O “SER RACIAL’ e o ser humano:

       Um observador social diz que a guerra civil dos Estados Unidos - 1861/1865 - que colocou em confronto os brancos do norte contrários ao escravismo dos brancos do sul ainda não terminou emergindo a questão racial para eles ainda é uma questão fundamental da guerra civil, deles. A última eleição do Presidente OBAMA nos revela que aquela guerra e a questão racial continua dividindo o país. Tal embate histórico em que o norte, base de um capitalismo mais avançado, vencedor se impõe e derrota o atrasado escravismo do sul. Para compensar os derrotados permitiu-se uma reação sulista com a doutrina “equal, but separate” aprovada por lei em 1868. Ou seja, a teoria do desenvolvimento exclusivista para brancos e para os afro-americanos, desde que separados, apartados. Foi a primeira e tosca versão do direito de ´ser diferente´ pela raça.

     Com a lei federal, vários estados passaram a segregar direitos raciais, especialmente os do sul. Eram as pejorativas leis ´Jim Crown´ (algo como Zé Ninguém) com a finalidade de ridicularizar os pretos. Em 1896, um caso questionando uma dessas leis segregacionistas chegou até a Suprema Corte: o Caso “Plessy vs. Ferguson”. A Suprema Corte, com apenas um voto contrário, decidiu que a reserva de acomodações “separadas, mas iguais” pela ´raça´ seria compatível com a cláusula da igualdade. A partir daí, foi desenvolvida a doutrina “iguais, mas separados” .

     A fim de garantir a separação os racistas brancos mais pobres formaram um exército racista - a Kukluskan - destinado a confinar os pretos no seu devido lugar e cujo principal financiador no início dos anos 1900 foi o industrial Henri FORD o mesmo que instituiu com seu patrimônio a FORD FOUDACION que continua financiando elites intelectuais para a defesa de políticas de segregação racial nos EUA e também, agora, no Brasil.

     Eis a similaridade histórica, com mais de um século de intervalo: o nosso Supremo Tribunal em 2012, por unanimidade, considerou que a segregação de direitos raciais é compatível com a cláusula da igualdade do artigo 5º da Constituição e mais ainda, desconsiderou a regra expressa no artigo 19: "É vedado à União, Estados, Distrito Federal e Municípios: criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si."

      Com tal deliberação o estado passou a incentivar o pertencimento racial, aquele sentimento que é uma prisão imutável, no dizer de SERGIO BUARQUE em ´Raízes do Brasil´ que continua sendo mobilizadora – para o mal – daquela grande democracia do norte.

     A principal perversidade é que a violência do racismo afeta mais os pobres, principalmente os brancos despossuídos de bens passam a dispor de um valioso patrimônio ´racial´ de uma presumida superioridade racial para opressão das pessoas de cor, igualmente pobres a quem foi outorgada a ´raça negra´, na condição presumida da raça inferior conforme a doutrina do racismo. A atuação do racismo agride mais aos pretos e pardos mais pobres, hipossuficientes, sem fôrças e recursos para reagir.

       DIREITOS SEGREGADOS PELA ´RAÇA´:

       A FORD FOUDACION e outras fundações norte-americanas desde os anos 1990 se propuseram a edificar no Brasil um país com identidades raciais conforme fizeram nos Estados Unidos. Neste sentido tem sido investido milhões e milhões de dólares neste empreendimento através da doutrinação e formação de lideranças intelectuais e acadêmicas para a defesa da segregação de direitos em bases raciais: querem nos ensinar que a cor da pele signifique diferença humana passível de direitos.

       As cotas raciais nas universidades e em concursos públicos, ora sendo implantadas no Brasil, fazem parte das chamadas políticas de "reconhecimento da diferença"  cujas demandas estão ligadas a representação, a cultura e a identidade dos grupos étnicos, raciais, sexuais, dentre outros.

