O “SER RACIAL’ e o ser humano:

       Um observador social diz que a guerra civil dos Estados Unidos - 1861/1865 - que colocou em confronto os brancos do norte contrários ao escravismo dos brancos do sul ainda não terminou emergindo a questão racial para eles ainda é uma questão fundamental da guerra civil, deles. A última eleição do Presidente OBAMA nos revela que aquela guerra e a questão racial continua dividindo o país. Tal embate histórico em que o norte, base de um capitalismo mais avançado, vencedor se impõe e derrota o atrasado escravismo do sul. Para compensar os derrotados permitiu-se uma reação sulista com a doutrina “equal, but separate” aprovada por lei em 1868. Ou seja, a teoria do desenvolvimento exclusivista para brancos e para os afro-americanos, desde que separados, apartados. Foi a primeira e tosca versão do direito de ´ser diferente´ pela raça.

     Com a lei federal, vários estados passaram a segregar direitos raciais, especialmente os do sul. Eram as pejorativas leis ´Jim Crown´ (algo como Zé Ninguém) com a finalidade de ridicularizar os pretos. Em 1896, um caso questionando uma dessas leis segregacionistas chegou até a Suprema Corte: o Caso “Plessy vs. Ferguson”. A Suprema Corte, com apenas um voto contrário, decidiu que a reserva de acomodações “separadas, mas iguais” pela ´raça´ seria compatível com a cláusula da igualdade. A partir daí, foi desenvolvida a doutrina “iguais, mas separados” .

     A fim de garantir a separação os racistas brancos mais pobres formaram um exército racista - a Kukluskan - destinado a confinar os pretos no seu devido lugar e cujo principal financiador no início dos anos 1900 foi o industrial Henri FORD o mesmo que instituiu com seu patrimônio a FORD FOUDACION que continua financiando elites intelectuais para a defesa de políticas de segregação racial nos EUA e também, agora, no Brasil.

     Eis a similaridade histórica, com mais de um século de intervalo: o nosso Supremo Tribunal em 2012, por unanimidade, considerou que a segregação de direitos raciais é compatível com a cláusula da igualdade do artigo 5º da Constituição e mais ainda, desconsiderou a regra expressa no artigo 19: "É vedado à União, Estados, Distrito Federal e Municípios: criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si."

      Com tal deliberação o estado passou a incentivar o pertencimento racial, aquele sentimento que é uma prisão imutável, no dizer de SERGIO BUARQUE em ´Raízes do Brasil´ que continua sendo mobilizadora – para o mal – daquela grande democracia do norte.

     A principal perversidade é que a violência do racismo afeta mais os pobres, principalmente os brancos despossuídos de bens passam a dispor de um valioso patrimônio ´racial´ de uma presumida superioridade racial para opressão das pessoas de cor, igualmente pobres a quem foi outorgada a ´raça negra´, na condição presumida da raça inferior conforme a doutrina do racismo. A atuação do racismo agride mais aos pretos e pardos mais pobres, hipossuficientes, sem fôrças e recursos para reagir.

       DIREITOS SEGREGADOS PELA ´RAÇA´:

       A FORD FOUDACION e outras fundações norte-americanas desde os anos 1990 se propuseram a edificar no Brasil um país com identidades raciais conforme fizeram nos Estados Unidos. Neste sentido tem sido investido milhões e milhões de dólares neste empreendimento através da doutrinação e formação de lideranças intelectuais e acadêmicas para a defesa da segregação de direitos em bases raciais: querem nos ensinar que a cor da pele signifique diferença humana passível de direitos.

       As cotas raciais nas universidades e em concursos públicos, ora sendo implantadas no Brasil, fazem parte das chamadas políticas de "reconhecimento da diferença"  cujas demandas estão ligadas a representação, a cultura e a identidade dos grupos étnicos, raciais, sexuais, dentre outros.

       O reconhecimento das diferenças pelo estado, quando segrega direitos ´raciais´ de forma compulsória, adota o princípio da doutrina norte-americana do século 19 que autorizou as leis de segregação racial somente derrotadas nos anos 1960 pelo movimento dos Direitos e Liberdades Civis liderados pelo Dr. MARTIN LUTHER KING na onda do anti-racismo impulsionado pela consciência mundial dos males do racismo estatal na tragédia da 2ª guerra mundial. É uma nova roupagem para a doutrina de “iguais, mas, separados” da Suprema Corte dos Estados Unidos e consubstanciada nos direitos exclusivistas, na segregação de direitos, agora no que seria o direito ao reconhecimento de ´ser diferente´ pela raça.

