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Preciso reconhecer eventual acidez nas palavras que se seguem, mas o tempero é emoção reativa e, diria mesmo, proporcional ao descalabro que assistimos, especialmente em redes sociais.

 

Convenhamos: coisinha mais démodé, passadas as eleições, derrotados, continuarem falando do Aécio em tom de campanha, parece culto a personalidade – lembrem-se, isto é típico dos fascismos de toda cepa – ou nas eleições mesmo. Gente, não se chora leite derramado, e como se diz: “bola prá frente”!

 

Ou, se trata do ranço golpista dos demófobos (que têm ojeriza a povo coisa feita por D'us para servir aos iluminados, aos de sangue azul, aos privilegiados, à aristocracia, por motivo qualquer)? Essa espécie política, note-se, perigosíssima à evolução da humanidade é mais comum que se imagina. O vírus que a contamina, o “besta-fericus apoliticus”, não vê fronteiras em diferenças econômico-sociais (acabo de isolá-lo em meu Laboratório Expressional Analógico-Metafórico-Metonímico).

 

Os demófobos são capitaneados pela minoria minoritária mínima, seguida e sustentada, diretamente, por seus asseclas, sabujos e agregados, e mais afastadamente, numa progressão de baixa autoestima, pelos segmentos da massa, daquela faixa da escumalha, composta pela turma do “fosse eu, fazia a mesma coisa” (roubar), feita de variações de Zumbis que querem sua própria escravaria, pessoas para quem o crime é apenas uma variação da ordem (desde o “ele tem ‘muito’, não vai fazer falta”, até a penada “técnica” exacerbando a taxa de juros, ou cortando verbas (na saúde, na educação) etc. – a mentalidade é de mesma índole, diferenciando somente tratar-se de criminosos com pena e criminosos sem pena – ‘pena’ representa o poder da assinatura).

 

Gente que alardeia a divisão do país, como se eleições afuniladas, bilateralizadas, não implicassem em divisão do eleitorado, mas jamais do país, ou do povo, como acontece a torto e a direita na África, territorial e etnicamente esquartejada pelos donos do mundo d’antanho; não em terras como as nossas de miscigenação alarmante a qualquer puritano ianque, ou sem tradições nativas identitárias, como é o caso de vários povos europeus em que o separatismo se alimenta de verdadeiras diferenças étnicas, e, quiçá, resquícios de dominação espoliativa.

 

Gente que, inda pior em sua desmedida criminosa, ilegalista, incita a discriminação por origem, coisa que recende a entradistas preadores de índios a suas próprias e ilícitas fortunas (ilícitas, sim, pois as Entradas eram proibidas pela Coroa).

 

Gente que, cinicamente, soube colher galhardamente, doutras vezes e em tantas partes, as benesses, os frutos das urnas eletrônicas, verdadeiras caixas pretas, absolutamente fraudáveis em sua finalidade de registrar a vontade dos eleitores, maquineta, diga-se, com lugar apenas nesta pós-neocolônia.

 

Urnas, caixas pretas, que, também, são passíveis de instrumentalizar a fraude ao segredo do sufrágio, e a usurpação de sua conferência por seus únicos titulares, os cidadãos, desta má-sorte, condenados ao cativeiro, apropriados que assim são, truculentamente, na pior das violências, a judiciária, na pós-moderna curatela eletrônico-midiática.

 

Lembre-se bem que caixa preta é algo dentro do qual não podemos ver, senão os “autorizados”, e onde se dá o processamento de instruções pré-ordenadas pelos programadores, que são, sim, pessoas humanas, nenhuma entidade divina.

 

Donde, para se ter tal dispositivo a serviço de tão relevante finalidade, o exercício da soberania, seria preciso, como conditio sine qua non, o impossível: que a magistratura eleitoral e seus funcionários (todos!) fossem divinos, algo muito mais “elevado” que a já auto-arrogada a nobiliarquia-clerical que está aí, assim, postos acima da humanidade, esta coisa falível e corruptível por excelência – ah! mas não eles! neles devemos crer, como se crê nas palavras dos sacerdotes representantes de divindade em que se creia.

 

O TSE chegou ao absurdo de promover campanha de lavagem cerebral, para convencer a população da infalibilidade, da incorruptibilidade, da absoluta segurança da maldita urna, coisa somente possível no âmbito do divino; ou, a campanha foi, como ressoa ao fundo da mente dos mais críticos, emblema, símbolo de manipulação de corações e mentes no melhor estilo, aliás, comuníssimo aos fascismos de toda sorte?

 

Esse inconformismo ilegalista dos vencidos é, a toda prova, muito mais que indignação com a corrupção alardeadamente atribuída ao PT, sim, Partido Traidor do projeto político vendido por 20 anos, sim, Partido Corso por vencer em 2002, apenas, após acordo com o grande capital, em especial o financeiro. Neste tocante, diga-se, como os demais, destacadamente, PSDB e PMDB, pivôs de tantos escândalos – bom sempre ter em mente que não há vestais.

 

Esquecem-se, todavia, como de hábito ao que interessa, pois, têm memória-voz seletivérrima, que na era PT, é preciso reconhecer a Polícia e o Ministério Público atuaram, e o Judiciário foi acionado, o que não se tinha nos governos deles.

 

Numa República organizada em Estado de Direito, de viés democrático, fundada na dignificação da pessoa humana, e comprometida com a formação de sociedade livre, justa e solidária, sempre e para todos, não só para os libertários, mas também para essa gente emocionalmente engessada no ódio, movida na desmedida libidinal por posses e poder, enfim, há lugar para o combate, na forma da resistência, de atitude e até da sabotagem, pacificamente, se deixarem, mas nos limites da lei, interpretada segundo aqueles princípios norteadores de sua finalidade social.

 

Tudo, entretanto, pautado na verdade, categoria somente cabível à evidência. Evidência, porém, é o que não há para os que se guiam pelo lusco-fusco midiático, pelo jogo de luzes e sobras da imprensa golpista, facciosa, manipuladora de medos e de desejos, etc..., num fascismo, desse que é dos piores dos fascismos já engendrados na história da humanidade, pautado na opulência conspícua, na truculência da polícia jagunceira, até o enclausuramento pelos neurolépticos, na nobiliarquia clerical de um judiciário plutocrata divorciado econômico-socialmente, numa educação industrial que mais imbeciliza que ensina, nesta sanha de competitivíssimo darwinista cretinizante imposto pela ditadura do economicismo, perfeita ao produtivismo rentabilista, da hegemonia obsessiva do calculismo, inerentes ao niilismo do capitalismo selvagem, do liberalismo econômico, do pragmatismo e do utilitarismo, desaguando num vale-tudo, que começa com o pivete, passa pelas organizações criminosas comuns, e chega às “elites” impudentemente organizadas em cartéis e sindicatos patronais (ou não, afinal, há a comezinha pelegagem!).

 

Se avexem, oxente!

 

Saudações libertárias e indignadas!

 

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