       O reconhecimento das diferenças pelo estado, quando segrega direitos ´raciais´ de forma compulsória, adota o princípio da doutrina norte-americana do século 19 que autorizou as leis de segregação racial somente derrotadas nos anos 1960 pelo movimento dos Direitos e Liberdades Civis liderados pelo Dr. MARTIN LUTHER KING na onda do anti-racismo impulsionado pela consciência mundial dos males do racismo estatal na tragédia da 2ª guerra mundial. É uma nova roupagem para a doutrina de “iguais, mas, separados” da Suprema Corte dos Estados Unidos e consubstanciada nos direitos exclusivistas, na segregação de direitos, agora no que seria o direito ao reconhecimento de ´ser diferente´ pela raça.

       O ´direito´ de ser diferente?

     A propósito de comentários no post "O racismo contido no ´politicamente correto´ -  http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-racismo-contido-no-politicamente-cor... - em que se defendeu o direito de tratamento diferenciado em razão de características pessoais dentre a espécie humana, ouso trazer minha reflexão que faço a partir de NANCY FRASER, a filósofa feminista, que desde os anos 1990 tem apontado os vícios e virtudes dessa tendência de políticas públicas em que, sob a questão racial, trago a evidencia delas serem reacionárias. Não tenho dúvidas: a segregação de direito raciais é uma opção de direita visando minar os ideais iluministas da igualdade e unicidade da espécie humana e os sonhos socialistas da mais proveitosa e substancial igualdade material para todos.

      Para contextualizar a marcha das cotas raciais no Brasil que tem sido patrocinada a partir de 2003 pelos governos mais comprometidos com as mudanças sociais, consagrando os esforços e os investimentos das ´foudacion´s´ norte-americanas, lembro que as primeiras iniciativas de segregação de cotas raciais, possuem DNAs que apontam para a pior direita: aquela que se esconde no populismo e não faz o discurso da direita.

      Pois bem, a primeira lei de cotas raciais nas universidades, surge no Rio de Janeiro em 2001, por decreto do governador Garotinho, então no PDT. O primeiro projeto de lei de cotas raciais na universidade e concursos públicos foi proposto no Senado em 1997, pelo Senador SARNEY, conhecido líder populista do Maranhão. Por essa razão, na presidência do Congresso SARNEY foi o grande fiador e impulsionador do PLC 180/2008 de autoria de outra maranhense a Deputada NICE LOBÃO do PFL-MA, que aprovou em 2012 a Lei de Cotas nas universidades. Os afro-brasileiros que viveram e vivem sob influência dos governos Garotinho e Sarney, disputam a liderança de ausência do estado, violência policial, degradação dos direitos sociais, milícias institucionalizadas, territórios sob controle do crime organizado. Os afro-maranhenses são vítimas do mais baixo IDH dentre todos os afro-brasileiros, de 0,488, no mesmo nível dos africanos mais pobres. Com o maior número de terras de REmanescentes de Quilombos já identificadas pela Fundação Palmares, cerca de 45% das mais de 1.000 comunidades, decorridos vinte e quatro anos, não tem sido reconhecida nem recebido os títulos das terras conforme determinou o artigo 68 das Disposições Transitórias Constitucionais de 1988.

      O festejado jurista LUIS ROBERTO BARROSO em alentado parecer a favor da segregação de direitos pelas cotas raciais, não encontrou outra convincente base constitucional nem razões na filosofia jurídica para justifica-las, que não fosse discutível, senão esse duvidoso direito ao reconhecimento de ser diferente que será ainda mais pernicioso se aplicado pelo estado pela consideração de diferença ´racial´ conforme tem sido empregado nas leis e políticas públicas no Brasil. Desde o fim da 2a guerra mundial, a luta contra o racismo estatal, impõe aos estados nacionais a abstenção em políticas públicas raciais.

