Cada vez mais fico assustado. Sou mesmo muito ingênuo para ficar me assutando a toda hora: ainda não entendi que o mundo mudou; que neste novo mundo não há mais lugar para a antiga divisão entre  direita x esquerda; que eventuais discordâncias se resolvem em um ambiente confortável, com ampla discussão entre pares civilizados, igualmente imbuídos no propósito de savar a natureza ... e por vai.

Não sei, e quero me penitenciar, como pensei coisas horríveis de pessoas como a Senadora Kátia Abreu até bem pouco tempo atrás. Além de promover a paz no campo, de distribuir terras conseguidas com sacrifício, de batalhar contra o trabalho escravo, a Senadora está também muito empenhada em salvar o "meio-ambiente", diria até que o "ambiente inteiro". Não bastasse toda essa demonstração de amor ao próximo e à natureza, e ainda bem que o faz com total desinteresse, atesta, com total fervor e senso de justiça, a qualificação moral, ética, ideológica, política etc.  do Deputado Aldo Rebelo. Penso que agora o país pode dormir em paz. Que os "esquerdistas" tomem consciência de sua importância para o desenvolvimento da nação; que dêem os braços aos nossos tão injustiçados parceiros de "direita",  e sobretudo aprendam com seu sentimento de solidariedade, desprendimento e humildade.

 

Um abraço fraternal a todos.

Francisco

 

Em tempo: para maiores esclarecimentos leia "A coragem moral de Aldo Rebelo" por Katia Abreu, página A3 da Folha de São Paulo de 24/06/10, e "Musa do trabalho escravo, senadora Kátia Abreu comanda....", por Leandro Fortes, Carta Capital, em 27/11/09.

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Caros
"Não se faz omelete sem quebrar ovos"

Francisco, percebi que sua indignação esta calcada nas historias antagonicas dos citados, e ainda reforça essa indignação com os acordos firmados entre PT, Lula, PMDB, Sarney e outros tantos, pois bem o que tento colocar aqui é que essa luta não esta entre nós brasileiros, mas ultrapassa nossas fronteiras.

Lula, apesar de todos defeitos, percebeu esse monumental entrave para nosso desenvolvimento e inteligentemente fez aproximações politicas e comerciais com paises da Asia e exatamente ações dessa natureza nos aliviou ou afroxou a coleira que nos atava.
Para isso, Lula obrigou-se a aglutinar forças internas que como voce bem lembrou com historias totalmente antagonicas, porem, se não aglutinadas torna impossivel a minima governabilidade.

Resumindo nossa luta em depurar nossos dirigentes internamente é necessario, porem a união de todos, indistintamente, para vencer essa maquina internacional que não quer nos ver desenvolvidos é imprescindivel.

Quanto a recomendação da Luzete, penso que devemos analisar bem a origem de tais listas e ações anti desenvolvimentistas, pois como escrevi em outras ocasiões, creio que politicas para desenvolvimento de agricultura familiar deve ser implantadas não com a finalidade de desenvolvimento nacional porem para sanear problemas de ordem regional, onde haja bolsões de pobreza e ainda em areas com população que tenha afinidades agricolas.
Essas politicas invariavelmente são exatamente patrocinadas por agentes e ONGs cujo interesse real nem sempre é tão nobre como parece ser, essa especificamente não cheguei a conferir, porem se formos verificar com profundidade chegaremos certamente em ONGs internacionais.

Por tudo isso, Lula me surpreendeu com a politica internacional que trilhou, percebam, com apenas 6 anos de governo conseguiu reservas superiores a nossa antiga e impagavel divida, como podemos explicar isso? Só consigo explicar que fomos explorados por muitos e muitos anos. Chega.

Abraços a todos.
está correndo um abaixo assinado pelo limite da propriedade da terra, a ser enviado ao congresso.

http://www.abaixoassinado.org/assinaturas/abaixoassinado/6322/1
Cara Luzete

Acho que a proposta de limitar o tamanho das propriedades rurais com fim de favorecer a reforma agrária é uma péssima proposta. Talvez isto vá soar como um absurdo num primeiro momento, mas tentarei explicar o meu ponto de vista.

Os grandes proprietários estão localizados em áreas distantes e de difícil acesso, logo a utilização dessas terras para reforma agrária no lugar de solucionar um problema criará outro.

Vou me remeter a primeira grande proposta de reforma agrária feita no fim do governo Jango, que previa a desapropriação de áreas em torno de rodovias federais, sem entrar no mérito se eram ou não áreas produtivas. Por que esta proposta surgiu no governo Jango? Por um simples motivo, Jango era pecuarista (e capitalista também) e entendia de campo.

