Civita e o DNA da direita radical

 

DAVIS SENA FILHO   27 de Maio de 2013 às 17:19

 

O Portal Brasil 247 fez uma pergunta em forma de manchete: "Para onde vai a Abril?", evidentemente que depois da morte do magnata Roberto Civita. Eu respondo: "Para lugar algum"

 

O Portal Brasil 247 fez uma pergunta em forma de manchete: "Para onde vai a Abril?", evidentemente que depois da morte do magnata Roberto Civita, cujo nome verdadeiro é Robert, como seu irmão se chama Richard e não Ricardo, eu respondo: "Para lugar algum". Vai ficar tudo como dantes no quartel d'Abrantes, ou seja, no lugar de sempre: a extrema direita do espectro ideológico. A verdade é que a Abril e, particularmente, as revistas Veja e Exame sempre repercutiram o pensamento e os interesses da oligarquia nacional e da plutocracia em termos mundiais, e vai continuar na mesma "batida" extremamente conservadora, se não piorar sob a administração do herdeiro de Roberto Civita, o seu filho Giancarlo.

O ítalo-americano de Milão, Robert Civita, herdou a Abril de seu pai, o americano Victor Civita, falecido em 1990, em São Paulo, e nascido em Nova York, em 1907. Civita deixa a vida aos 76 anos, após transformar a revista Veja em um bunker ou casamata, que, de forma sistemática e panfletária, resolveu fazer uma oposição violenta contra os governos trabalhistas de Lula e Dilma, a utilizar termos chulos e acusações infundadas e não amparadas por provas e contraprovas. Os diretores e editores de Veja, com a aquiescência de Robert Civita, passaram, principalmente nos últimos dez anos, a editar e publicar um jornalismo meramente opinativo e baseado muitas vezes em declarações de pessoas que nem ao menos suas identidades eram conhecidas.

A efetivação do jornalismo declaratório em constante embate com os poderes constituídos e com as autoridades eleitas pelo povo brasileiro, que assumiram há 11 anos o poder central. O jornalismo adversário dos políticos que compõem o campo da esquerda, apesar de o Governo Dilma Rousseff ser um governo de coalizão, no qual participam alguns partidos conservadores, porque é impossível para qualquer presidente de qualquer partido e ideologia administrar um País continental como Brasil e ter maioria no Congresso e, consequentemente, colocar em prática o programa de governo apresentado à população, no decorrer da campanha eleitoral.

Robert Civita tal qual aos seus colegas magnatas proprietários do sistema midiático privado e de empresas jornalísticas menosprezava e desprezava o Brasil. Sempre combateu presidentes trabalhistas e governos populares, os quais ele chamava, equivocadamente e propositalmente, de populistas, como forma de diminuir, dar uma conotação de demagogia, e, por conseguinte, não reconhecer os avanços econômicos e sociais realizados pelos trabalhistas de todas as épocas, a exemplo de Getúlio, Jango, Lula e Dilma. Robert é estrangeiro que, a exemplo de seu pai, Victor, veio ganhar dinheiro no Brasil.

Anteriormente, os Civita foram expulsos da Itália por cometerem irregularidades. Depois tentaram se estabelecer na Argentina, de onde Cesare, irmão de Victor, foi também expulso. Banidos do país portenho foram parar nos Estados Unidos. Entre os yankees, continuaram a manchar seus nomes e se meteram em escândalos, mas, após um acordo com o governo estadunidense, vieram para o Brasil. Desde os tempos argentinos sempre controlaram as publicações de Walt Disney, uma forma de iniciar seus negócios e atividades de maneira independente. Era a época da Guerra Fria, do nacionalismo na América do Sul. Até hoje os Civita nunca explicaram como conseguiram os contratos com a Disney, que publicava histórias de Mickey, Pato Donald e Tio Patinhas, personagens muito populares até a década de 1980, no que concerne à publicação de revistinhas ou gibis e vendidos em todas as bancas do País.

Victor Civita, pai de Robert, veio diretamente de Washington para o Brasil. Seu passaporte recebeu visto na capital estadunidense, apesar de ele, na época, residir em Nova York. Victor se estabeleceu no Brasil, enquanto Cesare foi para a Argentina. Exerceram praticamente o mesmo trabalho, com o propósito de conquistar o mercado de revistas e controlar a publicidade. Fizeram fortunas e até os tempos de hoje a dúvida permanece: os Civita tiveram o apoio e a influência do Departamento de Estado dos EUA?

