Civita e o DNA da direita radical

 

DAVIS SENA FILHO   27 de Maio de 2013 às 17:19

 

O Portal Brasil 247 fez uma pergunta em forma de manchete: "Para onde vai a Abril?", evidentemente que depois da morte do magnata Roberto Civita. Eu respondo: "Para lugar algum"

 

O Portal Brasil 247 fez uma pergunta em forma de manchete: "Para onde vai a Abril?", evidentemente que depois da morte do magnata Roberto Civita, cujo nome verdadeiro é Robert, como seu irmão se chama Richard e não Ricardo, eu respondo: "Para lugar algum". Vai ficar tudo como dantes no quartel d'Abrantes, ou seja, no lugar de sempre: a extrema direita do espectro ideológico. A verdade é que a Abril e, particularmente, as revistas Veja e Exame sempre repercutiram o pensamento e os interesses da oligarquia nacional e da plutocracia em termos mundiais, e vai continuar na mesma "batida" extremamente conservadora, se não piorar sob a administração do herdeiro de Roberto Civita, o seu filho Giancarlo.

O ítalo-americano de Milão, Robert Civita, herdou a Abril de seu pai, o americano Victor Civita, falecido em 1990, em São Paulo, e nascido em Nova York, em 1907. Civita deixa a vida aos 76 anos, após transformar a revista Veja em um bunker ou casamata, que, de forma sistemática e panfletária, resolveu fazer uma oposição violenta contra os governos trabalhistas de Lula e Dilma, a utilizar termos chulos e acusações infundadas e não amparadas por provas e contraprovas. Os diretores e editores de Veja, com a aquiescência de Robert Civita, passaram, principalmente nos últimos dez anos, a editar e publicar um jornalismo meramente opinativo e baseado muitas vezes em declarações de pessoas que nem ao menos suas identidades eram conhecidas.

A efetivação do jornalismo declaratório em constante embate com os poderes constituídos e com as autoridades eleitas pelo povo brasileiro, que assumiram há 11 anos o poder central. O jornalismo adversário dos políticos que compõem o campo da esquerda, apesar de o Governo Dilma Rousseff ser um governo de coalizão, no qual participam alguns partidos conservadores, porque é impossível para qualquer presidente de qualquer partido e ideologia administrar um País continental como Brasil e ter maioria no Congresso e, consequentemente, colocar em prática o programa de governo apresentado à população, no decorrer da campanha eleitoral.

Robert Civita tal qual aos seus colegas magnatas proprietários do sistema midiático privado e de empresas jornalísticas menosprezava e desprezava o Brasil. Sempre combateu presidentes trabalhistas e governos populares, os quais ele chamava, equivocadamente e propositalmente, de populistas, como forma de diminuir, dar uma conotação de demagogia, e, por conseguinte, não reconhecer os avanços econômicos e sociais realizados pelos trabalhistas de todas as épocas, a exemplo de Getúlio, Jango, Lula e Dilma. Robert é estrangeiro que, a exemplo de seu pai, Victor, veio ganhar dinheiro no Brasil.

Anteriormente, os Civita foram expulsos da Itália por cometerem irregularidades. Depois tentaram se estabelecer na Argentina, de onde Cesare, irmão de Victor, foi também expulso. Banidos do país portenho foram parar nos Estados Unidos. Entre os yankees, continuaram a manchar seus nomes e se meteram em escândalos, mas, após um acordo com o governo estadunidense, vieram para o Brasil. Desde os tempos argentinos sempre controlaram as publicações de Walt Disney, uma forma de iniciar seus negócios e atividades de maneira independente. Era a época da Guerra Fria, do nacionalismo na América do Sul. Até hoje os Civita nunca explicaram como conseguiram os contratos com a Disney, que publicava histórias de Mickey, Pato Donald e Tio Patinhas, personagens muito populares até a década de 1980, no que concerne à publicação de revistinhas ou gibis e vendidos em todas as bancas do País.

