Algum tempo que procuro informações sobre a AVAAZ. No quem somos, não diz quem são claramente......mas, procurando na internet(bendita seja) descobri muitas coisas....um dos melhores artigos posto aqui para esclarecimento dos interessados.

abraços.

 

Petições da Avaaz rendem milhões de dólares. As campanhas são sérias ou é golpe na internet?

AVAAZ é uma ONG de uma única pessoa que já faturou mais de 11 MILHÕES DE DÓLARES em doações feitas por internautas.

Pedidos de doações são disfarçados em textos apelativos de petições que exploram qualquer assunto em destaque na mídia. O dinheiro das doações vai para uma conta no exterior.

As mensagens são enviadas de um computador dos Estados Unidos. Ou seja, a ordem para brasileiros clicarem em alguma coisa vem de fora do País.

IP dos e-mails da Avaaz 69.60.9.158
Resultado da consulta: IP Address: 69.60.9.1 Country: United States

Esta ONG norte-americana surgiu há pouco tempo na internet pedindo doações em suas campanhas (petições) e já está MILIONÁRIA. Pertence a uma única pessoa conforme informações da declaração de imposto de renda apresentada ao fisco do governo dos Estados Unidos (Department of the Treasure - Internal Revenue Service)

Pesquisando na internet verifica-se que o dono da Avaaz tem várias ONGs virtuais e todas usam a mesma tática da Avaaz de pedir dinheiro pela internet enviado petições sobre assuntos com forte repercussão na imprensa. Percebe-se que Avaaz é apenas um nome diferente para as ONGs virtuais MoveOn.org e Res Publica.

Uma de suas ONGs virtuais, Faithful América (FA), criada em 2004, explora o sentimento religioso das pessoas para pedir dinheiro em petições. O nome “Faithful América” pode ser traduzido como América da Fé. Em 2008 mudou de nome para Faith in Public Life (Fé na Vida Pública).

Pelas informações no site da FA, percebe-se claramente que trata-se de uma versão religiosa da Avaaz.org ou da MoveOn.org: a FA é uma comunidade online de milhares de cidadãos motivados pela fé para agir nas questões prementes moral do nosso tempo e mobiliza seus membros, solicitando sua participação nas petições de internet, campanhas de envio de cartas, manifestações, eventos e grupos de pressão.

A Avaaz apareceu no Brasil usando algum artifício para disparar em massa mensagens com as petições e pedido de doações para milhares de contas de e-mails do Brasil. Depois, alguns internautas brasileiros fizeram o resto do serviço para a Avaaz prospectar doadores aqui, reenviando as petições para seus contatos, que por sua vez repassaram para outros e assim por diante.

Em uma de suas primeiras mensagens a Avaaz dizia que tinha o poder até de “persuadir” o Presidente Lula. Imagine se isso fosse verdade. Uma ONG estrangeira, comandada por uma única pessoa, sem registro no Brasil (as doações de brasileiros vão para uma conta no exterior, via cartão de crédito internacional), dispara mensagens em massa de outro país capazes de influenciar até nosso Presidente.

Nos Estados Unidos é obrigatório as ONGs tornarem públicas suas declarações de imposto de renda. No ano passado a AVAAZ Foundation publicou em seu site as declarações de imposto de renda, do período de 01 junho de 2006 até 31 de dezembro de 2009, apresentadas ao fisco do governo dos EUA (Department of the Treasure - Internal Revenue Service), que estão disponíveis nestes links

Declaração Imposto de Renda 01jun2006 a 31mai2007 - anual

Declaração Imposto de Renda 01jun2007 a 31mai2008 - anual

Declaração Imposto de Renda 01jun2008 a 31dez2008 - semestral

Declaração Imposto de Renda 01jan2009 a 31dez2009 - anual



ARRECADAÇÃO de doadores

De acordo com estas declarações de imposto de renda apresentadas ao governo dos EUA a AVAAZ Foundation arrecadou em doações as seguintes quantias

01jun2006 a 31mai2007 – 1,093 MILHÕES DE DÓLARES
01jun2007 a 31mai2008 – 4,398 MILHÕES DE DÓLARES
01jun2008 a 31dez2008 – 1,275 MILHÕES DE DÓLARES
01jan2009 a 31dez2009 - 4,767 MILHÕES DE DÓLARES

TOTAL DO PERÍODO (jun/2006 – dez/2009): 11,534 MILHÕES DE DÓLARES.


DESPESAS – salário do diretor-executivo: R$ 40 mil por mês

O que o dono da avaaz.org faz com os milhões de dólares que arrecada? A atividade de disparar mensagens em massa na internet tem um custo muito baixo.

Observem na declaração de imposto de renda que o diretor-executivo recebeu US $ 126 mil no semestre 01jun2008 a 31dez2008, que dá 21 mil dólares mensais, ou seja, aproximadamente R$ 40.000,00 por mês de salário (o dobro do valor declarado no exercício anterior). A Avaaz declarou que tem apenas 6 funcionários e 20 voluntários.

Declararam também ao fisco do governo norte-americano que no segundo semestre de 2008 pagaram 129 mil dólares para um consultor e que gastaram 2008 a quantia de 2,673 MILHÕES DE DÓLARES com a campanha das mudanças climáticas (não há detalhes como esta quantia foi gasta).

CREDIBILIDADE da AVAAZ - AS PETIÇÕES FUNCIONAM?

A comodidade de alguém exercer a cidadania por você tem um preço. Já se constatou vários equívocos nas petições, como falhas de interpretação de matérias jornalísticas (do congresso nacional, exemplo), comemoração de vitórias que foram terríveis derrotas. Basta ler atentamente os textos que já se percebe algo estranho. O que é motivo para muitas desconfianças.