       O ´direito´ de ser diferente?

     A propósito de comentários no post "O racismo contido no ´politicamente correto´ -  http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-racismo-contido-no-politicamente-cor... - em que se defendeu o direito de tratamento diferenciado em razão de características pessoais dentre a espécie humana, ouso trazer minha reflexão que faço a partir de NANCY FRASER, a filósofa feminista, que desde os anos 1990 tem apontado os vícios e virtudes dessa tendência de políticas públicas em que, sob a questão racial, trago a evidencia delas serem reacionárias. Não tenho dúvidas: a segregação de direito raciais é uma opção de direita visando minar os ideais iluministas da igualdade e unicidade da espécie humana e os sonhos socialistas da mais proveitosa e substancial igualdade material para todos.

      Para contextualizar a marcha das cotas raciais no Brasil que tem sido patrocinada a partir de 2003 pelos governos mais comprometidos com as mudanças sociais, consagrando os esforços e os investimentos das ´foudacion´s´ norte-americanas, lembro que as primeiras iniciativas de segregação de cotas raciais, possuem DNAs que apontam para a pior direita: aquela que se esconde no populismo e não faz o discurso da direita.

      Pois bem, a primeira lei de cotas raciais nas universidades, surge no Rio de Janeiro em 2001, por decreto do governador Garotinho, então no PDT. O primeiro projeto de lei de cotas raciais na universidade e concursos públicos foi proposto no Senado em 1997, pelo Senador SARNEY, conhecido líder populista do Maranhão. Por essa razão, na presidência do Congresso SARNEY foi o grande fiador e impulsionador do PLC 180/2008 de autoria de outra maranhense a Deputada NICE LOBÃO do PFL-MA, que aprovou em 2012 a Lei de Cotas nas universidades. Os afro-brasileiros que viveram e vivem sob influência dos governos Garotinho e Sarney, disputam a liderança de ausência do estado, violência policial, degradação dos direitos sociais, milícias institucionalizadas, territórios sob controle do crime organizado. Os afro-maranhenses são vítimas do mais baixo IDH dentre todos os afro-brasileiros, de 0,488, no mesmo nível dos africanos mais pobres. Com o maior número de terras de REmanescentes de Quilombos já identificadas pela Fundação Palmares, cerca de 45% das mais de 1.000 comunidades, decorridos vinte e quatro anos, não tem sido reconhecida nem recebido os títulos das terras conforme determinou o artigo 68 das Disposições Transitórias Constitucionais de 1988.

      O festejado jurista LUIS ROBERTO BARROSO em alentado parecer a favor da segregação de direitos pelas cotas raciais, não encontrou outra convincente base constitucional nem razões na filosofia jurídica para justifica-las, que não fosse discutível, senão esse duvidoso direito ao reconhecimento de ser diferente que será ainda mais pernicioso se aplicado pelo estado pela consideração de diferença ´racial´ conforme tem sido empregado nas leis e políticas públicas no Brasil. Desde o fim da 2a guerra mundial, a luta contra o racismo estatal, impõe aos estados nacionais a abstenção em políticas públicas raciais.

       A despeito da decisão unânime do Supremo Tribunal, de abril passado, que veio impulsionar os defensores de políticas raciais segregadas continua valendo a expressão do sentimento nacional outorgda pelo povo consittuinte que está inscrito como uma cláusula de direitos humanos, portanto, não passível de emenda supressiva, no art. 19 da CF/88: "É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: .... III - criar distinções entre brasileiros ou preferências entre sí.      

       Ao contrário do que muitos pensam, esse é um debate que não terminou. Ele apenas começa. A unanimidade do plenário do STF, onde deveria imperar a sabedoria e o dever de honrar, cumprir e fazer cumprir a Carta Cidadã, apenas confirma a máxima de Nelson Rodrigues. Algum dia no futuro teremos uma composição da Corte Alta comprometida com os ditames expresssos na Carta que tem sido, reiterada e sistematicamente violada por seus membros que não receberam essa incumbência do constituinte originário: o povo.

