ÁGUA DE BOA QUALIDADE NO MEIO MEU AMBIENTE - SEMI-ÁRIDO DO BRASIL

 

Cálculo da demanda d’água para consumo humano na Região ordeste

 

Eugênio Fonseca Pimentel

Geólogo, Pesquisador da Agenda 21  

           Água para beber – Observa-se que o sertanejo nato, de estatura mediana, consome em média no máximo 2 litros d’água diariamente. Sendo assim em um ano um nordestino adulto consume o seguinte volume de água: 365 dias X 2 litros = 730 (Setecentos e trinta litros por ano).

           Uma família nordestina de quatro pessoas consome, ou seja, bebe anualmente 730 X 4 = 2.920 (dois mil novecentos e vinte litros de água por ano).

           A necessidade diária que já satisfaz ao uso domestico de um nordestino nato no meu meio ambiente é de cerca no máximo 16 litros de água por dia, incluindo inclusive a água para beber. Assim sendo em um ano ele gasta em média: 365 x 16 =  5.840 litros por ano.

            Uma família de nordestino de 4 pessoas gasta em média anualmente o equivalente ao seguinte volume de água: 5.840 X 4 = 23.360 litros anuais.

 

            Para efeito de conhecimento uma cabra da peste ou um bode sem raça definida SRD consome a metade que uma criatura nordestina bebe diariamente. Uma vaca pé duro de 12 arrobas com muita sede consome no máximo o volume de duas latas de água de 18 litros, ou seja, no máximo no máximo mesmo 36 litros de água diária.

 

Agora cálculo de quanto se pode armazenar através de cisternas.

 

 O volume das chuvas é medida em mm = milímetro. Uma chuva de 100 mm em uma região significa que a media da quantidade de água caída em cada metro quadrado corresponde a uma altura de 100 mm = 0.10 m. A quantidade de água que um telhado pode captar das chuvas é igual à área de projeção horizontal do telhado, o que equivale à área construída do telhado multiplicada pela precipitação pluviométrica.

           Por exemplo, se á área de um telhado de uma casa nordestina é possui uma média de 50 m2 e precipitação pluviométrica é de 600 mm ao ano = 0.60 m/ano então o volume que o telhado poderia captar por ano seria de 50 m2 X 0.60 m = 30 m3 ou 30.000 litros.

            Todavia o aproveitamento não é 100%. O coeficiente para telhado é tomado como sendo de 0.80 ou 80% visto que nem toda área pode ser aproveitada. Sendo assim, a quantidade máxima de água que um telhado de 50 m2 pode captar em um lugar onde chove 500 mm é de 50 m2 X 0.60 m X 0.80 = 24 m3, ou seja, 24.000 litros de água por ano pode ser captada e armazenada em cisterna apropriada.   

           Relembrando que uma família de 4 nordestinos natos gasta em geral no máximo  23.360 litros anuais, a construção de cisterna é de fundamental importância. Esta pequena obra de infra-estrutura hídrica aliada à educação ambiental melhoraria consideravelmente a qualidade de vida do homem do campo nordestino. Água de chuva no semi-árido nordestino sem a presença de chaminés e poluição do ar é água pura de melhor qualidade. Muito melhor e barata que água dessalinizada. No brabo semi-árido nordestino o índex de precipitações pluviométricas media anuais são registradas na faixa de 400 a 800 mm, distribuídas em praticamente 5 meses do ano (janeiro e maio), com uma média em torno de 600 a 800 mm.

 Essas chuvas captadas e armazenadas em cisterna serão suficiente para suprir a necessidade de uma família de quatro pessoas, mesmo aquelas famílias embrenhadas nos confins do sertão. Eu nesta época como diretor do Departamento de Recurso Hídrico da Prefeitura Municipal do Assu (RN), pelos cálculos e conhecimento dos índices pluviométricos do município que são em média torno de 600 mm, defendo há tempo com convicção, que as cisternas de placas são mais práticas, baratas e funcionais que os dessalinizadores, principalmente em regiões de águas salobras em subsolo situado no embasamento cristalino ou rocha sedimentar de natureza calcária.