O grande problema da reforma agrária é que quem a propõe muitas vezes não sabe diferenciar uma couve de um espinafre, ou conhecendo a diferença propõe legislações que na prática não darão resultados.

Toda a legislação de reforma agrária brasileira se baseia em dar ao sem terra, terras improdutivas, talvez neste ponto que esteja o grande erro. Por que existem terras improdutivas? Será que um proprietário de uma grande área, diríamos uns 2000 ha, não produz na sua terra porque ele não gosta de ganhar dinheiro? Ou seria, porque esta terra é mesmo improdutiva?

O agronegócio hoje em dia está concentrado em áreas distantes dos centros populacionais por um simples motivo, as terras são mais baratas. A diminuição do custo da terra quando se afasta dos grandes centros viabiliza este tipo de exploração extensiva. Se quisermos uma exploração intensiva, típica da pequena propriedade, temos que utilizar terras para a reforma agrária próximas aos centros consumidores, desta forma o assentado terá possibilidade de agregar valor ao seu produto e vendê-lo diretamente ao consumidor.

O Brasil tem uma extensão de terra que permite a coexistência entre o agronegócio e a agricultura familiar. O primeiro, devido a sua escala e voltado para a exportação, não necessita proximidade aos centros consumidores, se tiver vias de transporte adequadas poderá ficar a 100 ou 200 quilômetros dos grandes centros, já o segundo se estiver a mais de 50 quilômetros dos centros consumidores não é viável.

Não podemos pensar num pequeno produtor plantando soja ou criando gado de corte, porém se ele se dedicar aos horto-fruto-granjeiros, a apicultura, a produção de gado leiteiro com seus derivados, a criação de suínos ou aves, a pequena propriedade fica viável.

A base da reforma agrária que está errada, a idéia do aproveitamento de grandes áreas distantes dos centros urbanos causará o rápido empobrecimento dos pequenos produtores nesta área, sobrecarregando o estado de uma infra-estrutura necessária (escolas, hospitais, etc.) para atender a necessidade básica deste produtor rural. O importante de uma reforma agrária é criar condições que os assentados não só sobrevivam, mas consigam progredir agregando valor ao seu produto.

Em torno das grandes cidades temos verdadeiros cinturões de sítios que são adquiridos pelos moradores dessas cidades dando para estes dois grandes prazeres na vida, o primeiro quando compram e o segundo quando vendem. Estas pequenas propriedades é que são realmente improdutivas. Áreas como estas é que são adequadas para pequenas propriedades e agricultura familiar. Sei que vou arrumar um monte de inimigos, serei denominado como o algoz dos sítios de lazer, mas se quisermos uma reforma agrária que dê certo, teremos que adotar soluções impopulares como estas. Utilizar 100.000 ha no meio do nada para assentar sem terras é criarmos um problema sem solucionar outro.
rogério,
confesso à você que lendo suas razões, elas até parecem interessantes e lógicas.
mas não acredito que o problema seja tão somente geográfico, entendes.
passa também por questões de soberania nacional.
por aí... rogério.

o agronegócio não está para brincadeira. e quando falo agronegócio falo de vultosos investimentos estrangeiros... e não foi a toa que o próprio presidente lula manifestou preocupação sobre o assunto.
Luzete

Eu estava falando da posse de terras no Brasil por brasileiros, quanto a posse de terra por pessoas físicas estrangeiras é outra coisa.

O problema é como proibir a posse de terras por empresas não nacionais ou com laranjas brasileiros.
A ofensiva do agronegócio contra o povo brasileiro
(deixo apenas trechos de cada aspecto abordado no texto publicado no site do MST, contudo mantive a íntegra da questão abordada aqui no tópico: o aval de aldo rabelo... )

O Brasil é alvo de uma ofensiva do grande capital, articulado pelas empresas transnacionais e pelos bancos, dentro de uma aliança com os latifundiários capitalistas, que criaram um modelo de organização da agricultura, chamado de agronegócio.

Nesse processo, o agronegócio tenta impedir o desenvolvimento da pequena agricultura e da Reforma Agrária e consolidar o seu modelo de produção, baseado na grande propriedade, monocultura, expulsão da mão-de-obra do campo com o uso intensivo de máquinas, devastação ambiental e na utilização em grande escala de agrotóxicos.