       A despeito da decisão unânime do Supremo Tribunal, de abril passado, que veio impulsionar os defensores de políticas raciais segregadas continua valendo a expressão do sentimento nacional outorgda pelo povo consittuinte que está inscrito como uma cláusula de direitos humanos, portanto, não passível de emenda supressiva, no art. 19 da CF/88: "É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: .... III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre sí.      

       Ao contrário do que muitos pensam, esse é um debate que não terminou. Ele apenas começa. A unanimidade do plenário do STF, onde deveria imperar a sabedoria e o dever de honrar, cumprir e fazer cumprir a Carta Cidadã, apenas confirma a máxima de Nelson Rodrigues. Algum dia no futuro teremos uma composição da Corte Alta comprometida com os ditames expresssos na Carta que tem sido, reiterada e sistematicamente violada por seus membros que não receberam essa incumbência do constituinte originário: o povo.

        A DIFERENÇA PELA ´RAÇA´?

      As demandas por reconhecimento com direitos segregados e exclusivos vêm adquirindo maior relevância na arena política desde o fim do século 20. FRASER (2001) afirma que a luta por direitos a diferença se tornaram a forma paradigmática de conflito político. Para ela, demandas por ‘reconhecimento das diferenças’ alimentam a luta de grupos mobilizados sob as bandeiras da nacionalidade, etnicidade, raça, gênero e sexualidade.

        Nesses conflitos pós-socialista as identidades grupais substituem interesses de classe como principal incentivador para mobilização política. Dominação cultural suplanta a exploração como a injustiça fundamental. E o reconhecimento cultural desloca a redistribuição socioeconômica como remédio para injustiças e objetivo da luta política.

        De fato existem diferenças biológicas que merecem atenção e atribuição de direitos: pela idade de uma criança ou de um ancião; pelo gênero e condições da maternidade feminina; pela mobilidade e acessibilidade dos portadores de necessidades especiais. Porém, a grande questão é se, por um fato irrelevante como a cor da pele, poderia ser considerada uma ´diferença´ sob o rótulo de ser uma diferença´racial´?

        E afirma com acerto: “De algum tempo tempos para cá, as forças da política progressista dividiram-se em dois campos. De um lado encontram-se os proponentes de ´redistribuição´. Apoiando-se em antigas tradições de organizações igualitárias, trabalhistas e socialistas, atores políticos alinhados a essa orientação buscam uma alocação mais justa de recursos e bens. No outro lado, estão os proponentes do ´reconhecimento´. Apoiando-se em novas visões de uma sociedade ´amigável às diferenças´, eles procuram um mundo em que a assimilação às normas da maioria ou da cultura dominante não é mais o preço do respeito igualitário.”

        O diagnóstico da autora é preciso: “ Membros do primeiro grupo esperam redistribuir a riqueza dos ricos para os pobres, do Norte para o Sul, e dos proprietários para os trabalhadores. Membros do segundo grupo, ao contrário, buscam o reconhecimento das distintas perspectivas das minorias étnicas, ´raciais´ e sexuais, bem como a diferença de gênero. A orientação distributiva tem uma linhagem filosófica distinta, já que as reivindicações re-distributivas igualitárias forneceram o caso paradigmático para a maior parte da teorização sobre justiça social dos últimos 150 anos.

A orientação do reconhecimento recentemente atraiu a atenção dos filósofos políticos e, alguns entre eles, têm buscado desenvolver um novo paradigma normativo que coloca o reconhecimento em seu centro. ... Em muitos casos, as lutas por reconhecimento estão dissociadas da luta por redistribuição... Essa situação exemplifica um fenômeno mais amplo: a difundida separação entre a política cultura e a política social, a política da diferença e a política da igualdade.

Em alguns casos a dissociação tornou uma polarização... Nesses casos, realmente estamos diante de uma escolha: redistribuição ou reconhecimento? Política de classe ou política de identidade? Multiculturalismo ou igualdade social?”

A conceituada autora, em sua reflexão nos coloca um desafio:

“Realmente estamos diante de uma escolha: redistribuição ou reconhecimento? Política de classe ou política de identidade? Multiculturalismo ou igualdade social?