        A DIFERENÇA PELA ´RAÇA´?

      As demandas por reconhecimento com direitos segregados e exclusivos vêm adquirindo maior relevância na arena política desde o fim do século 20. FRASER (2001) afirma que a luta por direitos a diferença se tornaram a forma paradigmática de conflito político. Para ela, demandas por ‘reconhecimento das diferenças’ alimentam a luta de grupos mobilizados sob as bandeiras da nacionalidade, etnicidade, raça, gênero e sexualidade.

        Nesses conflitos pós-socialista as identidades grupais substituem interesses de classe como principal incentivador para mobilização política. Dominação cultural suplanta a exploração como a injustiça fundamental. E o reconhecimento cultural desloca a redistribuição socioeconômica como remédio para injustiças e objetivo da luta política.

        De fato existem diferenças biológicas que merecem atenção e atribuição de direitos: pela idade de uma criança ou de um ancião; pelo gênero e condições da maternidade feminina; pela mobilidade e acessibilidade dos portadores de necessidades especiais. Porém, a grande questão é se, por um fato irrelevante como a cor da pele, poderia ser considerada uma ´diferença´ sob o rótulo de ser uma diferença´racial´?

        E afirma com acerto: “De algum tempo tempos para cá, as forças da política progressista dividiram-se em dois campos. De um lado encontram-se os proponentes de ´redistribuição´. Apoiando-se em antigas tradições de organizações igualitárias, trabalhistas e socialistas, atores políticos alinhados a essa orientação buscam uma alocação mais justa de recursos e bens. No outro lado, estão os proponentes do ´reconhecimento´. Apoiando-se em novas visões de uma sociedade ´amigável às diferenças´, eles procuram um mundo em que a assimilação às normas da maioria ou da cultura dominante não é mais o preço do respeito igualitário.”

        O diagnóstico da autora é preciso: “ Membros do primeiro grupo esperam redistribuir a riqueza dos ricos para os pobres, do Norte para o Sul, e dos proprietários para os trabalhadores. Membros do segundo grupo, ao contrário, buscam o reconhecimento das distintas perspectivas das minorias étnicas, ´raciais´ e sexuais, bem como a diferença de gênero. A orientação distributiva tem uma linhagem filosófica distinta, já que as reivindicações re-distributivas igualitárias forneceram o caso paradigmático para a maior parte da teorização sobre justiça social dos últimos 150 anos.

A orientação do reconhecimento recentemente atraiu a atenção dos filósofos políticos e, alguns entre eles, têm buscado desenvolver um novo paradigma normativo que coloca o reconhecimento em seu centro. ... Em muitos casos, as lutas por reconhecimento estão dissociadas da luta por redistribuição... Essa situação exemplifica um fenômeno mais amplo: a difundida separação entre a política cultura e a política social, a política da diferença e a política da igualdade.

Em alguns casos a dissociação tornou uma polarização... Nesses casos, realmente estamos diante de uma escolha: redistribuição ou reconhecimento? Política de classe ou política de identidade? Multiculturalismo ou igualdade social?”

A conceituada autora, em sua reflexão nos coloca um desafio:

“Realmente estamos diante de uma escolha: redistribuição ou reconhecimento? Política de classe ou política de identidade? Multiculturalismo ou igualdade social?

Essas são falsas antíteses, como já argumentei em outro texto (Fraser, 1995). Justiça, hoje, requer tanto redistribuição quanto reconhecimento; nenhum deles, sozinho, é suficiente. A partir do momento em que se adota essa tese, entretanto, a questão de como combiná-los torna-se urgente. Sustento que os aspectos emancipatórios das duas problemáticas precisam ser integrados em um modelo abrangente e singular. A tarefa, em parte, é elaborar um conceito amplo de justiça que consiga acomodar tanto as reivindicações defensáveis de igualdade social quanto as reivindicações defensáveis de reconhecimento da diferença. (Fraser, Nancy, 2007, “Reconhecimento Sem Ética”, Lua Nova, 070, pp. 101-138 ) http:// www.scielo.br/pdf/ln/n70/a06n70.pdf

Neste mesmo sentido, em saudação a reeleição do Presidente OBAMA, http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-renovacao-da-esper anca-...  - relembrei sua posição política de rejeição às políticas públicas em bases de direitos pela diferença. Está consagrada em seu livro (A Audácia da Esperança, 2005), verdadeira plataforma política. Ele consagra a síntese de uma plataforma de superação de crenças negativas baseadas na crença em raças, no machismo, sexismo e homofobia que sustentaram as culturas defeituosas dos séculos 19 e 20 na América e no mundo: "Eu rejeito a política baseada apenas na identidade racial, na identidade homem-mulher ou na orientação sexual. Eu rejeito a política baseada na vitimização.".

