Trago hoje ao debate um problema que enfrentamos diariamente quando nos alimentamos. Trata-se do nosso envenenamento pelo consumo de agrotóxicos.
As lavouras de todo o Brasil são contaminadas com grande quantidade de agrotóxicos. Nosso país desde 2009 ocupa a posição de campeão mundial em consumo de agrotóxicos.
Os agrotóxicos contaminam a produção dos alimentos que comemos e a água (dos rios, lagos e os lençóis freáticos) que bebemos! E não para por ai, todo o meio ambiente e todos os seres vivos estão expostos a esta contaminação.
Os agrotóxicos causam uma serie de doenças muito sérias, que atacam os trabalhadores rurais, as comunidades rurais e toda a população, que consome os alimentos contaminados.
A culpa é do agronégocio! Esse é o nome dado ao modelo de produção agrícola que domina o Brasil e o mundo. Esse jeito de produzir se sustenta nas grandes propriedades de terra (latifúndio), uma grande quantidade de maquinas (que levam a expulsão das famílias do campo e a superpopulação nas cidades), muito lucro para grandes empresas (Monsanto, Syngenta, Bayer, Basf, Dow, Novartis, DuPont e Nufarm) e na utilização de enormes quantidades de agrotóxicos produzidos por estas empresas.
Mesmo que os cientistas prostitutos digam que não é possível produzir alimentos de outra maneira, isso definitivamente não é verdade. O fortalecimento da agricultura familiar e camponesa através da reforma agrária, o avanço das políticas educacionais para o homem do campo e a transição agroecologica nas lavouras podem nos garantir a soberania alimentar.
No dia 08 de abril houve uma manifestação, onde diversos movimentos populares marcharam pela esplanada dos ministérios com destino ao congresso nacional fazendo diversas reivindicações, dentre elas: leis que promovam a imediata redução na comercialização e consumo de agrotóxicos no Brasil e que acelerem a tão esperada reforma agrária.
Estamos em uma campanha permanente para fazer com que nossos direitos básicos sejam respeitados. A terra pertence aos produtores, que tem direito a qualificação e que se recusam a usar agrotóxicos para competir nesse infernal mercado.
 
Texto baseado no material informativo da campanha nacional permanente contra os agrotóxicos.
 
 

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Respostas a este tópico

Oi Maestri,

Desculpa por insistir nisso, mas eu gostaria de saber a fonte dos seus dados.

Olha só os dados do IBGE disponíveis na revista época em 01/06/2011:

“Além de conter 20% do bioma Cerrado, a região abriga todo o bioma Amazônia, o mais extenso dos biomas brasileiros, que corresponde a 1/3 das florestas tropicais úmidas do planeta, detém a mais elevada biodiversidade, o maior banco genético e 1/5 da disponibilidade mundial de água potável, informa o IBGE. O objetivo do instituto é concluir mapeamento semelhante ao da Amazônia Legal para todo o País até 2014.”

1/5 = 20%

Nina,

 Eu não ia comentar nesse tópico, pq entendo muito pouco do assunto. Mas depois do post do Militão a respeito da Fersol, andei dando umas sapeadas e acho q vou arriscar um pitaco.

 Começo com uma observação: lá atrás, vc chama alguns cientistas de "prostitutos". Eu protesto. Prostitut@s vendem o que é seu, e, em tese, não fazem mal a ninguém. Podem até transmitir DST, se @ cliente não for cuidados@, mas é um outro problema. O que existe, na verdade, é uma parcela de cientistas mercenários, que fazem qualquer coisa por dinheiro. Prostitut@s podem ser mercenári@s também, mas não se pode imputar a uma classe esse epíteto.

 Voltando à vaca fria: vivemos em um país capitalista, em um "mercado global" capitalista. Se é capitalismo pós-fordista ou cognoscivo isso não faz a menor diferença pro agronegócio, que continua extrativista, monoculturalista, latifundiário e, principalmente, usuário intensivo de defensores agrícolas, agrotóxicos, venenos ou quaisquer outros nomes que se queira dar. E é uma força econômica importante, e por conseguinte, uma força política poderosa no quadro brasileiro. É o mundo que sonhamos? Não, pelo menos do ponto de vista meu, seu e, acredito, do Maestri. Sim, do ponto de vista do Sebastião e do Emilío. Têm direito a essa opinião, assim como nós temos a nossa.