Essas são falsas antíteses, como já argumentei em outro texto (Fraser, 1995). Justiça, hoje, requer tanto redistribuição quanto reconhecimento; nenhum deles, sozinho, é suficiente. A partir do momento em que se adota essa tese, entretanto, a questão de como combiná-los torna-se urgente. Sustento que os aspectos emancipatórios das duas problemáticas precisam ser integrados em um modelo abrangente e singular. A tarefa, em parte, é elaborar um conceito amplo de justiça que consiga acomodar tanto as reivindicações defensáveis de igualdade social quanto as reivindicações defensáveis de reconhecimento da diferença. (Fraser, Nancy, 2007, “Reconhecimento Sem Ética”, Lua Nova, 070, pp. 101-138 ) http:// www.scielo.br/pdf/ln/n70/a06n70.pdf

Neste mesmo sentido, em saudação a reeleição do Presidente OBAMA, http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-renovacao-da-esper anca-...  - relembrei sua posição política de rejeição às políticas públicas em bases de direitos pela diferença. Está consagrada em seu livro (A Audácia da Esperança, 2005), verdadeira plataforma política. Ele consagra a síntese de uma plataforma de superação de crenças negativas baseadas na crença em raças, no machismo, sexismo e homofobia que sustentaram as culturas defeituosas dos séculos 19 e 20 na América e no mundo: "Eu rejeito a política baseada apenas na identidade racial, na identidade homem-mulher ou na orientação sexual. Eu rejeito a política baseada na vitimização.".

No exercício da presidência, apesar das adversidades da crise econômica e firme oposição da direita conservadora que tem sido eleita com discursos racistas para emparedar a vontade política de OBAMA, ELE tem honrado A sua disposição que podemos mudar o mundo para melhor, para usufruto de todos e não de parcelas do todo o que tem sido a tônica do capitalismo liberal somente temperado pelos esforços das demandas socialistas no século 20. Agora novamente sob ameaça dos direitos segregados pelas ´diferenças´ humanas.

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Militão!!

Estás a andar em círculos e, sobretudo, a reverberar os mesmos argumentos já tão batidos.

Acho que antes do direito de "ser diferente" -, condição natural de todo o ser humano, isto é, direito à singularidade se ser o que se é [de outro modo, seríamos robôs saídos de linha de produção], há a necessidade de ser o que se é. 

Fazendo analogia com o pessoal LGT, eles não querem o direito de serem "diferentes", mas,  o direito de serem o que são. E, sobretudo, serem respeitados pelo que são. E só.

Falar em "raças" ou "racialização" é tervegizar e, acima de tudo, evitar fatos concretos. Qual seja, o negro, no Brasil, sofre com o racismo em função da cor e não por causa da "raça" ou DNA.

Do  mesmo modo, o pessoal LGT, sofre com  o preconceito por não terem os parceiros/as/família/estilo de vida que se esperam que eles tenham  e, em absoluto, por serem de "raças" diferentes.

Fatos concretos: 1. Os negros, no Brasil, já são segregados - social e economicamente; 2. Os negros, no Brasil, já são segregados e "escondidos" em periferias, favelas e guetos. Isto é, já há, no Brasil, uma "racialização" em curso e que já dura séculos: negros na base da pirâmide e não negros no topo da pirâmide social e econômica do Brasil. Alterações semânticas [afro-descendente ou evitar se referir à cor] não mudarão isso.

Sua erudição não salva os clichês de seu discurso.   Seu argumentação é amorfa e evasiva; e os tons miscigenados de seus argumentos  jamais tocam no cerne da questão: negros no Brasil são vitimas e não algozes que querem instituir, no Brasil, o racismo via ações afirmativas/cotas. 

No Brasil, negros são definidos por sua cor e não se muda isso por decreto, ou, por "bom mocismo", ou, subserviência.

Abs.