Victor Civita, pai de Robert, veio diretamente de Washington para o Brasil. Seu passaporte recebeu visto na capital estadunidense, apesar de ele, na época, residir em Nova York. Victor se estabeleceu no Brasil, enquanto Cesare foi para a Argentina. Exerceram praticamente o mesmo trabalho, com o propósito de conquistar o mercado de revistas e controlar a publicidade. Fizeram fortunas e até os tempos de hoje a dúvida permanece: os Civita tiveram o apoio e a influência do Departamento de Estado dos EUA?

O tempo passou, e Victor Civita, em 1968, funda as revista Veja. A verdade é que o criador da Veja é o jornalista Mino Carta, que depois teve de sair da revista por não concordar com os rumos editoriais do semanário que se transformou em um libelo direitista, de cores fascistas e totalmente direcionado a boicotar e, se pudesse, derrubar governos e governantes que, politicamente e ideologicamente, não condizem com os seus interesses e as suas "verdades", que causam preocupação às instituições republicanas e às autoridades eleitas, que são atacadas, sistematicamente, por jornalistas das revistas da Abril.

São profissionais escolhidos à dedo no mercado, porque Robert Civita contratou pessoas ideologicamente direitistas, que acreditassem ou fingissem acreditar em seus "ideais", a exemplo dos jornalistas e blogueiros Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, dois dos pitbulls do Civita recentemente morto, que atuam livres de "coleiras" para morderem à vontade, a quem o magnata bilionário combatia, e, autoritariamente, não queria no poder, apesar de o povo brasileiro eleger por três vezes seguidas os candidatos do PT, Lula e Dilma, que revolucionaram o Brasil, pois o colocaram em patamares em termos mundiais nunca antes acontecido na história do País.

A ousadia e a arrogância do barão da imprensa Civita era tão grande que, de forma gangsteriana, ficou comprovado pela CPMI do Cachoeira que a Veja, do editor Policarpo Jr., associou-se com o bicheiro Carlinhos Cachoeira para boicotar, ameaçar e chantagear empresários, políticos e servidores públicos que não compactuassem ou não aceitassem fazer "negócios" com o bicheiro, que se transformou em "editor" e "pauteiro da revista que optou pelo jornalismo simplesmente declaratório e com "entrevistados" geralmente ocultos, ou seja, preferiu realizar o verdadeiro jornalismo de esgoto e assim efetivar uma rede que atuava e agia no submundo, com o objetivo de "sujar" os nomes de autoridades eleitas e nomeadas, bem como implantar uma rede ilegal e, portanto, criminosa de escutas clandestinas e de "matérias" e "notas" plantadas na revista para desmoralizar aqueles que não aceitaram ou desconfiaram dos propósitos de Carlinhos Cachoeira e do jornalista Policarpo Jr., homem de confiança em Brasília de Robert Civita.

O objetivo dessa sujeira toda era atingir o ex-presidente Lula, o governo da presidenta Dilma, além de tentar derrubar o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, político do PT. Agnelo se saiu muito bem em seu depoimento na CPMI do Cachoeira, tanto é verdade que a imprensa de negócios privados, a exemplo da Veja, o "esqueceu". Contudo, ficou comprovado, apesar de esse político não ser punido, que o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB) está envolvido com o esquema de Cachoeira, bem como o senador cassado, Demóstenes Torres, do DEM goiano. Até hoje Perillo continua a fazer política, a política dos coronéis, e ai de quem tentar enfrentá-lo nas terras de Goiás, como ele "bem" demonstrou na convenção do PSDB quando aproveitou para ofender, violentamente, o ex-presidente Lula.

