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AFETIVIDADE NA SALA DE AULA - Reflexões para o dia do Professor. Por Paulo Cosiuc

Cada indivíduo, homem e mulher, luta por sua existência, buscando concretizar os seus objetivos de vida através de atos livres, conscientes e racionais, construindo a sua história. Ao mesmo tempo, participa de um processo amplo, com todos os homens e mulheres, construindo, o que podemos chamar de, história da humanidade. Nesse processo de relações sociais, os indivíduos podem estabelecer laços de afetividade, cooperando e trabalhando juntos na busca do bem comum ou laços de conflito, buscando salvaguardar os seus interesses individuais.

1 – A AFETIVIDADE NO PROCESSO EDUCACIONAL

O texto desenvolve, com relevância, a questão da afetividade nas relações professor (a) – aluno (a). Podemos dizer que da mesma forma que ocorre na sociedade, cada vez mais globalizada, onde as duas atitudes, cooperação e competição, se opõem, ocorrem num universo menor que é a Escola (Educação).

Não se pode negar que a Educação é um ato político e que a aprendizagem é social. Aprende-se nas relações com o mundo físico, social, cultural em que se está inserido e na convivência diária entre os (as) alunos (as) e entre estes os professores (as). No contexto da Escola, o professor (a) deve ser o mediador na busca da construção do conhecimento e os laços de afetividade entre ele (a) e os seus alunos (as) são fundamentais para o processo de aprendizagem dos alunos (as).

2. O PAPEL DA ESCOLA NO MUNDO ATUAL

O nosso mundo vive os efeitos da Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, em meados do séc. XVIII, tomando impulso no final deste século e início do séc. XX, expandindo-se por inúmeros países, na Europa e nos outros continentes. Vivemos sob a égide da sociedade industrial capitalista, cada vez mais competitiva e individualista. O crescente e vertiginoso processo de crescimento tecnológico e sua expansão levam a uma concorrência, cada vez mais intensa, entre indivíduos, empresas, nações. O bem comum é relegado a um plano secundário. E nesse contexto que a Escola se insere.

É evidente que pesquisa e ensino não podem caminhar separadamente, sendo esta o ponto de partida para a Educação e tendo um papel relevante. Inúmeros pesquisadores e estudiosos das teorias educacionais se debruçam em estudos criteriosos para estabelecer o que é pesquisa e qual o seu papel no processo de Educação. Mas pesquisa e conhecimento científico não são as únicas pilastras deste processo. Inúmeros educadores tem voltado suas atenções para a questão da afetividade na Escola nas relações professores (as)/ alunos (as) e suas influências no processo de aprendizagem, preocupando-se com as questões ética, morais, sociais e outras.

Também, não podemos esquecer que Educação é um ato político. Nesse aspecto,podemos educar para “guerra” ou educar para “paz”.

2.1. EDUCAR PARA A “GUERRA” é educar para o individualismo, para dominação, para exploração, para reproduzir o sistema. A Educação é transformada num ato de mera transferência de conteúdos pronto e acabado, reprodutor do sistema de dominação e exploração. O professor (a) é o dono (a) pleno (a) do saber científico que transmite para os alunos (as) que são seres passivos, meros receptadores do conhecimento científico e tecnológico que irá capacitá-los para a disputa por uma vaga no mercado de trabalho, para o sucesso, para a exploração do outro, para um possível enriquecimento.

Não existe a menor preocupação com a formação ética, moral, social, afetiva, cidadã. O importante é ser um vencedor, não importa por quais caminhos.

2.2. – EDUCAR PARA A “PAZ” é educar para a liberdade, para o exercício da cidadania, consciente e responsável, para ser sujeito do processo educacional, para construir o seu próprio conhecimento, sem, no entanto, deixar de lado conhecimento científico e técnico para sua capacitação profissional. Entender que o conhecimento é fruto da ação de todos os homens e mulheres nas suas relações entre si e nas relações com o meio. Portanto, o conhecimento se constrói da ação individual e coletiva, ao mesmo tempo. Educar para a “paz” é dar condições ao aluno (a) para desenvolver um espírito crítico e a capacidade afetiva para participação consciente e cidadã no processo de transformação da sociedade e na luta em defesa do bem comum e implantação de uma saciedade igualitária e justa.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Educação, no Brasil, passa por um momento significativo e difícil. De um lado tempos a mercantilização da Educação, transformada em mercadoria, com crescente proliferação das IES com fins lucrativos (autorizadas a funcionar após a LDB de 1998). As Escolas, principalmente as IES tem se transformado em verdadeiras “fábricas de diplomas”. A única preocupação é transmitir um conteúdo técnico-científico que prepare o aluno (a) para a “guerra”, isto é, a disputa por uma boa e compensadora vaga no mercado de trabalho.

Por outro lado, vivemos a discussão e preparação para aprovação pelo Congresso Nacional o novo PNE. Os setores progressistas da sociedade brasileira, em diversas instanciais, têm discutido e levantado algumas bandeiras importantes: educação pública gratuita e de qualidade, para todos; melhoria das condições de trabalho e de salário para os professores (as); elaboração e aprovação de um Plano Nacional de Educação para regulamentar e fiscalizar as IEs públicas e privadas, em todos os níveis e outras. Nesse sentido luta-se por uma Educação para a “paz”, preparando o (a) profissional competente e o cidadão (ã).

Desenvolver um modelo de Educação informativa que transmita os conhecimentos científicos e técnicos necessários para a capacitação profissional do aluno (a) e, por outro lado, uma Educação formativa que prepare cidadãos (ãs) críticos e atuantes na sua comunidade, na comunidade nacional e na comunidade global. Solidariedade, respeito às diversidades, responsabilidade com o meio ambiente, participação coletiva na solução de problemas da comunidade é o que se espera de cada aluno (a).

Para que este modelo de Educação possa se efetivar é extremamente relevante a adoção nas IEs de um modelo de gestão adequado e comprometido com uma Educação verdadeiramente democrática e que promova o desenvolvimento global da Nação.

Paulo Cosiuc

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Respostas a este tópico

Silvana,

uma de minhas maiores preocupações é  a mercantilização da Educação,é tanto, que se desencadeia na medicina de forma monstruosa. 

excelente texto!

abraços e quando for em Campinas vamos repetir o almoço.

Oi, Stella. Tb é esta minha preocupação.

Quando vier por aqui, avise. abraços,

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