Petição sobre a Lei da Grilagem da Amazônia

Veja o equívoco da Avaaz na informação em seu site sobre o resultado da votação Medida Provisória (MP) da legalização da grilagem de terras na Amazônia. Ao contrário do que a Avaaz informa, a MP da grilagem virou lei e foi considerada uma das maiores derrotas da história do ambientalismo brasileiro.

Do site da Avaaz
A floresta Amazônica - No ápice de um momento de decisão em junho de 2009, membros da Avaaz no Brasil fizeram mais de 14.000 ligações e enviaram mais de 30.000 mensagens online ao presidente Lula em dois dias. No último momento, a pressão pública reverteu a lei que daria boa parte da floresta Amazônica para a exploração de agronegócios (Junho 2009). Uma grande vitória para o Brasil, e para o planeta, já que a Amazônia consome enormes quantidades de gases estufa que vem aquecendo o planeta.

Como todos sabemos, a MP da grilagem virou lei, isto é, foi aprovada e sancionada. Veja o que imprensa publicou na época

Senado aprova MP da Grilagem

Vira lei medida provisória apelidada de MP da grilagem

Lei que regulariza terras irá beneficiar grileiros, afirma Marina S...

Petição sobre a Lei da Ficha Limpa.

Em seu site a Avaaz comete exageros em sua propaganda internacional. Reinvidica ter sido responsável pela lei da ficha limpa no Brasil. Diz na propaganda que foram suas petições na internet que fizeram surgir um movimento popular no Brasil para propor a lei da ficha limpa.

Do Site da Avaaz
Brazil (730,000 members) we took a civil society movement online and drove an anti-corruption law through congress that is putting large numbers of corrupt politicians out of a job - widely hailed as a political revolution.

Conforme a imprensa tem noticiado, foi o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), que fez a proposta e a campanha para coletar mais de 1,6 milhão de assinaturas.

Por ingenuidade, o MCCE publicou em seu site um link para a site da Avaaz hospedado nos Estados Unidos da petição oportunista que explorou a repercussão na imprensa do projeto de lei da ficha limpa para pedir dinheiro aos brasileiros. Pelo jeito, o MCCE não deve se importar muito com a ficha de seus parceiros. Casa de ferreiro, espeto de pau. Já as ONGs brasileiras que tanto lutam combatendo a corrupção, os crimes ambientais, os licenciamentos ambientais ilegais etc. não merecem destaque na página do MCCE.

Na verdade, a Avaaz disparou a petição da ficha limpa pela primeira vez somente na véspera da votação na câmara (detectou o assunto porque estava bombando na mídia). Quando a lei tinha sido aprovada na Câmara havia 20 dias e já estava havia 3 dias no senado (e voltou a ser destaque na mídia), a Avaaz mandou outra mensagem estranha com o seguinte teor: Vencemos! A lei da ficha limpa foi aprovada, agora deverá ir para o Senado. Nas próximas semanas vamos precisar de vocês novamente para pressionar o Senado. Ou seja, mandou esta mensagem esquisita do resultado da votação na Câmara 20 dias depois do fato ter ocorrido e quando faltava apenas 1 dia para o prazo dos senadores aprovarem (para valer nas eleições de 2010).

É incrível as pessoas acreditarem na seriedade destas petições. Exercer a  cidadania, provocar as mudanças no Mundo, exige muito mais esforço do  que ficar na frente do computador clicando e repassando e-mails com  pedido de doações. Exercer a cidadania não é ajudar a iludir as pessoas  espalhando pela internet estas mensagens.

Se arrecadaram  milhões de dólares por que não contratam jornalistas especializados? Por que não contratam um sistema de auditoria para atestar a autenticidade destas petições?

No exterior, há também muitas críticas, dúvidas e desconfianças sobre a eficácia das campanhas. Uma pessoa, por exemplo, acusa a Avaaz de ter fornecido seu e-mail para anunciantes (veja abaixo); quando se conferiu a autenticidade de uma petição no Canadá, descobriu-se IPs falsos. O dono da Avaaz alega que alguém entrou no sistema e inseriu aqueles milhares de IPs falsos       e entrou na justiça exigindo investigação. Comenta-se na imprensa que devido ao sucesso de arrecadação de MILHÕES DE DÓLARES em doações é provável que muitos golpistas já tenham clonado a Avaaz pelo mundo inteiro e lançam as petições com pedido de doações desviados para uma conta particular.

COMENTÁRIOS – Forum da Austrália e blog da Irlanda

AUSTRÁLIA - Forum, acessado em 05/02/2011
Tradução
18 de dezembro 2010
Titulo da postagem: Avaaz é uma farsa

Recentemente aderi a uma petição da Avaaz, enviada por um amigo.

Hoje recebi um e-mail pedindo dinheiro. Eles dizem que têm 6,5 milhão de membros e que aumenta em 60.000 por semana.

Uma doação muito pequena de $ 3 ou $ 5 por semana a partir de 10.000 Avaazers cobriria todos os custos para manter uma pequena equipe, ajudando a salvar vidas em situações de emergência humanitária, a proteção do meio ambiente e dos animais, combater a corrupção e o crime organizado, trazer a paz e reduzir a pobreza ..

Objetivos ambiciosos: Eu me pergunto o que aconteceria se os 6,5 milhões doassem US $ 3 a US $ 5 por semana.

Que efeito isso teria? Eu entendo que eles mantenham em sigilo as identidades das pessoas que assinam suas petições. Isto quer dizer que é um desperdício de tempo e eles poderiam simplesmente inventar um número qualquer de adesões? Os governos realmente dão importância para números de petição que não se pode ser verificado?

Eu estou querendo saber se isso pode ser um golpe visando atingir os sentimentos das pessoas de querer fazer algo pela humanidade mas na verdade acabam deixando alguém rico.