 

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Respostas a este tópico

A idéia é boa, mas não sei se a água proveniente de chuvas é automaticamente potável, mas de qualquer forma, poderia ser utilizada após uma fervura, e diretamente para uso sanitário e banho; ainda assim, como os telhados são inclinados, o cálculo pela área do telhado não é correto, temos que aplicar o velho teorema de pitágoras para calcular um dos catetos, em seguida a área plana que se projetaria sobre o telhado. Não se pode esquecer que as próprias telhas absorvem parte da água que cai sobre elas, e que o consumo de dois litros para cada nordestino é insuficiente, pois ele estaria no limite da desidratação. A OMS recomenda o consumo de 110 litros por dia, por pessoa, para atender suas necessidades de consumo e higiene. Mas de qualquer forma, as cisternas poderiam contribuir com parte da água necessária.

Parabéns pelo comentário. Água das primeiras chuvas não é automaticamente potável. Temos que esperar e deixar que as chuvas boas lavem bem o telhado pelo menos duas vezes. Todavia não se precisa de teorema de Pitagoras não. Nós que tomamos banhos nas bicas de casas e sentimos na pele a força e a pureza da água sabemos que tal cálculo é por demais correto. Antigamente enchiam em rapidissimo espaço de tempo toneis de 200 litros e latas menores em cada chuva. Almério eu conheço e estudo este pedaço de chão. Aqui é um lugar aonde existem pouca quantidade de fábricas, sendo assim o risco de contaminação de água pela atmosfera é muitissimo pequeno. Por fim esta água é para se beber e cozinhar. Para se tomar banho é outro tipo de água menos potável que esta água mandada por DEUS. Uma criança toma leite e jamais 2 litros de água por dia. Isso que voçê tenta explicar não tem lógica. A FUNASA recomenda em seus livretos explicativos 2 litros de água por dia para o adulto. Eu, por exemplo não tomo essa quantidade.  Quando escrevo 80% é porque há perda com a inclinação das telhas. Este artigo foi baseado em livros estudados. 

Acho sua idéia ótima, e a água já é um bem escasso, e não é à toa que a Nestlé e a Coca-Cola já se apoderaram das águas minerais de São Lourenço, Caxambu, etc. Mas no calor do sertão, a necessidade de água potável é quase o dobro dos dois litros, isso apenas para beber;

finalmente, não acho que Deus tenha alguma coisa a ver com água, caso contrário ele deve ser muito injusto com as populações do sub-sahara, e do agreste brasileiro...

Você me parece que é ateu. O Senhor Deus tem muito a haver com tudo o que ocorre na natureza. Não é a toa que os nordestinos natos esperam até 19 de março, dia de São José pai do Senhor Jesus Cristo, para saber se o inverno bom e vem ou não vem. Esta data praticamente coincide com o equinócio de Outono aqui no hemisfério Sul. Nesta posição a terra esta mais próxima do sol. Segundo o metereorogista Gilmar Bristot da Emparn que recentemente proferiu palestra aqui as manchas solares interferem e são também importantes nas previsões das precipitações de chuvas anuais. Escrevo de maneira simples para que todos entendam o meu argumento, a minha mensagem.

Quando escrevo manchas solares me refiro as explosões solares derivado da queima do gás nobre Hélio abundante no astro "rei", luminosa estrela do sistema solar o sol.
mas... cadê a novidade?

A novidade é que eu aos poucos, através de perfuração de poços profundos e recuperação de outros muitos antigos estou tentando acabar com a dependência de carros pipas com água potável que ocorre no segundo semestre do ano aqui em ASSÚ. Meu município possui cerca de 300 poços. Uns bons com água potável outros com água salobra que necessitam de dessalinizadores. É com ações pontuais e simples que se resolve o problema desta brava gente brasileira. Há uma grandíssima rejeição pela população daqui por água corrente do rio Piranhas-Açu para se beber. A água dos carros pipas é tratada e é proveniente da adutora ASSÚ-MOSSORÓ - RN.