O tempo passou, e Victor Civita, em 1968, funda as revista Veja. A verdade é que o criador da Veja é o jornalista Mino Carta, que depois teve de sair da revista por não concordar com os rumos editoriais do semanário que se transformou em um libelo direitista, de cores fascistas e totalmente direcionado a boicotar e, se pudesse, derrubar governos e governantes que, politicamente e ideologicamente, não condizem com os seus interesses e as suas "verdades", que causam preocupação às instituições republicanas e às autoridades eleitas, que são atacadas, sistematicamente, por jornalistas das revistas da Abril.

São profissionais escolhidos à dedo no mercado, porque Robert Civita contratou pessoas ideologicamente direitistas, que acreditassem ou fingissem acreditar em seus "ideais", a exemplo dos jornalistas e blogueiros Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, dois dos pitbulls do Civita recentemente morto, que atuam livres de "coleiras" para morderem à vontade, a quem o magnata bilionário combatia, e, autoritariamente, não queria no poder, apesar de o povo brasileiro eleger por três vezes seguidas os candidatos do PT, Lula e Dilma, que revolucionaram o Brasil, pois o colocaram em patamares em termos mundiais nunca antes acontecido na história do País.

A ousadia e a arrogância do barão da imprensa Civita era tão grande que, de forma gangsteriana, ficou comprovado pela CPMI do Cachoeira que a Veja, do editor Policarpo Jr., associou-se com o bicheiro Carlinhos Cachoeira para boicotar, ameaçar e chantagear empresários, políticos e servidores públicos que não compactuassem ou não aceitassem fazer "negócios" com o bicheiro, que se transformou em "editor" e "pauteiro da revista que optou pelo jornalismo simplesmente declaratório e com "entrevistados" geralmente ocultos, ou seja, preferiu realizar o verdadeiro jornalismo de esgoto e assim efetivar uma rede que atuava e agia no submundo, com o objetivo de "sujar" os nomes de autoridades eleitas e nomeadas, bem como implantar uma rede ilegal e, portanto, criminosa de escutas clandestinas e de "matérias" e "notas" plantadas na revista para desmoralizar aqueles que não aceitaram ou desconfiaram dos propósitos de Carlinhos Cachoeira e do jornalista Policarpo Jr., homem de confiança em Brasília de Robert Civita.

O objetivo dessa sujeira toda era atingir o ex-presidente Lula, o governo da presidenta Dilma, além de tentar derrubar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, político do PT. Agnelo se saiu muito bem em seu depoimento na CPMI do Cachoeira, tanto é verdade que a imprensa de negócios privados, a exemplo da Veja, o "esqueceu". Contudo, ficou comprovado, apesar de esse político não ser punido, que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) está envolvido com o esquema de Cachoeira, bem como o senador cassado, Demóstenes Torres, do DEM goiano. Até hoje Perillo continua a fazer política, a política dos coronéis, e ai de quem tentar enfrentá-lo nas terras de Goiás, como ele "bem" demonstrou na convenção do PSDB quando aproveitou para ofender, violentamente, o ex-presidente Lula.

Robert Civita conseguiu não ser chamado para depor na CPMI do Cachoeira. Antecipou-se e enviou a Brasília para negociar o seu testa-de-ferro, o banqueiro e ex-dirigente do Banco Santander, Fábio Barbosa, que assumiu, em 2011, a presidência da Abril, que publica 52 revistas. Contudo, torna-se imperativo salientar que a família Civita e seus dois principais dirigentes, Victor Civita e Robert Civita, nunca se comprometeram com os interesses do Brasil e os sonhos de melhorar de vida do povo brasileiro. Pelo contrário, apoiaram, sem vacilar, a ditadura militar e seus arbítrios terríveis e inomináveis, bem como foram aliados incontestes do tucano Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, presidente que vendeu o Brasil e foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.