Pra ser lucrativo, que é a base da empresa capitalista, o agronegócio precisa ser competitivo. Ser competitivo não significa apenas extrair o máximo em menor tempo possível com a menor perda possível e com o menor custo possível, mas também ter condições de transporte, armazenamento e distribuição otimizados. Essa última parte, a criação da infraestrutura, nosso capitalismo "esclarecido" sempre jogou nas costas da viúva, como diz Josias de Freitas. Que por sua vez depende da iniciativa privada, historicamente corrupta e corruptora, para construção de estradas, portos, silos e assim por diante. Sem falar dos privilégios da indústria automobilística, o sucateamento das ferrovias, a não implantação das hidrovias, o sucateamento da navegação de cabotagem.... a lista é longa.

 Então, sobra o quê? Maximizar a produção. Isso implica sim, necessáriamente, na utilização de defensivos agrícolas ou de transgênicos. A agricultura "orgânica" é mais cara, menos produtiva, mais sujeita a riscos, menos lucrativa. Recentemente, um agricultor orgânico teve sua safra infectada (a palavra é essa mesmo, explico depois) por transgêncios, e perdeu o incentivo. Fechou o buteco, simplesmente. Outro, que aconteceu a mesma coisa, vai tentar só por mais um ano. Supor que é possível manter os níveis de safra atuais ao custo atual com agricultura orgânica, perdão, é ingenuidade. E esses níveis são importantes, quer para a alimentação do povo brasileiro, quer para o mundo todo.

 Então vamos falar sobre defensivos agrícolas. Existe algum que seja "inofensivo"? Não, não existe. Todos eles são venenos. De uma forma ou de outra, agridem o meio ambiente, agridem o homem, agridem o produtor rural. Uns mais, outros menos, mas todos agridem. Dizer que os neonicotinóides são "melhores" que o metanidofós é, bem, assim como perguntar qual é o sabor do veneno que vc prefere: menta ou tutti-frutti?

 Então restaria a solução da engenharia genética. O Emílio tem em parte razão quando diz que nenhum cientista sério é contra transgênicos. Em princípio sim, ninguém é contra a engenharia genética, a não ser fundamentalistas religiosos. Mas existem restrições. Os efeitos dos trangênicos na população nativa, no solo, assim como o efeito da ingestão dos alimentos transgênicos ainda estão sendo avaliados, e talvez só após algumas décadas possamos observar o que realmente acontece. Basta ver o que aconteceu com os campos de canola transgênica na Inglaterra, chamados de "campos de silêncio".

 E aí vem o lado perverso da história, o que deixa a gente entre a cruz e a cadeirinha. Tanto defensivos agrícolas quanto transgênicos são patenteados. Isso significa que são empresas controladoras de royalties que determinam o preço, até eventualmente a própria produção. Se eu compro uma semente transgênica da Monsanto (teoricamente estéril), eu não posso usar parte da produção para replantio. Tenho que comprar de novo a semente. Se a Monsanto subir o preço (pq agora é semente "ultra mega blaster advanced plus", seja lá que p* isso signifique), eu sou obrigado a baixar a cabeça.

 É um pouco o que aconteceu com o metanidofós. A Bayer produzia, a patente caducou e virou genérica, a indústria nacional começou a produzir, a Bayer extinguiu sua produção, introduziu os neonicotinóides, aprovados a toque de caixa, agora a ANVISA proibiu o metanidofós. obrigando o fim da produção em seis meses (se vcs não tiverem idéia do que isso significa pra uma planta industrial, só lembrar que entre o final da construção da fábrica de vacinas do Butantan e o início da produção de vacinas demorou três anos), e obrigando o atrelamento da produção a um novo defensivo agrícola patenteado e mais caro, e que já foi proibido na Alemanha e na Itália. Estranho? Bota estranho nisso...

Oi Mario Abramo,

Olha, agradeço muito por você ter decidido dar sua opinião aqui e com uma postagem tão rica, o objetivo do meu e do tópico não impor uma verdade absoluta e sim debater sobre as muitas verdades que se apresentam.

Acato seus argumentos sobre o uso talvez indevido da expressão “cientistas prostitutos” por entender que essa classificação não cabe a homens desse tipo, mas justifico o uso da expressão como apelo que fiz na tentativa de chamar a atenção para a inversão de valores que é a apropriação e usufruto da ciência pelo capital.

