A tragédia do Realengo abriu precedente para que o Brasil passasse a discutir mais a questão do Bulling nas escolas. Em minha adolescência fui vítima de escárnio por parte de coelgas que se incomodavam com qualquer bobagem em mim, por exemplo, não ter liberdade para sair com as amigas. Isso aconteceu há meio século e não guardei traumas porque a ditadura veio com um pacote de maldades infinitamente maior, e de qualquer forma, passei tantas vezes sufoco nas mãos da polícia, que qualquer memória de sadismo adolescente caiu por terra.

Hoje, contudo, as coisas acontecem de modo mais grave e perigoso, e as escolas não tem pessoal especializado para detectar e encaminhar portadores de qualquer tipo de disturbio, seja de conduta, seja de saúde, ou de aprendizado. Mas, acima disso, eu proponho um novo tipo de reflexão:

Não seriam resultantes do sistema os comportamentos avassaladores dos jovens, em todo o seu destempero pela competitividade, pelo consumismo, pela cegueira ética e pela violencia? O sistema por acaso não coloca morbidamente na mídia esses casos de vingança cega pois o assunto rende audiência e valores econômicos? Não existe uma expropriação da tragédia em favor da Sociedade do Espetáculo?

Ora, parece que o buraco é bem mais abaixo do que tudo o que se fala. Quem está disposto a trocar idéias sobre isso?

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Respostas a este tópico

Ivone, veja o tópico do Paulo Kaustcher sobre Contra Cultura na Crise de Civilizaçao. Parece que fala de um tema bem diferente, mas se você for ver verá que isso nao é verdade, o tópico lá reflete exatamente sobre isso que você fala. Chegue-se.

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