Observação: a água da Mega barragem Armando Ribeiro Gonçalves é subutilizada. A barragem de Umari em Upanema não utilizam nem 5% de seu volume armazenado. A Barragem de Santa Cruz do Apodi também subutilizada. Vejam fotos e videos delas no Portal. Sim, temos água mineral no nosso subsolo. A AMANA estar produzindo água em garrafões de otima qualidade proveniente da Comunidade Rural Olho D'água do Mato. Sei de outros locais onde se poderia se perfurar poços e se obter água para exportação para todo estado do Rio Grande do Norte.

Novidade, eu entendo, é dar ao pequeno produtor rural nordestino o acesso à água em sua propriedade, pra que ele não dependa de caminhão-pipa ou de buscar água para consumo diário em lombo de jegue ou na cabeça, com muita dificuldade.

Estou longe do nordeste, mas sempre vi em reportagens da TV gente pegando água em restos de açude e lagoas barrentas, a única água que teriam em casa. Por isto, penso que por menos pura que possa ser, a água da chuva armazenada corretamente em grandes caixas d'água solucionaria, com qualidade, a necessidade de quem antes tinha que beber e se satisfazer com água barrenta e suja.

Imagino que o custo da construção dessas caixas chamadas no nordeste de cisternas (aqui em Minas cisterna é um poço) deve ser menor, principalmente em longo prazo, do que a coleta de água em açudes/rios e seu transporte em caminhões-pipa até um local onde a população carente possa buscá-la. Além do possível custo menor pela obtenção da água, as cisternas dariam ao pequeno produtor mais autonomia e liberdade para cuidar de sua propriedade.

Acho que uma grande medida para melhorar a vida dos agricultores do nordeste seria o investimento pesado, pelos governos municipal, estadual e federal, no auxílio, doação ou financiamento da construção de cisternas em todas as propriedades que estejam nessas áreas de baixo índice pluviométrico. Já que chove de alguma forma na região, com intensidade mesmo que pequena, o melhor, o correto seria guardar toda água que cai nos telhados, escorre e se perde pelo chão.

Parabéns às cidades que estão ajudando na construção de cisternas.

Na cheia de 2008 o Nordeste parou com a obstrução da BR-304, rodovia federal asfaltada que liga Natal a Fortaleza aqui em ASSÚ – RN por proprietários de terra ribeirinhos do rio Piancó/Piranhas-Açu e os membros do Sindicato da Lavoura do Assú que foram seriamente prejudicados em suas plantações, destruídas do dia para noite com o transbordamento do rio supracitado. A paralisação durou das 6,00 horas da manhã às 7,00 da noite. Eu nesta data estava terminando meus projetos de perfuração de poços profundos que posteriormente foram aprovados pelo Ministério da Integração e estava com viagem marcada para um excelente Curso de Licenciamento Ambiental no município de São José do Mipibu – RN patrocinado pelo Banco Mundial e Governo Estadual do RN. Fui me associar ao grupo liderado por Neto já no final da tarde só que fiquei encaixotado entre dezenas e por que não centenas de Jamantas, caminhões de grande porte que iam para Mossoró e Fortaleza levando no seu lastro cargas de vários tipos. Eu pergunto? Já pensou se a transposição estivesse pronta e exportando água para cá. A culpa todinha cairia em cima desta obra polêmica. Por isso defendo que a transposição só deve ser concluída quando se fizer a Barragem de Oiticica em Jucurutu no RN. Pergunto também porque o Portal de Luis Nassif não mostra o real registro destas enchentes de 2008 e 2009 que mando para ser aprovado. O gado bovino morto pelas águas é do meu tio. As bananeiras provavelmente são as minhas que perdi. São fotografias cedidas por amigos e devem ser mostradas e acrescentadas ao meu álbum de fotos, mostrando o real episodio acontecido recentemente em 2008 e 2009. A popularidade do excelente governo LULA da qual votei, teria sido arranhada aqui no Vale RN se tal obra estivesse pronta. Esta é a minha convicção. Por fim o vereador Carlinhos da Comunidade Rural de São José antigo Buraco D'água municipio do Alto dos Rodrigues me disseram que chorou quando viu suas plantações de mamão sendo destruida. As imagens devem ser liberadas.