Texto original
Avaaz is it a scam
 
Recently I joined a Avaaz petition as a result of having it forwarded to me by a friend.
Today I received an email asking for money. They say they have 6.5 million members and are growing by 60,000 per week.

A very small donation of $3 or $5 per week from 10,000 Avaazers would cover all the core costs of our small team, helping to save lives in humanitarian emergencies, protect the environment and wildlife, fight corruption and organized crime, push for peace and reduce poverty.

Lofty aims. I wonder what could happen if the 6.5 million donate $3 to $5 per week.
What effect have they actually had. I understand they keep confidential the identities of people that sign their petitions. Does this mean it is a waste of time and they could just make up the numbers? Do governments really take notice of petition numbers that they cannot have verified.

I am wondering if this may be a scam targeting peoples feelings of wanting to have an effect in the world but in the end making someone rich.

IRLANDA - Blog, acessado em 05/02/2011

Posted on 2007/06/14 by dahamsta (dahamsta is Adam Beecher, an Internet consultant based in Cork City, Ireland)

Tradução
Titulo da postagem: NÃO ASSINE AS PETIÇÕES DA AVAAZ

Não se dá valor ao seu endereço de e-mail, esta é a verdade. Eu assinei um bom número de petições estimulado pela minha irmã, mas recentemente eu comecei a receber spam no e-mail exclusivo que criei para se inscrever no site da Avaaz. Eu relatei isso para a Avaaz e recebi a garantia de que eles não vendem ou compartilharam a sua lista, mas que já receberam denúncias semelhantes e estão investigando. Perguntei-lhes sobre os resultados da investigação, mas eles não responderam nada. Obviamente, a segurança foi violada.

Texto original
Don’t sign avaaz.org petitions


Not if you value your email address, that is. I’ve signed quite a few of them on prompting from Sista, but recently I’ve started received spam on the unique email address I set up to subscribe. I reported it to Avaaz and received an assurance that they don’t sell or share their list, but that they’ve received reports and are investigating. I asked them to follow up, they didn’t. Obviously their security has been breached.

http://ra-bugio.blogspot.com/2011/02/peticoes-da-avaaz-rendem-milho...

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Respostas a este tópico

Se não for golpe parece oportunismo legal. Eticamente é parecido.

 

Parabéns por esta postagem, fico muitas vezes falando sobre ONGs internacionais picaretas e todos pensam que sou paranoico.

Esta postagem dá a dimensão da ponta do Iceberg, porém há instituições muito mais conhecidas que apresentam o mesmo tipo de vício, continue garimpando que terás verdadeiras surpresas.

Maestri...antes fosse paranoia...antes fosse.....o buraco é bem mais embaixo....pena que muitos se deixam levar e não vão atrás para fazer uma pesquisa sobre quem são e o que realmente querem algumas destas ONG's.

Pesquise sobre a WWF.

É.... mas não é fácil....não é fácil......eles sabem muito bem esconder o rastro.

Recebi via e-mail mas não veio o link....

 

A ONG WWF (Fundo Mundial para a Natureza), que é parcialmente subsidiada pelo governo dos Estados Unidos e pela União Européia (os maiores poluidores per capita do planeta), diz “promover o consumo sustentável de madeira”, unindo mais de 70 madeireiras internacionais e vendedores de madeira. Segundo a própria ONG, eles são responsáveis hoje por 19% dos produtos florestais comprados e vendidos internacionalmente – tudo feito com o selo de aprovação da suposta ONG ambientalista.

A ONG, que carrega a famosa logomarca do urso panda, e que nesse ano completa 50 anos de operação, recebe mais de 500 milhões de dólares anualmente de doações e endossos corporativos. Trata-se de mais um grande negócio sob a bandeira do ambientalismo, aos moldes dos enganadores do Greenpeace.

Mas as ligações da WWF com a silvicultura, mineração, indústria do tabaco, bancos corporativos, produtores de óleo de palma, biocombustíveis, e outras empresas nada “amigas do meio ambiente” têm se tornado evidentes. No mês passado, a ONG também foi acusada de trabalhar com empresas de alimentos modificados geneticamente na América Latina. Quando questionados sobre suas atuações duvidosas, a WWF disse “procurar diálogos construtivos” com essas indústrias.

As atuações imorais da WWF foram claramente documentadas em florestas na África, com madeireiras ilegais autorizadas a usar a logomarca da ONG para vender uma “imagem verde” enquanto destruindo umas das florestas mais biologicamente ricas do planeta. Na República Democrática do Congo, por exemplo, em que florestas inteiras têm sido devastadas para que a madeira chegue barata para os consumidores na Europa e na China, existem escritórios da WWF bem em meio aos campos de desmatamento. Ironicamente, moradores locais pensavam que a WWF era a própria empresa madeireira que têm destruído toda a região – os congoleses ficaram chocados ao saber que, em teoria, a WWF era uma ONG de “proteção ambiental”.

Portanto, existem os inimigos da Vida declaradamente em guerra contra aqueles que descaradamente atuam em desrespeito à ordem natural, que colocam o Deus-Dinheiro acima de tudo e  que, através dos meios de comunicação, constroem seus impérios de mentiras com base na ingenuidade e ignorância da maioria dos zumbis-humanos.

 

Há tempos não comento nada, porem tenho acompanhado os temas aqui abordados, particularmente essa sua pesquisa não poderia deixar de reservar algumas linhas, pois sempre que vim aqui denunciar essa monumental picaretagem que nos assola, fui praticamente levado ao pelourinho com direito a chibatadas e tudo mais.

Recordo que em ocasião passada, fizeram uma gigantesca campanha contra o Codigo Florestal, evocando essa ong objeto de sua pesquisa, colocando-a como a redentora e resolvedora de todos os problemas brasileiros.