No exercício da presidência, apesar das adversidades da crise econômica e firme oposição da direita conservadora que tem sido eleita com discursos racistas para emparedar a vontade política de OBAMA, ELE tem honrado A sua disposição que podemos mudar o mundo para melhor, para usufruto de todos e não de parcelas do todo o que tem sido a tônica do capitalismo liberal somente temperado pelos esforços das demandas socialistas no século 20. Agora novamente sob ameaça dos direitos segregados pelas ´diferenças´ humanas.

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n almeida

Até prova em contrário, o que chega de Cuba deve ser colocado sob suspeição. Não há como separar propaganda politica de notícia. Sem imprensa livre, ou liberdade de expressão, Cuba é uma ilha inescrutável ao olhar estrangeiro, ou, de quem não é simpatizante. 

Nada não muito diferente do que acontece na China ou em qualquer outra ditadura ou semiditadura como, com efeito, são Cuba e China.

Abs.

Você foge da questão, fez uma afirmação leviana sem nenhuma base e ainda veio cobrar de mim, fontes para uma foto da CNN que mostrei. A CNN para você também é suspeita a favor de Cuba?

Seja objetivo: de onde tirou que "não há negros", na cúpula dirigente de Cuba?

Fontes, eu quero fontes, não essa vaga nuvem de suspeição que levanta.

Eu mostrei que existem muitos e sempre existiram na direção do partido e no parlamento cubano; você baseia tudo na sua ignorância e num anticomunismo primário, sem apresentar nada que comprove sua afirmação.

Os comunistas em Cuba, em todas as Américas e ao redor do mundo não tiveram problemas, para admitir negros na sua militância e nos seus quadros dirigentes. Admitiam negros, judeus, índios, asiáticos, como obrigação de uma ideologia internacionalista. No EUA constituiram sua base principal entre os negros.

Citei nomes de várias lideranças negras comunistas em Cuba, do passado e do presente, assim como outras mundo afora. Você não consegue arrumar uma razão plausível para apoiar o que afirma, por isso só posso chamá-lo do que você é: um mentiroso.

Caro Antonio.

Talvez tu que queiras mostrar o meu discurso como ambíguo, porém ele é bem claro. Jamais neguei a existência do racismo no Brasil, assim como jamais neguei que exatamente há uma equivalência entre há disparidade de renda e a origem étnica da população, e talvez aí que tu insistes em não reconhecer.

Se tens a noção perfeita que há uma correlação entre nível de renda e origem étnica, sabes perfeitamente que cotas sociais atingirão exatamente os mesmos que as cotas sociais, porém a nossa diferença está na visão do futuro.

Eu quero um futuro em que conseguida a igualdade de todos esta igualdade seja baseada no único conceito de raça que admito, a raça humana. Aí está a nossa diferença, queres perpetuar ad aeternum o racismo, eu quero, nem que seja daqui a 500 anos que a cor seja algo como o tamanho ou o peso das pessoas, uma mera questão de individualidade.

Estamos em lados opostos na visão do futuro, que talvez não seja para nossa geração, nem para as dos nossos filhos ou dos nossos netos, mas que quanto mais rápido isto chegar melhor.

Esta visão de futuro, não é de um futuro em que se esqueça o passado, principalmente uma visão que mostre o que cada pessoa ou cada grupo de pessoas contribuiu para os demais, isto passa pelo conhecimento da cultura de todos os nossos antepassados, todos sem excluir nenhum.

Bom dia Maestri!

{{{Se tens a noção perfeita que há uma correlação entre nível de renda e origem étnica, sabes perfeitamente que cotas sociais atingirão exatamente os mesmos que as cotas sociais, porém a nossa diferença está na visão do futuro.}}}

Seu argumento é tão frágil quanto a situação econômica e social do negro no Brasil.

