É um grande transtorno quando o chuveiro de nossa casa apresenta defeito. Por ser fabricado de forma que deixa muito a desejar, sua reparação é muito trabalhosa. Implica em desmontá-lo, lixar todos os contatos, refazer todas as conexões e desobstruir todos os caminhos por onde passa água. As pessoas, sempre com pressa, tentam reparos paliativos, o que só piora a situação.  O serviço não fica bom  e a forma usada de recuperar os contatos não satisfaz. A tentativa de lixá-los para limpar as partes queimadas e oxidadas pelo uso não trazem um bom resultado. A oxidação rápida que acontece após este procedimento dificulta a passagem da corrente elétrica, causa perdas de energia e acaba por levar o chuveiro a parar de aquecer a água. Se a pessoa que reparar os contatos do chuveiro for paciente e habilidosa até poderá conseguir algum resultado, porém ficaria frustrado ao constatar que, se os tivesse substituído, naturalmente que o serviço ficaria melhor, mais barato e até nem precisaria ter gastado tanto tempo com essa atividade.

 

Estes aparelhos não precisavam ser tão mal feitos, afinal de contas o material nele usado nem tão caro é, mas a ganância dos fabricantes fala mais alto. Agindo assim vendem maior quantidade, pois as pessoas desistem de consertá-los, trocando-os por novos, incentivados pelo consumismo desenfreado. Se você quiser, e estiver disposto a gastar bem mais, encontrará no mercado chuveiros de qualidade, mas que realmente não valem o que é cobrado, somando-se ainda o que se paga por uma  sofisticação  desnecessária sem nenhuma serventia. Afinal de contas o consumidor só deseja tomar um banho confortável.  A margem de lucro que o fabricante coloca nestes aparelhos melhores é exorbitante, pois sabe que o tipo de consumidor que faz esta opção não está nem aí para preço. O aparelho que a maioria compra é descartável. Apesar de detestar consertar chuveiro tem muitas pessoas, como eu, que  resisti a este consumismo. Para estas pessoas vai aí uma dica para dar um basta nestes exploradores.

 

Os construtores têm por habito não instalar fio terra nos apartamentos ou casas. Além de ser uma irresponsabilidade é também um flagrante desrespeito às normas técnicas. Todo edifício deveria ter um fio de cobre desencapado, independente da rede elétrica, correndo junto aos condutores. Este fio deve ser  ligado a uma haste de ferro enterrada no solo. Os aparelhos que compramos vêm com um fio normalmente na cor verde, que deve ser ligado ao fio terra. Como não o temos dentro dos imóveis  ele não é ligado a lugar nenhum, fica sempre ao ar. Neste caso, ele deveria ser ligado ao neutro do sistema. Procedendo assim eliminam-se os choques que muitas vezes tomamos ao fechar a água no final do banho ou tocamos na carcaça de um eletrodoméstico. Elimina-se também o risco de recebermos descargas atmosféricas vinda da rede, principalmente em dias de chuva.   Para a segurança e conforto de quem está tomando banho, a energia elétrica que escapa da resistência através da água deve ter como destino a terra. Os eletricistas mais conscientes conectam o fio terra do chuveiro ao fio neutro do sistema. A maioria das pessoas não sabe disso e, se sabe, não tem como identificar qual dos fios é o neutro. Aqui no Brasil, não podemos confiar que o fio vermelho é a fase e o preto é o neutro, pois, para aumentarem seus ganhos financeiros, as construtoras usam de mão-de-obra barata e não controlam a execução dos projetos. Se quiséssemos fazer um serviço responsável, precisaríamos de um aparelho, o “multi teste”, pra identificar qual o fio neutro e qual o fio fase. É muito difícil encontrarmos um técnico - “biscateiros” -, que tenha este tipo de aparelho. PQP!!! Que canseira, heim? É melhor desistir de usar chuveiro elétrico! Para quem não pensa assim, vou passar algumas dicas com base em minhas observações .

 

Quando eu e o Carlos Humberto, meu amigo e colega, trabalhávamos na CEMIG, as nossas mesas ficavam muito próximas. Certamente, de tanto me ver falar sobre este assunto, ele resolveu comentá-lo com um experiente eletricista que havia contratado para instalar um chuveiro elétrico, justamente o que faltava em seu primeiro apartamento, recém adquirido. Este eletricista, orgulhosamente, afirmou-lhe que chuveiro que ele instalava não dava este tipo de problema (desgaste de contatos). O pai dele tinha lhe passado o macete que era: Você pega o fio terra e liga no neutro da rede elétrica. Regula para abrir primeiro o contato que interrompe o fio neutro”. Ao nos encontrarmos depois dessa conversa, eu e o Carlos Humberto, quem me repassou esse papo, perguntou-me o que eu achava. Respondi-lhe que tal técnica fazia algum sentido, pois do ponto de vista teórico, respondia a uma grande curiosidade minha, que era a utilidade deste aparelho em ter dois contatos de interrupção, um para o neutro e outro para a fase.  Ao seguir as instruções do velho eletricista, nós desviaríamos o fluxo de corrente com abertura do contato que interrompe o neutro para o fio terra que continua ligado ao neutro apesar do contato deste estar interrompido, pois ele está ligado depois de tal contato. Com isso a corrente continua circulando, mas reduzida de aproximadamente mil vezes. O circuito continua fechado, mas através da água que oferece grande resistência a passagem da corrente o que explica o fenômeno de redução de corrente que acabo de mencionar. Assim, o desgaste deste último contato a abrir seria mil vezes menor em vista da baixa corrente que ele tem para interromper. Isso trouxe um grande e significativo alívio aos contatos do chuveiro. Ao chegar em casa apliquei esta simples, mas eficiente técnica, aos meus chuveiros e nunca mais tive trabalho como antes.