     Prezado Antonio,

     Nessa matéria por ser de princípio não há argumentação nova.

     Somente trago a debate a questão reacionária de direitos segregados em nome desse direito da diferença que enfraquece os ideais igualitários que deviam prevalecer.

     Na questão dos afrodescendentes o exemplo de Cuba é gritante. Os afrocubanos acançaram o melhor nível médio de IDH sem qualquer direito exclusivista. Não significa a inexistência do racismo. Significa que um povo com melhor nível social e educacional o racismo passa a ser cada vez mais periférico, anormal, marginal.

     Os fatos concretos que você aponta deverão ser atacados por polítcas sociais mais intensas, o que Sarney e Garotinho não fizeram preferindo o recurso fácil de direitos segregados em bases raciais o que considero perverso: produzirá ainda mais racismo.

Prezado Militão!

Se você deixar de lado o marxismo/socialismo, enfim,  luta de classes, talvez, enxergue melhor.

Cuba não é exemplo  de desenvolvimento para negros ou brancos. Todos estão no mesmo barco, isto é, na linha da miséria. Ou melhor, nesse sentido, em Cuba, há plena igualdade. Todos tem o básico, ou seja, todos comem [não o que se quer mas o que se tem], tem atendimento médico e boa educação. E só. Como Cuba não é uma sociedade de classes, pelo menos para aqueles que não fazem parte do partidão - onde todos têm mais privilégios -, lá, em Cuba, tem que haver igualdade. Mesmo que seja nivelada por baixo.

Caia na real. E seja mais negro e menos "humano". "Raça" e "racialista" são factóides do neorracismo. E só.

Abs.

Antonio.

Não acredito no que estou lendo, mas agora fica clara a tua proposta, e fica claro o porque de lutares contra as cotas sociais. Teu objetivo ficou expresso acima, não te interessa a igualdade de direitos e oportunidades a todos, independente de cor ou qualquer outra coisa, a tua proposta é criar "castas" de privilegiados "brancos" ou "negros", que para ti poderia ser até segregados, para que alguns dentro desta classificação, possam usufruir as belezas da vida capitalista. Esta teoria tem um nome, apartheid.

Caiu a máscara, ficou bem claro o que desejas, deste ponto em diante não tem mais diálogo, fui embora, e espero que o Militão vá também!

Maestri!

Acho que o debate por ações afirmativas/cotas para negros no Brasil, despertou em várias pessoas a necessidade de se discutir o tema. Infelizmente, grande parte dessas pessoas não sabe do que está falando. É seu caso.

  1. Nunca fui contra cotas sociais -; desde que isso não implique ausência, ou exclua,  cotas para negros. Não raro, o discurso de cotas sociais, ao invés de étnicas, é dissimulação e negação de ações afirmativas/cotas para negros. Talvez, seja esse o seu caso. Em outras palavras, seu discurso é ambíguo. Como ambígua é a leitura do racismo no Brasil;

  2. Reiteradas vezes já disse que o problema do racismo em Cuba é diferente do existente no Brasil, África do Sul e EUA. E todos esses países, isoladamente, têm suas peculiaridades no que tange à questão de segregação étnica. Falar em indivíduo em Cuba, país fechado politicamente, é falar, não raro, de uma pessoa que não tem liberdade para, livremente, falar o que pensa sobre o regime ou governo de seu país. Logo, se eu não morar lá, em Cuba, na realidade, eu não vou saber como os cubanos vivem e, muito menos, o nível de igualdade entre os vários cubanos. Nesse sentido, dizer que o negro, em Cuba, não sofre com racismo e segregação social é puro achismo;

  3. Não há necessidade de se criar castas no Brasil. Elas já existem. Eu e outros negros queremos exatamente o contrário: diminuir o espaço entre as castas. Esse feudo econômico e social, no Brasil, que você chama de castas, é, majoritariamente, ocupado por não negros ou brancos. Seu discurso é hipócrita ao negar ou relativar a existência de guetos sociais e econômicos, onde, desde sempre e quase sempre, a grande maioria é de negros. Seu discurso é, sobretudo, inconsistente ao ignorar [ignorância seletiva?] que a segregação social e econômica de negros, no Brasil, se deve ao racismo. Ou seja, os negros, ao contrário dos brancos pobres, são discriminados por que são negros. Isto é, no Brasil, o racismo é uma questão de pele/cor e não uma questão social.

