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CARACTERIZAÇÃO HIDROGEOLÓGICA DO ESTADO DO RN EM ESPECIAL VALE DO AÇU RN BRASIL PARA PERFURAÇÃO DE POÇOS PROFUNDOS

Na Bacia Potiguar podem se distinguir os seguintes sistemas aquíferos: a) Aqüífero Jandaíra, b) Aqüífero Açu e, c) aquífero Aluvionar (Mapa adiante). No presente trabalho será caracterizado apenas os Aquífero Açu devido o fato do mesmo interessar mais diretamente ao poço proposto pelo geólogo Eugênio Fonseca Pimentel. Ver conteúdo com mapas em anexos

O IPT – Instituto de Pesquisa Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A (1982), realizou um trabalho intitulado “Estudo hidrogeológico regional detalhado do Estado do Rio Grande do Norte no sentido de avançar nos conhecimentos de hidrogeologia do nosso estado. A seguir será abordada parte do texto contidos neste estudo e compilados pelo trabalho Avaliação do Aqüífero Açu na Borda sul da Bacia Potiguar “Trecho Upanema – Afonso Bezerra”. da qual parte do conteúdo serão descritos a seguir:
Todavia, no que concerne a hidrogeologia da região do Açu esta é bastante estudada tendo em vista a presença de mais de 280 poços sem contar com aqueles perfurados pela Petrobrás.

Disponibilidade e potencialidades de águas subterrâneas no Rio Grande do Norte

AQUÍFERO Reservas Permanentes (hm3/ano) Reservas Renováveis (hm3/ano) Reservas Exploráveis (hm3/ano) Disponibilidades (hm3/ano) Potencialidades (hm3/ano)
Dunas 5,0 5,0 1,0 4,0
Aluviões da Bacia Potiguar 17,2 17,2 6,6 10,6
Aluviões do Cristalino 60,0 60,0 23,0 37,0
Barreiras 10500,0 1450,0 1450,0 172,0 1406,0
Jandaíra 122000,0 125,0 125,0 58,3 66,7
Açu-Plat. Leste 7,0 21,2 13,0 8,2
Açu-Região de Mossoró 40,0 80,0 1,8
Cristalino 17,0 17,0
Total 370,9 1421,5