Robert Civita continuou, a despeito da crise financeira da Abril, a viver de dinheiro do exterior, conforme deixou entre aspas no em entrevista para o Jô Soares, pois do exterior ele veio, assim como os seus familiares que no passado administraram o seu império gráfico e de publicações conservadoras, sempre a serviço dos interesses dos grande trustes internacionais, da oligarquia brasileira e da direita partidária herdeira da escravidão. Robert Civita nunca foi do Brasil, e não por ser estrangeiro. O Brasil é um País cujo tecido social é formado por estrangeiros e nativos.

Robert Civita era estrangeiro de ideologia e propósitos, crenças e cultura, e interesses contrários ao Brasil. E comprovou o que afirmo por intermédio de décadas a desprezar e a lutar contra a emancipação do povo brasileiro, bem como a se aliar à classe média tradicional e reacionária, pois ele captou os valores e o conservadorismo lacerdista de tal classe feroz e rancorosa e por isto leitora da Veja, que realiza um jornalismo de direita radical e panfletária. Robert se foi, mas o império da Abril vai continuar o seu destino, que é o de sempre apoiar os interesses das "elites" — aquelas que acham que podem mais. A Veja é uma revista politicamente golpista. E quem ocupar o lugar do Robert também o será. É o DNA. É isso aí.

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/103331/Civita-e-o-DNA-da-...

 

Charge do Bessinha: Alguns 'internos' do "ORFANATO ROBERTO CIVITA'

 

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Na hora de realmente afirmar a autonomia do Brasil onde é importante, nao fazem. Mas nessas horas... 

O Brasil tinha que ter punido todos os golpistas militares e civis que violaram a constituição brasileira, para que servisse de exemplo as futuras gerações. Sem isso, nossa frágil e capenga democracia permanecerá sempre ameaçada por parte daqueles que não tem voto popular ou até mesmo pelo STF. Exemplos recentes não faltam na américa latina como Honduras e outros. 

Punir o STF é difícil, porque em princípio (embora nao tanto na realidade...) eles representam a legalidade. Mas isso é diferente de punir torturadores. Tortura é crime inafiançável e imprescritível, donde a puniçao tem toda a base legal do mundo. 

Falei no STF no sentido de que pode legitimar golpes e ainda destituir de cargos do executivo como governadores e prefeitos eleitos pelo voto popular. Exemplo, governador Jackson Lago do Maranhão que, numa manobra ardilosa de Sarney, conseguiu destitui-lo, através de um processo no TRE que culminou com decisão final no STF.

Apesar do STF representar em princípio a legalidade, não se constitui um supremo poder como consta na sigla STF e como alguns ministros querem fazer crer a população, a exemplo de JB que em uma citação apontou para o céu afirmando que era o único poder acima do STF. Uma bobagem a afirmação de JB, pois qualquer ministro do STF pode ser destituído do cargo pelo senado, através de impeachment.     

A depender do STF os crimes de tortura no Brasil jamais serão julgados. Vide tentativas processuais anteriores.

Concordo. 

As falácias sobre o STF

Enviado por Miguel do Rosário on 06/05/2013 – 6:19 pm
 

Já se tornou clichê, em tempos bicudos, lembrar que a palavra crise, em chinês, também significa oportunidade. Mas clichês e lugares-comuns, quando bem usados, são de grande valia. Tarantino que o diga. A crise entre o supremo tribunal federal e o congresso, que num dia cresce no outro esfria, ao sabor das conveniências, também nos oferece valiosa oportunidade para discutir filosofia política e teoria democrática, dois temas que, por força de sua importância em nossa rotina, merecem sempre estar na ordem do dia. Definitivamente, não é um debate apenas intelectual ou acadêmico. É um debate propriamente político, e como tal, popular.

Paul Valéry observava que a melhor maneira de conferir intensidade e profundidade a uma leitura é dar-lhe um uso objetivo. Nada melhor, portanto, para estimular leituras de filosofia política do que uma boa crise institucional. Não precisa ser tão grave a ponto de provocar instabilidade e, consequentemente, causar danos econômicos, mas também não pode ser tão leve que desperte a indiferença geral.

A crise deflagrada com o debate sobre a PEC 33, idealizada pelo deputado federal Nazareno Fonteles (PT-PI) e relatada pelo tucano João Campos (PSDB-GO), tem o tamanho perfeito. É grave porque afeta o relacionamento entre os poderes, e traz itens que reduzem os superpoderes do STF. Ao mesmo tempo, como ainda é apenas um debate preliminar no parlamento, pode ser travado com relativa tranquilidade.