 

Recomenda-se retirar a tomada da rede elétrica para proteger os eletrodomésticos de descargas atmosféricas. Como não temos tomada nos chuveiros usam-se dois contatos no seu circuito para conseguir o mesmo efeito. Isto é o que justifica este aparelho ter dois contatos. Outro benefício que traz esta estrutura é permitir que o contato que interrompe a conexão com o neutro tira a resistência, que faz o aquecimento da água de serviço, mas não interrompe a conexão da fase com o fio “terra”, pois este circuito está fechado via resistência, água (que é condutora), cuja resistência está mergulhada nela juntamente com o “terra”, que continuarão fechados, apesar de o neutro estar interrompido. Como já dissemos, é verdade que esta corrente é muito pequena, mas nem por isso devemos deixá-la fluir. Ela tem custos e deve ser interrompida, também, por questões de segurança. É muito comum entre os fabricantes de eletrodomésticos a recomendação para se tirar da tomada o cabo dos aparelhos quando não estão em serviço, principalmente, em dias de chuva. A razão que levaram aos fabricantes fazerem esta recomendação é a mesma que os levaram a colocarem dois contatos no chuveiro elétrico. Este procedimento torna possível isolar o chuveiro do sistema  como se fosse uma tomada que retirássemos da rede.

 

Apesar da falha de usarem material pobre para se fabricar o chuveiro, o projeto dos chuveiros elétricos é perfeito. Peca-se apenas no não esclarecimento aos consumidores, sobre os detalhes aqui relatados. Se um chuveiro for instalado conforme recomendo, você nunca levará choques elétricos ao colocar a mão nas torneiras e nunca ocorrerão acidentes devido à falha na rede ou sobre descargas atmosféricas. O mais importante, porém, é a proteção que este sistema oferece não permitindo a drenagem de surtos da rede através do corpo de quem está tomando banho.

 

VALE A PENA COLOCAR EM PRÁTICA ESTAS RECOMENDAÇÕES. NÃO DÊ CHANCES AO AZAR. 

 

JGeraldo 

 

JG, muito boa a sua informação. Hoje com o consumismo em voga e com o famigerado "estragou jogue fora e compre outro" pequenas atitudes adquiridas com a experiência de um bom profissional resolveria a maioria dos pequenos defeitos domésticos como: uma bucha de torneira, o chuveiro que estragou, a tomada e o interruptor que estragam, enfim vários outros probleminhas corriqueiros que podem ser resolvidos facílmente. Aqui no prédio onde moro, por ser mais antigo, não tem o sistema de aterramento, mas também não vejo nos novos. Passei por este problema que você cita e resolvi ligando o fio terra ao neutro, para isso usei um simples teste com lâmpadas de leds e identifiquei qual era neutro. Resolvendo assim os problema de choques que os próprios fabricantes, quando consultados, não sabem informar. Com o seu relato, me atentei para a questão do primeiro fechamento do contato com o neutro, e como minha formação é em engenharia civil, não terei dificuldades em fazé-lo.

Abraços,

 

EMÍLIO CÉZAR C. MIRANDA
31-3491.3455
31-9764.8240
emiliocmiranda@yahoo.com.br

Excelente dica!

É importante lembrar que, quando se liga o terra do chuveiro ao neutro, pratica-se o esquema de ligação TN-C, ou seja, terra e neutro comuns (PEN). Esse procedimento traz consigo os incovenientes da ligação TN-C, quais sejam:

  1. Caso haja o rompimento do neutro a montante do ponto de conexão (terra e neutro), no âmbito residencial, o que é fácil de acontecer quando se usa conectores, transfere-se toda a tensão para a carcaça metálica do chuveiro quando se abre a água. Sendo a carcaça de plástico, para a água. Um choque nessas condições é muito perigoso, dada a condição BB3 da pele, cuja tensão de segurança é 25 Vca. Imagine as localidades em que a tensão distribuição secundária é 380/220 Vca?
  2. Caso haja o rompimento do neutro na rede de distribuição da concessionária, a montante do ponto de ligação da residência à rede, transfere-se para a carcaça do chuveiro, ou para a água, a tensão de deslocamento do neutro (Von), que, provavelmente, será maior que 25 Vca. Portanto, um perigo para a condição de pele BB3.
  3. A ligação TN-C, o que significa ligar o terra ao neutro, não permite o uso de disjuntor ou interruptor diferencial residual, o que é exigido pela NBR-5410 para o chuveiro e que se tornou obrigatório com a nova NR-10. 

Finalmente, as pessoas que optam por ligar o terra ao neutro, quando não têm o terra na instalação, argumentam que é menos provável o rompimento do neutro, em casa ou na rua, do que problemas internos no chuveiro que possam dar origem a um choque indireto com tensão maior que 25 Vca. É razoável.

 

Getúlio

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JAMAIS DEVE-SE LIGAR O TERRA NO NEUTRO!

Pesquisem sobre isto. Há vários vídeos explicando por que e demonstrando, no Youtube.

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