Compra de terras por empresas estrangeiras

Dados do Incra apontam que nos últimos anos foram vendidos pelo menos 4 milhões de hectares para pessoas e empresas estrangeiras. Isso prejudica os interesses do povo brasileiro e debilita a soberania nacional sobre os nossos recursos naturais. O governo federal demonstrou preocupação com essa ofensiva, até porque as empresas usam subterfúgios para desrespeitar a legislação em vigor. Um diretor da empresa finlandesa de papel e celulose Stora Enso admitiu que criou uma empresa no Brasil para burlar a lei, comprar ilegalmente 46 mil hectares na fronteira sul do país e implantar o monocultivo de eucalipto.

Só no setor sucro-alcooleiro, por exemplo, empresas transnacionais já compraram 30% de todas as usinas com suas fábricas e terras..

Arroz transgênico da Bayer

Nas últimas semanas, o agronegócio tenta avançar com seu projeto para a agricultura brasileira em duas frentes: mudanças no Código Florestal Brasileiro e na liberação do arroz transgênico. Enquanto a flexibilização da lei ambiental viabiliza o desmatamento para a expansão do agronegócio, os transgênicos passam o controle das sementes dos agricultores para a propriedade privada de cinco empresas transnacionais. Com isso, Bayer, Basf, Monsanto, Cargill e Syngenta criam patentes e impõem os royalties àqueles que produzem.

Os movimentos camponeses, ambientalistas e entidades de direitos humanos tivemos uma vitória importante com a pressão social e política contra a liberação do arroz da Bayer, que retirou a proposta da pauta de votação da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), nesta quinta-feira. Essa variedade de arroz, por causa do consumo popular, não está liberada em nenhum país do mundo

A aprovação do arroz transformaria o Brasil em uma cobaia.

Há pesquisas que demonstram que o glufosinto, utilizado nas pulverizações da variedade desenvolvida pela Bayer, é tóxico para mamíferos e pode dificultar a atividade do cérebro humano.

O médico Wanderlei Antonio Pignati, doutor em saúde e ambiente, pesquisador da Fiocruz e professor da Universidade Federal do Mato Grosso explica que as grandes indústrias fazem sementes dependentes de agrotóxicos e fertilizantes químicos porque também são produtoras desses venenos.

O recuo da Bayer representa uma pequena vitória da sociedade brasileira, principalmente porque demonstra que é possível enfrentar e impor derrotas às empresas transnacionais.

Mudanças no Código Florestal

Em relação ao Código Florestal, a votação do relatório apresentado pelo deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) está prevista para o começo de julho. O texto do projeto de lei beneficia os latifundiários do agronegócio, com a abolição da Reserva Legal para agricultura familiar, a possibilidade de compensação fora da região ou da bacia hidrográfica e a transferência da responsabilidade de definição da legislação ambiental para os Estados e Municípios.

Mais preocupante para a Reforma Agrária é a anistia a todos os produtores rurais que cometeram crimes ambientais até julho de 2008. Áreas que não cumprem a função social e, de acordo com a Constituição, deveriam ser desapropriadas e destinadas para os trabalhadores rurais sem-terra, continuarão nas mãos dos latifundiários. Ou seja, com a aprovação do novo código, o Congresso Nacional modificará a Constituição apenas para atender os interesses daqueles que monopolizam as terras em nosso país.

Enquanto as empresas do agronegócio comemoram discretamente, os ruralistas estão eufóricos com a possibilidade de legitimar o desmatamento já realizado e abrir a fronteira agrícola sobre as nossas florestas e áreas de preservação.

O que não se esperava mesmo era que os setores mais conservadores encontrassem nesse ponto um apoiador fora do ninho, que mereceu até mesmo elogios da senadora Kátia Abreu (DEM), que há pouco tempo tentava se cacifar para ser candidata a vice-presidente de José Serra (PSDB). Uma vez que Kátia Abreu, presidente da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) e porta-voz do setor mais reacionário dos latifundiários, é a principal defensora dessas mudanças, fica evidente quem se beneficiará com as propostas do deputado Aldo Rebelo.

Até agora, muitas vozes se levantaram contra essa proposta, como as igrejas, entidades ambientalistas, parte importante do movimento sindical e movimentos populares, especialmente a Via Campesina Brasil, que manifestaram repúdio ao projeto. Um abaixo-assinado colheu milhares de assinaturas para sensibilizar o Congresso, parlamentares progressistas pediram vistas ao relatório e o Ministério do Meio Ambiente se colocou contra as propostas. O próprio governo, cujo o partido político do deputado Aldo Rebelo compõe a base parlamentar, veio a público para criticar o projeto.

