Muito papel e tinta (ou bits) tem-se gasto para analisar a derrocada da extrema-direita, nesse momento identificada com o candidato Serra, e os desdobramentos dela na oposição ao novo governo, que ao que tudo indica será de continuidade da aliança encabeçada pelo PT.
Todos os que se posicionam por uma sociedade mais justa e igualitária até se envolvem em debater que essa oposição de direita ao menos supere o velho discurso meramente difamatório, golpista e escamoteador de suas reais propostas para que o debate de idéias possa prosperar.
O que já é pedir muito, aliás.
Mas o que realmente interessa é debater e encaminhar a estratégia política da oposição de esquerda, porque é nela que se encontram (ou deveriam se encontrar) as sementes da transformação.
Certamente, esse debate não será encaminhado pela mídia, vinculada à manutenção dos interesses hegemônicos, senão de forma a se apropriar, quando não redirecionar, subvertendo seus objejtivos.
É uma constante a similaridade entre o discurso da oposição de direita e o da de esquerda.
Textos de uns e de outros muitas vezes só são distinguíveis quando se conhece a biografia do autor.
O que é muitas vezes uma armadilha, tendo em vista os ex-esquerdistas Jabor, Magnoli, Reinaldo Azevedo, etc..etc... o que leva muitos incautos a uma avaliação errônea da questão nodal de nossas desigualdades e do seu processo de superação.
Uma das maiores imposturas que se disseminou é que PT é igual a PSDB, que PT é tão neoliberal quanto o PSDB e por aí afora.
É evidente que a margem de manobra institucional de qualquer partido que se oponha ao atual sistema político é reduzida: para o PT o espaço para efetivamente realizar suas propostas e para a oposição de esquerda de propagar suas idéias.
Tanto em um caso como em outro, não se pode simplesmente afirmar que, devido a essas dificuldades, abdicou-se de seus ideais, ainda que em ambos os casos realmente existam os oportunistas para quem o posicionamento não passa de mero marketing pessoal, como é o caso, por exemplo, de Heloísa Helena do PSOL, para ficar no mais emblemático.
Outra falácia é a de que os movimentos sociais foram comprados a preço de banana pelo atual governo: seja através da liberação de verbas (algo previsto na legislação anterior para o MST, UNE...), seja através da burocratização e o “encastelamento” de dirigentes sindicais (ao mesmo tempo em que se diagnostica o “leilão de cargos” para os partidos aliados), seja no atendimento emergencial dos miseráveis reproduzidos por séculos de exploração (que lhes potencializa a inclusão que só se dará com desenvolvimento soberano).
Aí a coisa fica ainda mais grave pois se identifica ideologicamente com o udenismo, o pai de todos os golpes nos últimos 80 anos.
Cabe à oposição de esquerda, revisitar seus teóricos, encetar uma análise revolucionária e encaminhar uma ação transformadora da realidade (o que fazer?) para que novas lideranças aflorem nesse processo sem que seja necessário desconstruir, em aliança com a direita midiática, as lideranças existentes, por mais que fiquem aquém institucionalmente do que se pretende.
Há muitas lideranças de direita e sua mídia a combater para maximizar o espaço que já foi obtido (e significativamente aumentado em função dos avanços tecnológicos) para o necessário debate e é esse o campo onde a oposição de esquerda pode qualificar o debate e aglutinar forças.
Tal qual um dia o fez o PT em sua construção.
Com uma vantagem, a partir de conquistas, ainda que reduzidas, e não de derrocadas fruto de análises incorretas das organizações de esquerda de então.
Algumas que ainda hoje insistem em andar na contra mão da história e no espírito /discurso de igrejinha que não mobiliza ninguém para ações efetivas na construção da sociedade democrática que sonhamos.

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Respostas a este tópico

uai, eu acho o homi o máximo...
um animal político

mas tem o PT junto, foi o que disse luiza abaixo: Lula é PT e PT é Lula.
Isso que quis dizer que ele não é o Messias que chegou - e permaneceu - por ordem divina, mas porque tem um partido com ele.
Esqueci de falar, que qdo na formação de seu governo qdo tomou posse, o pelotão do senhor zé Dirceu e companheiros, acharam que iriam conduzi-lo , e o mensalão acabou com a farra deles, Dilma nem quer Zé Dirceu perto dela, ta que nem o Serra e o FHC.Foram pretensiosos e substimaram Lula.penso que a Dilma que fará seus ministros e secretarios com certeza é o Lula, que ja tem um olho no gato e outro na sardinha rsrs
não penso assim, mas o que penso não vale agora...
agora é dilma lá...
Bem, Cabocla, o que eu disse em resposta à Maria Dirce e o que eu tenho dito em todos esses anos que frequento esse espaço, em momento algum desqualifica o PT, pelo contrário.
Até porque participei ativamente e na base para sua fundação, bem como levo em todas as ações de minha vida os princípios que a nortearam.
Pagando o preço que me é cobrado, sempre.
Para mim, Lula é PT e PT é Lula.
Porém, nem todos no PT têm a força, a coragem, a humildade de aprender que teve (tem) o militante número 1 do partido.
Nesse sentido, que são necessários centenas de Lulas e não apenas no PT.
Tenho certeza de que Lula ficaria muito satisfeito em poder contar com uma militância e uma oposição de esquerda que levasse adiante os sonhos de tantos quantos construíram e defenderam o projeto que ele também abraçou, nas circunstâncias que ele e tantos outros enfrentaram.
E isso não se faz com discursos, com retórica, mas com atitudes concretas, que possibilitem de uma outra forma o rumo desejado.
Lula é PT e PT é Lula.
é isso.