Neste sentido, as violentas declarações do ministro Gilmar Mendes contra a PEC 33, e a sua liminar probindo a mera tramitação da lei que regulamenta a fidelidade partidária, não poderiam ser mais oportunas. Gilmar, em sua afobada ira, desempenhou o papel de Mefistófeles: fazendo o mal, emprenhou o bem.

A decisão do presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Décio Lima (PT-SC), de que fará um ato de desagravo em favor da PEC 33, é a prova disso.

O debate está vivo. Viva a democracia! O STF deve sim, em nome da democracia, ser constamente questionado, criticado e limitado pelos outros poderes e pela opinião pública (a verdadeira opinião pública, não confundir com a opinião de meia dúzia de colunistas de jornal e seus papagaios na classe média). Assim como são o Executivo e o Legislativo.

Seguindo o exemplo de Valery, e estimulado pela crise, comprei e comecei a ler um excelente livro de Robert Dahl, o principal cientista político americano dos últimos 30 anos, A Democracia e seus Críticos. E hoje li um ensaio do mesmo autor sobre a suprema corte americana e seu papel na democracia.

É sobre este último texto que gostaria de falar hoje. Nas últimas semanas, temos lido, nos jornais e redes sociais, todo o tipo de leviandade teórica sobre a função do STF na democracia. Um colunista do Globo asseverou, presunçosamente, que em nenhum lugar do mundo o Congresso tem a “última palavra” em termos de constitucionalidade. Mentira. Em várias democracias, esse controle pertence a uma comissão especializada do parlamento.

Uma das ideias mais repetidas, na defesa do STF, é que ele teria obrigação de defender as “minorias’. Pois é, Dahl toca justamente neste ponto. De fato, admite Dahl, o entendimento comum nos EUA é de que a corte suprema teria a obrigação de “defender as minorias” contra este eterno risco de uma democracia de massas, que é se tornar uma ditadura da maioria. Acontece que, explica Dahl, não é bem o que acontece.

Dahl escreve um ensaio bastante ponderado sobre a suprema corte americana, mas se percebe claramente que ele pretende responder, inclusive para ele mesmo, um apaixonado defensor da teoria democrática, às críticas de que a corte suprema é uma anomalia não-democrática dentro do sistema republicano. Ele não aceita que, numa democracia, seja uma “virtude” a existência de uma instituição que defenda uma “minoria”. Não porque seja contra os direitos fundamentais dos indivíduos, mas porque ele observa que o próprio sistema representativo e proporcional da democracia americana (que é parecido com o nosso) já pressupõe o direito das minorias. Ele desconfia, sobretudo, que essas “minorias” a serem defendidas pelo STF não seja exatamente a minoria que mais precisa de proteção.

O tema do ensaio de Dahl é justamente o que nos interessa: o poder da suprema corte de invalidar, como inconstitucionais, leis aprovadas pelo congresso e sancionadas pela presidência da república. Mesmo claramente antipático a corte, Dahl procura defendê-la com a justificativa, um tanto esfarrapada, de que ela jamais conseguiu bloquear, por muito tempo, a soberania popular. Digo esfarrapada, porque a defesa de Dahl é um ataque disfarçado. Ele lembra, por exemplo, que a suprema corte americana atrasou, por décadas, uma lei federal que proibia o trabalho infantil (com menos de 14 anos) nos EUA. De maneira geral, a corte suprema tem um longo triste histórico de proteger determinadas “minorias” econômicas em detrimento de direitos trabalhistas e raciais. A partir dos anos 60, a corte suprema deu algumas vitórias importantes ao movimento negro, mas apenas após um movimento popular, político, civil, sindical de grandes proporções, todos regados a muito sangue, revoltas, quebra-quebra e prejuízo econômico. Durante um século após o fim da escravidão, os negros viam a corte suprema americana como uma de suas principais adversárias, sempre chancelando, como “constitucionais” as leis estaduais racistas.