Outro episodio em discussão sobre ongs, apareceu colaboradores e até mesmo contratados por ongs falando sobre os propositos e seriedade que as ongs ambientais internacionais tem com relação ao planeta, especialmente com o Brasil.

Como se não bastasse, temos ainda para nossa "sorte" as ongs nacionais especialissimas em arrancar verbas do governo federal como estamos vendo nos noticiarios ultimamente.

Não quero dizer com essas linhas que não existem organizações serias e com bons propositos e objetivos, porem na maioria dos casos tem-se interesses outros e um tanto quanto obscuras e não reveladas finalidades.

Tambem já andei pesquisando sobre as origens e financiadores dessas organizações, para meu espanto, quando não me deparava com interesses particulares como essa sua pesquisa, chegava a interesses maiores de dominação e controle do planeta.

Quer se assustar mais, faça como o Webster recomendou, procure ver quem ou o que vem a ser WWF

 

otimo final de semana.

abraços 

Pois é Sebastião......não é fácil achar informações sobre estas ONG's...no "quem somos" um monte de palavras bonitas mas que não dizem realmente quem são....Se é para ser transparente.....quero nomes.....quero principais colaboradores.....oras, se é legitimo não há necessidade de esconder. Não quero também generalizar, sei que há por aí várias ONG's sérias e que fazem um trabalho importante...mas para estas ONG's não há divulgação adequada uma vez que o interesse é outro que não o dinheiro ou a exploração.

Estou fazendo um levantamento de todas as ONG's mas é difícil obter informações......quero chegar ao cerne da questão....vamos ver se consigo......pois este "povo' é esperto e sabe esconder bem seu rastro....além de contar com ajuda de muitos governos.

Amigos, obrigada pelo retorno. Sei que o assunto incomoda muita gente e ainda temos vários crédulos que se deixam enganar por querer acreditar que tal movimento realmente exista e dará, sim, um jeito de resolver seus temores legítimos.  Não quero generalizar, nunca foi minha intenção mas é que ultimamente fico realmente muito chocada em ver como é fácil levar milhões "na lábia" e colocar milhões no bolso,  só porque se usa, para isso, as preocupações das pessoas com o meio ambiente e o futuro do planeta.....preocupações legítimas mas que são usadas para os "ixspertos" de plantão fazerem verdadeiras fortunas e de concreto, nenhum resultado se obtém.  é mais que legítimo o movimento para defesa dos mais fracos, da natureza, da água e por aí vai.....mas é preciso tomar muito cuidado pois hoje em dia, muitas empresas percebendo este movimento se vale da "manada" para obter verdadeiros lucros e continuar sua exploração.  Muita gente inocente é usada, achando que estão tomando parte de alguma coisa importante....antes fosse.....na verdade o que fazem é apenas dar dinheiro para os picaretas e para o enriquecimento de alguns....... e pior, usam destas mesmas pessoas para desacreditar necessidades iminentes do nosso país.  Gente de fora, de outros países, se entrometendo na nossa soberania.

Os grifos são meus.



WWF é acusada de se associar a empresas
desmatadoras




De acordo
com o grupo Global Witness, regras para participação no programa da ONG que
promove corte sustentável de árvores são inadequadas e permitem que companhias
exerçam atividades destrutivas para o meio ambiente.

Por trás da bandeira
da proteção ambiental e da sustentabilidade, algumas empresas e grupos
ambientalistas podem estar permitindo e estimulando práticas predatórias e
prejudiciais ao meio ambiente. Pelo menos é o que aponta um novo documento do
grupo investigativo Global Witness, que indica que o WWF pode estar ligado a
firmas que realizam atividades desmatadoras. Segundo o estudo, florestas e
serviços ecossistêmicos estão virando presa fácil para essas empresas.

De
acordo com a pesquisa “Favorecendo os Desmatadores” (o título original
“Pandering to the loggers” faz uma sátira com a palavra pandering – favorecer –,
e panda, o símbolo da WWF), a Rede Global de Floresta e Comércio (GFTN em
inglês), programa da ONG ambientalista WWF que apoia o comércio de madeira legal
e sustentável, tem padrões de filiação pouquíssimos rigorosos, permitindo que
empresas suspeitas de realizar desmatamento ilegal, ameaçar espécies e
desrespeitar direitos humanos utilizem seu selo de sustentabilidade.

“Há
poucos padrões mínimos exigidos para que as companhias se juntem à GFTN.
Significa que mesmo companhias envolvidas em atividades altamente destrutivas,
como derrubar florestas naturais para criar plantações ou comprar produtos de
madeira de fontes ilegais, podem se unir e se beneficiar”, sugere o
relatório.

“As regras da GFTN são menos rigorosas do que as leis dos EUA
e da UE que proíbem a importação de madeira ilegal. Quando um programa
emblemático criado em nome da sustentabilidade e da conservação tolera que uma
de suas empresas-membro destrua o habitat do orangotango, é que algo vai
realmente mal”, lamentou Tom Picken, líder da campanha de florestas do Global
Witness, em um comunicado à imprensa.

O documento, que aponta diversas
companhias suspeitas que são ou foram filiadas à rede, é baseado em estudos de
caso de três firmas ligadas ao programa: a madeireira malaia Ta Ann Holdings
Berhad, que desmata cerca de 20 campos de futebol por dia no Bornéu; a
fornecedora para construções britânica Jewson, que em dez anos de união com a
WWF não eliminou a madeira de origem ilegal; e a madeireira teuto-suíça Danzer
Group, que está envolvida na violação de direitos humanos na República
Democrática do Congo.

Para se ter uma ideia, o estudo diz que “os mapas
do WWF sugerem que os orangotangos se tornaram extintos entre 1989 e 2004 em uma
área de 135 mil hectares onde a Ta Ann foi licenciada ou contratada para
derrubar árvores durante pelo menos parte desse período”. Em relação à aquisição
de madeira ilegal, a pesquisa afirma que “as regras de filiação da GFTN se
mostraram ineficientes em parar essas compras”.

