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Não deixa de ser uma curiosidade a estreita relação que existe entre o desenvolvimento do crime organizado e do sistema capitalista. Logo em seguida à queda do socialismo na Rússia e a retomada do capitalismo, o crime organizado cresceu substancialmente naquele país. Os Estados Unidos, por exemplo, tem uma história eloquente de expansão do crime organizado. Embora suas origens provenham da Itália mais tradicional, foi nos Estados Unidos onde as organizações criminosas mais avançaram ao longo dos anos.
Numa sociedade cuja economia não estivesse orientada para o aumento da riqueza pessoal e sim para dar condições de vida igualitárias a seus membros, haveria espaço para o crime organizado? Minha hípotese, é que não. Isto, porque onde não existisse a possibilidade de acumular riqueza pessoal não haveria estímulo para pessoas se organizarem em torno de empreendimentos fora da lei. Os que organizam empreendimentos fora da lei normalmente são os marginalizados do "mundo empresarial legal. Pessoas inteligentes e capazes, que não têm oportunidade de buscar riqueza por meios legais e acabam construindo organizações assemelhadas às do mundo legal para buscá-la.
O mais interessante é que as riquezas construidas no mundo do crime, sempre que possível migram para o mundo legal e o mundo legal sempre que possível se vale do mundo fora da lei para mais facilmente acumular riqueza.

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Respostas a este tópico

Sem falar no poderoso magnetismo (quando não identidade) entre as máfias e a extrema-direita pelo mundo a fora. Veja no Japão, na Itália, no leste europeu... certamente não é por acaso.

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Caro Hermeneuta: Excelente sua complementação. Um abraço. Flavio

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Atenção a generalização. A “Cosa Nostra”, por exemplo, que surgiu muito antes da denominação “máfia”, não era na época de seu surgimento o que se qualificaria como uma entidade criminosa, era o que se chamaria “um movimento social”, com o tempo esta foi desviando de seu espírito de defesa do povo Siciliano para atividade criminosa, propriamente dita.

Quando tiver algum tempo tecerei mais uns comentários de como os governos tiram proveito das organizações criminosas como forma de contensão social (e grandes empresas).

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Rogério Maestri: O que pretendi evidenciar foi apenas o fato do crime organizado já há bastante tempo ter como finalidade a busca da riqueza pessoal da mesma forma que as organizações capitalistas. Por outro lado, salientei que em sociedades que permitem diferenças sensíveis de riqueza pessoal o crime organizado sempre terá estímulos para existir, a menos que se admita que nessas sociedades há espaço para todos adquirirem riqueza pessoal.

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Caro Fábio.

Pela estrutura do teu texto percebo que tens capacidade de manter um diálogo sem a necessidade estabelecer hipóteses de como os outros pensam.

Fiz um comentário para não generalizarmos a origem e a finalidade do “crime organizado” na sociedade de hoje e do passado. O senhor feudal, vendia aos seus vassalos proteção, era uma estrutura de crime organizado? Os donos de postos de gasolina associam-se para cobrar um preço mais alto dos consumidores, burlando toda a legislação. É uma associação criminosa? Pancho Villa, herói no México, bandido nos Staites, era chefe do “crime organizado mexicano”?

Estou conclamando a reflexões não a simplificações, eu poderia dormir tranqüilo sem questões do tipo: “a menos que se admita que nessas sociedades há espaço para todos adquirirem riqueza pessoal.”

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Caro Maestri: Seus comentários são inteiramente válidos. O que pretendi foi apenas salientar que a psicologia que preside a acumulação de riqueza pessoal é a mesma, seja no "mundo legal", ou no "mundo ilegal", nas sociedades capitalistas. Concluindo, portanto, que é improvável o desaparecimento do crime organizado em sociedades capitalistas, em que a acumulação de riqueza pessoal é sempre privilégio de uma minoria. Numa sociedade hipotética em que não houvesse espaço para acumulação de riqueza pessoal, não haveria, consequentemente, estímulo para o crime organizado. Um abraço. Flavio

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Volto ao problema das simplificações, utilizando o mesmo personagem que utilizei antes, o senhor feudal.