Dahl apenas perdoa a corte suprema americana justamente pelo que a nossa mídia mais criticaria. Dahl defende o que a nossa mídia chamaria de “chavismo” e diz que a história republicana nos EUA é uma sucessão de “chavismos”. Não usa esse termo, mas é como se fosse. São alianças políticas, representando visões de mundo, que vão tomando conta de todas as instituições. O movimento me lembrou o que vivemos e estamos em vias de viver no país. Há primeiro uma ruptura, com a eleição de um grupo diferente (Lula, Roosevelt); depois há um período de fortes turbulências, quando o sistema está tentando se ajustar (mensalão, críticas virulentas ao New Deal); depois há consolidação do projeto (Dilma, reeleição de Roosevelt); por fim há o desgaste do projeto e sua derrota.

No período que se seguiu à guerra civil, houve um longo período de domínio republicano, no tempo em que os republicanos eram uma força progressista e abolicionista. Eles indicavam juízes republicanos, sintonizados com suas mesmas ideias. Por isso mesmo, lembra Dahl, os juízes da suprema corte em geral são indivíduos que sempre manifestaram claramente suas ideias e visões de mundo, raramente com muita experiência no ofício de julgar.

O cientista apenas lamenta que muitas vezes essa “sintonia” entre a soberania parlamentar e o poder judiciário demore a se acertar, como aconteceu nos primeiros anos do governo Roosevelt, em que a suprema corte bloqueava praticamente todas as leis propostas pela coalização governista, com vistas a enfrentar a crise econômica pela qual passava os Estados Unidos. Roosevelt teria dado pouca sorte no primeiro mandato, porque pode indicar poucos juízes, mas ao longo do segundo e terceiro mandato (elegeu-se ainda para um quarto, mas morreu logo) conseguiu reverter a situação, indicar juízes “amigos”, ou, em termos atuais, chavistas, e aprovou as reformas que entendia necessárias ao país.

Resumindo, Dahl apenas aceita a corte suprema porque entende que ela, mais cedo ou mais tarde, acaba se ajustando à coalizão governista. Aliás, ele defende que a função da suprema corte é justamente conferir legimitidade às ações da coalização que governa o país, chancelada pela soberania popular. A oposição judiciária ao governo eleito pelo povo é considerada uma anomalia pelo cientista, felizmente diluída pela escolha assertiva de novos representantes.

E aí voltamos ao erro crasso de Lula e Dilma: não entenderam a importância do STF, em como seria importante, para a estabilidade política e para a coerência democrática, que tivéssemos ministros adequadamente sintonizados com a soberania popular encarnada na coalização governista. Esse é o sentido de dar ao presidente o poder de escolher os ministros do STF e ao congresso o poder de vetá-los. O STF não é um terceiro parlamento, com direito ilimitado de se opor ao governo e ao congresso. Quando isso acontece, em geral não é para o bem de nenhuma “minoria” despossuída, e sim em favor de “minorias” econômicas, ou pior ainda, políticas, como foi o caso da trupe oposicionista que foi ao STF na semana passada beijar a mão de Gilmar Mendes.

Quanto ao controle da constitucionalidade das leis, a solução da PEC 33 me parece razoável. Ela não ficará a cargo do congresso, mas sim do povo, mediante plebiscitos. Não estamos falando de produzir uma democracia “plebiscitária” (embora eu não veja esse termo como pejorarivo), porque esse tipo de solução continuaria sendo raro. De maneira geral, o que aconteceria, na prática, era que o STF pensaria duas vezes antes de declarar a inconstitucionalidade de uma lei aprovada no parlamento, e o próprio parlamento, ciente das implicações, só arriscaria a aprovação de uma lei que estivesse em sintonia com os anseios do povo.

Claro, democracia é sempre um risco. O próprio Dahl, em seu livro A Democracia e seus Críticos, elege a “guardiania” como o principal adversário da democracia. Trata-se da crença, na verdade muito mais antiga e longeva que a democracia, de que somente uma vanguarda culta e moralmente superior poderia governar a sociedade. Até hoje, muita gente pensa assim, à esquerda, à direita, entre progressistas, entre reacionários, comunistas e liberais. A supervalorização do STF é um ressurgimento da guardiania. São juízes cultos e severos que nos salvariam da ignorância das massas e dos caos e corrupção dos parlamentos. É o velho mito aristocrático. Só que este é um receio profundamente antidemocrático, e injusto. Historicamente, tanto nos EUA quanto no Brasil, as grandes decisões progressistas vieram do parlamento, jamais do judiciário. Na Argentina, no Uruguai, na França, a aprovação de união homossexual, direito ao aborto e descriminalização das drogas foram aprovados em debates no parlamento, o que confere às novas leis uma legitimidade muito superior a decisões sempre algo monocráticas de um tribunal fechado.

