Aê, people que mandou mensagens ternas e tocantes de boas festas e mucha platita em los bolsillos de zz&zz... Foi bom pra nous, e pra vous?
Mas pensando na retribuição, tarefa difícil quando se transita num portal de pobretões (o que dar pra quem não tem nada? quaquá!), zouzou resolveu exumar uma velha prática que foi moda tempos (séculos?) atrás, tipo alfabetário (no fundo, pretexto pra catar dondocas ginasianas), tipo A=amar você (uiiii); B=beijar você (hummm); C=casar com você (é, pintava essa)... Cafoninha, mas funcional, com a vantagem de fazer passar mais depressa a chatice da aula de química ou moral e cívica, e a desvantagem de segundas-épocas, pau, choro e ranger de dentes. Não há bem que não venha pro mal.
Mas dá pra mandar um cartão de bonne fide a todos os blogueiros amigos e (ex)inimigos. Porque paz na Terra, blablablá, certo? Então vai, e é só o que vai, que aqui todos os amigos são secretos. Kisses. (E vai em Energia, no fundo tem nada a ver!, mas não enche o saco de nobody).


Arte – e alegria; recusar terminantemente (ou aceitar por delicadeza e atirar na lixeira mais próxima) folhinhas/calendários de farmácias, padarias, açougues e qualquer estabelecimento useiro em empurrar “brindes pombo” à clientela. Se vai passar o ano todo olhando a bagaça, aguardando datas com ansiedade ou terror (caso de zouzou com contas a pagar), melhor fazer um pequeno investimento e adquirir um calendário “belo”, seja qual o critério, seja de pinturas impressionistas ou de pets fofos, mas algo pra se olhar com prazer, a permitir fazer anotações à margem, tipo lembretes ou maldições (“Preciso escrever elogiando zezé!!!”, ou, “Mandar zezé à pqp!!!”). Terapia doméstica, diária e sabidamente relaxante.

Beleza – discutir diariamente com o espelho mentiroso. “Que rugas, fdp?!”, “Engordando o cacête, imbecil!”, “Essas olheiras? Charme intelectual, analfabeto!”. Mande o espelho à merda e encontrarás alívio eterno. Quebre-o em mil estilhaços e terás 7 anos de tranquilidade.

Chorar – exercício necessário, estimulante e terapêutico. Seja bofe ou sister, chorar um pouquinho todos os dias; pelo ET que diz “Come with me!”, pelo molequinho que responde “Stay!”, por Julieta dos Espíritos, por um amor impossível, por um ódio possível, pela humanidade, pela natureza, pela infinita desgraça de cada dia e pela infinita esperança a trafegar num raio de sol ou num olhar de criança. Aprender a chorar pra saborear a plenitude do riso. Na alegria e na tristeza, a furtiva lágrima é indispensável.

Deus – crer com fervor na inexistência de deuses e ao mesmo tempo apostar todas as fichas nas divindades que modelaram o barro e executaram o boca-a-boca em Michelângelo, Bach, Händel, Beethoven, Cervantes, Van Gogh, Bakunin, Jack Kerouac e Jackson Pollock. A arte, a política, a humanidade exercita sua consubstanciação nos elementos químicos e na suprema arte de saber (se) sonhar e (se) interpretar (e realizar) sonhos, transferindo a culpa aos deuses. Pagaremos, eles pagarão ainda mais por nós e por eles. Somos o inferno de Deus.

Escolhas – com impávida determinação, mesmo se amaldiçoar a escolha dia seguinte. A única certeza certa é a incerteza das escolhas duvidosas. Em dúvida, decida! Pelo pior, pelo melhor, pela ventura ou desgraça, por Deus ou o Diabo, fazer escolhas e pagar o pau, comer o pão que o Diabo amassou, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Ainda que pra vangloriar-se no apito final: “Fui, vi, me f... Mas na boa; na próxima escolho pior!”. Quáquá!