Na Idade Média o lucro era pecado, o juro abominável e o bom católico jamais (JAMAIS MESMO) deveria cobrar juros. O que aconteceu, todo senhor tinha o seu banqueiro, que não era católico, e como este banqueiro não era católico ele podia cobrar juros.

A criatividade humana é espantosa! As coisas não ocorrem de forma linear e mecânicas.

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Quem teria sido o "não católico'que inventou a legalidade de cobrar juros,e tornar a relação entre o dono do capital,e o ator que precisava dele,para começar a terrível bola de neve,que veio a se formar com as dívidas,que com os juros,tornaram-se impagáveis ?

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Caro Raí: O problema da taxa de juros não é tanto o de comprar a prazo ter um custo, mas o de servir para aumentar a riqueza dos poucos que podem emprestar. Uma taxa de juros que fosse destinada a aumentar a riqueza da sociedade como um todo e contribuisse para diminuir as desigualdades sociais não seria um má idéia e se ajustaria perfeitamente à filosofia cristã.

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Querido Flávio,já dizia o mais sábio de todos os homens:" É mais fácil um camelo passar pelo orifício de uma agulha,que um rico entrar no ceu"
Desde quando os "donos do dinheiro"têm algum senso de cristandade ?
Acho que a operação de emprestar recursos para capitalização,expansão de empresas,investimento em novas tecnologias,etc,etc,deveria ser feita pelos bancos privados,com uma taxa justa,e aceitando os riscos da empreitada em conjunto,enquanto que a concessão de crédito para o consumidor adquirir bens de consumo,que aumenta o crescimento interno e tambem os tributos,deveria ser feita pelos bancos Estatais,sem esta exploração hoje praticada contra toda uma nação que precisa de financiamento barato,para consumir.

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É ísso aí Rai: Tens doda razão, quanto ao absurdo das taxas de juros do crédito ao consumidor. Lamentavelmente, construimos um setor bancário altamente concentrado o que dá aos bancos um poder muito grande de explorar os consumidores. A saida seria os bancos estatais baixarem as taxas de juros, mas a reação contrária dos bancos privados seria muito alta. Um abraço. Flavio
Da forma apresentada a relação entre o crime e a queda do socialismo na Rússia esconde um fato importante para entender o que aconteceu por lá: Quem tinha poder para organizar o crime era justamente quem tinha poder no antigo regime: burocratas dos escalões superiores, chefões da KGB e os antigos poderosos em geral.

Embora na teoria vc. possa estar certo, essa sociedade orientada para dar condições igualitárias aos seus membros é uma utopia impossível (perdoe o pleonasmo), pois a complexidade das sociedades atuais implica em especialização e divisão do trabalho extremos de modo que quem detém o conhecimento e o controle (seja do estado seja da economia) acaba se valendo dessa posição de supremacia para defender os seus próprios interesses e da sua classe, setor, partido, casta, corporação ou seja lá que nome dermos a um grupo qualquer que obtém privilégios devido à necessidade de organização social.

Para que a sua sociedade desse certo a condição seria uma mudança completa na ideologia, valores, educação, e formação familiar e social em nível individual de forma que o egoísmo, a força motora da ação não só no capitalismo como em qualquer outro sistema de organização social e econômica criado pelo homem fosse substituído por outro tipo de sentimento, por exemplo a solidariedade.

É claro que imaginar que esse tipo de mudança vá acontecer ou mesmo que seja simplesmente incentivada por políticos, empresários, comitês centrais de partidos, publicidade ou mesmo pelos pais que desejam ver os filhos "vencerem na vida" é totalmente impossível.

Estou farto de ver essa dicotomia tola entre qual sistema é o melhor, capitalista ou socialista. O capitalismo é apenas mais adequado à natureza egoísta da humanidade atual. Ambos são destrutivos, degradadores do meio-ambiente e vão contra o desenvolvimento do que há de melhor no ser humano.

Eric Savanda

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