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Bolsonaro Chega A Israel, Poucos Dias Antes Das Eleições Locais

Netanyahu espera que Bolsonaro mostrará boa vontade em transferir sua embaixada para Jerusalem durante a sua visita de 4 dias, a qual incluirá também a assinatura de acordos bilaterais.

O presidente brasileiro Jair Bolsonaro chegou a Israel neste domingo para uma visita de 4 dias, às vésperas das eleições naquele país previstas para 9 abril, seguindo-se à visita do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu ao Brasil para a posse do líder de extrema-direita em dezembro.

Netanyahu vê a chegada ao poder do radical e conservador presidente brasileiro como uma chance de ampliar relações com uma potência mundial que, até agora, tem sido pró-Palestina e, por vezes, pró-Iran.

O governo israelense espera que Bolsonaro irá transferir a embaixada de seu país de Tel Aviv a Jerusalem, ainda que ele tenha dito que só considera abrir um "escritório de negócios" lá. Em troca, espera-se que a tecnologia israelense vá assistir ao carro-chefe da política de Bolsonaro: a segurança doméstica.

Bolsonaro pousou no aeroporto Ben-Gurion pouco antes da 10 horas da manhã, e tem um encontro agendado com Netanyahu para assinar acordos mais tarde neste domingo. Eles darão uma coletiva de imprensa conjunta à noite, e participarão de um jantar na residência do primeiro-ministro em Jerusalem.

Bolsonaro visitará o Yad Vashem (monumento às vítimas do Holocausto), e plantará uma árvore no Arboreto das Nações. Mais tarde ele visitará tropas do Comando do Front Interno, para agradecer à força de resgate israelense que foi recentemente enviada ao Brasil.

Espera-se que ele se encontre com representantes da comunidade brasileira em Israel, e tome parte de um forum de negócios em Jerusalem. Ele também irá juntar-se a Netanyahu em uma feira de inovações, e visitar escritórios de empresas de ponta.

Durante a visita de 4 dias o presidente de Israel, Reuven Rivlin, estará ausente em uma viagem oficial ao Canadá. No domingo, ativistas de esquerda planejam protestar contra a presença de Bolsonaro no país.

No final de dezembro, Netanyahu foi um dos poucos líderes Ocidentais que prestigiaram a posse do brasileiro, juntamente com o secretário de Estado americano Mike Pompeo e o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán.

Quando os dois líderes se encontraram, a transferência da embaixada foi discutida, mas nenhum prazo foi decidido e, após o encontro, Bolsonaro não voltou a mencionar a questão, e na última quinta-feira fez um comentário sobre instalar um escritório lá.

Isso segue o padrão de outros líderes que disseram que iriam transferir a embaixada de seus países e, mais tarde, voltaram atrás.

Desde que os Estados Unidos transferiram sua embaixada para Jerusalem há cerca de um ano atrás, apenas a Guatemala seguiu o seu exemplo; o Paraguai transferiu a sua embaixada, mas depois trouxe-a de volta a Tel Aviv.

A União Européia é unânime em sua oposição à transferência de embaixadas para Jerusalem. A Hungria abriu um escritório comercial na cidade, e a República Checa abriu um centro cultural, enquanto na Rumania o presidente e o primeiro-ministro estão tendo um duro debate em torno da questão.

Honduras, que foi ajudada por Israel via mediação com os Estados Unidos, recentemente anunciou que abrirá um escritório comercial em Jerusalem. A Australia, cujo primeiro-ministro é um cristão evangélico, anunciou a abertura de um escritório de defesa e comércio na cidade, e reconheceu Jerusalem Ocidental como capital de Israel. As Filipinas manifestaram intenções similares, mas ainda não alteraram sua política.

Na sequência de seu encontro com Netanyahu em dezembro, Bolsonaro anunciou sua intenção de visitar Israel para fazer avançar a cooperação entre os dois países, especialmente no tocante à segurança e à tecnologia. A alta taxa de criminalidade do Brasil foi um ponto-chave da campanha presidencial de Bolsonaro - cerca de 60 mil pessoas foram mortas no país somente em 2017.

Durante a visita de Netanyahu ao Brasil, uma fonte política adiantou que autoridades israelenses discutiram com Bolsonaro a venda de drones avançados ao Brasil, inclusive para uso policial. A taxa brasileira de homicídios é 30 vezes maior que a de Israel, essa fonte observou.