AQUÍFERO JANDAÍRA
Tomando-se a Bacia Potiguar como um todo, pode-se considerar que o Aqüífero Jandaíra corresponda a “porção superior” da Formação Jandaíra. De uma forma geral, o Aquífero Jandaíra apresenta-se como uma camada subhorizontal, com espessura máxima de 300,00 metros. A espessura máxima de 300 metros aqui admitida deriva do fato das perdas de circulação devidas a existência de fraturas e cavernas secas, verificadas nas perfurações realizadas na porção continental da bacia, serem praticamente inexistentes em profundidades superiores a 300 metros (IPT - Governo do Estado, 1980).
Os estudos hidrogeológicos já efetuados no Aqüífero Jandaíra revelaram que se trata de um aqüífero com comportamento hidráulico predominantemente livre, mais raramente confinado, com vazões máximas de 60 m³/h, com uma média entre 3-4 m³/h e poços com uma profundidade média em torno dos 100 metros. Tais estudos também revelaram a existência de uma grande variabilidade nos valores de transmissividade, o que permite concluir que esse meio aqüífero apresenta-se lateral e verticalmente bastante heterogêneo e com um comportamento hidráulico anisotrópico, comportamento esse típico dos sistemas aquíferos onde o fluxo subterrâneo ocorre em meio cárstificados e/ou fissurados.
Em termos hidroquímicos, considerando-se a Bacia Potiguar como um todo, as águas do Aquífero Jandaíra apresentam uma tendência de aumento do teor salino e dureza total em direção ao vale dos rios principais (Mossoró e Açu) e em direção ao mar. Esse comportamento é perfeitamente concordante com a tendência natural de aumento das concentrações, de montante para jusante do fluxo subterrâneo.
Com relação à salinidade, os valores de sólidos totais dissolvidos (STD) variam de um mínimo de 280 mg/l até um máximo de 15.000 mg/l. Os menores teores são encontrados principalmente próximos as zonas de afloramentos da Formação Açu e no extremo Leste da Bacia próximo a afloramentos do Grupo Barreiras. Os maiores teores são encontrados predominantemente nas proximidades dos vales dos rios principais e junto à orla atlântica.
Com relação à dureza total, as águas do Aquífero jandaíra variam de duras a extremamente duras, apresentando valores que variam entre um mínimo de 150 mg/l até um máximo de 7.000 mg/l de CaCO3. Essa elevada dureza das águas é um reflexo direto da natureza carbonática das rochas da Formação Jandaíra. Os valores mais baixos são encontrados no extremo Leste da Bacia, próximo ao contato com os sedimentos do Grupo Barreiras, enquanto que os valores mais elevados são encontrados predominantemente nas proximidades dos vales dos rios principais.
AQUÍFERO AÇU
Em face da extensão e à localização que ocupa no contexto do estado do Rio Grande do Norte o aqüífero Açu desempenha importante papel como supridor de água, constituindo-se por isso no principal sistema aquífero da Bacia Potiguar. Com base no conhecimento geológico-hidrogeológico atual (1982), da Bacia Potiguar, o Aquífero Açu equivale à porção médio-inferior da Formação Açu. Representa, sobretudo por arenitos pouco argilosos, arcosiano, predominantemente quartzoso, médios a grosseiros, por vezes conglomeráticos. Faz exceção a esse comportamento geral a porção central da bacia, onde as perfurações realizadas indicaram melhores condições aqüíferas para a porção média e superior da Formação Açu.
Características Dimensionais - Espessura do Aqüífero Açu
À luz do conhecimento atual (1982), a camada aqüífera Açu apresenta uma espessura máxima da ordem de 250 m, na porção Oeste da bacia, nas imediações da cidade de Mossoró. No restante da bacia, a espessura varia de cerca de 50 metros na porção Leste, até cerca de 150 metros nas imediações da costa, na porção Oeste. Na faixa de afloramento da Formação Açu a espessura saturada da camada aqüífera difilcilmente atinge os 50 metros.
O topo da camada aqüífera encontra-se a profundidades que variam entre um mínimo de algumas dezenas de metros, ao longo da faixa de afloramento da Formação Açu, até um máximo de 650-900 m, nas proximidades do centro da bacia e da linha de costa.
O aquífero Açu apresenta um comportamento hidráulico do tipo livre, algumas vezes semiconfinado ao longo da faixa de afloramento da Formação Açu, onde apresenta vazões médias da ordem dos 10 m3/h. No restante da bacia, apresenta condições de semiconfinamento a confinamento, sendo a camada semiconfinante/confinante representada pela porção superior do membro superior da Formação Açu. A área de ocorrência da camada semiconfinante coincide, grosso modo, com a área de ocorrência da Formação Jandaíra. Em tais áreas as vazões podem atingir até 200 m3/h. As águas em geral são de boa qualidade, podendo ser utilizadas para consumo humano, animal, industrial e outros, não havendo, portanto limitações quanto à qualidade.
Reservas Exploráveis
Quanto ao aqüífero Açu, assim afirma Rebouças: considerando-se a demanda da população dentro de 20 anos (100 milhões de metros cúbicos por ano), verifica-se que as suas reservas exploráveis seriam somente esgotáveis ao longo de 400 anos de exploração continua, isto é 1/3 das suas reservas totais (1967).Um trabalho efetuado pela HIDROSERVICE em agosto/98 denominado de “Avaliação das Potencialidades e Disponibilidade dos de Água Subterrânea no Rio Grande do Norte” mostra valores das reservas hídricas dos aqüíferos para as bacias hidrográficas do RN e por municípios também, entre os quais está presente o município do Assu. Neste trabalho quando se trata do Assu – RN mostra que a profundidade média dos poços do aqüífero Açu esta na faixa de 70 a 150 metros de profundidade e vazões em torno de 10 a 100 mil litros por hora.
Avaliação da Reservas Hídricas do Município do ASSU - RN

Aqüíferos Área de Ocorrência (km2) Disponibilidade (hm3/ano) Potencialidade (hm3/ano) Profundidade Média dos Poços Disponibilidade dos Poços (hm3/h) Resíduo Seco (mg/l) Tipo de Água
Aluviões 1,72 2,79 6-30 2-100 250-500
Barreiras 36,3 0,06 0,50 40-80 2-5 250-500 C2S1 a C3S1
Jandaíra 653,9 1,15 2,39 50-100 10-50 1000-4000 C2S1 a C3S1
Açu 1047,4 2,50 0,66 70-150 10-100 <500-2000 C2S1 a C4S2
Cristalino 233,6 0,13 0,13 50 1-2 500-3000 C2S1 a C5S4

Total 5,56 6,47


Recarga do Aqüífero Açu
O Aqüífero Açu apresenta três processos distintos de recarga: por infiltração de água de chuva que se precipita sobre a área de exposição da Formação Açu; por drenança das águas do aqüífero superior (Jandaira), através da camada semiconfinante e, por infiltração da água corrente nas aluviões dos rios e riachos que cortam as áreas de exposição do aqüífero.


MAPA DE ISÓPACAS DA FORMAÇÃO AÇU

MAPA DE ISÓPACAS DA FORMAÇÃO JANDAÍRA

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