Futebol – matéria de transcendental relevância, já que ante a prevista ausência de Lulalá há que seguir a arder cá a chama do populorum animus pronobis verboscum; e que os deuses de todas as esferas e os tambores de todas as arquibancadas celebrem o santificado pacto de levar o Gavião às alturas celestes per seculum seculorum. Itaquera será a capital maloqueira do capital internacional investido em festim tetranal, a presenciar evoluções de destacadas de porta estandartes junto a alas de flanelinhas cantando cambistas, punguistas e cachaceiros. Tremei, morumba!

Geografia – transtornada por pneus incendiados, latifúndios violados, edifícios ocupados, morros em alerta e cidades em pânico. O desbarrancamento da natureza por conta do crime de administradores cevados na preguiça e na ganância inundará as avenidas e alagará os redutos automobilizados. Flagelados e nababos ombreados na desgraça da guerra urbana quando se exaurirem os espaços para conter o êxodo dos escravos das calamidades diárias.

História – seguirá em sua movida noturna alimentando-se de carne e sangue humanos, pisando o acelerador e sobrepondo lenha nas caldeiras, a atravessar vales bucólicos e despenhadeiros ferozes, balançando, jogando, atirando desavisados por portas e janelas, mas jamais descarrilhando em curvas fechadas ou túneis tenebrosos. Última parada: a Estação do Sorriso do Gato de Alice.

Ira – em Belfast como aqui há que preservar a santa ira em doses maciças, temperada por doses de ironia e a serenidade das artes. Jamais abandonar a ira e jamais afrontar a ira, porque a paz dos senhores do futuro terá a ira por alicerce.

Juventude – ou jatos, ou jactâncias fúteis celebratórias da velocidade supérflua, da pressa em chegar ao desastre, da prepotência da tecnologia a serviço do nada. A destruição da paisagem perdida em ultrapassagens difusas, o derretimento do cenário, do olhar especulativo, do pensamento reflexivo. O Air Force One nacionalizado, o vestibular, a corrida de ratos, o endividamento precoce, a alienação do mundo a 12 mil metros de altura, de onde se despenca em velocidade supersônica por falta do combustível vital: o sonho de alta octanagem.

Kuarup - troncos kuarup, reentalhar Ruy Guerra, Guarnieri, Boal, Paulo Freire, Torquato, Wally, Oiticica, Zé Agripino, Leminski, Piva, Orlando e Cláudio Villas Boas, Nelson Rodrigues, João Saldanha, Plínio Marcos, Wesley Duke, Luís Antônio Martinez Correia, Leon Hirzman, Glauber Rocha, José de Alencar, Gonçalves Dias, e todos os que meteram mãos e pés no caldo primordial da cultura ebulicionista brasileira, pagando o custo em saude, sanidade, vidas. Dezenove troncos crus, sem entalhe, plantados feito paliçada humana num barranco de Eldorado de Carajás. Não falar com as mulheres na primeira noite de Lua Cheia de maio, quando os paus retornarão à vida. E haverá festa aqui como em Xingu ao ressuscitar de todos os poetas.

Leaks – poetas, seresteiros, namorados, correi; é chegada a hora de escrever e cantar, talvez as derradeiras noites de luar... Transparência absoluta das almas opacas. Todos saberão de tudo, mas quem saberá o que fazer com tanto saber?

Mônada – e a percepção de cada qual sobretudo sobre o todo dado pela percepção de gigabites num oceano de perspectivas. A mônada e a projetada manada da entropia ciber eletronicamente abastecida por si e em si. A Lua será uma placa e o poeta não saberá fingir dor.

Nonada – um homem alquebrado diz ao filho que a titilação das estrelas não equivalem a um dia de lida de um boi, como o boi Aquiles que escolheu jogar-se contra as presas peçonhentas do urutu a uma vida medíocre em pastos e ruminações sempre com a canga ao cangote e o aboio zunindo nos ouvidos cansados. O filho aproximou-se do homem, com muito cuidado, precavendo-se de não se contagiar da loucura do pai, e lhe segredou: “A partir de hoje não acato nem a vosmecê nem ao padre eterno”. E saiu a construir uma arca, á espera do dilúvio.