O relatório ainda sugere
que “mesmo se as atuais regras da GFTN fossem implementadas em toda a sua
extensão [...] não há nada que evite uma companhia de se juntar à GFTN, obtendo
um marketing de alto valor por um baixo custo através da associação com o nome
do WWF e sua marca do panda, e então renunciar ou encerrar sua filiação
silenciosamente sem cumprir os compromissos que firmou”.

A resposta às
acusações foi publicada no próprio documento, e o WWF justificou que “a GFTN não
faz quaisquer reivindicações de sustentabilidade, nem endossa companhias, suas
políticas ou seus produtos. O WWF desafia as companhias a aspirarem à liderança
em questões ambientais. A GFTN é o programa da WWF que trabalha com empresas
comprometidas a fazer mudanças em suas operações florestais e/ou nas práticas de
terceirização”.

Mesmo assim, a ONG explicou que “a GFNT fez uma grande
contribuição para a conservação através de sua capacidade de se envolver com a
indústria. Os participantes assumem compromissos claros que demonstram que
rejeitam madeira ilegal ou suspeita. Participantes do comércio relatam uma base
anual, e os locais são inspecionados anualmente se necessário”. Com relação à
Danzer, o WWF assegurou que “enquanto a WWF-drc continuar a investigar o caso,
nenhum acordo adicional será feito [com a filial]”.

Já em relação à Ta
Ann, a ONG garantiu que “o pedido do ramo de operações florestais da Ta Ann
ainda não foi aceito, e, portanto, a companhia nunca foi listada, aprovada ou
considerada como uma participante da GFTN”, mas que “o primeiro ano de trabalho
com as fábricas da Ta Ann resultou em melhorias no perfil de seus fornecedores.
Tal acontece com todos os participantes, pactos de longo prazo que concordem com
o plano de ação serão fundamentais para a ininterrupção da
participação”.

De acordo com o estudo, “as aparentes contradições e
confusões que circundam a Ta Ann significam uma preocupante falta de
consistência e comunicação dentro da GFTN, agravada por uma falta de
transparência”.

Apesar das críticas da pesquisa à falta de transparência
do programa, a WWF se negou a fornecer informações sobre, por exemplo, a
quantidade de hectares que a Danzer Group desmata ou quanto de madeira a firma
produz, alegando que “o WWF não está legalmente permitido a divulgar essa
informação devido a um acordo de confidencialidade. A GFTN melhorou a
transparência do progresso dos participantes e está comprometida a fazer
melhorias contínuas”.

A isso, o líder da campanha de florestas do Global
Witness respondeu que “através de subsídios do governo, os contribuintes estão
pagando uma grande parte do orçamento anual de US$ 7 milhões deste programa, e
têm, portanto, direito de saber que seu dinheiro não está sendo empregado no
‘greenwashing’ de práticas irregulares”.

Piken declarou ainda que “o WWF
deveria se desvincular publicamente de qualquer empresa que utilize madeira de
origem ilegal ou pouco ética. É revoltante que um dos grupos de conservação mais
reputados do mundo considere aceitável se beneficiar economicamente destas
empresas”.

Ele concluiu que “esta investigação levanta perguntas
importantes sobre a estratégia e eficácia subjacentes desses programas de
voluntariado. Para proteger as florestas que restam no mundo e evitar o engano
aos clientes, as iniciativas deveriam centrar-se na redução da demanda global, e
não em certificar o corte de árvores em áreas cada vez mais
extensas”.

Infelizmente, o WWF não é a única ONG ambientalista a ser
acusada de compactuar com empresas que prejudicam o meio ambiente. A Conservação
Internacional (CI), e a Nature Conservancy (TNC), por exemplo, também foram
denunciadas por se associarem a companhias como a Bunge, a Exxon Mobil e a
Shell, firmas que têm históricos de impacto ambiental.

* Publicado
originalmente no site CarbonoBrasil.

(CarbonoBrasil)

A dupla face do WWF

28 de janeiro de 2009

Por Nilder Costa, Alerta em Rede (*)

Em curta nota de um parágrafo, o jornal O Estado de São Paulo de ontem alertou sobre a campanha recém-lançada pelo WWF na Europa exigindo o boicote da soja produzida no Brasil para reduzir o avanço da lavoura na Amazônia e, assim, impedir o desmatamento de florestas. A peça central da campanha é o relatório “Mais Independência da Soja Importada” (“Plus d’indépendance en soja d’importation”), emitido neste mês pela seção francesa da ONG. [1]

Capa do relatório “Mais Independência da Soja Importada” (Fonte: WWF-França)

A primeira frase do relatório reproduz a metáfora recorrente feita pelo aparato ambientalista, “Qual é o ponto em comum entre um bife e o desmatamento?”, cuja resposta não poderia ser outra senão que é “a soja importada, principalmente do Brasil. De fato, na América do Sul, as florestas são convertidas em culturas de soja – muitas delas geneticamente modificadas – para o mercado de ração animal”. [2]

Em seguida, o documento enfatiza que, ao importar soja do Brasil, a Europa participa do desmatamento na América do Sul e que os modos de produção da oleaginosa na região causam “inúmeros problemas ambientais, muitos irreversíveis”, e desastres sociais como o “desrespeito ao direito trabalhista” (prudentemente, evitaram usar o surrado “trabalho escravo”, mas fica subentendido).

Na verdade, ao ler-se o relatório, fica claro que o principal objetivo dessa campanha do WWF é defender interesses de grupos econômicos europeus, muitos dos quais o financiam. Por isso mesmo, a campanha demanda que a Comissão Européia baixe medidas protecionistas para estimular alternativas domésticas para elevar o que chama de “autonomia em proteínas” que não passaria, atualmente, de 22%.

