Os valores orientam a nossa vida e influênciam as nossas decisões, determinando o que pensamos acerca de tudo: ficamos com melhor ou pior ideia, sobre qualquer coisa.

   A nossa relação com os outros, enfim, com o mundo, está  em grande parte subjacente a uma ideia valorativa, pois valorizamos constantemente tudo e todos.

   Acredito que as nossas preferências sejam conduzidas pelos nossos valores ( uma medida constante).

   De tal maneira, que muitos pensam que os seus próprios valores é que estão certos, ao ponto de que todos os outros - terem de aceitar.

  Por outro lado, não podemos deixar por vezes, de reparar que essas valorações acabam por ser acentuadas em determinados grupos culturais e sociais.

  Tudo isto, poderá a levar-nos a pensar que os valores que nos pautamos diáriamente, são subjectivos, relativos, dependente apenas de um gosto pessoal.

  Mas, também, não posso deixar de pensar na hipotese de que - a valoração que fazemos diáriamente dos outros, esteja assente na cultura em que estamos inseridos.

  Em termos praticos, deixo aqui, para quem entenda interessante, a discussão: quando valorizamos ou desvalorizamos algo, (no limite - uma pessoa) esse comportamento ou omissão, tem por base, um gosto pessoal/individual ou muito mais do que isso, tem haver com a cultura/ resposta colectiva em que vivemos.

  No limite, o meio ambiente em que estamos instalados leva-nos a rejeitar os nosso valores, enqunto ser individual?

  

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Respostas a este tópico

Sabe Vanda,

muito interessante,

vivo no meio de tudo que possa se dizer humano..claro né.

  de repente estou num meio social que pensa de  uma forma, daqui a meia hora estou noutro meio, pensando de outra maneira..

E fico sempre a analisar esta questão de valores, cultura ou  o diabo a quatro...

a vida foi me ensinando a não julgar e aceitar..ou melhor dizer Compreender.

quando estou  em contacto com a  classe Merdia , fico indignada com a concepção que eles tem ...

seus preconceitos, seus medos.( às vezes fico até com "pena" pode acreditar! )

quando estou dentro de um presídio, vejo o quanto se poderia ter feito, e me sinto fraca, impotente....

quando estou defendendo , apoiando,uma mulher violentada, sinto o chão se abrindo.. e eu juntamente com ela caindo neste abismo...

então!

você pergunta: "No limite, o meio ambiente em que estamos instalados leva-nos a rejeitar os nosso valores, enquanto ser individual?

Eu te digo, que não.

Não.

estou sempre nesta luta .

mas muitas vezes ,  a correnteza nos leva.

 

 

        Concordo, plenamente!

        Valoração faz-nos ficar no meio do caminho. Tal como você, já deu para ver, que os preconceitos, os medos, (sem dúvida) estão implicitos no acto de julgar o outro, não levam a lado nenhum.

      Mas, penso do que vejo a minha volta, que só tem essa atitude perante a vida, quem está num andar muito acima ( isto é, é uma pessoa  bem desenvolvida e muito segura de si própria).

      Claro que não! Mas, enquanto você diz: "a correnteza nos leva", eu diria, "as vezes, o preço é alto" - Mas vale a pena pagar !

 

       

       

Vanda,

"as vezes, o preço é alto" -

uma ginecologista, obstetra, nos disse outro dia, que foi preciso brigar muito com os( as) colegas

quanto à  humanização , com relação ao atendimento no hospital com relação as mulheres,sobretudo quando estas gritavam na hora do parto.

ou quando alguma, não sabia responder direito 

estas

justamente por uma classe, que deveria procurar entender-las.

e ela timidamente foi aos poucos, fazendo seus questionamentos perante aos colegas,

e justamente isto, ela disse que paga um preço alto.

 

mas veja.. quando falei que a correnteza nos leva, não quis definir como um pressuposto de

maria vai com as outras.

ao contrário,

a correnteza , quis definir como sinonimo de derrota.


Então , Marlí,

aí reside nosso cotidiano neste emaranhado,sendo que, nossa relação no mundo é de natureza valorativa.

Bom; preferências e valores variam em função da pessoa, do grupo social e, sobretudo, da cultura.

Ficaria a questão? ou a reflexão?

sobre a riqueza da diversidade dos valores,

É isto que escrevia  a Vanda quanta à humanização , Se estou tratando pessoas carentes,mesmo sendo estas portadoras .. sei lá de mil outras coisas( nem sei aqui nomear)

caberia a mim( neste sentido, como pessoa madura,esclarecida..)tratar a estes como eu gostaria de ser tratada, estando na mesma condições dos mesmos..respeitando seus valores....

