Flavio Lyra, Economista.

Decorridos quatro meses do atual governo, os segmentos mais esclarecidos da sociedade brasileira, independente de coloração ideológica, já evidenciam uma grande perplexidade em relação ao futuro.

Até mesmo a burguesia financeira, que sempre tem se mostrado alheia às questões mais amplas do desenvolvimento do país, vêm dando sinais de preocupação com os desmandos do governo.

Para essa burguesia já não basta a acumulação de riqueza financeira, na qual tem sido tão bem-sucedida, com a ajuda do Banco Central através das altas taxas de juros reais que têm prevalecido e mantido o país num ritmo de expansão econômica muito inferior a seu potencial.

O governo, em sua ânsia liberalizante, está propondo a independência do Banco Central, para o gáudio do sistema financeiro, que já não se contenta com o grande poder que  detém sobre a política monetária do país, do que tem resultado taxas de juros reais elevadas, crescimento descontrolado da dívida pública e baixo crescimento econômico.

A tentativa de contenção do déficit fiscal, mediante o arrocho nos gastos sociais, inaugurada durante o último governo do PT e aprofundada no Governo-Temer, transformou a recessão que começara a manifestar-se em 2013, numa crise profunda, já caracterizada por alguns especialistas como uma depressão.

A burguesia financeira jogou todas as cartas na eleição de Bolsonaro, acreditando que agora seria a oportunidade de desmontar a Constituição de 1988, acabar de uma vez por todas com a politica de seguridade social nela embutida e por esse meio gerar recursos financeiros para atenuar o ritmo enlouquecido de expansão da dívida  pública, alimentado pelas altas taxa de juros de reais, supostamente requeridas para manter a inflação sob controle.

O alucinado Ministro da Economia, Paulo Guedes, saído da Universidade de Chicago há mais de trinta anos, época em que o monetarismo sectário de Friedman era a Bíblia dos economistas, foi escolhido por Bolsonaro, como o salvador da pátria. O homem fadado à “gloriosa” missão de   reduzir o tamanho do Estado na economia do país e assim obter os recursos fiscais para reduzir o peso da dívida pública e recuperar o crescimento econômico.

Os apoiadores do governo resistem a ver que a grande capacidade ociosa na indústria e a alta taxa de desemprego decorre da falta de demanda efetiva e insistem na suposta necessidade de reduzir a qualquer custo a despesa pública, na vã esperança de que os investimentos privados irão tirar a economia do fundo do poço.

Imaginam ingenuamente que a redução dos custos salariais produzidos pelas reformas trabalhista e da previdência serão suficientes para aumentar a confiança dos empresários e induzi-los a aumentar os investimentos.

Esquecem que, sem perspectiva de aumento nas vendas (a conhecida demanda efetiva) e grande capacidade ociosa nas instalações, não haverá estímulo para os empresários aumentarem o investimento.

Raciocinam estupidamente, como se os cortes nos gastos da previdência social fossem unicamente uma forma de economizar recursos financeiros para pagar os serviços da dívida pública e não tivessem impacto negativo sobre a demanda de bens e serviços, gerando redução das vendas e aumento da capacidade ociosa das instalações produtivas.

Caminha-se, assim, para a manutenção do baixo nível de atividade econômica e do alto nível de desemprego, que já alcança 13 milhões de pessoas.

Isto, ao lado de outras insanidades que tem caracterizado a atual administração tornam o futuro do país sombrio e fica difícil imaginar o que nos espera no plano político.

Brasília, 27 de abril de 2019.

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