    Abs.

       Antonio,

      As discriminações pela cor são efeitos diretos do racismo. E em Cuba, até 1960 tanto os afrocubanos, quanto hoje afrobrasileiros, afro-americanos, afrovenezuelanos por serem pretos/pardos eram mais excluídos e mais empobrecidos.

      O exemplo cubano dá-se pela exemplaridade extrema do que seja a doutrina distributivista e a similiaridade da formação demográfica de Cuba, Brasil e Estados Unidos tanto pela larga utilização da mao-de-obra escrava quanto pelo genocídio dos povos nativos.

      A diferença é que a doutrina distributivista assegura a todos igual acesso aos escassos bens disponíveis. Isso estará sendo refletido na sociedade cubana como pode ser vista em qualquer reunião de trabalhadores, autoridades, esportistas, políticos, intelectuais e técnicos ou professores universitários.

       Eu não disse que o afrocubano ´não sofre com o racismo e segregação racial´, aliás um problema já reconhecido inclusive por Fidel ainda no exercício da Presidência.

       O que afirmo é que a olhos vistos os afrocubanos foram incluidos e passaram a ter acesso aos bens, escassos repita-se, e possuem representação proporcional e já desfrutam do melhor IDH médio dentre todos os afrodescendentes na diáspora, incluso EUA e na média da própria África.

       IDH, aliás, um índice ciado em 1990 pelos economistas Mahbub ul Haq e Amartya Sen, o indicativo tem o objetivo de comparar a "qualidade de vida" nos países e não apenas a renda per capita deles. São considerados três fatores:

  • LONGEVIDADE: é a expectativa de vida ao nascer, indiretamente afere a mortalidade infantil e a violência, fatores que reduzem a longevidade média da população. É reconhecida os cuidados de saúde em Cuba.
  • RENDA: Usa-se o PIP per capta ( total produzido pelo país em um ano dividido pelo numero de habitantes) - não é a renda/remuneração, já que o princípio cubano é que o estado supre TODAS as necessidades para a vida digna dos cubanos: habitação, saúde, transportes e educação.
  • EDUCAÇÃO: É avaliada pela taxa de alfabetização das pessoas com 15 anos ou mais e pela taxa de matricula no ensino fundamental, médio e superior. Quem visitou universidades cubanos nos anos 1990 via salas com 70%-80% de não-brancos pois acolhia muito indígenas e africanos.

       O que se vê em Cuba é que na próxima geração de altos dirigentes das atividades políticas, administrativas, acadêmicas e econômicas a presença dos afrocubanos será exponenciada, pois, saídos da miserabilidade pré-1960, com 90% de analfabetismo, estão hoje em igualdade de condições com os demais cubanos e com 100% de acesso à educação e saúde públicas.

       Também não estou dizendo que o regime político seja o ideal, essa é outra questão que somente poderia ser bem analisada depois do fim dos embargos impostos desde 1960 pelos EUA, seu mais próximo vizinho. O que afirmo: é mais justo que os bens sociais, principalmente quando escassos, sejam igualmente partilhados/distribuidos. O que proponho seja cotejado é que a doutrina distributivista em sociedade tão desiguais quanto a brasileira atual e a cubana/1960 é mais adequada e justa do que essa doutrina direito às diferenças que vem a ser a mesma doutrina de ´iguais, mas, separados´ com nova linguagem.