Cuidemos para que o medo do povo, e o nosso afã de darmos soluções rápidas a alguns tabus sociais, não nos empurrem para um processo de deslegitimização da política e empoderamento excessivo de um judiciário sem comprometimento com a soberania popular. De que adiantará o STF aprovar o casamento gay e em seguida derrubar um presidente eleito em prol de outro, ultraconservador? Mais importante, o que está em jogo é o tipo de regime no qual pretendemos viver: numa república democrática ou numa república dominada por uma aristocracia judicial?

Dahl, principal teórico de democracia no mundo é claramente antipático à corte suprema.

- See more at: http://www.ocafezinho.com/2013/05/06/as-falacias-sobre-o-stf/#more-...

http://ultimosegundo.ig.com.br/politica/2013-06-09/documento-pode-m...

Documento pode mudar versão sobre descoberta do Araguaia por militares

Encontrado no Arquivo Público do Estado de São Paulo, documento foi encaminhado à Comissão Nacional da Verdade, que investiga massacre.

Um singelo documento de duas páginas encontrado entre os milhões de papéis digitalizados no Arquivo Público do Estado de São Paulo, com o endereço de um militante do PC do B, no Rio, joga luzes sobre a descoberta da Guerrilha do Araguaia pelas Forças Armadas.

O endereço é a Rua Visconde de Maranguape, 26, Lapa, no centro do Rio, onde morava o estudante de farmácia e bioquímica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Antônio Teodoro de Castro, desaparecido no Araguaia. O local foi entregue aos militares por um militante da Ação Libertadora Nacional (ALN) preso e torturado em São Paulo dois meses antes do primeiro ataque das Forças Armadas à guerrilha, ocorrido no dia 12 de abril de 1972.

“O endereço foi o rastro. Eles seguiram e foram bater no Araguaia”, diz Maria Eliana de Castro, irmã do guerrilheiro que há 40 anos procura vestígios de Antônio Teodoro. Ela encontrou o documento pesquisando o arquivo e o encaminhou à Comissão Nacional da Verdade , encarregada de reconstituir o massacre e extermínio do mais contundente episódio dos anos de chumbo, organizado pelo PC do B. Ocorrido entre 1972 e 1975, o conflito deixou cerca de 80 mortos e 67 militantes desaparecidos.


No documento, o que chama a atenção é o relato do ex-militante da ALN Gilberto Thelmo Sidney Marques, confirmando - depois de acareado com outro preso da mesma organização, Raimundo Leite de Almeida, - que o “aparelho” em que ficara dois meses no Rio havia sido cedido por Antônio Teodoro.

O depoimento e acareação entre Almeida e Marques são de 21 e 22 de fevereiro de 1972, cinquenta dias antes da eclosão do conflito, iniciado com um ataque das Forças Armadas em 12 de abril de 1972, quando Antonio Teodoro de Castro, já conhecido como Raul na guerrilha, encontrava-se no Araguaia.

As datas demonstram, segundo as suspeitas levantadas por Eliana, que, embora não tivesse informações precisas, o Centro de Informações do Exército (CIE) já sabia que militantes do PC do B haviam desaparecido em massa das cidades. As pegadas apareciam no caminho da região onde se daria o conflito.

A confirmação viria com a prisão, em 17 de março de 1972, de outro estudante fichado por participação no Congresso de Ibiúna, em 1968, Pedro Albuquerque que havia desertado da guerrilha junto com a mulher, Tereza Albuquerque, em novembro de 1971.

A versão até aqui difundida pelo próprio PC do B responsabiliza o ex-militante pela descoberta do foco. Seu nome é citado como traidor inclusive no mais importante documento que produziu sobre a guerrilha, o Relatório Arroyo, escrito no calor do conflito por um dos comandantes, Ângelo Arroyo.