Ora pronobis – que amanheceremos 2011 sem haver fechado devidamente o balanço de 2010; e pensando bem, nem de 2009... nem de 1953.

Pinturas – uma aquarela de um aquarelista chinês ideogramando um regato e um tufo de bambú em sugestão minimalista de traços econômicos, água forte light, predomínio do cinzento sobre o preto e o branco, branco que não é fundo porque não existe o desenho, mas uma insinuação de traços conotando uma folha verde (sempre em cinza), um torvelinho na água causado por um cisco largado por uma libélula, uma lufada de vento transcrito em um borrão cinza. Não é um desenho, são fotogramas moventes nos quais as pinceladas não interferem nem congelam. Há movimento porque os traços econômicos se movem sem parar. Uma tela de um trigal europeu com um cipreste ao fundo e um sol ofuscante no céu cheio de redemoinhos azulados. Tudo é amarelo, até o azul é amarelo; e tudo ondula, balança, rebola, enlouquece sob nossas vistas. Nosso filme coletivo, nossa loucura congênita.

Quasímodo – recuperando a letra anterior, que deveria remeter a “platônico”. O não-concreto, o não-poss(u)ível, o não-desejável. A fidelidade implacável da contemplação muda, calada ou barulhenta. O campanário que vibra na audição de Deus, mas não sintetiza a tese do desejo. O campanário é santuário, precisa ser. Será.

Road movie – o lar do desajuste, a cine-veritá em marcha, o troca-troca de cenários, rostos, emoções, os bares de estrada e os porres renitentes. Passar por cima da pedra no meio do caminho ainda que fure o pneu ou o solado do tênis florido-colorido-eternamente young. Um sentinela postado na casamata da colina de Hebron sabe que está longe de casa e sabe que vai disparar na cabeça de alguém que está dentro de sua própria casa. As casas se confundem, se fundem e se dissolvem no lancinante momento do aperto no gatilho e no frisson de ver miolos recobrindo paredes mal rebocadas, furadas de balas. Quem parte esquece o caminho de volta. Quem fica não sabe do tesão em partir.

Sexo – qualquer maneira valerá. Valerá? Zouzou acha que certas maneiras atentam contra a segurança pública, mas zouzou é puritana, apesar de declarar voto em qualquer político que professe a política do sexo (e o sexo na política). O estatuto do projeto-lei deve portanto estabelecer inequivocamente que estarão abolidos o sexo sem amor, o amor sem sexo e o sexo sem plexus e nexus. Inciso único: “Não existe sexo seguro”.

Tucídides – a verdade absoluta e a verdade relativa, as versões e o julgamento da História. Tucídides gênio, ghost writer de Péricles, prefeito honorários de todas as cidades: “Resumindo, afirmo que a cidade toda é escola da Grécia, e me parece que a cada cidadão dentre nós poderia se tentar nos mais variados aspectos uma vida completíssima com a maior flexibilidade e encanto. E que estas coisas não são jactância retórica do momento atual, senão a verdade dos fatos, o demonstra o poderio da cidade, o qual temos conseguido a partir deste caráter”.

Utilidade – relativa, essencial ou supérflua, a utilidade nunca é absoluta, cabal, irreversível. O que é útil se torna inutilidade no instante em que se impõem outros fatores determinados por novas técnicas, tecnologias, desejos, necessidades. Zezé trabalhou orgulhosamente como operadora de telex, dominadora do saber limite em enviar mensagens internacionais de modo instantâneo mediante fitas perfuradas. Sentia-se personagem de filme de Frank Capra, com aquelas maquinetas com um vidro esférico enviando índice de Wall Street ou avalanches nos montes Apalaches. Um operador de telex é hoje o equivalente a um enxugador de gelo, ou um radiotelegrafista, ou um revisor de textos, ou um ser humano qualquer.

