BRUMADINHO: CENAS DO MUNDO NEOLIBERAL

Flavio Lyra.

As cenas macabras de vivos e mortos atolados na lama proveniente do rompimento da lagoa de rejeitos em Brumadinho, no último fim de semana, são altamente didáticas para quem ainda não entendeu qual é o mundo que os defensores da doutrina neoliberal reservam para os seres humanos.

É o mundo em que o mercado decide sobre a vida e a morte dos seres humanos e da natureza, tendo em vista o objetivo maior de produzir lucros para uma minoria da população que controla a propriedade das empresas e usa seus recursos para direta ou indiretamente comandar os governos.

A direita brasileira já há bastante tempo fez opção pelo neoliberalismo e tem mobilizado suas forças para convencer a população de que os problemas e dificuldades com que se defronta, e que respondem pelas precárias condições de vida da maioria, decorrem dos obstáculos que ação governamental impõe à liberdade de empreender pelas empresas.

Com o discurso mentiroso, de que a corrupção e a má gestão da coisa pública devia-se à presença das forças de esquerda no poder, conseguiram em 2015 afastar da direção do país os dirigentes eleitos democraticamente em 2014 e promoveram o uso do poder público para retirar direitos da classe trabalhadora e fomentar a concentração de privilégios e de riqueza nas mãos de altos burocratas e de detentores da riqueza econômica e financeira.

Nas eleições deste ano, conseguiram manter-se no poder e se propõe a avançar em sua insana luta contra os interesses da classe trabalhadora e das faixas mais pobres da população, em nome do favorecimento das forças do mercado e de um liberalismo ultrapassado que vê na contração da ação estatal o espaço para o avanço da atividade privada.

Não sem razão, o candidato da direita que acaba de ser eleito, adepto declarado da redução da ação estatal na economia, defendeu em sua campanha a flexibilização da ação fiscalizadora do Estado sobre as ações predatórias das empresas privadas sobre o meio ambiente e a contenção dos gastos sociais que favorecem a maioria da população.

Os primeiros dias da nova administração já estão mostrando que o uso do poder estatal está sendo feito para encobrir falcatruas dos novos dirigentes e seus grupos mafiosos. Até parece que o combate à corrupção tão alardeado até recentemente, já não faz parte das prioridades do novo governo.

Os neoliberais que chegaram ao poder mostram-se ansiosos em avançar com as mudanças na previdência social para criar um novo sistema baseado na capitalização, que certamente vai fomentar o mercado financeiro privado em detrimento dos aposentados, que vão pagar muito mais caro pela administração do serviço.

Também, estão impacientes pela privatização de empresas estatais, que vão gerar enormes lucros para os adquirentes do controle das empresas e para os intermediários do mercado financeiro que vão cuidar de suas vendas.

Para o povo, ficarão as consequências desoladoras dos desastres ambientais e sociais que decorrerão das decisões econômicas do governo e dos grandes grupos empresariais que vão explorar os mercados ávidos de lucros fáceis e despreocupados com os custos sociais de suas decisões.

Tudo isso, abrigado sob o silêncio e a proteção das burocracias de direita que dominam os poderes da República.

Brasília, 31 de janeiro de 2019.

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