1. Ao dizer que cotas sociais atingirão os mesmos objetivos das cotas étnicas, você nega que o racismo,  seja a principal barreira a ser vencida pelo negro no Brasil. E, aí, mais uma vez, seu discurso é ambíguo. Ao mesmo tempo que você "admite" o racismo no Brasil, você afirma que o racismo, grosso modo, não é o responsável pela péssima visibilidade econômica do negro no Brasil;

2. Por um lado, ao "admitir" o racismo no Brasil e, por outro lado, afirmar que ele, racismo, não contribui, efetivamente, para  a pifia visibilidade econômica e social do negro no Brasil, você incorre em um paradoxo. Se não fosse o racismo a força motriz que impele o negro, no Brasil para trás, haveria, no Brasil, uma isonomia e paridade, econômica e social entre negros e brancos. Isto é, você, em São Paulo, teria nos Jardins ou Morumbi, o mesmo número de negros e brancos. E, sobretudo, morros e favelas, não seriam reduto exclusivo de negros e não brancos. Não bastasse isso, os negros no Brasil, não ganhariam em média 60% do salário de um branco.  E, em cima disso, face às cotas sociais nós teríamos um pai negro tendo que manter o filho na Universidade com 60% do salário que um pai branco manteria o seu no mesmo lugar...;

3. Os brancos, no Brasil, não foram alijados de escolas - com o fim da escravidão, em sua maioria analfabetos, os negros brasileiros foram expulsos da urbanidade das cidades para locais onde não havia escolas para seus filhos. Os brancos, no Brasil, não perderam seus postos de trabalho para imigrantes  brancos e eurocentricos que, não raro, sempre tiveram a preferência e, em especial, foram alvo das vantagens [cessão gratuita de terras/ajuda financeira] oferecidas pelo governo brasileiro.

Abs.

          Antonio,

          O post se refere à dualidade entre a doutrina distributivista e o doutrina do direito de ´ser diferente´ para usufruto de direitos em bases raciais.

         Não debatemos se há ou não racismo no Brasil, algo consensual, e sim por quais caminhos de políticas públicas devemos enfrenta-lo e derrota-lo com mais eficácea e menores efeitos colaterais como, por ex., o niilismo social que está destruindo a comunidade afro-americana.

         O que dizem os doutrinados do direito por ´ser diferente´, tem a lógica do capitalismo, pois sem alterar a realidade social coletiva, a escala da desigualdade seja ´democraticamente´ distribuida entre as diversas ´raças´. É o que fazem as políticas raciais nos EUA, por exemplo.

         Você e os defensores de cotas raciais segregadas se conformam com isso: a convivência com o racismo desde que alguns sejam beneficiados. Nós opositores dessa solução apontamos a perversidade dessa solução. A alforria, no tempo da escravidão fazia isso: numa senzala de 100 se prometia a liberdade para 5 e anos depois, concedia para um. O sistema continuava perverso, desumano. Os beneficiados tinham uma função no sistema: serviam de classe intermediária. Não eram escravos nem eram cidadãos na plenitude e deviam lealdade e gratidão eterna ao concedente. Eram cidadãos de 2a classe, no dizer de Emilia Viotti da Costa ´Da Monarquia à República´.

       A escolha da estratégia torna relevante um ponto de discórdia evidente entre nós: é o reconhecimento das causas do racismo. Da fonte primária da ideologia de raças. E essa fonte foi o capitalismo mercantil dos séculos 18 e 19 que acumulou riquezas para o capitalismo do século 20.

        STEVE BIKO, jovem lider sulafricano assassinado pelo regime do aphartheid, consignou uma frase síntese: "racismo e capitalismo são as duas faces da mesma moeda. A moeda da opressão."

        Quem não tem essa compreensão histórica, sempre pensa que a escravidão africana decorreu do racismo e não o contrário. O racismo, criado a partir do século 18 serviu-se do antigo sistema escravocrata para edificar a hierarquia humana e a exploração dos trabalhadores, para o tratamento desigual, para a opressão de um sistema econômico.

         Assim, servir-se do conceito de ´raça´ e considerar a raça uma diferença digna de ostentar direitos é aceitar a lógica do racismo e do capitalismo sem a preocupação de se cuidar do distributivismo dos recursos disponíveis a favor de toda a humanidade. Aceitar a raça como diferença é aceitar a convivência com o racista. FANON já dizia isso em 1956: "Numa sociedade com a cultura de raça, a presença do racista, será, pois, natural."