 
Anexos
Ademais, Eu e a Gestora Ambiental do RN e do ASSÚ Francisca Oliveira pedimos a dois caminhoneiros para se afastarem um do outro para meu carro voltar. Eles gentilmente atenderam ao nosso pedido. Voltei até o Posto de Gasolina de meu amigo Bebé na saida de ASSU para Mossoró e fomos outra vez em direção da manifestação pacífica, agora, por estrada de barro paralela ao asfalto da BR-304.Todavia, após poucos quilômetros rodados tivemos que parar de novo com a fila enorme de carros de passeio e camihões de todo tipo e marcas. Só voltamos para casa quando o tráfego foi liberado, já era noite. 

Penso que você, Eugênio, não enxerga o alcance total do que diz. Quem mais precisa hoje dessas cisternas de captação de água de chuva são São Paulo, Rio, Salvador... Sonho com o dia em que o Ministério do Meio Ambiente tenha força suficiente para pactuar com os municipios e governos estaduais coisas como: "toda casa ou prédio deve captar para tanques a água da chuva correspondente à área total do seu telhado". Prêmio = 20% de desconto no IPTU por dez anos. "Toda casa ou prédio deve contribuir para a manutenção de um micro-clima termicamente agradável e, portanto, redutor do consumo de água, plantando árvores". Prêmio = 10% de desconto no IPTU por árvore adulta e saudável, durante dez anos"... Fazia legislação assim e abria linha de crédito para o pessoal reformar a casa ou prédio. Isso é coisa relativamente viável. O sertão precisa de medidas assim, as cidades grandes também.

 

É obvio que jamais chegaremos a um número "satisfatório" de água por habitante. Como já morei no sertão posso te dizer: o importante é saber que tem água para três ou quatro meses antes de cair no desespero. Embora eu acredite que, tendo água para o ano todo, muita coisa mudaria no sertão se o sertanejo não precisasse temer a dependencia do carro-pipa... e do vereador!

Garanto que exergo mais o meio ambiente do nosso Brasil do que você e provo porque. Por exemplo São Paulo, Rio e Salvador estão situados no Bioma Mata Atlântica onde todos anos chove mais do que 1200 mm ano. É uma aberração, miopia de conhecimento comparar os ecossistemas do Bioma Mata Atlantica com os ecossistemas do Bioma Caatinga. O estado de São Paulo possui o Aquifero Guaraní considerado o maior do Mundo e chove bastante aí e o rios são perenes. Aqui temos o aquifero Açu ainda não muito explorado e a maioria dos rios não são perenes, exceto o rio Piancó/Piranhas -Açu perenizado após o Sistema-Curemas-Mãe D'água na Paraiba com capacidade de armazenar 1.38 bilhões de metros e liberando para Barragem Armando Ribeiro Gonçalves no mesmo rio cerca de 4.000 litros por segundo. A Barragem Armando Ribeiro estar próximo a sangrar veja dados abaixo do DNOCS. Possui capacidade de 2.4 bilhões de metros cúbicos e estar liberando e desperdiçando água doce rumo ao mar 21.09 mil litros por segundo. Com os rios de regime temporário é por demais necessário e urgente a construção de cisternas de placas e perfuração de poços profundos nesta região. 

  

Barragem Armando Ribeiro Gonçalves 

BACIA DO PIRANHAS/AçU 

2.400.000/

2.105.893/

88%

/53,36/

21,09

/20/04/2011 

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