Vagabundo – espantosa unanimidade entre cronistas esportivos, torcedores uniformizados são invariavelmente vagabundos, seja sob critérios de Datena ou Juca Kfouri, Flávio Prado ou Tostão. Quando há uma manifestação de torcedores contra jogadores e clubes, a observação/reação (o insulto) é imediata: “O que fazem esses vagabundos a essa hora do dia nas arquibancadas? Por que não estão trabalhando?”. Zezé sempre se pergunta se cronista esportivo é trabalhador, mas parece que sim. São “jornalistas”. Apesar de jornalista ter obrigação de supor que existam férias trabalhistas, desempregados, gente no seguro, estudantes, sujeitos “matando” o serviço, sujeitos que não querem trabalhar por variadas razões, ou cujo trabalho permite uma folga pra ir ao campo xingar jogador. Vagabundo, no fundo, é o cronismo esportivo.

William – versão saxônica de Guilherme, por absurda que pareça a aproximação linguística. William Tell, William o Conquistador, William Shakespeare, William Blake, William Holden, Williams da F-1, William Bonner (quaquá!)... Todos simples Guilhermes, ou Guillermos ibéricos, nada míticos, ou houve algum Guilherme de destaque por aqui? Guilherme de Almeida? Hum... mezzo a mezzo... Guilherme de Figueiredo? Putz! Não! Zezita lembrou! Guilherme dos Anjos!!!... Não, era Augusto, quaquá!

XPTO – sem intenção de encher linguiça nem passar batido, mas alguém afinal sabe que diabo é isso?!

Zerar – entonces é isso. Zerar tudo que toda virada (inclusive de annus, segundo os romanos) tem lá sua magia e mistério. ZZ & ZZ neste verbete Z zeram, unilateralmente e incondicionalmente. Zerar mágoas, rancores, dívidas (é recíproco, viu, safados!), dúvidas, divididas e tudo o que signifique transpor do último dia para o primeiro carregando a carga de tralhas inúteis que implicou em mordacidades, sarcasmos, xingações e raivas. Deixam tudo pro Assenge e que faça bom proveito. Pode vazar, em todos os sentidos. Feliz tentativa em ser feliz em 2011, só porque somos cabeçudos e no fundo tutti buona gente.

Valeu! Hasta la vista e PT saudações.

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Respostas a este tópico

Em alpha.

No rescaldo das festividades, ceder la parolle aos que sabem manejá-la, oui? enquanto se processam as rabanadas, os engoves e toda a mistureba. Sarau da zezé (será que ela é?...).