Mas trata-se de um protecionismo seletivo uma vez que visa conter a importação de soja cultivada apenas na América do Sul e, especificamente, no Brasil. Para justificar tal seletividade, o WWF utiliza com maestria, diga-se de passagem, a carta “socioambientalista” que combina “desmatamento na Amazônia” com “trabalho escravo” e outros chavões do arsenal ambientalista. Isso, contudo, nos dá a oportunidade de analisar, pedagogicamente, como são utilizadas as chamadas “barreiras socioambientais” inventadas pelas ONGs e aplicáveis somente a países do ex-Terceiro Mundo.

Soja, como começou
Em agosto de 2003, o WWF realizou, na Malásia, um encontro com 205 participantes (metade deles representando empresas) de 16 países para discutirem sobre a adoção, por parte de produtores e compradores, de uma espécie de “selo verde” para facilitar a entrada de óleo de palma no mercado europeu. O WWF chamou o modelo de discussão e convencimento como “Processo de Mesa Redonda”. Quem apresentou o modelo foi Patrick Cooper, do WWF International, que dirige o programa Forest Conversion Initiative (Iniciativa Conversão de Florestas) cujo objetivo declarado é “Assegurar que florestas, mananciais, habitat de espécies-chave de elevado valor de preservação nas eco-regiões focadas não mais sejam ameaçadas pela expansão do óleo de palma e de soja”. [3]

Em outubro do mesmo ano, o WWF emitiu o relatório “The Impacts of Soybean Cultivation on Brazilian Ecosystems” (Os impactos do cultivo de soja nos ecossistemas brasileiros) onde conclui que a produção de soja no Brasil implica em altos custos associados a desmatamentos de florestas tropicais, poluição atmosférica e negligência com trabalhadores, comunidades locais e direitos indígenas. Para reverter este padrão “insustentável” de produção, o relatório propõe ações por parte dos integrantes da cadeia produtiva de soja no sentido de aumentar os benefícios “sociais e ambientais”. Para desenvolver e fazer cumprir estas ações, o relatório propõe, naturalmente, a atuação de entidades (leia-se ONGs) nacionais e internacionais.

Em paralelo, foi criada a chamada Articulação Soja-Brasil, conglomerado de ONGs capitaneadas pelo WWF para operacionalizar o esquema no Brasil que, posteriormente, foi ampliado e consolidado na Round Table on Responsible Soy – RTRS. Segundo explicado em seu portal, o

RTRS é uma iniciativa internacional que ... vem trabalhando para definir o que é soja cultivada e processada de forma responsável e para incentivar as melhores práticas disponíveis com o propósito de mitigar impactos negativos ao longo de toda a cadeia de valor da soja.

Em janeiro de 2004, o WWF realizou, em Amsterdã (Holanda), o seminário “Produção Sustentável de soja: perspectivas para o futuro” cujo principal objetivo era convencer grandes importadores e bancos europeus – que financiam as importações - a exigirem algum arremedo de “selo verde” para a soja brasileira que garantisse ser a mesma originada de áreas legalmente desmatadas antes de 31 de dezembro de 2003, e alguns outros critérios estabelecidos pelas ONGs. Foi elaborada uma “lista de tarefas” para cada segmento representado do seminário: ONGs, instituições financeiras e o governo holandês.

Em julho de 2006, apareceram os primeiros resultados práticos do esquema RTRS quando a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE) e a Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC) anunciaram que não iriam comercializar, por dois anos, a soja plantada a partir de outubro daquele ano em áreas que foram desflorestadas dentro do Bioma Amazônico. A rigor, o boicote anunciado não teria grandes significados financeiros, uma vez que a soja da “Amazônia” representava menos que 1% do total comercializado pelos integrantes da Abiove. Contudo, no campo psicológico e propagandístico, o seu efeito foi enorme, principalmente junto à opinião pública dos países europeus. [4]

De fato, o anúncio da Abiove foi antecedido por um “acordão” feito entre as principais redes de supermercados da Europa, fabricantes de comida e redes de fast-food - entre elas o McDonalds – de não comprar soja de origem ilegal da Amazônia Brasileira. O assunto foi noticiado pelo jornal britânico The Guardian que revelou que o “compromisso” decorreu das intrusivas campanhas do Greenpeace contra a produção de soja “amazônica”, feitas principalmente nas lojas do McDonalds, e que as empresas não negociariam com as quatro gigantes (Cargill, ADM, Bunge e Amaggi) que dominam a produção no Brasil, a não ser que estas demonstrassem que não estavam vendendo soja colhida em áreas onde houve desmatamento ilegal. [5]

Já em setembro de 2006, foi realizada a Segunda Conferência do esquema RTRS em Assunção, Paraguai, quando foi anunciada a criação da primeira organização internacional para reduzir os impactos “socioambientais” da produção de soja. Pela agenda estabelecida, a primeira tarefa da nova organização foi a de desenvolver e implementar, globalmente, princípios, critérios e indicadores para produção, processamento e comercialização de soja de uma forma “responsável’. [6]

O "arrocho socioambiental” sob forma de barreiras não-tarifárias foi anunciado por Martin Tielen, presidente da influente Federação Européia de Manufaturadores de Alimentos (FEFAC), em Assunção: “Passos maiores ainda precisam ser tomados, mas já fizemos um grande progresso nesses dois dias”, disse com evidente sensação de dever cumprido. Um mês antes, em Bruxelas, Tielen argumentou que, como a UE precisa importar 80% de suas necessidades de proteínas para ração animal (soja), sendo a maior parte da América do Sul, “É necessária uma estratégia global buscando conciliar objetivos econômicos, ecológicos e sociais para preservar os fundamentos da segurança alimentar da crescente população mundial. A FEFAC está preparada para desempenhar seu papel nesse processo e participará ativamente na RTRS”. A FEFAC congrega 22 associações nacionais de produtores de 21 países-membros da União Européia e torpedeou o quanto pôde a Rodada de Doha que traria, a seu ver, impactos extremamente negativos para o setor alimentício europeu, perda de ‘independência alimentar’ e perda de 600 mil empregos na Europa.

