É evidente que o cinema brasileiro deixa muito a desejar, não pela carência de bons cineastas, mas pela cultura da violência da qual exibimos as vísceras. Isso, no entanto, deve-se em parte à produção norte-americana, que desde os tempos do velho faroeste, pouca coisa soube apresentar, além de uma exacerbada violência. E como nos acostumamos com isso, não fácil emplacar um filme de qualidade, a não ser esses de apelos para mitos ou celebridades que culturalmente, ou mesmo em termos de lazer, pouco acrescentam. Temos um bom cinema europeu e muitas boas produções latino-americanas, que ficam relegadas a um público totalmente insignificante, exibidos quase que exclusivamente pelas TVs pagas.
Deixou aqui não uma solução, mas uma pergunta que, sinceramente, não sei responder: Como desamericanizar o cinema brasileiro?

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Respostas a este tópico

O que estou querendo enfatizar, Caibar, é que, independentes de uma ação Estatal, não conseguiremos grandes mudanças. Agora, concordamos que a força da sociedade deve se manifestar. E uma destas manifestações deve ser na provocação do Estado para que aloque suas forças econômicas no sentido de suportar esta luta. Os interesses e o poderio norte-americanos são muito fortes para promovermos a mudança que queremos apenas com ONGs e iniciativa privada.
Então, Caibar, mas a questão é exatamente essa: o que é um bom cinema? Que tipo de cinema queremos? A propósito, qual o objetivo do cinema como um todo?
Queremos ser diferentes dos americanos? Queremos mudar o paradigma, de americanizados para europeizados?
É assim que se faria um bom cinema?
É bacaninha assistir a Godard, Buñel e demente ver um Tropa de Elite?
Eu não entendo de onde vem essa idéia de que o cinema brasileiro é americanizado. Eu não vejo isso nem hoje nem em momento algum da história. Fico com a impressão de que isso vêm de pessoas que só viram Cidade de Deus e Tropa de Elite (não que sejam filmes ruins, mas estão longe de ser uma amostra representativa de nossa produção).

Vcs têm acompanhado os filmes que têm sido feitos? Caso não, sugiro que tentem ver coisas como "Eu me lembro", "Viajo Porque Preciso, Volto Porque Te Amo", "Serras da Desordem", "O Prisioneiro da Grade de Ferro", "Cão sem Dono", "Cleópatra" (ou qualquer outro do Bressane), Moscou (ou qualquer outro do Coutinho), "Os 12 Trabalhos", "Antonia", "Proibido Proibir", "Querô", "Saneamento Básico", "A Concepção",... , isso sem citar coisas menos acessíveis (por não terem conseguido lançamento comercial) como os excepcionais "A Fuga da Mulher Gorila", "Estrada para Ythaca" ou "Favela on Blast", enfim, a lista de coisas interessantes no nosso cinema recente é interminável. Há dificuldades na distribuição, e talvez por isso estes filmes não sejam tão conhecidos, mas eles existem e são parte importantíssima da nossa produção cultural, por isso me irrita um pouco quando vejo esse tipo de questionamento que parece ignorar todos estes filmes. Talvez a pergunta correta fosse como desamericanizar o público de cinema brasileiro. Pois a produção cinematográfica brasileira existe e é alto nível na minha opinião.


Outro ponto que discordo mas não vou me aprofundar é a idéia de que a produção americana "pouca coisa soube apresentar, além de uma exacerbada violência". Aí mais uma vez vejo uma falta de conhecimento do cinema americano, sugiro que se olhe com mais cuidado para estes filmes, se não gosta dos que ganham oscar tente procurar em outros cantos. O cinema americano é de excelente qualidade, é claro que tem muita coisa ruim, como não poderia deixar de ser num país que produz pelo menos uns 500 ou 600 filmes por ano, mas tem muita coisa boa também, e acima de tudo, tem uma produção bastante variada, ao contrário do que o post faz parecer.
Muito bom Davi.

A fã incondicional de Bressane agradece.
Prezado Davi, estamos com um problema de interpretação aqui. A americanização a qual pelo menos eu estou me referindo e entendi da questão colocada neste forum é a da absoluta primazia de filmes norte-americanos nas nossas salas. O grande público fica submergido em Hollywood e deixa de tomar conhecimento do excelente cinema de outras regiões do mundo. Abs.
Caro Ivan

Creio que a interpretação do Davi deve-se a um erro de minha parte, na formulação da questão tema. Expressei-me de maneira incompleta e deixei margens a dúvidas. O foco central que expus para debate tem muito mais a ver com sua colocação do que com a minha.Mesmo assim acredito que americanizamos nosso cinema com muita violência. Não é apenas em "Cidade de Deus", "Tropa de Elite 1 e 2", mas em muits outras produções que encontramos a violência, seja ela a violência das ruas, das favelas, mas também a violência política, a violência dos aparelhos a serviço do crime favelizado, do aparelho policial, etc. Temos sim boas produções que não refletem violência, mas a grande maioria têm a violência do cangaço, contra negros e pobres, como ocorre nas produções das décadas de 1960 e 1970.
Quanto ao cinema norte-americano ter produções de boa qualidade, posso dizer que as teve em certas épocas, mas agora são lamentáveis. Aliás, quando não aplicam a violência, aplicam as tragédias em suas produções, todas com forte apelo emocional e... comercial. Eles ganham todos os Oscars, claro. Essa grande farsa é montada na (Academia Mundial do Cinema), segundo eles mesmos denominam Hollyood.

Por fim, já satisfeito com todas as opiniões emitidas, com a delicadeza com que os caros companheiros esclareceram seus pontos de vista, encerro minha participação nesta discussão, o que não significa que ela deve ser encerrada, pois ainda possa aprender muito mais com a quantidade e a boa qualidade das observações até agora aqui publicadas.
E perdoem meus inúmeros erros de digitação. Quase nunca reviso o que escrevo

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