"Então ocorreu o que não posso esquecer nem comunicar. Ocorreu a união com a divindade, com o universo (não sei se estas palavras diferem). O êxtase não repete seus símbolos; há quem tenha visto Deus num resplendor, há quem o tenha percebido numa espada ou nos círculos de uma rosa. Eu vi uma Roda altíssima, que não estava diante de meus olhos, nem atrás, nem nos lados, mas em todas as partes, a um só tempo. Essa Roda estava feita de água, mas era também de fogo, e era (embora visse a borda) infinita. Entretecidas, formavam-na todas as coisas que serão, que são e que foram, e eu era um dos fios dessa trama total, e Pedro de Alvarado, que me atormentou, era outro. Ali estavam as causas e os efeitos e me bastava ver essa roda para entender tudo, interminavelmente. Oh, felicidade de entender, maior que a de imaginar ou a de sentir! Vi o Universo e vi os íntimos desígnios do universo. Vi as origens narradas pelo Livro do Comum. Vi as montanhas que surgiram na água, vi os primeiros homens com seu bordão, vi as tinalhas que se voltaram contra os homens, vi os cães que lhes desfizeram os rostos. Vi o deus sem face que há por trás dos deuses. Vi infinitos processos que formavam uma só felicidade e, entendendo tudo, consegui também entender a escrita do tigre.
É uma fórmula de catorze palavras casuais (que parecem casuais) e me bastaria dizê-la em voz alta para ser todo-poderoso. Bastaria dizê-la para abolir este cárcere de pedra, para que o dia entrasse em minha noite, para ser jovem, para ser imortal, para que o tigre destruísse Alvarado, para afundar o santo punhal em peitos espanhóis, para reconstruir a pirâmide, para reconstruir o império. Quarenta sílabas, quatorze palavras, e eu, Tzinacan, regeria as terras que Montezuma regeu. Mas eu sei que nunca direi estas palavras, porque eu não me lembro de Tzinacan.
Que morra comigo o mistério que está escrito nos tigres. Quem entreviu o universo, quem entreviu os ardentes desígnios do universo não pode pensar num homem, em suas triviais venturas ou desventuras, mesmo que esse homem seja ele. Esse homem foi ele e agora não lhe importa. Que lhe importa a sorte daquele outro, que lhe importa a nação daquele outro, se ele agora é ninguém? Por isto não pronuncio a fórmula, por isso deixo que os dias me esqueçam, deitado na escuridão.
"
Jorge Luís Borges – O Aleph

“Uma vez sonhei que era uma borboleta, uma borboleta flutuando feliz pelo ares! Mas assim que despertei, percebi que meu corpo era humano, o mesmo de sempre, forte, compacto, de carne e osso. Porém, ainda totalmente tomado pelo prazer do vôo e pela sensação da liberdade das asas, pensei assim: Será que isso foi Chuang tse sonhando que era um borboleta ou a borboleta sonhando que era Chuang tse?”
Chuang Tzu - O Livro de Chuang Tse

"Às três, nos separamos dela para acompanhar Neruda à sua sesta sagrada. Foi feita em nossa casa, depois de uns preparativos solenes que de certa forma recordavam a cerimônia do chá no Japão. Era preciso abrir umas janelas e fechar outras para que houvesse o grau de calor exato e uma certa classe de luz em certa direção, e um silêncio absoluto. Neruda dormiu no ato, e despertou dez minutos depois, como as crianças, quando menos esperávamos. Apareceu na sala restaurado e com o monograma do travesseiro impresso na face.
— Sonhei com essa mulher que sonha — disse.
Matilde quis que ele contasse o sonho.
— Sonhei que ela estava sonhando comigo disse ele.
— Isso é coisa de Borges — comentei.
Ele me olhou desencantado.
— Está escrito?
— Se não estiver, ele vai escrever algum dia — respondi. — Será um de seus labirintos.
Assim que subiu a bordo, às seis da tarde, Neruda despediu-se de nós, sentou-se em uma mesa afastada, e começou a escrever versos fluidos com a caneta de tinta verde com que desenhava flores e peixes e pássaros nas dedicatórias de seus livros. À primeira advertência do navio buscamos Frau Frida, e enfim a encontramos no convés de turistas quando já íamos embora sem nos despedir. Também ela acabava de despertar da sesta.
— Sonhei com o poeta — nos disse.
Assombrado, pedi que me contasse o sonho.
— Sonhei que ele estava sonhando comigo disse, e minha cara de assombro a espantou.
— O que você quer? Às vezes, entre tantos sonhos, infiltra-se algum que não tem nada a ver com a vida real.
Não tornei a vê-la nem a me perguntar por ela até que soube do anel em forma de cobra da mulher que morreu no naufrágio do Hotel Riviera. Portanto não resisti à tentação de fazer algumas perguntas ao embaixador português quando coincidimos, meses depois, em uma recepção diplomática. O embaixador me falou dela com um grande entusiasmo e uma enorme admiração. "O senhor não imagina como ela era extraordinária", me disse. "O senhor não resistiria à tentação de escrever um conto sobre ela". E prosseguiu no mesmo tom, com detalhes surpreendentes, mas sem uma pista que me permitisse uma conclusão final.
— Em termos concretos — perguntei no fim —, o que ela fazi
— Nada — respondeu ele, com certo desencanto. — Sonhava.
"
Gabriel García Márquez - Doze Contos Peregrinos