quanto a problemas no PT, sempre existirão os egos em disputa, como em qualquer asociação humana, como em qualquer SER humano...

quanto ao que lula será depois da eleição e o que gostaria ou não, não sei.

centenas de lulas nunca existirão em nenhum partido.

mas ok, o ponto que queria esclarecer era esse: lula é PT e PT é lula.

bjs
Claro que vc entendeu o sentido figurado da centena de Lulas, não é?
Se prende a isso:
Cabe à oposição de esquerda, revisitar seus teóricos, encetar uma análise revolucionária e encaminhar uma ação transformadora da realidade (o que fazer?) para que novas lideranças aflorem nesse processo sem que seja necessário desconstruir, em aliança com a direita midiática, as lideranças existentes, por mais que fiquem aquém institucionalmente do que se pretende.

abs
"[...]sem que seja necessário desconstruir, em aliança com a direita midiática,[...]


"Até ao presente acreditou-se que a proliferação dos mitos cristãos, sob o Império Romano, só fora possível porque a imprensa ainda não tinha sido inventada. Pois ao contrário é que foi verdade: a imprensa diária e o telegrafo, que a todo instante espalham na Terra semelhantes invenções, fabricam mais mitos num só dia do que nunca se pôde fazer outrora durante um século, e o rebanho burguês acredita em tudo e propaga."

KARL MARX,Carta a Kugelmann, 27 de julho de 1871.


"É uma escolha cheia de insídias e de perigos que deveria ser feita com consciência, com critério e depois de amadurecida reflexão. Antes de mais, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recorda-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por idéias e interesses que estão em contraste com os seus. Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma idéia: servir a classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora. E, de fato, da primeira à última linha, o jornal burguês sente e revela esta preocupação. Mas o pior reside nisto: em vez de pedir dinheiro à classe burguesa para o subvencionar a obra de defesa exposta em seu favor, o jornal burguês consegue fazer-se pagar pela própria classe trabalhadora que ele combate sempre. E a classe trabalhadora paga, pontualmente, generosamente. Centenas de milhares de operários contribuem regularmente todos os dias com seu dinheiro para o jornal burguês, aumentando a sua potência. Porquê? Se perguntarem ao primeiro operário que encontrarem no elétrico ou na rua, com a folha burguesa desdobrada à sua frente, ouvirão esta resposta: É porque tenho necessidade de saber o que há de novo. E não lhe passa sequer pela cabeça que as notícias e os ingredientes com as quais são cozinhadas podem ser expostos com uma arte que dirija o seu pensamento e influa no seu espírito em determinado sentido. E, no entanto, ele sabe que tal jornal é conservador, que outro é interesseiro, que o terceiro, o quarto e quinto estão ligados a grupos políticos que têm interesses diametralmente opostos aos seus. Todos os dias, pois, sucede a este mesmo operário a possibilidade de poder constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa com prejuízo da política e da classe operária. Rebenta uma greve? Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há manifestação? Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos, facciosos, malfeitores.