Preso e torturado, Albuquerque, de fato, levou os militares até a região, mas seu depoimento teria tido a relevância de confirmar as suspeitas levantadas com a revelação do endereço do Rio. No mesmo documento está anexado um relato dos órgãos de informação onde se lê que Antônio Teodoro de Castro é apontado como “rede de apoio” de Marques que, no interrogatório, afirma que o amigo e conterrâneo (os dois são cearenses) “deve ter entrado na clandestinidade”.


Os militares já haviam concluído o primeiro ataque à guerrilha quando viria, pelo depoimento de outro militante da esquerda armada, José Roberto Bron de Luna, em julho de 1972, a confirmação de que Antonio Teodoro se encontrava em Xambioá (TO). O informe lista os nomes de outros cinco militantes (Arildo Valdão, erroneamente identificado como Arlindo, Lucia Maria de Souza, Elmo Correa, Hélio Luiz Magalhães Navarro e João Carlos Campos Wisnesky, o Paulo Paquetá, que abandonou a área no final da guerrilha e é um dos poucos sobreviventes) que se deslocaram do Rio no mesmo período.

Em agosto de 1972, diz o informe do CIE, o guerrilheiro estava integrado ao “Grupo do Castanhal do Alexandre”, base do destacamento B da guerrilha. A cronologia em que o documento está inserido confirma que bem antes da prisão de Albuquerque os militares seguiam o rastro do PC do B.

“O documento reforça a suspeita de que com as quedas na guerrilha urbana o CIE monitorava a trajetória de Antônio Teodoro de Castro e sabia dos deslocamentos da esquerda em direção ao Araguaia bem antes da prisão de Pedro Albuquerque. Os militares só não tinham informações sobre a localização dos destacamentos”, diz a jornalista Myrian Alves, pesquisadora da guerrilha e integrante do grupo organizado pelo Ministério da Defesa para ajudar na reconstituição do episódio.

Ela lembra que por meio de uma manobra, seguida de uma operação ostensiva, a Mesopotâmia, em setembro de 1971, os militares prenderam militantes de várias organizações urbanas que se dirigiam à região, mas nenhum do PC do B. A indicação de uma região apontada como A Grande Área de guerrilha, cujas suspeitas apontavam para o Bico do Papagaio, na confluência de Goiás (hoje Tocantins), Maranhão e Pará, também já aparecia nos documentos encontrados com Carlos Marighella, o fundador da ALN, assassinado em São Paulo em dezembro de 1969. Tudo leva a crer que se as organizações urbanas não tivessem sido destroçadas antes, a esquerda armada se reunira numa grande zona liberada no coração da Amazônia.

Os indícios mais fortes para os militares se fixarem no circuito da guerrilha viriam com a descoberta do endereço no Rio, corroborados com a prisão de Pedro Albuquerque. O então estudante, que hoje é professor de história no Ceará, sempre afirmou que os militares já sabiam da guerrilha quando o prenderam. Ainda assim, foi considerado pelo PC do B como traidor, uma versão que poderá se modificada pelas investigações da Comissão Nacional da Verdade.

No dia 12 de abril de 1972, já seguros da presença de guerrilheiros entre os camponeses do Araguaia - eram cerca de 70 militantes, divididos em três destacamentos organizados a partir de 1966 - Marinha, Aeronáutica e Exército dariam início aos ataques. Na primeira fase da campanha, que se estendeu até setembro, fizeram prisioneiros, entre os quais 12 ainda estão vivos - o deputado José Genoino (PT-SP), hoje condenado no mensalão, é um deles.

A partir de então, com a subversão urbana já dominada, o regime militar não fez mais concessões: optou pelo extermínio, matando, entre comunistas e camponeses que aderiram a guerrilha, cerca de 80 militantes, 26 deles feitos prisioneiros e executados friamente no meio da mata. Antônio Teodoro de Castro, segundo relato de militares e antigos guias do Exército, foi levado em fevereiro de 1974 de helicóptero com outros dois companheiros até uma clareira próxima a um garimpo conhecido como matrinxã, colocado de joelhos, e fuzilado quase a queima roupa. Os corpos foram abandonados numa cova raza.

Devagar, mas sem parar, a Comissão da Verdade anda.