A base da “estratégia global” mencionada por Tielen foi melhor explicada por Leonardo Lacerda, dirigente do WWF, em Assunção: “O setor privado está começando a entender que é necessário fazer a parte deles, e rapidamente, para evitar conseqüências mais drásticas para o Brasil como o boicote do produto ou a adoção de barreiras não tarifárias para erradicar a soja produzida de forma irresponsável”.

Como o WWF “demoniza” a soja brasileira
Em abril de 2008, foi realizada em Buenos Aires, Argentina, a terceira conferência do RTRS com o tema “Comida, Ração e Combustível para o Futuro” (Food, Feed and Fuel to a Future World). Na ocasião, o preço internacional da soja estava em ascensão e sua demanda projetada poderia, segundo o WWF, resultar na ocupação de 16 milhões de hectares de novas áreas no Cerrado e o desmatamento de 6 milhões de hectares de florestas tropicais na América do Sul. Outros pontos discutidos foram modelos de monitoramento, certificação e o papel dos biocombustíveis. [7]

Entretanto, um dos aspectos mais interessantes dessa conferência foi a distribuição do livro “Soja: grandes negócios, grandes responsabilidades” (Soy – big business, big responsability), produzido pela Dutch Soy Coalition (Coalizão Holandesa de Soja), que reúne, além do WWF, uma rede de ONGs abertamente patrocinadas pelo governo holandês, como aliás consta no próprio documento:

Esta publicação foi elaborada pela Coalizão Holandesa de Soja e só foi possível graças ao apoio do Ministério de Habitação, Planejamento Social e Meio Ambiente da Holanda, através do seu plano de subsídio para organizações sociais e ambientais.

Abaixo, uma amostra que lista várias "organizações sociais e ambientais" subsidiadas pelo governo holandês que participam da Coalizão Holandesa:

ONGs que integram a "Coalizão Holandesa de Soja"

O livro dá uma visão panorâmica sobre a utilização da soja, principais produtos derivados, aplicações, etc., focando o seu avanço no Brasil, Argentina, Paraguai e Bolívia, associando-o à devastação ambiental no Cerrado, Amazônia e Chaco, além de problemas fundiários e sociais (grilagem, “trabalho escravo”, etc.). Igualmente, ataca a produção de soja transgênica na região e a empresa Monsanto.

Capa do livro “Soja: grandes negócios, grandes responsabilidades”, da Dutch Soy Coalition

Mais interessante é quando o livro analisa os “players” do mercado e da cadeia produtiva da soja. Sobre o comércio internacional, por exemplo, o livro destaca que (tradução livre)

“As companhias internacionais desempenham um grande papel na comercialização da soja. As ‘tradings’ americanas Archer Daniels Midland (ADM), Bunge e Cargill e a francesa Dreyfuss controlam a maior parte das cadeias de produção e processamento de soja nos países exportadores e importadores ...Essas companhias estão entre as maiores do mundo... Elas financiam os produtores de soja com créditos, sementes, fertilizantes e pesticidas. A comercialização vinculada implica que essas companhias têm um grande controle sobre toda a cadeia da soja. Poucas empresas multinacionais podem assim determinar o que será plantado, quem produzirá o que, onde e como serão produzidos. A procura e a oferta não estão mais separadas e, assim, a influência de terceiras partes (políticas e consumidores) na cadeia é reduzida". [8]

Ainda em outubro de 2008, o WWF lançou um outro documento “demonizando” a soja brasileira: ‘Palma, soja e florestas tropicais: uma estratégia para a vida’ (Oil palm, soy and tropical forests: a strategy for life).

Capa do relatório "Palma, soja e florestas tropicais: uma estratégia para a vida", WWF, outubro de 2008

Após ressaltar que a expansão da área plantada de soja e palma (dendê) entre 2000 e 2006 foi de 22 milhões de hectares, o documento dispara a célebre pergunta sobre a conexão entre o ‘sanduíche que você está comendo e as florestas tropicais da América Latina’. Pintados os demônios das florestas tropicais, o WWF diz que a única maneira de exorcizá-los é a adoção do seu esquema RTRS. Subrepticiamente, o que o WWF e aliados querem mesmo é implantar uma “certificação verde” para a soja produzida nos trópicos tendo como figurino o selo do FSC (Forest Stewardship Council) para produtos florestais. O FSC é um selo baseado em critérios políticos e não técnicos, tem um patrulhamento ostensivo das ONGs ambientalistas que o fundaram e controlam (WWF, Greenpeace e Friends of the Earth), é excludente e foi concebido sob medida para países tropicais. [9]

Assim, em linhas gerais, pode-se dizer que a peça central da atual campanha do WWF para o boicote da soja brasileira na Europa se baseia nos mesmos argumentos apresentados em seu relatório de outubro passado e aos quais foi agregada a exigência do “protecionismo seletivo”, como já descrito anteriormente.

Duas caras
Uma reflexão isenta sobre a atuação do WWF e ONGs aliadas na cadeia produtiva da soja mostra uma conduta francamente ambivalente. No Brasil e outros países periféricos, procura atrair os produtores de soja a se engajarem no esquema RTRS acenado-lhes com uma espécie de salvo-conduto verde nos mercados europeus. Já na Europa, prega o boicote à soja sul-americana e a criação de barreiras protecionistas não tarifárias baseadas em condicionantes ‘socioambientais”.