         Essa foi a dicotomia posta em debate e seria conveniente a tua argumentação na defesa dessa diferença racial que você deseja objeto do exercício de direitos. De meu ponto de vista, jamais o estado poderá reconhecer a falaciosa ´diferença´ racial sem que isso não fomente ainda mais o racismo.

         Por último, o discurso da vitimização, é lamentável. A maioria dos pretos e pardos não querem esse choramingo. Querem que o estado nos assegure a igualdade de tratamento e de oportunidades o que não significa privilégios ´raciais´.

        

     Presidente da Suprema Corte de Cuba:

Rubén Remigio Ferro, presidente del Tribunal Supremo Popular de Cuba.



RUBÉN REMIGIO FERRO
Nivel escolar: Superior. Ocupación: Presidente del Tribunal Supremo Popular. Es Licenciado en Derecho en la Universidad de La Habana. Inició su vida laboral-profesional en 1980 en el Sistema de Tribunales Populares, donde ha permanecido hasta la actualidad y ocupado diversas responsabilidades. Integró el Comité Provincial en Pinar del Río, de 1993 a 1997. En 1996 fue designado funcionario del Comité Central del Partido en el área de atención a los Órganos Estatales y Judiciales. En el orden profesional ha recibido e impartido cursos de posgrado, conferencias, talleres, seminarios y otras formas académico-docentes, Municipio: Mantua.

Bom dia Militão!

O racismo não é instaurado por decreto governamental, ou, se extingue por decreto ou leis. Logo, essa história de que ações afirmativas/cotas para negros vai/possa arrefecer o racismo no Brasil é um factóide e, sobretudo, um dos mais recorrentes argumentos do neorracismo brasileiro. Seria o mesmo que dizer que a liberação feminina dos anos de  1960, e posterior criação, no Brasil, de ações afirmativas para mulheres iria aumentar [ou tenha aumentado] o "ódio" contra as mulheres. Per se o seu argumento não se sustenta das pernas!!

Quanto à vitimização [de novo as mulheres], seguindo o seu raciocínio, os movimentos feministas, ao se "vitimizarem", isto é, ao reclamar dos maus tratos e, sobretudo, exigir isonomia de direitos em paridade com o homem, paradoxalmente, estariam choramingando ou se humilhando? Ou será que elas não estariam, como os negros exercendo seu direito à cidadania? 

Ou, mais ainda, o movimento LGBT, estaria vitimizando/choramingando ao reclamar de espancamentos e mortes e, não raro, do preconceito que sofrem no cotidiano? 

No caso de mulheres, LGBTs, negros e indígenas, não obstante, o Estado dizer que todos são iguais e devem ser tratados de forma equânime, eu e você, e toda a torcida do Flamengo e e Corinthians, sabemos que isso não ocorre.

Ademais, no caso dos negros brasileiros, há necessidade de reparações históricas - já dizia Abdias do Nascimento.

Prezado Militão, seus argumentos são pueris, inócuos e, mesmo embalados em refinada erudição, com efeito,  encerram, cá e lá,  algo como a Síndrome de Estocolmo, baixa auto-estima ou, crise de identidade étnica. 

Abs.

Caro Antônio.

Vou usar uma frase que é um lugar comum, mas que se encaixa como uma luva no teu discurso: "O pior cego é aquele que não quer ver.

Temos dois problemas correlacionados que devem ser combatidos, o racismo, propriamente dito, e a exclusão social do negro na sociedade brasileira. O último é um problema objetivo e claro, que necessita de uma abordagem também clara, já o primeiro é mais sutil e exige muito mais cuidado para ser combatido de forma correta.

Para exemplificar uma forma de combater o racismo, acho que o ensino correto da história da África, assim como estudamos a história européia, é uma forma de mostrar a grandeza daquele continente que foi (e é) pilhado pelos países centrais, mas mesmo assim manteve sua altivez e sua cultura. Acho por exemplo que mostrar ao jovem outra imagem da África do que estamos acostumados a ver na mídia convencional, aumentaria não só a auto-estima dos que são descendentes daquele continente, berço de toda a humanidade, mas como também traria aos que de lá não descendem o respeito e o crédito.