Do portal Terra:

Comissão da Verdade do RJ vai convocar general do DOI-Codi

General da reserva José Antônio Nogueira Belhamn comandou o destacamento quando o deputado federal Rubens Paiva foi morto

O presidente da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Wadih Damous, afirmou nesta terça-feira que o general da reserva José Antônio Nogueira Belham, que comandou o Destacamento de Operações de Informações - Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do Rio de Janeiro na época em que o deputado federal Rubens Paiva foi assassinado, em 1971, será convidado a depor na comissão fluminense.

Veja a história de alguns dos desaparecidos da ditadura

Belham comandou o DOI-Codi fluminense na época em que o deputado federal Rubens Paiva foi assassinado, em 1971, depois de ter sido preso e levado para o órgão de repressão do governo na ditadura militar. O corpo do parlamentar nunca apareceu, mas documentos obtidos pela Comissão Nacional da Verdade mostram que o militar da reserva recebeu dois cadernos de anotação que pertenciam a Paiva.

"O general da reserva vai ser convocado, sim, porque ele chefiou o DOI-Codi aqui no Rio de Janeiro. Estamos preparando os depoimentos para este mês e o início de julho", disse Damous.

Filho de general ocupa cargo de direção na Abin
No último final de semana, o jornal Correio Braziliense revelou que o general da reserva é pai do atual número 2 da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Ronaldo Martins Belham, que tem acesso privilegiado a informações sobre o período militar brasileiro.

Saiba Mais

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Por conta disso, o presidente da Comissão da Verdade fluminense pediu o afastamento imediato de Ronaldo do cargo. “Eu defendo que não podemos estigmatizar o filho dele, mas é evidente que existe uma suspeição nesse caso. Existe, no mínimo, uma inconveniência”, afirmou.

Além de Damous, a coordenadora da Comissão da Memória, Verdade e Justiça da Câmara, deputada Luiza Erundina (PSB-SP), classificou como “inadmissível” e “incompreensível” a permanência de Ronaldo Belham em uma posição de destaque na Abin. “Pela natureza do cargo que ocupa, não consigo compreender como ele pode exercer essa função, mesmo que não tenha nenhuma relação com os atos cometidos.”

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Dilaon Di Sanvi
11/06/2013, 20h44
Convocado ou convidado? Quem você pensa que é, seu comuna de uma figa? Vá cutucando onça com vara curta, vá. Terroristas, quadrilheiros e baderneiros conduzindo uma comissão da verdade? Onde existe verdade nessa palhaçada? Para ser realmente uma comissão da verdade seus condutores teriam que ser pessoas isentas, sem qualquer participação nos fatos investigados. Vão pentear macacos!
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Jose Flaminio Silva
11/06/2013, 20h01
A comissão da mentira continua encurralando os verdadeiros heróis brasileiros, homens que salvaram o Brasil e evitaram que se tornasse uma grande Cuba...Até quando nossos militares vão ficar acuados?
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Jeep 64
11/06/2013, 19h07
Quem pergunta o quer, pode ouvir o que não quer.

Vai lá General.
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Alvaresto Tomir
11/06/2013, 18h28
Tudo bem que o general vá lá depor. Mas e os 'mentores' dos governos militares....quem teriam sido? Era a fase da Guerra Fria, conflito entre o mundo socialista e o mundo capitalista, certamente havia uma 'comunicação' e uma 'aliança' entre os governos militares e as autoridades ocidentais da Guerra Fria, portanto de alguma maneira também estas autoridades estrangeiras poderiam estar de alguma maneira vinculadas aos Crimes de Guerra praticados pelos governos militares em toda a América Latina.
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Moi Fernando
11/06/2013, 17h47
De suma importância o conteúdo das cartas vindas do Chile no que o Dep. Rubens Paiva era mensageiro, espero que o General a divulgue pra 'nação'.!
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Gente, vamos deixar o CIVITA de lado, esqueça pois êle não defeca mais a podridão mentirosa que irritava os vivos, hoje ele está atazanando os seus iguais só que como subalterno.

Deixou seus descendentes e seguidores, Ariston.

21 bandidos inimigos da pátria brasileira que continuam no poder cavando fundo a sepultura com intenção de enterrar o Brasil,  mas que, eles próprios vão ser jogados na vala

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