Em qualquer situação, o maior prejudicado é o produtor sul-americano de soja – e o brasileiro em particular - que, subitamente, tem a sua imagem denegrida no exterior e precisa arcar com pesados custos ‘socioambientais’ adicionais. Ao longo do tempo, esse binômio acaba minando a sua competitividade no acirrado mercado internacional, abrindo espaço para seus concorrentes onde desponta os EUA, que ainda é o maior produtor mundial de soja e não precisa satisfazer condicionantes socioambientais. Em outras palavras, cria-se um ambiente de concorrência assimétrica.

Uma preocupação adicional é que o esquema de “Mesas Redondas” do WWF, além da soja e da palma (dendê), está sendo desenvolvido também para outras ‘commodities tropicais’: etanol (cana-de-açúcar), algodão, salmão e camarão, pelo menos.

Evidentemente, o desenrolar da atual crise financeira e civilizatória já está impondo uma profunda alteração em pressupostos estratégicos e correlações de forças estabelecidas a partir do fim da Segunda Guerra que fará emergir uma nova ordem mundial onde os Estados nacionais devem recobrar algumas prerrogativas das suas soberanias que se encontravam amortecidas, abrindo caminho, entre outras coisas, para a erradicação definitiva do colonialismo em todas as suas formas, ambientalismo inclusive.

É neste contexto histórico que a dupla face exibida pelo WWF e outras ONGs corporativas que integram o ‘ecobusiness’ deve ser analisada e repelida.

Notas:
[1]WWF pede boicote contra soja do Brasil, O Estado de São Paulo, 23/01/2009
[2]“Plus d’indépendance en soja d’importation”, WWF-France, janeiro de 2009
[3]As entranhas da campanha do WWF contra a soja brasileira, Alerta Científico e Ambiental, 11/06/2004
[4]Grandes empresas não venderão grãos plantados em novas áreas desmatadas, Reuters, 25/07/06
[5]"Food giants to boycott illegal Amazon soya", The Guardian, 25/07/06
[6]Soja: 'acordão' de ONGs e tradings prejudica produtor brasileiro, Alerta Científico e Ambiental, 10/09/2006
[7]Fórum Global reúne cadeia de produção da soja, RTRS, 22/04/2008
[8]Soy – big business, big responsability, Dutch Soy Coalition, Fevereiro de 2008
[9]Oil palm, soy and tropical forests: a strategy for life, WWF, Outubro de 2008

(*) Fonte: http://www.alerta.inf.br/Geral/1450.html

 

A chantagem “aquecimentista” da Micronésia e do Greenpeace: se a moda pega…

 

Os Estados Federados da Micronésia constituem uma nação insular associada aos EUA e constituída por cerca de 600 ilhas espalhadas no oceano Pacífico Ocidental, a leste das Filipinas e ao norte da Papua Nova Guiné. As suas ilhas principais, Chuuk, Kosrae, Yap e Pohnpei, se situam a cerca de 12 mil quilômetros da República Checa, mais de um quarto da circunferência do planeta. No entanto, no ambiente de virtual surrealismo que caracteriza a percepção prevalecente dos problemas ambientais, o governo do país decidiu interpelar o governo checo por causa da ampliação de uma central termelétrica, alegadamente, pelos supostos efeitos das suas emissões sobre a elevação do nível do mar, que, por sua vez, já estaria causando prejuízos ao arquipélago. O caso mais se assemelha ao enredo do “best-seller” Estado de medo, de Michael Crichton, mas, por incrível que pareça, é real.

E o mais surpreendente é que o Ministério do Meio Ambiente checo reconheceu a Micronésia como um “Estado afetado”, apto a requerer compensações financeiras da empresa operadora da central, o grupo CEZ. Embora a decisão final ainda não tenha sido tomada, a mera aceitação do pleito estabelece um sério precedente para ações similares no futuro.

O alvo da ação é a central de Prunerov, a maior do país, que deverá ter a sua capacidade ampliada de 1050 para 1490 MW, para operar até a década de 2030. Sem qualquer surpresa, por detrás do pleito judicial está o Greenpeace, que, juntamente com a ONG checa Environmental Law Service (ELS), está assessorando o governo micronésio. Em um comunicado divulgado em 23 de maio, o Greenpeace se jactou da ação:

Os Estados Federados da Micronésia (EFM) fizeram história jurídica ao desafiar a ampliação de uma das maiores centrais termelétricas a carvão da Europa, abrindo caminho para que as nações prejudicadas pelo clima utilizem o direito internacional para acionar grandes emissores de carbono que impliquem em riscos significativos para a sua sobrevivência.

O histórico texto legal, escrito pelos EFM, o Greenpeace e o Environmental Law Service… oferece esperança aos países vulneráveis que estão na linha de frente dos impactos climáticos. Os EFM são uma de muitas nações que experimentam desastres ambientais, como inundações, invasões de marés altas e destruição de colheitas, que já são exacerbados pelas mudanças climáticas (Greenpeace International, 23/05/2011).

A petição estabelece que a termelétrica checa emite anualmente 40 vezes mais dióxido de carbono do que toda a população da Micronésia.

O dispositivo legal utilizado pelos licitantes, a Avaliação de Impactos Ambientais Transfronteiriços (TEIA, na sigla em inglês), só havia sido utilizado até agora em casos de nações fronteiriças. Se o governo checo aceitar a validade do pleito, poderá abrir-se uma caixa de Pandora de consequências verdadeiramente imprevisíveis para todo o setor energético mundial. A decisão deverá ser anunciada nas próximas semanas – e é de todo conveniente prestar a devida atenção nela.

http://www.alerta.inf.br/a-chantagem-aquecimentista-da-micronesia-e...

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