Nesse junho de 2019, ao se completar 50 anos da composição e gravação do primeiro “Vinil” na região (1969), com a composição de J. Berto Telarolli, o hoje dramaturgo, Jair Antonio Alves faz uma homenagem a este grande poeta. Sua gravação (neste mesmo ano) ocorreu na voz do então o músico e cantor, Jair Alves: “VILA” (onde estão suas pastoras, onde estão seus tamborins...). Na época os jovens como Berto T.; o diretor Luis Antonio Martines Correa e tantos outros se encontravam no famoso BAR DO PERNAMBUCO.  Quem viveu sabe o que isso significava. Do lado de fora, o pau corria solto. No 13º Batalhão Policial, sede e representação oficial da Ditadura e local onde discutiam como fazer calar aqueles “abusados jovens”, que mesmo com o famigerado AI-5 (“recém-inaugurado”) continuavam tomando ‘rabo de galo’, fruto da extrema generosidade do “pernambuquinho”, torcedor da Portuguesa e proprietário do local; paradoxal, mas verdadeiro. 

Será o ”encontro das águas”, como bem definiu o escritor e cenógrafo Liu Sai Yam.  Agora, neste frio (26) de junho de 2019 (cinquenta anos depois), o diretor, Luís Antonio Martinez Correa e o poeta (como personagens) se encontram no Bar do Pernambuco. O cenário montado é o corredor tão frequentado nos anos sessenta e setenta da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras, onde de fato se vendia café e livros. Ali era o “ponto” marcado para que lá se fizessem teatro, poesia e música. Também ali se encontravam as águas: professores como Casais Monteiro, Jorge de Senna, Dante Moreira Leite e os alunos apaixonados pela liberdade e a vida. Ainda mais, um desses personagens “pra-lá-de-Bagdá”, vai vociferar um hino contra a Guerra (todas as guerras) - Texto de Brecht e música de ‘Berto’. Não vai faltar o “rabo de galo” e uma imensa saudade de todos aqueles que já se foram: Luís, Berto, Vivi, Kiko, Abílio, Beto, e Leo... 

Em junho frio de 2019, reúnem-se ao vivo (ou nas lembranças) dentre outras relíquias, documentação da premiada montagem paulista de “O Percevejo”, dirigida por Luís Antonio Martinez Correa, no início da década seguinte.

É provável que pelo restante da 31ª Semana Luis Antonio (que vai até sábado 29) ecoe o refrão da música Vila, gravado há meio século.  

Serviço: 

Ator: Jair Antonio Alves e os Músicos André Peres, Lu Mani, Haroldo Ribeiro & Ana Cláudia Aguiar;

Figuração: Todos os amigos presentes daqueles que tanta falta nos fazem;

Dia: 26 de junho (21h30);

Local: Casa de Cultura – Rua São Bento, esquina com Espanha.

Araraquara.

Entrada: GRATUITA; 

Assessoria de Imprensa: Suely Pinheiro;

Email: macunaima.news@gmail.com

(Texto de apoio)

República Utópica do Pernambuco

Liu Sai Yam

Dizem os entendidos que bar é o primo rico da família. É mais bem equipado, oferece mais serviços e opções em bebidas e itens pra degustação.

Podem ser mais ou menos equipados, mas distinguem-se do boteco que é um bar mais despojado, de atendimento mais personalizado e (por que não dizer?) bagunçado (pra muitos, o que faz seu o charme específico). Na ponta mais modesta da linhagem, fica o botequim, usualmente administrado pelo próprio dono no balcão e a esposa na cozinha. Um negócio pequeno, de família, de clientela local (vizinhos e conhecidos) e fixa. Classificação genérica, como toda classificação, que ajuda a identificar as características da frequência e suas expectativas (em que poder aquisitivo não é o que mais importa). Alguns especialistas definem de outra forma: o bar serve pra conversar e o boteco pra filosofar.