Mario eu sei como funciona o modo de produção capitalista, sei que precisam e preferem maximizar lucros em detrimento a tudo e a todos, só que sei também que este modo de produção assim como o próprio capitalismo não se reciclaram para sempre por serem insustentáveis e as alternativas que existem e que pretendem substituir o sistema capitalista merecem desde já serem estudadas e aplicadas.

Concordo totalmente ou parcialmente com todo seu post, com exceção dessa parte aqui:

“A agricultura "orgânica” é mais cara, menos produtiva, mais sujeita a riscos, menos lucrativa”

Produzir alimentos de maneira agroecologica pode ser mais barato e mais lucrativo a curto médio e longo prazo, principalmente por que poupa investimentos em insumos e em recuperação de áreas que deixam de ser degradadas. Em muitos casos a produção agroecologica supera em quantidade a produção convencional. No mais quando falamos em transição agroecologica de uma propriedade rural, estamos falando de um processo que tem data para começar mas não para acabar, estamos falando de um processo que pode variar em tempo e resultados de um lugar para outro, mas estamos falando de um processo que já acontece em muitos sítios e chácaras pelo Brasil.

Eu não diria que a Agroecologia ou mesmo a produção de orgânicos são atividades mais caras, acredito que elas exigem mais estudos de quem que se propõem a realiza-las. Por exemplo, sei que não é mais fácil aplicar o “defensivo agrícola” do que fazer um mapeamento para descobri qual inseto esta atacando a lavoura, quantos são estes insentos, quem é a praga mestra, quais são seus repelentes naturais dentre os animais e vegetais, que tipo de desequilíbrio esta havendo, como planejar e manejar um agroecossistema etc...

 

O Comitê do Rio de Janeiro da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e pela Vida convida para o lançamento do mais novo documentário de Silvio Tendler: “O veneno está na mesa”.

O filme mostra o perigo a que se está exposto por conta do emprego de agrotóxicos na agricultura, e como este modelo beneficia as grandes transnacionais do veneno em detrimento da saúde da população.

A exibição será no dia 25 de julho, segunda-feira, às 20h, no Teatro Casa Grande.

Depois da exibição do filme (50 min), haverá debate com a participação do diretor, de Letícia Rodrigues da Silva, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e Alexandre Pessoa, da Fiocruz.

A mediação será feita pela agrônoma Nívia Regina, do MST-Via Campesina, e integrante da coordenação nacional da campanha.

Sinopse

O Brasil é o país do mundo que mais consome agrotóxicos: 5,2 litros/ano por habitante. Muitos desses herbicidas, fungicidas e pesticidas que consumimos estão proibidos em quase todo mundo pelo risco que representam à saúde pública.

O perigo é tanto para os trabalhadores, que manipulam os venenos, quanto para os
cidadãos, que consumem os produtos agrícolas. Só quem lucra são as transnacionais que fabricam os agrotóxicos. A idéia do filme é mostrar à população como estamos nos alimentando mal e perigosamente, por conta de um modelo agrário perverso, baseado no agronegócio.

A entrada é franca.

Esse evento faz parte das comemorações dos 45 anos do histórico Teatro Casa Grande que terá, a cada mês, sempre às 20h, uma palestra sobre temas do Brasil e de nossa inserção no mundo.

Não é necessário inscrição prévia: é só chegar antes da hora do início e aproveitar para visitar, no local, a pequena livraria da Editora Expressão Popular (www.expressaopopular.com.br). Estacionamento, PAGO, no Shopping Leblon.

O Teatro Oi Casa Grande (http://oicasagrande.oi.com.br/) fica na Rua Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon.

Organização

Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida - RJ

Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF – http://amigosenff.org.br/site/),

Instituto Casa Grande (ICG – http://institutocasagrande.wordpress.com/)

Jornal de Cultura e Política Algo a Dizer (www.algoadizer.com.br), que está publicando as transcrições das palestras na íntegra.

Esta será a sexta palestra do ciclo que teve o professor Emir Sader em março, João Pedro Stédile, dirigente do MST, em abril, o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães em maio, Aleida Guevara em junho e, dia 18 de julho, o reitor da UFRJ Aluísio Teixeira.

 

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