Há um ano zoiava aqui, tarde da noite como zumbi, quando vi zezé e zuzú zoando geral. No meio à zorra, nada propícia ao zzzzzzzz zoninho que  eu buscava, me pus a lê-las.  E logo desconfiei que eram partes inteiras  de uma persona una. Não santíssima, mas trindade. Todas de zoinhos puxadinhos.  Um simples zoom e revelou-se o  ser andrógino desde o zigoto. Zen,  pero non mucho. Zurrando, zoneando, zoando, zunindo. Pouco zelosa de si. Muito zelosa de mim. Via de regra, fim do analfabetário. Via de regra começo. Sabe do que mais? Zilhões de beijos Zezita. I love you pra zuzu ( zizizi, ops, kikiki!)

zz & zz

(tá vendo que não erro mais seu nome?)

então... mas você falava de sonho, né?

desta matéria prima que nos dá o sentido da vida... matéria fundamental mesmo. sem sonho, te pergunto, tem sentido viver? tem não, né?!

pois então, vamos de sonho?

 

 

Não o sonho dócil-imóvel-amável do devaneio, sister Lupe florípara; mas o sonho estritamente anticapitalista, brother PK., por não ter valor de troca nem de uso, só de gozo e de gazua pra violar a tornozeleira eletrônica e o código de barras desses tempos bicudos de (f)utili-idades, metas(tases/teses) chrono-gramaticais práticas sem choro na vela. O sonho que quer fazer acontecer e acontecer porque foi sonhado; o devir devirá da capacidade de realização que o sonho ativo (e só o sonho) possi(ha)bilitará. "Neste verão, todas as rosas serão azuis e toda madeira será de vidro...", Breton (p)receitou em 1924. Ainda valerá pra 2011? Quem saberá, non? se jamais tenta(ram)mos, se estive(ram)mos ocupados ocupando, cercando, assassinando... Os malucos, alguns, tentaram, porque são malucos. Quem sabe seja hora de soltar os malucos e trancar os normais, Dra. Caboclita? Quem sabe (a)azzzzzzumbizar de ab-lhita traçando todo o alfabetário, prima Verita? Microrrevoluções/revelações por pessoa sonhando macrorrevoluções cole(a)tivas praticando a linguagem que abraç(s)a todas as línguas.

Oui, Messieur André, pode...

"... Imaginação querida, o que sobretudo amo em ti é não perdoares.

Só o que me exalta ainda é a única palavra, liberdade. Eu a considero apropriada para manter, indefinidamente, o velho fanatismo humano. Atende, sem dúvida, à minha única aspiração legítima. Entre tantos infortúnios por nós herdados, deve-se admitir que a maior liberdade de espírito nos foi concedida.

Devemos cuidar de não fazer mau uso dela. Reduzir a imaginação à servidão, fosse mesmo o caso de ganhar o que vulgarmente se chama a felicidade, é rejeitar o que haja, no fundo de si, de suprema justiça. Só a imaginação me dá contas do que pode ser, e é bastante para suspender por um instante a interdição terrível; é bastante também para que eu me entregue a ela, sem receio de me enganar ( como se fosse possível enganar-se mais ainda ). Onde começa ela a ficar nociva, e onde se detém a confiança do espírito? Para o espírito, a possibilidade de errar não é, antes, a contingência do bem?