       O que afirmo, em comparação conosco, é que as políticas de inclusão pela diferença produziram iniquidades sociais profundas nos Estados Unidos. Em 1970 tinham 10.000 afro-americanos milionários e hoje tem 100.000 e manteve a mesma classe média com cerca de 20%. Tinham também 30.000 (0,1%) nas prisões e hoje são 2,6 milhões (6%) de afro-americanos sob custódia da justiça. Em alguns estados 50% dos jovens de 16-30 anos estão cumprindo penas. Tinham 13% de crianças afro filhas de mães-solteiras e hoje são mais de 70%.

        Evidente que também em Cuba os pretos/pardos/mulatos são discriminados pela cor, porém, essa discriminação não afeta o acesso aos bens, escassos bens, que são distribuidos entre todos. Exceto, lógico, os privilégios decorrentes de desvio do padrão que são os grandes problemas de regimes fechados. E em Cuba, infelizmenete, embora em pequena escala.Mas, também nos EUA a segregação social é escancarada, com bairros e ruas e até nas alas das prisões, claramente guetizadas. Pretos, latinos e brancos foram educados a exercerem direitos diferenciados pelo fato de serem racialmente diferentes.

     Enfim, o debate proposto não é o da exclusividade da luta de classes, mas a luta pela melhor distribuição dos bens disponíveis, da renda, da educação, da saúde de forma universal.

    Por último, meu caro, jamais assumirei um pertencimento racial, em especial, o de ´ser da raça negra´ conforme a estratégia da proposta ideológica do racismo. Essa estratégia do racismo foi nos outorgar uma ´raça´ e com ela retirar a nossa inteira humanidade. A luta que deve nos motivar é a luta por reconquistar nossos ´direitos de humanos´ dizia MALCOLM X, pouco antes de ser executado por pretos racialistas que o consideraram traidor da ´black race´ após divulgar a sua ´Carta de Meca´ em que passou a repudiar a luta por direitos raciais.

Militão.

Eu jamais fui a Cuba, para falar a verdade viajo mais por necessidade do que por qualquer coisa, não tenho a ânsia moderna da mobilidade, porém tenho falado com inúmeras pessoas (um número significativo) que já foram a Cuba, e os relatos que tenho é que realmente em 50 anos (uma geração e meia), a questão do racismo em Cuba passou de um nível 90 para 9 (sentido figurado) e a impressão que me passaram diversos desses visitantes é que a auto-estima que tem os afro-cubanos é bem superior ao do resto da América, ou seja, Cuba está conseguindo diminuir o racismo aumentando a auto-estima dos afro-descendentes.

Eu insisto na questão da auto-estima, pois ela que romperá a barreira final do racismo, não basta declarar por lei que as pessoas são iguais, as pessoas devem se sentir iguais, talvez aí esteja a minha grande diferença entre a minha concepção teórica sobre a forma de eliminar o racismo.

Acho importante um item que alguns podem dizer subjetivo, pois o racismo é algo subjetivo e não objetivo. No momento que todos compreenderem da falta de objetividade do racismo estaremos a um passo do fim deste.

Este ponto é interessante, pois quem acredita que tem alguma objetividade ou cientificidade no racismo está agindo de forma racista, portanto vejo toda e qualquer ação no sentido de relacionar pontos positivos ou negativos à cor da pele das pessoas como uma ação racista, não diria positiva ou negativa, pois o racismo em princípio é sempre negativo.

Militão 

Você mistura política/marxismo/luta de classes com racismo. Há racismo em Cuba. e há racismo na Rússia - que o diga Roberto Carlos, o jogador, e amigos.