Neste item e outros tenho insistido neste assunto, e vejo por exemplo que inclusive pessoas que estão ligadas diretamente ao movimento negro, desconhecem partes brilhantes e inusitadas da história da África, em outro lugar chamaste a atenção do "orgulho" com que falam os imigrantes italianos, geralmente embalados por histórias mais fantasiosas e longe da história real. Isto é importante para estes filhos, netos e bisnetos de imigrantes, mesmo que as histórias não sejam verdadeiras. Agora o que sobra para um jovem afro-descendente, simplesmente histórias de escravidão. Pouco se fala da luta contra a escravidão levada não só por Zumbi dos Palmares, mas também não se procura chamar para a herança dos descendentes de africanos inúmeros grandes brasileiros que foram devidamente "branqueados" pelo discurso oficial. Também lembro que a escravidão não era uma regra na África, tivemos menos escravos africanos na história da humanidade do que a Roma antiga escravizou os outros povos. Mas se fala da bravura dos germanos e gauleses, povos escravizados pelos romanos, e nada da bravura dos africanos.

Poderia ficar desenvolvendo mais este único aspecto que acho importante para combater o racismo, mas vou complementar com o primeiro problema que enunciei acima, a exclusão social, devemos sim criar formas de evitar esta exclusão e acho que as cotas sociais que cobrirão muito mais os negros do que os brancos, simplesmente pelo que já discutimos e falamos várias vezes, a única diferença das cotas "raciais" é que com esta última estaremos simplesmente nos baseando num conceito errado, o conceito de "raça".

Boa noite Maestri!

Seu discurso continua ambíguo.

Não tenho tempo agora mas voltarei ao assunto. Só vou dizer uma coisa, a exclusão social do negro, no Brasil, grosso modo, existe em função do racismo. Ademais, o mesmo racismo, que segrega social e economicamente, igualmente, implode a auto estima do negro.  Ou seja, para o negro o "social" e o racismo se confundem. 

Se você fosse negro saberia... Inté!

Abs.

Antonio.

Já foste um adolescente gordo? Acho que não! Se foste saberia!

Ser discriminado não é privilégio de ninguém, é só sair do padrão "normal".

Bom dia Maestri!

Com o devido respeito, há outro assuntos em que você se sai melhor.  Discutir a questão da segregação [social e econômica]étnica: negros, racismo e afins no Brasil, com certeza não é o seu forte.

Gordos, ao se sentirem incomodados, não raro, podem emagrecer... Não dá [e nem quero] fazer um transplante de pele... O gordo, grosso  modo, está gordo, por outro lado, o negro é negro. Quando se é, e não se está, carece ter orgulho de ser o que se é e, sobretudo, ser o que se é.

Um, negro, stand up comedian americano, até fez uma piada com a analogia que alguém fez, nos EUA, com a comunidade LGT; essa determinada pessoa disse que negros e LGTs, nos EUA, enfrentam os mesmos problemas. Segundo essa stand up comedian negro o cara tinha falado besteira: LGTs podem"entrar e sair do armário" [ou como você quiser emagrecer] quando quiserem, por outro lado, os negros não têm como "esconder" o que são...

Maestri, enfim, seguindo seu raciocínio, seria mais ou menos assim: a mulher é discriminada por ser mulher, simples: vire homem....  e todos os seus problemas cessarão...

Se você fosse negro saberia...

Abs. 

Antonio

Só dei um exemplo, e realmente recebi a resposta que esperava de ti, ou seja, quem for gordo que emagreça! O teu discurso que é ambíguo, faz uma defesa do orgulho ao pertencimento de algum grupo ao mesmo tempo que faz o discurso da vitimização.

Antonio, meu caro amigo, se for conseguido uma base legal, uma forma de conseguir ir recuperando a disparidade social, a parte subjetiva do racismo só desaparecerá quando houver dois movimentos, os que discriminam acharem que o que estão fazendo é uma enorme besteira e reconhecerem no negro um igual, e por outro lado a auto-estima levarem o discriminado a não se abalar com gestos e ações não explícitas de racismo (as explícitas deverão ser punidas), isto só ocorrerá não com sentimentos de desigualdade, positivos ou negativos, mas com a certeza que todos somos iguais.

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