Os Jornais e os Operários,Antonio Gramsci,1916
Paulo,

Creio que é básico para todos, em especial para quem se alinha à esquerda, o conhecimento do papel classista das empresas de comunicação.
Por isso mesmo, intriga o que mencionei: a similaridade entre textos e atitudes de militantes midiáticos de direita e de alguns esquerdistas.
Ou seja, até que ponto as esquerdas terminam por ser conduzidas também pela propaganda da direita em suas disputas internas.
Até que ponto a influência de informações distorcidas, malversadas, não dificultam a convergência das diversas leituras.
Dessa forma, não seria um dos pontos estratégicos para o fortalecimento e a aglutinação de forças o combate à manipulação encetada pelos meios de comunicação?
Outro, ponto, a Justiça.
Ou será que eternamente as esquerdas se utilizarão dessas distorções e manipulações para brigar entre si? Ficar satisfeitos em ver um adversário teórico ser esmagado pelo poder da mídia, enquanto muitos outros pontos os une?
Será que jamais seremos capazes de identificar o que é prioritário e exequível em uma determinada conjuntura, o que, verdade seja dita, a direita sabe fazer muito bem?
Enquanto selecionamos textos para mostrar um ao outro o conhecimento teórico e ficarmos felizes em demonstrar entre nós quem os seleciona melhor, não seria mais saudável captar-lhes o método para obter a estratégia adequada no momento adequado?
Estaremos condenados a sermos solidários somente na cadeia?
Permance a questão em pé: o que fazer para que quem realmente interessa utilize o conhecimento (obtido onde for) para si?
Luiza
Olha o que esta na folha de SP-estão entregando os pontos rsrs


A tragédia que se anuncia para os tucanos no plano nacional parece ter raízes bem mais profundas do que as trapalhadas com o vice Índio e indecisões ("ser ou não ser?") de José Serra no último ano.

Também não deve ser explicada só pelas conquistas econômicas angariadas em quase oito anos de governo.

Talvez os tucanos nunca tenham estado tão próximos do povo brasileiro quanto no período da reeleição do ex-presidente FHC, em 1998.

Naquela campanha, houve momentos em que eleitores balançavam no ar notas de R$ 1,00 diante do candidato-presidente. Foi um reconhecimento autêntico ao aumento do poder de compra que o fim da inflação trouxe.

O Plano Real foi obra de FHC, mas em cima de uma base aplainada e permitida por Itamar Franco. Assim como o sucesso de Lula se dá sobre o alicerce deixado por Fernando Henrique.

Mas, além de ter sumido com FHC nesta campanha, Serra e centenas de outros candidatos tucanos parecem estar cada vez mais distantes do povo.

A favela cênica apresentada por Serra no início do programa eleitoral na TV, em agosto, representa o ápice do autismo do partido.

O quadro atual para o grupo de Serra no PSDB é terminal.

Se perder a Presidência, os conservadores "Alckmistas" poderão ficar ainda muitos anos com o espólio paulista do partido. Já o vice-governador de São Paulo poderá ser Guilherme Afif Domingos, do DEM.

Trata-se de outro partido não identificado (especialmente no Sul e Sudeste) com os que devem eleger Dilma e uma grande bancada do PT no Congresso.

Restará ainda no PSDB Aécio Neves, ex-governador de Minas e futuro presidenciável.

O mais provável, porém, é que Aécio acabe encontrando outro ninho. Em um partido mais próximo das realidades do que Serra costuma chamar de "povão".



Fernando Canzian, 42 anos, é repórter especial da Folha. Foi secretário de Redação, editor de Brasil e do Painel e correspondente em Washington e Nova York. Ganhou um Prêmio Esso em 2006 e é autor do livro "Desastre Global - Um ano na pior crise desde 1929". Escreve às segundas-feiras na Folha.com.
Maria Dirce,

Estou talvez entre uma das que mais comemora as vitórias obtidas pelo governo Lula.
Porém, tenho plena consciência de que é necessário muito mais para garantí-las e avançar.
O enorme apoio popular a Lula e ao PT (não esqueçamos que é atualmente o partido mais admirado pela população), pode muito bem ser surrupiado por essa mídia que vai voltando as costas para Serra em alguns momentos, enquanto arma golpes por outro.
Essa é a preocupação.
É preciso ter bem claro que Serra é apenas um dos atores do projeto da direita.
Tem outros, muitos outros, que, se confirmada a vitória de Dilma, no dia seguinte estarão buscando criminalizar seus ministros, secretários, militantes de esquerda ou quem mais interessar.
Tenho certeza disso.È só começarem as nomeações as criminizações tb começam.A Mídia(pig) não vai aceitar nunca Dilma como presidente,será a mais perseguida de todos os presidentes.
Concordo plenamente com seu texto, Luiza e isto tem me preocupado bastante ultimamente. Sou eleitora do PT desde a década de 80 e pretendo votar em ao menos um candidato do PSOL. Apesar de não concordar plenamente com os posicionamentos deste partido, acredito que é necessário que se construa uma oposição de qualidade. Na prática, o que eu posso fazer é tentar fazer com que PSOL (partid que escolhi como uma das opções) possa ter quadros no legislativo, para que aprenda com a prática, deixando de lado as infantilidades da nossa esquerda. Foi assim que o PT cresceu. Se teve que fazer concessões para que isto ocorresse, isto fez parte do processo. Abriu caminhos para que outros possam chegar mais próximos da construção de uma sociedade socialista pela via democrática.
Acho que para deixar de fazer coro com este discurso da direita, só na prática mesmo.

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