Fatos: 1. Em mais de 50 anos de regime comunista/socialista/Fidel em Cuba, na cúpula do partidão [onde, com efeito, se concentram as castas, sociais e econômicas, cubanas] não há negros. Enquanto isso, nos EUA, notoriamente racista, nos últimos 50 anos, o negro teve visibilidade social e econômica e, sobretudo, rompeu a barreira do poder político e está na presidência - Obama. O que ocorreu nos EUA, em muito, se deve às ações afirmativas/cotas/luta pelos direitos civis;

2. Só teria sentido falar em números - 20% disso ou 0,1% daquilo - se você trouxer dados completos e abrangentes da situação de brancos, negros, latinos e outros nos EUA -, senão é só achismo. Ademais, o conceito de classe média no Brasil, inexistente em Cuba, é diferente dos EUA. Lá seria considerado classe média alguém com renda em torno de 75.000 doláres por ano. No Brasil, é considerado classe média quem ganha cerca de 12.00 reais/ano. Quem ganha 12.000 doláres/ano, nos EUA, está na linha da pobreza. No Brasil os brancos têm padrão de classe média americana e os negros se enquadram no conceito da neo classe média petista. Ou melhor, factóide de classe média brasileira. Ademais, é impensável, ainda hoje, no Brasil, ter 20% da população negra na classe média nos moldes da classe média branca do Brasil. Na verdade, grosso modo, os negros americanos têm o padrão médio, social e econômico, do americano branco;

3. Prezado Militão, mesmo que tenhas visitado Cuba, não moras em Cuba. Logo, qualquer, juízo de valor a respeito das condições de visibilidade social e econômica dos negros em Cuba seria puro achismo, pois, como você mesmo disse em um regime fechado como Cuba, qualquer dado ou senso deve ser colocado sob suspeição.

Abs.    

"Fatos: 1. Em mais de 50 anos de regime comunista/socialista/Fidel em Cuba, na cúpula do partidão [onde, com efeito, se concentram as castas, sociais e econômicas, cubanas] não há negros".

 

Além de falar besteiras, você gosta de mentir. Vamos aos fatos. Apresento alguns dirigentes históricos do PC cubano:

Lázaro Peña

Aracelio Iglesias

 

Jesús Menéndez Larrondo

 

Juan Almeida Bosque

 

A foto abaixo é um flagrante do parlamento cubano, nela fica claro que:

1) A elite branca se mandou para Miami (e você simpatiza volta dela por cima da carne seca).

2) Que ao promover a educação e as oportunidades para os pobres, ou seja, a igualdade efetiva para todos, os negros cubanos desfrutam, como afirma o Militão, uma situação de IDH sem paralelo no mundo.

 

 

 

 

n almeida

É piada?

Você vai ao site do partido comunista cubano, e dai?

Qual a credibilidade desse site? Lá eles falam dos problemas também? Ou, dos presos políticos e mazelas do país/Cuba? Ou, da corrupção?

Todos os caras citados por você participaram da revolução. Deles, só um está vivo - e quase centenário. Ademais, você mostra um foto, sem crédito, de um evento que não se consegue perceber o que é.

Qual é a situação real do negro em Cuba? Por favor, sem propaganda oficial do partidão. 

Conta outra!! Ainda não consegui rir...

Abs.

Piada é você afirmar que não há negros na direção do PC cubano. Quem melhor para dizer quais são seus dirigentes senão o próprio PC cubano? Qual é a sua credibilidade, para afirmar não há negros entre os dirigentes comunistas cubanos? Sempre houve e continuam existindo na direção do partido em Cuba, basta verificar na página.

Os comunistas sempre tiveram bases entre os lutadores negros, em Cuba, no EUA, no Brasil, na África e em toda a parte; lideranças como Angela Davis, Paul Robenson, Carlos Marighela, Patrice Lumumba, Agostinho Neto, Amílcar Cabral, Nelson Mandela e tantos outros.

A foto do parlamento cubano eu retirei da página da CNN do México, você pode confirmar acessando aqui.

Alguns dirigentes atuais do PC cubano, o partido em que na cúpula, segundo você, "não há negros".

 

Juan Esteban Lazo Hernández

 

Salvador Valdés Mesa


Lázara Mercedes López Acea

 

Olga Lidia Tapia Iglesias

 

 

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