"Quando ele entrou nos pórticos celestes,
Fronte incendiada, fulgurantes vestes,
Soberbo, audaz, condor.
O anjo da glória ergueu-se ante a conquista,
Mas levou perturbado a mão a vista,
Batido de fulgor."
Quando os relógios pararam para o “cabo garça”, fez-se a lacuna,
O tempo negou-se a caminhada e buscou o não seguir em frente,
É que toda alegria que irradiava daquele seu rosto viril, sorridente,
Fechara-se em copas, frio, sem vigor, ante o sentimento sem fortuna.
O “cabo garça” era o jardim, era a fonte, o regaço, o elo familiar,
E nada, no momento, poderia preencher a ausência de sua partida,
É que Deus delimitou ao ser humano o espaço próprio nessa vida,
Desde os primórdios da concepção até inicio e hora do seu caminhar.
O nascer, o crescer, o adolescer, o amadurecer, o envelhecer e morrer,
São ciclos de nosso caminho em direção as planícies do mundo superior,
“cabo garça” combateu o bom combate, hauriu a vida com infinito amor,
Não foi pequeno perante a existência, nela foi exemplo até o entardecer.
Nossa vida é assim, começamos a sós, em perda, e nela continuamos,
Mas é preciso seguir, apesar de tudo, como o “cabo garça”, exemplarmente
Viveu, buscando viver sem medo, olhando nos olhos da vida, firmemente,
Façamos jus ao bom guerreiro que partiu, nós que na vida caminhamos.
O “Cabo garça” vive, sobretudo em sua filha, sua emocional continuidade,
E viverá nas lutas cotidianas desse nosso povo, em cada conquista popular,
E, enquanto existir na terra um coração que pulse por liberdade conquistar,
"Cabo Garça" viverá com certeza, em cada átomo de matéria dessa cidade.
Dr. Fernando Enéas de Souza - Domingo, 23/09/12
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