Carta de uma mãe

Queridos Filhos,

Em primeiro lugar, Mamãe gostaria de agradecer a presença de todos nesta Primeira Convenção Familiar. Mamãe sabe como foi difícil abrir um espaço nas agendas de cada um de vocês: Papai tinha uma lavagem de carro praticamente inadiável, Júnior já tinha marcado de se trancar no quarto e Carol estava para receber pelo menos três telefonemas importantíssimos de uma hora e meia cada um.
Mamãe está comovida. Muito obrigada.
Bem, conforme Mamãe já tinha mais ou menos antecipado, esta convenção é para comunicar ao público interno - Papai, Júnior e Carol - todas as modificações nos produtos e serviços da linha Mamãe.
Como vocês sabem, a última vez que Mamãe passou por reformulações foi há 20 anos, com o nascimento do Júnior. De lá para cá, os hábitos e costumes, o panorama cultural, a economia e o mercado passaram por transformações radicais.
Mamãe precisa acompanhar a evolução dos tempos, sob pena de ver sua marca desvalorizada.
Para começar, Mamãe vai mudar a embalagem. Mamãe sabe que esta é uma decisão polêmica, mas, acreditem, é o que deve ser feito.
Mamãe sai desta convenção direto para um spa, e de lá para uma clínica de cirurgia plástica. Nada assim tão radical. Haverá pouquíssimas alterações de rótulo, vocês vão ver.
Mamãe vai continuar com praticamente o mesmo formato, só que com linhas mais retas em alguns lugares e linhas mais curvas em outros. Calma, Papai! Mamãe já captou recursos no mercado.
Mamãe vai ser patrocinada por uma nova marca de comida congelada. Lei Rouanet, porque Mamãe também é cultura. Junto com o lançamento da nova embalagem de Mamãe, no entanto, acontecerá o movimento mais arriscado deste plano de reposicionamento.
Sinto informar, mas Mamãe vai tirar do mercado o produto Supermãe.
Não, não, não adianta reclamar. Supermãe já deu o que tinha de dar. Trata-se de um produto anacrônico e superado, antieconômico e difícil de fabricar.
Mamãe sabe que o fim da Supermãe vai aumentar a demanda pela linha Vovó, que disputa o mesmo segmento. Paciência. Você não pode atender todos os públicos o tempo todo.
No lugar da Supermãe, Mamãe vai lançar (queriam que eu dissesse 'vai estar lançando', mas eu me recuso) novas linhas de produtos mais adequados à realidade de mercado.
Vocês vão poder consumir Mamãe nas versões Active (executiva e profissional), Light (com baixos teores de pegação de pé), Classic (rígida e orientadora), e Do-It Yourself (virem-se, fui passear no shopping).
Mas uma de cada vez, sem misturar.
Ah, sim, Mamãe detesta esses nomes em inglês, mas me disseram que, se não for assim, não vende. Mamãe gostaria de aproveitar a oportunidade para lançar seus novos canais de comunicação.
De hoje em diante, em vez de sair gritando pela casa, vocês vão poder ligar para o SAC-Mamãe, um 0300 que dá direto no meu celular (apenas 27 centavos por minuto, mais impostos).
Mamãe também aceita sugestões e críticas no endereço mamae@mamae.net
Mais uma vez Mamãe agradece a presença e a atenção de todos.

(Autoria Desconhecida)

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Respostas a este tópico

Webster

o autor deve ser homem( ahahah)

 

Stella,

rsrsrs... Sei não, como tudo evolui na vida é possível que o autor seja homem. Voces mães tem melhores condições de avaliarem a ausência dos filhos que eu. Constato apenas que existem algumas mães sofrendo com a ausência dos filhos, por diversas razões, filhos que moram distantes em outros estados, países etc... 

Vejo ,webster

que a ausência , não é por  distâncias geográficas não...

mas quando  digo, que a carta parece ser escrita por um homem,

pelo sentido que o texto, descreve a ausência  da figura materna ( de antes)

neste caso, ele marido tb... saíria no prejuízo..

entendi o texto assim...

ah! copiei pra mim( rsrsr)

Citei apenas uma das razões Stella a questão geográfica, mas sei que existem outras, como ausência dos filhos mesmo vivendo em conjunto com a família o diálogo praticamente inexiste.

Pois é, existem diversas interpretações no texto com a figura da supermãe. rsrsrs... 

 

Por que você achou isso, Stella? Duvido um pouco que homens que sejam maridos nesse tipo de esquema familiar tenham senso de auto-crítica... (rs, rs) 

Analú, até que enfim apareceste por aqui, estávamos sentindo sua ausência.

Um bom domingo!

Obrigadíssima, Webster. Ando atolada de trabalho, mas esta tarde me dei para fazer coisas de que gosto, e voltei aqui. Por enquanto é apenas uma "janelinha" de intervalo, mas espero que daqui há mais uma semana ou duas eu possa voltar a participar mais efetivamente.

Analú,

lá pelo fim do texto, vi assim.. como posso dizer "critica"

mas pelo visto,

o texto sugere outras interpretações.

(p.s. bom te vê,  digo lê, né.)

Mas nao seriam interpretaçoes benéficas aos maridos... Ou perdi algo?

Tb acho, Marli, que as mulheres que acaso vivam a situaçao descrita como anterior pelo texto deveriam se perguntar por que permitem isso...

O texto reflte a ausencia de dialogo e união adentro as "quatro paredes" , um problema cada vez mais comum atualmente e, infelizmente. Devemos lutar contra esse mau, nos dedicando e priorizando a atenção e comunicação primeiramente aos do lar.

 

Isso evitará sérias consequencias.

 

       Um texto magnifico. Uma mãe com sentido de humor ao mesmo tempo sofrida.

 

       Enquanto isso, os Pais do mundo recebem esta homenagem linda!

         

           http://www.youtube.com/watch?v=5oVq5yvA_7w&NR=1

 

          Duas formas de registo de uma mesma realidade - Recados à fámilia - único ecossistema natural dos filhos do presente e homens e mulheres do futuro.

 

          

      

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