Essa mesma fonte disse a jornalistas que alguns dos drones discutidos estão equipados com tecnologia de reconhecimento facial, a qual está conectada a um amplo banco de dados usado para perseguir suspeitos.

Em 2013, a firma de consultoria Frost & Sullivan apurou que Israel é o maior exportador mundial de drones. De acordo com esse estudo, o qual examinou o número de sistemas vendidos, Israel vendeu drones a vários países no valor de mais de $4,6 bilhões de dólares ao longo dos 8 anos que antecederam o relatório.

Este relatório afirma que quase 10% das exportações de Israel na área de segurança consistem em vários tipos de drones, ainda que nem todas as exportações de drones sejam destinadas a uso militar, sendo que alguns equipamentos são alegadamente vendidos para segurança doméstica e utilização urbana.

Empresas israelenses - principalmente a Israel Aerospace Industries (IAI) e a Elbit Systems - têm vendido drones a vários países. Durante feiras oficiais de armamentos promovidas por Israel no exterior, compradores estrangeiros foram apresentados a um modelo do IAI Harpy, um drone auto-destrutivo. Em 2018, foi revelado que a India havia autorizado a aquisição de dezenas de drones IAI Heron.

Durante uma visita a Israel em 2016 os filhos de Bolsonaro, Eduardo e Carlos, foram fotografados vestindo camisetas do Mossad e do exército de Israel. No Twitter, Eduardo elogiou Israel por apreciar o seu exército e a sua polícia.

O velho Bolsonaro, aos 64 anos, é uma figura controvertida no Brasil, particularmente na comunidade judaica. Sua vitória nas eleições foi uma surpresa para muitos, e vista como uma reação ao colapso do partido governante sob o ex-presidente Luis Inacio Lula da Silva, que foi preso sob acusação de corrupção.

Bolsonaro nasceu em São Paulo, de pais italianos, serviu no exército brasileiro, foi eleito à câmara do Rio de Janeiro e, mais tarde, ao Congresso Nacional. Ele frequentemente ataca as mulheres, a comunidade LGBT e outras minorias.

Bolsonaro disse em 2013 que "os brasileiros não gostam de gays." Dois anos antes ele observou que, se seu filho foss gay, ele não mais poderia gostar dele, acrescentando: "Prefiro que meu filho morra em um acidente, do que aparecer por aí com algum sujeito de bigode." Em 2002, ele disse que se visse dois homens se beijando na rua, ele bateria em sua cara.

Bolsonaro frequentemente fala com saudades da antiga ditadura militar brasileira. Em 1999 ele disse que seria impossível mudar alguma coisa no Brasil apenas pelo voto, e que as coisas só mudariam se houvesse uma guerra civil e o exército interviesse. "Se alguns inocentes morrerem, para mim está OK," ele acrescentou.

Em um comício de campanha em São Paulo, ele disse que meteria seus adversários políticos na cadeia. "Esse grupo, se quiser continuar aqui, terá que obedecer nossas leis," ele disse, acrescentando que "ou saem do país, ou vão para a cadeia."

Tanto em Washington quanto em Jerusalem, autoridades crêem que a era Bolsonaro criará novas oportunidades, especialmente na área econômica, entre o Brasil e o mundo, enfraquecendo a tradicional aliança dos chamados países do BRICS - Brasil, Russia, India, China e Africa do Sul. Essa aliança entre as maiores economias dos países em desenvolvimento tem buscado minar a velha ordem mundial e desafiar os Estados Unidos.

Bolsonaro tem denunciado os laços de seu país com China e Cuba, e ele e seus filhos têm manifestado abertamente uma simpatia por Trump. Os dois líderes compartilham uma mesma visão do mundo, a mesma linguagem e o mesmo estilo em muitas questões.

Eles também têm um denominador comum que afeta a sua atitude em relação a Israel - uma importante base cristã evangélica de apoio. Ambos os países possuem uma comunidades evangélica numerosa, crescente e politicamente ativa. O apoio evangélico à soberania israelense sobre Jerusalem faz parte de uma visão religiosa do mundo, que percebe essa soberania como algo capaz de apressar o "fim dos tempos" e promover o segundo advento de Jesus.

Em países com comunidades evangélicas numerosas como os Estados Unidos, Guatemala, Filipinas e Brasil, a transferência de embaixadas para Jerusalem é um assunto discutido com maior frequência do que em outras nações.

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