Seria como , que me transportar ao outro..( por isto citei.. classe media, presos , mulheres violentadas...)

P.s.

Tente se imaginar conversando, entrando nestes mundos, daí a importância do diálogo intercultural.

E não falo de culturas lá longeeee,

fico aqui mesmo..

bjs nas duas..

 

     Claro que nós estamos em constante transformação e sem dúvida, que em cada momento, sem nos apercebermos valorizamos - motor de afectos ou desafectos, perante os outros.

    Neste processo, imagine encontra alguém pela primeira vez - simpatiza ou não simpatiza - você valorizou ou desvalorizou qualquer coisa: aprovamos ou reprovamos. Veja, o simples: em determinados hoteis de 5.* não se pode jantar de calções. Porquê? Resposta: fica mal - houve uma valorização. A pessoa de calças ou calções não é a mesma?

  Stella, levou a questão ao limite - onde choca mais: num hospital por exemplo, terei direito de atender primeiro aquele que terá melhor aspecto, melhor apresentação, mostrando poder economico do que outro, que se apresenta mal vestido, roto, mostrado pobreza? Não. Seria colocar a valorização enquanto valor moral contra a própria ética - que está ao serviço da moral.

  A valorização  moderada que até aceito que faz parte do ser humano, pode ser levado ao limite - de tratar de forma desigual, quando por exemplo estamos no papel de trabalhador(privado ou público), outrem?

  Essa desvalorização, poderá ser de tal forma grave, que leve a humilhar o outro?

 

   Trata-se de se encontrar e ter consciencia da fronteira. Aí, é como Stella diz "a correnteza nos leva" ou como eu disse - "parar onde nossos princípios nos levam, e não ligar para os outros, não desvalorizando ou valorizando o que não deve ter tal tratamento - e aí, sim, temos a consciência que o preço, pode ser alto. 

  Isto não é mais do que você diz, Marli " É precisamente a relação com esse complexo que faz da inteligência crítica uma inteligência também sensível".

 

   Gostei.

 

 

 

 

 

 

Sabe amig@s

estou num curso de preparação para ser mediadora dentro dos presídios,

então,

ontem até comentei sobre este nosso assunto aqui,

o comportamento valorativo,

e vamos descobrindo aos poucos, o quanto falta em nós, muitas mudanças..

bom dia pras duas..

 

  Stella, você fez lembrar uma situação que ocorreu comigo há muitos anos. (Coisas do dia-a-dia, infelizmente).

  Há muitos anos, trabalhei num hospital psiquiatrico. Nesse hospital existiam doentes com diversas patologias: uma crónicas outras agudas. Os doentes crónicos lá viviam. Claro, que conheciam melhor os profissionais, do que os profissionais, os conheciam a eles!!!

   Só não cria laços, com estes doentes quem não quer.

   Eu criei!  Quando saía do serviço... já longe do local de trabalho, às vezes, ouvia o meu nome... já sabia! Era um doente que me reconhecia. Para mim, na boa.

   Um dia, encontrava-me a almoçar, num restaurante todo envidraçado, com um colega.

   Um doente viu-me do lado de fora, e não fez mais nada, entrou para me cumprimentar... a sua maneira... mal vestido, e qualquer pessoa via, que se tratava de um doente de psiquiatria.

   O empregado do restaurante a bruta tentou tirar o doente do restaurante, pelo seu aspecto ( pois ele nada tinha feito, senão entrar num restaurante fino), para não prejudicar o seu negócio.

   Eu tive que agir. (Verdade, meia atrapalhada, de início mas ficando firme depois).

   Resolvi a questão, acabando por sair com ele, falando.

   Entrei novamente no restaurante, e o meu colega comentou: - não sei como te podes dar e conversar com este tipo de pessoas (sabendo que se tratava de um doente do foro psiquiatrico) e que só queria cumprimentar, queria algumas moedas e um pouco de atenção.

       Naquele momento, meu colega teve medo de ser desvalorizado pelo aspecto exterior daquele indviviuo mesmo sabendo que era doente e que não fazia mal a ninguém. Valorizou a situação desvalorizando o outro, por medo de contágio, em relação a outros, que nem sequer conhecia. ( Medo do juízo de valores).

 

     Bj.

  

 

       

  

 

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