Aos três dias do mês e janeiro de 2009, às 22h40, reuniu-se em sessão extraordinária e por video-conferência, o Comando Superior do PIG, Partido da Imprensa Golpista. Presidiu os trabalhos o companheiro "plim-plim", secretariado pelo companheiro "de rabo preso com...", presente o quorum de 100% dos membros, no número de 7 (sete).
O presidente abriu os trabalhos explicando que a pauta era a mesma da reunião anterior, uma vez que as resoluções então tomadas e implementadas não atingiram os altos objetivos colimados; disse que, neste caso e diante de fatos recentes, era preciso intensificar a aplicação dos mesmos; que a propagação da crise econômica internacional no Brasil ("Operação Tsunami") deixava muito a desejar e a prova disso era a mais recente pesquisa sobre aprovação do governo federal que, para surpresa e desaponto geral, mostrava que o povo ainda não entendeu a mensagem tão repetida por todos os meios do PIG; assim sendo, nem se criaram as condições para o desgaste total e definitivo do governo, nem para a pré-consagração do nosso candidato antes mesmo de outubro de 2010. O presidente propôs então que sejam adotadas as seguintes providências em caráter de urgência:
1 - intensificar a propagação da crise, convocando-se todos os analistas disponíveis para mostrarem que o Brasil está em recessão. A palavra recessão precisa ser introduzida nos noticiários com a maior frequência possível, uma vez que tem o necessário conteúdo atemorizador sobre produtores e consumidores. A palavra "crise" mostrou-se inócua, daí a exigência de maior contundência;
2 - o chamado PAC precisa ser desconstruído mediante o uso muito mais frequente dos argumentos até agora usados timidamente: "não há investimentos novos", "não sai do papel", "as obras estão atrasadas", etc.; esta sub-operação destina-se especificamente a aniquilar a possível imagem positiva do programa e principalmente da sua coordenadora, a ministra D. As pesquisas recentes indicam que a população começa a conhecer a possível candidata e seu nome já sobe, surpreendentemente. Enquanto nosso candidato está em campanha massiva em todo o Brasil há mais de seis meses, a ministra D. apenas participou de alguns atos públicos e, mesmo assim, cresce! De pouco valeu a campanha de ridicularizar sua cirurgia plástica - pior, nossas pesquisas de conteúdo revelaram que a maioria das mulheres aprova quando uma delas se cuida esteticamente, e quase todas pretendem ou sonham um dia fazer o mesmo tratamento! Quem sugeriu a campanha, em nossa última reunião, deve ser sumariamente demitido, por tratar-se possivelmente de um agente infiltrado;
3 - a campanha do nosso candidato precisa ser intensificada nas duas frentes em que já se desenvolve: silêncio sobre qualquer erro ou irregularidade de seu governo, e propagação das qualidades que decidimos lhe atribuir. Para reforçar a campanha em abrangência, estamos propondo ao companheiro candidato a abertura de agências de outros órgãos e autarquias em outros Estados, o que justificará o investimento em publicidade. O modelo das águas e esgotos deve ser imitado e intensificado, apesar de alguns protestos de juízes de segunda instância no RJ e AM, facilmente contornáveis;
4 - no agravamento da crise, é possível que o presidente L. decida-se a usar rede nacional de rádio e TV para explicar à população os dados reais e as medidas que está tomando. Neste caso, devemos nos recusar a integrar tal rede e entraremos conjuntamente com mandado de segurança junto à Corte Suprema que, a qualquer hora do dia ou da noite, despachará a nosso favor, conforme entendimentos prévios. Tal impasse poderá ser proveitoso, pois teremos uma nova "crise institucional", etc.
Abertos os debates, as propostas foram aprovadas por unanimidade, rejeitada a sugestão de lançar-se uma epidemia de hepatite ou de câncer de pele (aproveitando o fim do verão), devido aos maus resultados da operação febre-amarela. Rejeitou-se ainda a proposta de sabotagem a hidrelétricas ou linhas de transmissão, considerada inoportuna, nesta fase, e recordando-se o fracasso da sabotagem aos gasodutos pelos companheiros da Bolívia, que resultou em maior apoio ao presidente daquela nação indígena.
Aprovadas as propostas por 7 (sete) votos a O (zero), o presidente agradeceu, lembrando o sigilo absoluto sobre este encontro e que, em caso de vazamento, nenhum dos presentes conhece os demais.
Cumpra-se e delete-se.

(PS - Esta é uma obra de ficção, qualquer semelhança...blá,blá, blá.....)

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Respostas a este tópico

Oi, Antônio
Nao é diretamente sobre o seu texto nao, mas é relacionado. Estou colecionando todas as matérias que saem em blogues denunciando aspectos dos (des)governos de Serra e de Aécio. Seria bom que todos fizéssemos o mesmo, para termos "material de divulgação" em 2010...
Um abraço, e parabéns pelo seu texto
AnaLú
Sem dúvida. Não sei se meu PC e minhas pastas em papel terão espaço suficiente...Eles nos dão munição todos os dias. Veja hoje o racha da bancada federal tucana, por causa do golpe do Zé Anibal pela liderança.
O Serra, que há poucos dias era mostrado pelo PIG como grande conciliador, só porque deu um cargo e muitos empregos pro Alckmin e sua turma, acaba de apanhar nas duas casas do Congresso. Não lidera ninguém, a não ser o Taxab!
Tamos na luta, amiga!
Antonio, diacho, isso tá muito engraçado, he, he
Revelando mais e mais facetas... agora a de cronista-contista he, he...

Ana Lú & Antonio, que tal o movimento:
“Doe parte do espaço de seu PC para a formação de um arquivo coletivo das patranhadas... “

VOCÊS SÃO ÓTIMOS!!!

Saudações blogueiras \O/

Helô
a "crise" do governo lula começou a zero hora do dia da posse de lula, na primeira eleição.
o antônio, vc já imaginou se a imprensa devotasse o destaque proporcional ao castelo do moço do DEM aquele que foi dedicado à crise da tapioca?

diz aí, mano! levariam dois anos cobrindo o evento...

isto é imprensa?
Perfeito Antonio, e mesmo o Sr. alertando que se trata de uma obra de ficção, corre-se o risco de ser real e um dos 7 membros ser considerado o "agente infiltrado" da vez, fiquemos de olho, talvez ele apareça.
Quanto a "munição" gentilmente cedida pelos (des) governos de Serra, Aécio e outros menos cotados, além das trapalhadas partidárias e de seus membros, contamos com a inestimável web onde nada é deletado de fato.
Texto digno de todos elogios.
Um Abraço
Gabriel
Ficção mesmo foi o pico do petróleo.
Essas quedas no mercado e baixas no crescimento econômico afetam o mundo captalista a cada 60 anos, com pequenas alterações a cada 20 anos completanto com a "crise" maior no ciclo de 60anos, e o pior é que não acaba com pizza, e independe do tipo de governo ou de economia, dizem ser a dança dos números da balança comercial, mas acho que é só a queda da bailarina principal arrastando todo o cenário.
Gostei do texto.

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