Robert Civita conseguiu não ser chamado para depor na CPMI do Cachoeira. Antecipou-se e enviou a Brasília para negociar o seu testa-de-ferro, o banqueiro e ex-dirigente do Banco Santander, Fábio Barbosa, que assumiu, em 2011, a presidência da Abril, que publica 52 revistas. Contudo, torna-se imperativo salientar que a família Civita e seus dois principais dirigentes, Victor Civita e Robert Civita, nunca se comprometeram com os interesses do Brasil e os sonhos de melhorar de vida do povo brasileiro. Pelo contrário, apoiaram, sem vacilar, a ditadura militar e seus arbítrios terríveis e inomináveis, bem como foram aliados incontestes do tucano Fernando Henrique Cardoso — o Neoliberal I —, presidente que vendeu o Brasil e foi ao FMI três vezes, de joelhos e com o pires nas mãos, porque quebrou o Brasil três vezes.

Robert Civita continuou, a despeito da crise financeira da Abril, a viver de dinheiro do exterior, conforme deixou entre aspas no em entrevista para o Jô Soares, pois do exterior ele veio, assim como os seus familiares que no passado administraram o seu império gráfico e de publicações conservadoras, sempre a serviço dos interesses dos grande trustes internacionais, da oligarquia brasileira e da direita partidária herdeira da escravidão. Robert Civita nunca foi do Brasil, e não por ser estrangeiro. O Brasil é um País cujo tecido social é formado por estrangeiros e nativos.

Robert Civita era estrangeiro de ideologia e propósitos, crenças e cultura, e interesses contrários ao Brasil. E comprovou o que afirmo por intermédio de décadas a desprezar e a lutar contra a emancipação do povo brasileiro, bem como a se aliar à classe média tradicional e reacionária, pois ele captou os valores e o conservadorismo lacerdista de tal classe feroz e rancorosa e por isto leitora da Veja, que realiza um jornalismo de direita radical e panfletária. Robert se foi, mas o império da Abril vai continuar o seu destino, que é o de sempre apoiar os interesses das "elites" — aquelas que acham que podem mais. A Veja é uma revista politicamente golpista. E quem ocupar o lugar do Robert também o será. É o DNA. É isso aí.

http://www.brasil247.com/pt/247/midiatech/103331/Civita-e-o-DNA-da-...

 

Charge do Bessinha: Alguns 'internos' do "ORFANATO ROBERTO CIVITA'

 

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Respostas a este tópico

@Maestri, abaixo: tá OK, você está exigindo que ele abandonasse tudo e fosse heróico. Bom, ele nao foi. Entre ser herói e ser um defensor da Ditadura há uns 500 graus intermediários. 

Queria bem saber o que você faria no lugar dele... Mas nao por sua boca, claro, porque por sua boca você sempre é o maioral. 

Se quiseres saber o que eu faria, não por minha boca, então tire informações de quem quiser.

Realmente não dá para ler, Cristovam. Grato pela intenção. Abs

Correio do Povo

Porto Alegre, 01 de Junho de 2013

O canibalismo comunista da Veja

Postado por Juremir em 24 de maio de 2013 - Uncategorized

Praticamente nenhuma pessoa séria leva a revista Veja a sério. Sabe-se que é uma publicação humorística. Faz um humor meio sem graça, apelativo, rasteiro, como é o humor dominante na mídia brasileira atual. Mas há um traço de original nesse humor: ele é ideológico. Nesta semana, porém, Veja caprichou no ridículo. O texto “Os ossos do socialismo” é uma obra-prima de charlatanismo, de reacionarismo delirante e de besteirol histórico. Segundo o repórter, que assina a matéria, há uma relação direta entre canibalismo e comunismo. Em 1609, os primeiros colonos ingleses instalados em Jamestown, na América, loucos de fome, comeram os seus semelhantes.

Arqueólogos descobriram os ossos de Jane, vítima do canibalismo dos seus parceiros de aventura no Novo Mundo. A revista Veja não tem a menor dúvida: “Jane foi devorada por seus pares como consequência do fracasso do modelo de produção coletiva implantado nos primeiros anos da colonização dos Estados Unidos. A propriedade era comunitária, e o fruto do trabalho era dividido igualmente entre todos. Era, portanto, uma experiência que antecipava os princípios básicos do comunismo. Deu no que deu”. Uau! A cadeia estabelecida é imperativa: o coletivismo levou à preguiça, que levou à improdutividade, que levou à fome, que levou ao canibalismo. A saída viria com a propriedade privada. É reportagem para prêmio Esso de estupidez. Longe de mim defender o comunismo. O buraco é mais embaixo. Vejamos.