Esperamos que a pressão da sociedade consiga evitar a destruição da legislação ambiental e a devastação do conceito de função social da propriedade, que determina a realização da Reforma Agrária. Em vez de acabar com o Código Florestal, precisamos manter os seus princípios e aperfeiçoá-lo, preservando a natureza em benefício de toda a população e das gerações futuras.

SECRETARIA NACIONAL DO MST



(segue o link http://www.mst.org.br/node/10174 )
Francisco,

Para contribuir com a pertinente discussão, sem formar juízo de valor, diante da complexidade do assunto:


Abraço
Cara Luiza
Apenas para complementar meu texto acima quando falo dos interesses internacionais sobre nosso desenvolvimento economico, esse Sr João Paulo Capobiano que aqui debate com o Dep. Aldo Rabelo sobre desmatamento é um conhecido ambientalista, alem de secretario no Ministerio do Meio Ambiente na gestão Marina Silva, foi fundador e presidente por longa data das ONGs ISA Istituto Ambiental e SOS Mata Atlantica.
Essa primeira instituição tem publicada na internet seu balanço dos anos 2007, 2008 e 2009 com importancias recebidas do exterior respectivamente, R$ 9.593.9889,00 , R$ 12.559.525,00 e R$ 13.599.525,00, como pode perceber um crescimento de de quase 30% ao ano em verbas estrangeiras.
Perguntas:
- Qual o interesse de estrangeiros em bancar ONGs para cuidar do codigo florestal brasileiro ?
- Por que cresce assustadoramente acima de 30% ao ano essas verbas para essas ONGs.?
- Acaso somos incapazes de gerenciar nossas riquezas naturais ?

Só tenho uma resposta, que vai em tom de acusação, estão patrocinando maus brasileiros que para meter as mãos em dinheiro ficam se posando de ambientalistas salvadores do planeta.

Desculpem o desabafo.
Abraços
sebastião,
acho extremamente importante este teu tópico e a condução do tema de forma desapaixonada, como você vem fazendo, de modo que recolhamos o maior número possível de informações para saber direitinho o que está acontecendo.

eu continuo achando que neste angú tem caroço mas, por outro lado, o aldo tem uma trajetória de luta que não se pode jogar no lixo... mas... por outro lado... (são muitos os lados nesta história...) sou, por princípio, absolutamente contrária a qualquer coisa que saia da UDR, logo, ver kátia elogiando o aldo é, no mínimo, intrigante...
luzete e sebastião,

Para mim toda essa questão agrária é objeto de inúmeros interesses altamente conflitantes e outros algo convergentes, como de resto toda as questões dentro do sistema capitalista.
Naturalmente, o Aldo Rebelo está no centro do furacão de toda essa discussão, como relator do novo Código Florestal.
Mas, apesar de todas as minhas dúvidas não creio que o mero elogio de Katia Abreu a seu posicionamento seja determinante de alguma coisa.
Como não são determinantes os elogios que Lula recebe de El País, Financial Times et caterva... ainda que nesse caso tenham o papel de nos livrar do espírito de vira-latas que sempre nos impigiram.
Se o elogio de Katia Abreu coloca uma pulga atrás da orelha em relação ao deputado, a ferocidade do Greenpeace contra ele acaba empatando o jogo.
Porque já se sabe qual é do Greenpeace nessa altura do campeonato, não é?
A defesa que Aldo Rebelo faz de seu relatório aqui tem pontos bastante coerentes, assim como alguns de difícil assimilação, para não dizer outra coisa...
Mas poderia ser diferente quando de qualquer forma está se tratando de propriedade privada, seja ela grande ou pequena?
E de leis cujo cumprimento só é exigido de quem não tem como postergar?
mas não é um mero elogio, né, luiza.
olha, e vou te dizer, mesmo que fosse um mero elogio... eu ficaria sim, muito, mas muito cabreira, sabia?! demais da conta!

desta turma que dá nó até em pingo d'água quero distância.

mas, naturalmente, quero acompanhar bem direitinho o debate. gostei da manifestação do MST. a mim mais razoável! sobretudo porque a hora de discutir é esta!

eu acho o seguinte (fosse eu o aldo rebelo): ficaria mais esperto porque tem algo errado aí, sim... a menos que a formulação esteja sendo mal interpretada pela kátia... ou pelo MST!
certamente, a hora de discutir é essa, ou melhor, vem sendo desde 1965 quando o Código foi criado.
apenas o foco no elogio da Katia Abreu não ajuda muito... não só o Aldo Rebelo, mas todos nós temos de ficar muito espertos.

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