Definição essa, como se vê, feita provavelmente em momento de inspiração filosófica, dentro de um boteco, e por isso mesmo um tanto impreciso e abstrato, porque em bares também se produziram alta filosofia e especulações artístico-culturais. Se formos atentar à história da civilização humana, intelectuais e artistas tiveram sempre afinidade íntima com bares e botecos, até no sentido simbólico, em que se dispensa o estabelecimento físico como local de encontro. Basta lembrarmos (pelas Crônicas do Vale do Amarelo) dos especuladores (Tao Lao tsé, Mang Tsé, Chung Tsé), nos idos 600/500 A.C, que afirmaram a alegria libertária do pensamento junto a um barril (vários barris) de aguardente; dos filósofos da Grécia helênica, que associaram invenção, artes, previsão e imaginação aos eflúvios etílicos de Dionísio; dos Salmos de Rei Davi, das páginas mais belas da celebração das paixões humanas; do exemplo do próprio Cristo, que transformou água em vinho pra fazer a alegria dos homens; pois, se alegria é a prova dos nove, o item principal de bares e botecos é combustível essencial de liberação do espírito, seja na alegria ou na tristeza. Tomem-se as obras imortais, cuja inspiração jorrou basicamente de copos e garrafas, em concordâncias ou rachas estéticos e éticos, tais como os grandes movimentos artísticos, da pintura à música, da literatura à dramaturgia, do cinema à ciência, da política à filosofia. Se o bar ou o boteco tem sido abrigo à produção de obras do engenho humano, havemos de celebrá-lo, inclusive na apresentação deste Bar do Pernambuco símbolo da “mistureba” cultural entre o nordestino ao paulista, incluindo os imigrantes que aqui vieram para produzir riquezas, introduzir novos hábitos culturais, perseguir sonhos e (por que não?) enfrentar frustrações e fracassos. Lembremos, pois, de Luis Antonio Martinez Correa, Berto Telarolli, Brecht e, por que não, – Maiacovski. Enfim, confrades, camaradas, companheiros de copo e de cruz, às libações físicas e poéticas que o gogó será nossa última trincheira!

Seu garçom faça o favor…

Do bar do Pernambuco á Utopia da Cultura...!

 

JOSÉ PEDRO RENZI

 

Talvez, falar ou narrar ou escrever uma crônica, por puro prazer cultural ou estético...é motivo de re-lembrar ou memorizar a saudade do Bar do Pernambuco, demolido ou quase, ao lado da Prefeitura municipal de Araraquara e defronte para o “bar dos turcos” Elias Casuco...

No entanto, talvez a memória afetiva se deve a minha amizade do Geraldo Caetano, desde os dez anos de idade, quando estudei com Caetano no Ginásio VICTOR LACORTE, no bairro do S.JOSÉ, em 1972...

Caetano, casou com uma das filhas do Pernambuco, a Joesely...

Estivemos várias vezes com Geraldo em sua residência juntamente com Anisinho, Valdir Piccolo e outros amigos e amigas do Caetano e da sua esposa Joesely, dos seus filhos, Veronica e Lucas...

E também dizer da expressão de ter encontrado no Bar do Pernambuco por várias vezes com o Prefeito, inesquecível Waldemar De Santi(1938-20...) tomando o seu aparecitivo ou “rabo de galo” ou FQF...

Encontro que se deu em 1996 ou 98, com o camarada João Carlos Amorim, sociólogo e o Bilú Argenton, ambos apoiadores da candidatura tucana do deputado federal Emerson Kappaz...

O fato, relevante é que Pernambuco também é torcedor da Machona ou Portuguesa de Desportes, sempre machona e com os Cartazes dos jogos entre Ferroviária x Portuguesa de Desportos em Araraquara, Na Fonte Luminosa...

Outro fato, muito mais significativo para a Cidade onde mora o Sol ou Araraquara, estaria em outubro de 1960 com a visita do intelectual Jean-Paul Sartre e sua ida ao  bar do Pernambuco, onde comprou cigarros e acendeu com seu Zippo,...

Sartre, esteve em Araraquara, para um debate sobre a pergunta formulada, pelo extraordinário Filósofo da antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em Araraquara, sobre a “ideologia” do existencialismo é um Humanismo ou quem saber o Existencialismo como uma forma de “mascarar” as contradições sociais e econômica do “modo de produção capitalista, formulada por pelo também Filósofo, Historiador e Teórico da Economia Política, Karl Henrich Marx (1818-1881), Doutor em Filosofia...

Fatos do passado, e quem sabe as leituras ou “práticas de leitura” seriam com os estudantes de Ciências Sociais, da FFCL, atual FCL, UNESP, campus de Araraquara...que poderiam entre birras, rabos de galo e outras debater, publicamente, os clássicos! Das Ciências do social, entre Max Weber Emile Durkheim, Karl Marx...e Na onda Althusseriana, contra Althusser e os “estruturalismo” Marxistas...

Ou ainda o impacto da Revolução Cubano em 1959 e a da Revolução Cultural na China do início dos anos de 1940 com Mao Tse Tung e o “maoismo”...

Diferenças, mudanças, do tempo social e cultural, talvez om Luiz Antonio Martinez Correa, que nasceu em junho de 1950 e o Utópico bar do Pernambuco, possa ser novamente agora, palco do teatro ou da cena teatral na 31. SEMANA EM HOMENAGEM AO LUIZ ANTONIO...

Que bom seria, se o bar do Pernambuco voltasse em outras formas e novo cenário, agora no Theatro Municipal, reconstruido, por que  o lindo Theatro dos anos 60, virou pó, cinzas e cal...

Obra da História...e da prática entre brasileiros e brasileiras, de meter a marreta no seu Passado e no seu Presente.

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