nada acontece.

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Rogério, eu tinha a mesma visão até ver o documentário Quem Matou o Carro Elétrico e de ler alguns textos sobre baterias. Existem modelos altamente potentes e que, corretamente descartados, têm baixissimo impacto no meio ambiente, porque totalmente reciclaveis...

Mas admito que a hipotese mais viavel deva ser mesmo a dos carros hibridos. Mas por pouco tempo, já que o caso de 'emissao zero' vai em breve se tornar imperativo para evitarmos as pioores consequencias do aquecimento global...

abs!

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Jorge,
E o carro a ar comprimido?
http://www.mdi.lu/english/

Marroni

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Marroni,

Esse eu não conhecia.

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Caro José
Para um carro funcionar a ar comprimido, o ar tem que ser comprimido, para tanto precisa energia, é semelhante a um carrinho de corda que existia no passado, tínhamos que dar corda para andar.
A "vantagem" do carro a ar comprimido é que ele leva para longe dos centros urbanos a poluição agindo da forma "O que os olhos não vêem o coração na sente”.
Olhei o site que recomendaste e se olhares com cuidado a vantagem principal alardeada pelo fabricante é que o carro é mais fácil de fabricar, entretanto ele não fala nada da geração e distribuição do ar comprimido!

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Olá,

postei ontem um documentário exatamente sobre este tema. O filme tem o nome de "Quem matou o carro elétrico \ Who killed the electric car".

Conta toda a história do desenvolvimento nos anos 90 de um carro elétrico pela GM, nos Estados Unidos, e como por diversos fatores na época o projeto foi abortado. Os carros foram disponibilizados pelo sistema de leasing.

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vi esse documentario outro dia e é impressionante como as grandes corporações cagam e andam para o bem-estar das pessoas... o deus mercado é um dos mais vis da humanidade...

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No meu primeiro emprego na Mendes Junior em JdF trabalhei com com uma pessoa que hoje considero um dos meus melhores amigos.
Tive a oportunidade de conhecer o irmão dele que foi o inventor de um motor ecologico.
Encaminho um blog para consulta dos membros do Blog do Nassif .: http://litereartbrasil.blogspot.com/2007/12/motor-ecolgico-antnio-p...

Feliz 2009 à todos

Zimbra

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