O autor tem a segurança dos tolos encantados com o lugar que ocupam na escala social: “Se não fosse o sistema fracassado, a situação dificilmente teria chegado a esse ponto”. Todos os demais aspectos de adaptação e de conjuntura são desconsiderados. O reducionismo ideológico surge como uma iluminação. A solução chega com um novo administrador, que impõe à propriedade privada: “A decisão despertou os traços hoje bem conhecidos do capitalismo americano: o empreendedorismo e a aptidão para a competição”. Disso teria decorrido que, em 1775, os americanos “já eram mais altos que os ingleses”. Tem gente batendo os dentes nos consultórios de dentista, onde Veja é campeã de leitura, de tanto rir. É um riso nervoso.

Nem os primatas do Pânico fariam melhor.

Para a pragmática revista Veja, no coletivismo, entre trabalhar e comer seus semelhantes, as pessoas escolhem a segunda opção. Um colono comeu a esposa grávida. Veja, enfim, descobriu a origem da expressão “comunista comedor de criancinha”. Na verdade, encontrou algo mais grave, o comunista comedor de feto. Sem contar que Duda Teixeira chegou ao elo perdido, a origem sempre procurada do capitalismo, o estalo: “Foi essa mudança, nascida do trauma de um inverno em que colonos caíram na selvageria que permitiu aos Estados Unidos se tornar o maior gerador de riqueza do planeta e o berço do capitalismo moderno”. O capitalismo nada mais é que uma reação ao canibalismo comunista. Agora é científico.

Não fosse grosseiro, eu diria: é a coisa mais idiota que li.

Excelente. Você devia postar no Fora de Pauta do Blog-mae. 

Vou tentar, Analú.   

O Maestri conseguiu, e pôs aqui. Mas é um texto ambíguo e escorregadio, do tipo que a gente está sendo meio forçado a dizer algo que nao quer, e diz de uma forma dessubjetivada. Nao dá para dizer que ele endossa o que diz em estilo "terceira pessoa". 

Ana Lú.

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Alguém que está sendo forçado a dizer algo que não quer?

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Como tu estás boazinha, tomaste algum chazinho?

Você como intérprete de textos é raso como uma porta. Leitura de engenheiro. Só percebe 2 + 2 = 4, nenhuma sutileza. 

Se eu sou um engenheiro que leio 2 + 2 = 4, o que me diz do resto da população que leu isto lá por 1970!

Associavam direto => Militares estão aqui para salvar o Brasil da corrupção e do terrorismo.

Olhei uma série de outras cartas ao leitor da época, em muitas delas ele simplesmente falava de assuntos diversos sem tocar no assunto da reportagem principal, se quisesse fugir simplesmente adotaria a mesma posição.

Entre lá na Veja e só olhe as Cartas ao Leitor, escritas por ele e verás que está é muito especial em relação aos outros.

O que confirma a interpretaçao de que esse texto foi meio 'obrigatório". 

Me parece mais uma apresentação de matéria diante da conjuntura da época. Em 1970 já vigorava o AI 5 e qualquer publicação que viesse criticar o governo seria censurada e retirada das bancas de revistas, além das perseguições que sofreriam os jornalistas, a exemplo de Claudio Abramo.

Os autores do texto final foram Elio Gaspari e Luis Adolfo Pinheiro conforme citado acima.

Imaginem se naquela época no lugar da expressão " Revolução militar" fosse utilizado "Golpe militar", possivelmente a revista seria fechada, na verdade nem seria publicada, porque o dono da Abril, Vitor Civita não permitiria. 

O governo Médici foi o que mais torturou.     

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