Fica a loucura. “a loucura que é encarcerada”, como já se disse bem. Essa ou a outra.. Todos sabem, com efeito, que os loucos não devem sua internação senão a um reduzido número de atos legalmente repreensíveis, e que, não houvesse estes atos, sua liberdade ( o que se vê de sua liberdade ) não poderá ser ameaçada. Que eles sejam, numa certa medida, vítimas de sua imaginação, concordo com isso, no sentido de que ela os impele à inobservância de certas regras, fora das quais o gênero se sente visado, o que cada um é pago para saber. Mas a profunda indiferença de que dão provas em relação às críticas que lhe fazemos, até mesmo quanto aos castigos que lhes são impostos, permite supor que eles colhem grande reconforto em sua imaginação e apreciam seu delírio o bastante para suportar que só para eles seja válido. E, de fato, alucinações, ilusões, etc. são fonte de gozo nada desprezível. A mais bem
ordenada sensualidade encontra aí sua parte, e eu sei que passaria muitas noites a amansar essa mão bonita nas últimas páginas do livro. A Inteligência de Taine, se dedica a singulares malefícios. As confidências dos loucos, passaria minha vida a provoca-las. São pessoas de escrupulosa honestidade, cuja inocência só tem aminha como igual. Foi preciso Colombo partir com loucos para descobrir a América. E vejam como essa loucura cresceu, e durou.

Não é o medo da loucura que nos vai obrigar a hastear a meio-pau a bandeira da imaginação...".


Orwell estava certo. Huxley, também

2011: A Brave New Dystopia

by Chris Hedges

As duas grandiosas visões sobre uma futura distopia foram as de George Orwell em 1984 e de Aldous Huxley em Brave New World. O debate entre aqueles que assistiram nossa decadência em direção ao totalitarismo corporativo era sobre quem, afinal, estava certo. Seria,
como Orwell escreveu, dominado pela vigilância repressiva e pelo estado
de segurança que usaria formas cruas e violentas de controle? Ou seria,
como Huxley anteviu, um futuro em que abraçariamos nossa opressão
embalados pelo entretenimento e pelo espetáculo, cativados pela
tecnologia e seduzidos pelo consumismo desenfreado?
No fim, Orwell e
Huxley estavam ambos certos. Huxley viu o primeiro estágio de nossa
escravidão. Orwell anteviu o segundo.

 

Temos sido gradualmente desempoderados por um estado corporativo que, como Huxley anteviu, nos seduziu e manipulou através da gratificação dos sentidos, dos bens de produção em massa, do crédito sem limite, do
teatro político e do divertimento
. Enquanto estávamos entretidos, as
leis que uma vez mantiveram o poder corporativo predatório em cheque
foram desmanteladas, as que um dia nos protegeram foram reescritas  e
nós fomos empobrecidos. Agora que o crédito está acabando, os bons
empregos para a classe trabalhadora se foram para sempre e os bens
produzidos em massa se tornaram inacessíveis, nos sentimos transportados
do Brave New World para 1984. O estado, atulhado em déficits maciços, em guerras sem fim e em golpes corporativos, caminha em direção à falência.

[...]

 

AQUI

ô mano,

esta loucura, esta grande loucura, dela compartilho como desejo e devir, mas dela parece que a vida me reservou apenas a tarefa de expectadora e uma precária porta-voz. ela é mesmo tarefa de loucos, dos grandes e bons. sempre que leio breton me sinto pequena e má!

por isto, cada vez mais e quanto mais olho, me resigno a pequenas tarefas. sonho pequeno e sinto que tenho me contentado em ser egoísta. teimo em algumas buscas. quem sabe dá certo, né?

ZZ, de perto ninguém é normal...
Ou então, usando uma célebre frase de Stephen King: "Os monstros existem e os fantasmas também. Eles vivem dentro de nós. E às vezes eles ganham."
Desperto o mal é ninguém.
Oui, doutora... E Brave New World é extraordinário, somente o extraordinário, o necessário é demais.

A Tempestade é demais.

O wonder!
How many goodly creatures are there here!
How beauteous mankind is! O brave new world
That has such people in't!


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